quinta-feira, março 02, 2006

Reflexões de Herman (2)

.



Um texto mais curtinho dessa vez, minhas aulas começaram e estou bastante ocupado. Bon Apetit,

Herman Oliveira.


Ella usó mi cabeza como un revolver, e incendió mi conciencia con sus demonios

Soda Stereo


Dá para se fazer inúmeras leituras dessa frase (a primeira), e em cima dela criar inúmeras situações, metáforas e causos. Lembra frases do Cortázar, que , às vezes, cria imagens tão poderosas e complexas que, quando não se consegue imaginar o que ele quis dizer com uma frase, ele joga mais uma tão poderosa quanto a outra, criando uma espécie de confusão e curiosidade extrema que poucas vezes é saciada decentemente; o normal é desistir, ou achar que sabe o que é aquilo para poder partir para a outra. Numa comparação barata, é como se fosse explicar um conteúdo inédito - um novo tipo de equação, por exemplo - com todas as variáveis conhecidas, mas que ainda assim não se consegue juntar todas as partes e se fazer compreender o todo. As palavras são as partes iniciais, que possibilitam a criação das metáforas, que são a segunda parte, mas que podem ter fases infinitas, só que nem o compreendido na primeira fase vai poder ser útil para a compreensão do todo, a metáfora completa. Mesmo assim, a curiosidade de saber aqulo, de tentar acompanhar a imagem criada é tanta que se cria uma espécie de "atalho" ao pensar que tal coisa é aquilo ali que não se sabe, apenas para seguir adiante na intricada teia de metáforas que se pode criar a seguir. Chega uma hora que extrapolou tanto o conhecido que se desiste e se passa para outra. Mas, como um treinamento, não se pode desistir, pois o resultado, quando encontrado, é recompensador e inspirador.

..

Nenhum comentário: