quinta-feira, junho 12, 2008

Reportagem Multimídia

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Excelente reportagem multimídia produzida como TCC por alunos da Universidade Anhembi Morumbi, orientado pelo professor Fábio Cardoso.

Trata do comércio informal nos trens paulistas. Vale a visita pela profundidade que os alunos conseguiram dar ao tema e pelas boas soluções interativas que acharam para expor esse conteúdo.

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quarta-feira, maio 21, 2008

Futuro da blogosfera

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É difícil fazer prognósticos futuros exatos do que será da blogosfera.
Mas é nisso que as pessoas tem mais curiosidade, sejam os leigos ou mesmo aqueles que pesquisam com afinco o assunto. Inclusive, estes prognósticos permeiam as reflexões de muitos trabalhos científicos realizados nesta área, porque parte de nosso esforço de tentar compreender o fenômeno hoje é imaginar o futuro dele - mesmo que seja um futuro próximo, e mesmo que as maiores descobertas não sejam tão grandes descobertas para quem as acompanha de perto.
Tudo é um processo, diriam alguns intelectuais.

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O slide abaixo, que trata justamente do futuro da blogosfera, foi apresentado na V Jornada de Medios & blogs de Granada, realizado nos dias 15 e 16 de maio em Granada, Espanha. Quem os apresentou foram dois importantes pesquisadores espanhóis de blogs: Tiscar Lara, professora de jornalismo da Universidad Carlos III de Madrid, e Sergio Martinez Mahugo, professor de jornalismo digital e Diseño Periodístico da Universidad CEU de Elche.



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Mahugo compilou uma séria de pistas, também apresentadas no evento de Granada, sobre o que será o futuro dos blogs . Vale a leitura; alguma das pistas que adianto aqui são:

1) "La blogosfera seguirá creciendo porque se seguirán creando blogs, pero se blogueará menos y se abandonarán muchos más blogs de los que se crean

2)
El microblogging ganará terreno al blogging;

3) Sí o sí, pero se tiene que normalizar el uso de la blogosfera como fuente informativa o como sistema de alerta temprana de noticias para los periodistas ;

O resto vocês podem ver direto neste post do blog do Mahugo.

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segunda-feira, maio 12, 2008

Medindo sucesso de um blog

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Gabriela Zago fez um post sobre uma interessante forma de se medir o sucesso de um blog. Na verdade, ela traduziu o post "How do you measure a blog's success", do Online Journalism Blog, e executou a idéia sugerida pelo post.

A idéia do post é a seguinte (essa parte é tirada do blog do Gjol, que deu a notícia) :

É possível dizer que um weblog é popular por muitos motivos, como:

- tráfego (page views, visits, visitors);
- discussões (comentários, trackbacks, linkbacks);
- posição em sistemas de busca (page rank);
- leitores (assinantes do feed, presença em blogrolls) e
- reputação (algo um tanto mais subjetivo, baseado no que as pessoas pensam de um website, e nas qualificações da pessoa que escreve para ele).

Se você pegar todos esses dados e elaborar rankings baseados nesses diferentes tipos de informação, há grandes chances de que nem todos os blogs listados irão aparecer na exata mesma posição em cada um desses rankings."

O que fazer?

Visto que nenhum rank é perfeito, uma solução parcial é analisar como os websites se comportam quando se avaliam diferentes aspectos.

E, no final, podemos combinar os diversos resultados e produzir uma lista síntese:

A lista final foi calculada com base nos aspectos mencionados acima (Bloglines, Google Reader, PageRank, Alexa, Technorati, Google Results, Google Blogsearch Results).

Toda vez que a posição de um blog era #1 em um desses aspectos, ele ganhou 10 pontos. 9 pontos para posição #2, 8 pontos para #3, e assim por diante. O resultado é uma soma desses pontos. E sim, os blogs do Guardian e do Telegraph foram privilegiados, já que seus ranks no PageRank e no Alexa são calculados com base no site raiz.

O post de Gabriela pode ser visto aqui.

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segunda-feira, maio 05, 2008

Slides

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O blog do Gjol fez um interessante post indicando uma série de slides que Jeff Jarvis, professor de jornalismo da Cuny Graduate School of Journalism, produziu para as suas aulas.

Um trecho do texto de apresentação dos slides, sob tradução do GJol:

(...) estamos ensinando as ferramentas de todas as mídias para todos os estudantes e exigindo que eles componham narrativas nas várias linguagens durante o tempo que estão lá (...) Ao mesmo tempo estamos trabalhando em planos para a derrubada das paredes entre os espaços de prática das diferentes mídias - impresso, broadcast, interativa - sem deixar de preparar os estudantes para trabalhos especializados.

Vale uma conferida nos slides, aqui abaixo.

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quinta-feira, maio 01, 2008

Blogueiro-repórter

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O Interney, talvez a mais conhecida rede de blog brasileira, lançou uma interessante proposta chamada "Blogueiro-repórter".

Vai funcionar da seguinte maneira: blogueiros, jornalistas ou não, terão de fazer um post especial para a iniciativa contendo uma fonte (no sentido jornalístico da palavra) e conter algum tipo de apuração (no sentido jornalístico da palavra.

Os posts deverão ser mandados até o dia 12 de maio, uma segunda-feira. Não vale usar material pronto da mídia tradicional ou de outros blogs como fonte.

Alguns dos posts que vão participar da iniciativa também serão publicados em uma revista a ser criada estritamente com este propósito. O nome dela, provisório ainda, é Vox Blog.

Mais informações aqui.

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sexta-feira, abril 18, 2008

Jornalistas X Blogueiros

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"Vale a pena assistir a essa entrevista com Brian Stelter, que saiu no LostRemote. Stelter tinha um blog “independente”, o TV Newser, até junho de 2007. Largou tudo para ser repórter de TV do The New York Times. Alguns meses depois foi convidado a ter um blog no jornal. Hoje é editor do TV Decoder, um dos melhores blogs de TV do NYT e da rede. Stelter foi um dos primeiros a fazer a ponte entre novas e velhas mídias. "

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terça-feira, abril 08, 2008

Monografia

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Como o prometido aqui, no início do mês passado, abaixo vai o link para baixar minha monografia, "Os weblogs como elementos propulsores do alargamento do campo jornalístico".

http://rapidshare.com/files/158089846/Monografia_Completa.pdf.html

Como falei antes, o texto não tem nada demais para quem já estuda weblogs, mas até que faz uma compilação interessante sobre o assunto, principalmente da relação do jornalismo com a blogosfera. E sempre é bom compartilhar o conhecimento, facilita na busca de alguém que eventualmente tenha interesse no assunto.

O resumo é esse aqui:

Este trabalho apresenta os weblogs e alguns dos questionamentos que eles provocam no campo jornalístico. Para isso, inicialmente faz uma revisão histórica e conceitual do que vem a ser um weblog e apresenta as suas características e subdivisões principais. Após, relaciona os weblogs com o jornalismo, trazendo as primeiras discussões e algumas conclusões acerca dessa relação. Por fim, explica como se dá a aproximação da blogosfera com o campo jornalístico e apresenta as diretrizes de alargamento do campo ocasionadas por essa aproximação.

A conclusão que se chega é de que as diretrizes de alargamento propostas pela blogosfera levam o campo jornalístico em direção a um jornalismo mais articulado, que vem a ser chamado de ‘jornalismo sistema’.

O objetivo deste trabalho é sistematizar elementos decorrentes da aproximação entre o campo jornalístico e a blogosfera para, a seguir, apresentar algumas diretrizes de alargamento do campo propostas por esses mesmos efeitos.

O trabalho está dividido em quatro capítulos: os Weblogs, Weblogs e Jornalismo, Blogosfera e Campo jornalístico: Aproximação e Conseqüências e Considerações Finais.

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segunda-feira, março 31, 2008

Números

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Uma interessante notícia da blogosfera brasileira saiu por estes dias no Idg Now, um site de notícias do mundo da tecnologia digital (slogan: "Tecnologia em primeiro lugar"):

Blogs tem 10 milhões de leitores no Brasil

O número de usuários brasileiros que lêem blogs atingiu 10 milhões de pessoas em fevereiro de 2008, segundo dados do Ibope/NetRatings, o que representa 45,5% dos internautas ativos. Em dezembro do ano passado, eram 9,6 mihões de brasileiros que acessavam blogs.

As ferramentas Wordpress e Blogger são as que concentram mais leitores. Juntas, têm 7,7 milhões de usuários únicos mensais. Um ano antes, eram 3 milhões. O Brasil e a Espanha têm o maior índice de usuários dessas duas ferramentas.

"Cerca de 65% dos leitores de blogs chegam a essas páginas a partir de buscas no Google, o que indica que os blogs anônimos são dependentes dos buscadores. Em geral, são pessoas bastante jovens, na faixa de 12 a 24 anos", explica José Calazans, analista de mídia do Ibope/NetRatings.

Por outro lado, a maior parte da audiência dos blogs famosos é transferida da capa dos portais que os abrigam. Blogs de jornalistas conhecidos atraem público mais velho, a partir de 35 anos. "Os jovens utilizam e comparam mais fontes. Eles também selecionam e filtram mais informações obtidas em fontes amadoras."

O relatório do Ibope/NetRatings mostrou também que 80% do total de internautas residenciais ativos navegam mensalmente por meio de conexões rápidas. Entre leitores de blogs, esse índice chega, em algumas ferramentas, a 91%.

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Algumas Referências (2)

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Continuando a série de referências, aqui vai uma boa dica: a revista da Federación Latinoamericana de Facultades de Comunicaión Social (FELAFACS) - Diálogos de la comuncación - tem a sua atual edição inteiramente dedicada aos weblogs.

O sumário é esse aqui:

Los blogs en la comunicación empresarial
Dra. Amaia Arribas Urrutia (México)


Os blogs no ensino do jornalismo:
Relatos e reflexões a partir de experiências pedagógicas
Beatriz Ribas / Marcos Palacios (Brasil)

Periodistas iberoamericanos con voz en la blogosfera

Bella Palomo (España)

En busca del sujeto extraviado. Reflexiones en torno al estudio de blogs

Dorismilda Flores Márquez (México)

Blogósfera en Rusia

Elena Igorevna Dityatkina (Rusia)

Perfil del blogger hispano. III Encuesta a Bloggers

Fernando Garrido y Tíscar Lara (España)

Los blogs no amenazan al periodismo

Gerardo Albarrán de Alba (México)

Os Blogs e a Comunicação no mercado digital e virtual

Helaine Abreu Rosa (Brasil)

Reflexiones sobre la pecera mediática

Jerónimo León Rivera Betancur (México)

La percepción mediática de los blogs: del miedo al intrusismo al intrusismo de los medios

Dr. José Manuel Noguera Vivo (España)

La angustia estilizada. El blog como actuación interpersonal

Luis Sandoval (Argentina)


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Dá para ler os artigos na íntegra nos links de cada um dos textos.

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terça-feira, março 25, 2008

Anos Incríveis

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"Quando somos criancas, somos um pouco de cada coisa. Artista, cientista, atleta, erudito. Às vezes parece que crescer é desistir destas coisas, uma a uma. Todos nos arrependemos por coisas das quais desistimos. Algo de que sentimos falta. De que desistimos por sermos muito preguiçosos, ou por não conseguirmos nos sobressair, ou por termos medo".


(Kevin Arnold, no episódio "Coda")


Sabedoria da melhor série que os americanos já produziram.



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terça-feira, março 18, 2008

Outro documentário

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Saiu outro documentário sobre blogs, confirmando que entender os weblogs é mesmo a bola da vez.

Desta vez, o vídeo foi produzido por Manuel Campo Vida e tem aproximadamente 22 minutos. Tem diversas entrevistas com pesquisadores que são referência no assunto, o que faz o documentário ser bem recomendável.

Ele pode ser visto aqui.

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segunda-feira, março 17, 2008

Algumas referências

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Como era de esperar, ando lendo alguma (muita) coisa de blog para fazer a dissertação. Por sorte, muita coisa vem sendo publicada sobre o assunto nos últimos tempos.

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No Brasil, está para sair ainda neste primeiro semestre o primeiro livro sobre blogs, organizado pelas pesquisadoras Raquel Recuero (UCPEL), Sandra Montardo (Feevale) e Adriana Amaral (UTP). Aliás, livro este que terá um texto meu tratando da relação entre a blogosfera e o campo jornalístico, um dos alguns artigos que espremi de minha monografia, "Os weblogs como elementos propulsores do alargamento do campo jornalístico", defendida em fevereiro do ano passado.

Como a monografia ainda não está disponível na rede, vou ver se em um curto prazo dou um jeito de disponibilizá-la aqui. O texto não tem nada demais para quem já estuda weblogs, mas até que faz uma compilação interessante sobre o assunto, principalmente da relação do jornalismo com a blogosfera. Vai que alguém tenha interesse.

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Mas comecei esse post com a intenção de dar alguma referência do que ando lendo sobre o assunto, então vai lá.

"Bitácoras: La consolidación de la voz del ciudadano", de 2007.

Ótimo livro de Xosé Lopez García e M. Otero López, ambos professores da Universidade de Santiago de Compostela - não estranhem a língua da página: é o galego, mais conhecido como o "português" do norte", como se fosse um portunhol estranhamente recheado de "x".
O livro tem o mérito de ir mais à fundo no estudo dos weblogs do que a maioria dos seus pares, e traz ótimas idéias a respeito de "La Realidad de un periodismo cambiante", título do primeiro capítulo.

Para quem procura uma definição de blog, interessante também é o quadro (pág. 60-61) com 13 conceitos de blog encontrados em pesquisas, livros e sites da internet. Como o livro é do ano passado, os conceitos e as referências estão fresquinhas ainda.

Quem se interessar pelo livro pode comprá-lo aqui ou aqui. Ou, então, pode entrar em contato comigo. Posso dar um jeito de consegui-lo de forma mais barata.
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sexta-feira, março 14, 2008

De volta com os blogs

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Saiu recentemente um interessane trabalho sobre blogs e jornalismo: o documentário multimídia Blogs e Jornalismo. Produzido pelo argentino Alvaro Liuzzi, o vídeo contém 11 entrevistas com jornalistas e especialistas em meios sociais na internet. Segundo informações do autor, o documentário é multimídia porque existe a possibilidade de vê-lo de forma não linear.

Alvaro criou um blog especialmente para publicação do vídeo, onde ele pode ser visto.

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quinta-feira, março 13, 2008

Erro

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Só um erro de escolha de blog na hora d epostar um video do Youtube para provocar um post por aqui mesmo...

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quinta-feira, março 06, 2008

Brevidade, de novo

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"Una mujer está sentada sola en sua casa. Sabe que no hay nadie más en el mundo: todos os otros seres han muerto.
Golpean a la puerta."

Thomas Bailey Aldrich (1836-1907)

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quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Brevidade

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"Com frequência escuto elogiar a brevidade e, provisoriamente, eu mesmo me sinto feliz quando ouço repetir que o bom, se breve, é duas vezes bom."

Augusto Monterroso


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quinta-feira, janeiro 10, 2008

Conto

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Sei que esse blog anda devendo em jornalismo digital/weblogs, mas ando de férias do assunto temporiaramente. Quer dizer, "férias" de ler textos mais acadêmicas referentes ao assunto, que fique bem entendido.

Por isso, resolvi postar aqui um conto que li no "Os cem melhores contos brasileiros do século", editado pela editora Objetiva e organizado pelo Ítalo Morriconi. É uma jóia rara do Luis Fernando Veríssimo, dos melhores que li na coletânea até agora. Leitura fácil, curta, mas nem menos genial por isso.


Conto de verão nº2: Bandeira Branca

Ele: tirolês. Ela: odalisca; Eram de culturas muito diferentes, não podia dar certo. Mas tinham só quatro anos e se entenderam. No mundo dos quatro anos todos se entendem, de um jeito ou de outro. Em vez de dançarem, pularem e entrarem no cordão, resistiram a todos os apelos desesperados das mães e ficaram sentados no chão, fazendo um montinho de confete, serpentina e poeira, até serem arrastados para casa, sob ameaças de jamais serem levados a outro baile de Carnaval.
Encontraram-se de novo no baile infantil do clube, no ano seguinte. Ele com o mesmo tirolês, agora apertado nos fundilhos, ela de egípcia. Tentaram recomeçar o montinho, mas dessa vez as mães reagiram e os dois foram obrigados a dançar, pular e entrar no cordão, sob ameaça de levarem uns tapas. Passaram o tempo todo de mãos dadas.Só no terceiro Carnaval se falaram.- Como é teu nome?
- Janice. E o teu?
- Píndaro.
- O quê?!
- Píndaro.
- Que nome!

Ele de legionário romano, ela de índia americana.

Só no sétimo baile (pirata, chinesa) desvendaram o mistério de só se encontrarem no Carnaval e nunca se encontrarem no clube, no resto do ano. Ela morava no interior, vinha visitar uma tia no Carnaval, a tia é que era sócia.

- Ah.

Foi o ano em que ele preferiu ficar com a sua turma tentando encher a boca das meninas de confete, e ela ficou na mesa, brigando com a mãe, se recusando a brincar, o queixo enterrado na gola alta do vestido de imperadora. Mas quase no fim do baile, na hora do Bandeira Branca, ele veio e a puxou pelo braço, e os dois foram para o meio do salão, abraçados. E, quando se despediram, ela o beijou na face, disse -Até o Carnaval que vem- e saiu correndo.

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No baile do ano em que fizeram 13 anos, pela primeira vez as fantasias dos dois combinaram. Toureiro e bailarina espanhola. Formavam um casal! Beijaram-se muito, quando as mães não estavam olhando. Até na boca. Na hora da despedida, ele pediu:

- Me dá alguma coisa.
- O quê?
- Qualquer coisa.
- O leque. O leque da bailarina.
Ela diria para a mãe que o tinha perdido no salão.
Divisor Horizontal Clássico

No ano seguinte, ela não apareceu no baile. Ele ficou o tempo todo à procura, um havaiano desconsolado. Não sabia nem como perguntar por ela. Não conhecia a tal tia. Passara um ano inteiro pensando nela, às vezes tirando o leque do seu esconderijo para cheirá-lo, antegozando o momento de encontrá-la outra vez no baile. E ela não apareceu. Marcelão, o mau elemento da sua turma, tinha levado gim para misturar com o guaraná. Ele bebeu demais. Teve que ser carregado para casa. Acordou na sua cama sem lençol, que estava sendo lavado. O que acontecera?

- Você vomitou a alma - disse a mãe.

Era exatamente como se sentia. Como alguém que vomitara a alma e nunca a teria de volta. Nunca. Nem o leque tinha mais o cheiro dela.

Mas, no ano seguinte, ele foi ao baile dos adultos no clube - e lá estava ela! Quinze anos. Uma moça. Peitos, tudo. Uma fantasia indefinida.

- Sei lá. Bávara tropical - disse ela, rindo.

Estava diferente. Não era só o corpo. Menos tímida, o riso mais alto. Contou que faltara no ano anterior porque a avó morrera, logo no Carnaval.

- E aquela bailarina espanhola? - Nem me fala. E o toureiro? - Aposentado.

A fantasia dele era de nada. Camisa florida, bermuda, finalmente um brasileiro. Ela estava com um grupo. Primos, amigos dos primos. Todos vagamente bávaros. Quando ela o apresentou ao grupo, alguém disse -Píndaro?!- e todos caíram na risada. Ele viu que ela estava rindo também. Deu uma desculpa e afastou-se. Foi procurar o Marcelão. O Marcelão anunciara que levaria várias garrafas presas nas pernas, escondidas sob as calças da fantasia de sultão. O Marcelão tinha o que ele precisava para encher o buraco deixado pela alma. Quinze anos, pensou ele, e já estou perdendo todas as ilusões da vida, começando pelo Carnaval. Não devo chegar aos 30, pelo menos não inteiro. Passou todo o baile encostado numa coluna adornada, bebendo o guaraná clandestino do Marcelão, vendo ela passar abraçada com uma sucessão de primos e amigos de primos, principalmente um halterofilista, certamente burro, talvez até criminoso, que reduzira sua fantasia a um par de calças curtas de couro. Pensou em dizer alguma coisa, mas só o que lhe ocorreu dizer foi -pelo menos o meu tirolês era autêntico- e desistiu. Mas, quando a banda começou a tocar Bandeira Branca e ele se dirigiu para a saída, tonto e amargurado, sentiu que alguém o pegava pela mão, virou-se e era ela. Era ela, meu Deus, puxando-o para o salão. Ela enlaçando-o com os dois braços para dançarem assim, ela dizendo -não vale, você cresceu mais do que eu- e encostando a cabeça no seu ombro. Ela encostando a cabeça no seu ombro.
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Divisor Horizontal Clássico

Encontraram-se de novo 15 anos depois. Aliás, neste Carnaval. Por acaso, num aeroporto. Ela desembarcando, a caminho do interior, para visitar a mãe. Ele embarcando para encontrar os filhos no Rio. Ela disse -quase não reconheci você sem fantasias-. Ele custou a reconhecê-la. Ela estava gorda, nunca a reconheceria, muito menos de bailarina espanhola. A última coisa que ele lhe dissera fora -preciso te dizer uma coisa-, e ela dissera -no Carnaval que vem, no Carnaval que vem- e no Carnaval seguinte ela não aparecera, ela nunca mais aparecera. Explicou que o pai tinha sido transferido para outro estado, sabe como é, Banco do Brasil, e como ela não tinha o endereço dele, como não sabia nem o sobrenome dele e, mesmo, não teria onde tomar nota na fantasia de falsa bávara-

- O que você ia me dizer, no outro Carnaval? - perguntou ela. - Esqueci - mentiu ele.

Trocaram informações. Os dois casaram, mas ele já se separou. Os filhos dele moram no Rio, com a mãe. Ela, o marido e a filha moram em Curitiba, o marido também é do Banco do Brasil- E a todas essas ele pensando: digo ou não digo que aquele foi o momento mais feliz da minha vida, Bandeira Branca, a cabeça dela no meu ombro, e que todo o resto da minha vida será apenas o resto da minha vida? E ela pensando: como é mesmo o nome dele? Péricles. Será Péricles? Ele: digo ou não digo que não cheguei mesmo inteiro aos 30, e que ainda tenho o leque? Ela: Petrarco. Pôncio. Ptolomeu.

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quinta-feira, dezembro 20, 2007

Muita coisa

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Um trecho de "Comédias para ler na Escola", do Luis Fernando Veríssimo, que diz muito sobre muita coisa:

“Esta idéia para um conto de terror é tão terrível que, logo depois de te-la, me arrependi. Mas já estava tida, não adiantava mais. Você, leitor, no entanto, tem uma escolha.”

[..]

"Você, leitor, já deve estar sentindo o que vai acontecer. Pare de ler, leitor. Eu não posso parar de escrever. As idéias não podem ser desperdiçadas, mesmo que nos custem amigos, a vida ou o sono. Imagine se Shakespeare tivesse se horrorizado com suas próprias idéias e deixado de escrevê-las, por puro comedimento. Não que eu queira me comparar a Shakespeare. Shakespeare era bem mais magro. Tenho que exercer este ofício, esta danação. Você, no entanto, não é obrigado a me acompanhar, leitor. Vá passear, vá tomar um sol. Uma das maneiras de controlar a demência solta no mundo é deixar os escritores falando sozinhos, exercendo sozinhos a sua profissão malsã, o seu vício solitário. Você ainda está lendo. Você é pior do que eu, leitor. Você tinha escolha."


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segunda-feira, dezembro 17, 2007

E as famosas notícias do Terra

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Bem que este texto abaixo poderia ser de uma série com um título do tipo " Notícias non sense que adoramos colocar na 1º página do Terra":

"Uma criança de 11 anos sobreviveu depois de ter pulado de um trem em movimento, que andava a 120km/, na Alemanha. Segundo alguns passageiros, antes de pular, a menina perguntou se o trem parava na sua cidade. Eles disseram que não, ela abriu a porta e saltou para fora do trem."

(Quem quiser ler o restante da notícia clique aqui)

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Estou de férias. Aos poucos, voltarei ao trabalho eventual de atualização decente do blog.


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segunda-feira, dezembro 03, 2007

"Whatta hell is blog?"


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Taí uma explicação bem simples do que é um blog. O vídeo faz parte de um série chamada In Plain English, produzida pela CommonCraft, uma empresa de consultoria e criação de Seattle (USA).

Via Gjol

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