quinta-feira, janeiro 10, 2008

Conto

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Sei que esse blog anda devendo em jornalismo digital/weblogs, mas ando de férias do assunto temporiaramente. Quer dizer, "férias" de ler textos mais acadêmicas referentes ao assunto, que fique bem entendido.

Por isso, resolvi postar aqui um conto que li no "Os cem melhores contos brasileiros do século", editado pela editora Objetiva e organizado pelo Ítalo Morriconi. É uma jóia rara do Luis Fernando Veríssimo, dos melhores que li na coletânea até agora. Leitura fácil, curta, mas nem menos genial por isso.


Conto de verão nº2: Bandeira Branca

Ele: tirolês. Ela: odalisca; Eram de culturas muito diferentes, não podia dar certo. Mas tinham só quatro anos e se entenderam. No mundo dos quatro anos todos se entendem, de um jeito ou de outro. Em vez de dançarem, pularem e entrarem no cordão, resistiram a todos os apelos desesperados das mães e ficaram sentados no chão, fazendo um montinho de confete, serpentina e poeira, até serem arrastados para casa, sob ameaças de jamais serem levados a outro baile de Carnaval.
Encontraram-se de novo no baile infantil do clube, no ano seguinte. Ele com o mesmo tirolês, agora apertado nos fundilhos, ela de egípcia. Tentaram recomeçar o montinho, mas dessa vez as mães reagiram e os dois foram obrigados a dançar, pular e entrar no cordão, sob ameaça de levarem uns tapas. Passaram o tempo todo de mãos dadas.Só no terceiro Carnaval se falaram.- Como é teu nome?
- Janice. E o teu?
- Píndaro.
- O quê?!
- Píndaro.
- Que nome!

Ele de legionário romano, ela de índia americana.

Só no sétimo baile (pirata, chinesa) desvendaram o mistério de só se encontrarem no Carnaval e nunca se encontrarem no clube, no resto do ano. Ela morava no interior, vinha visitar uma tia no Carnaval, a tia é que era sócia.

- Ah.

Foi o ano em que ele preferiu ficar com a sua turma tentando encher a boca das meninas de confete, e ela ficou na mesa, brigando com a mãe, se recusando a brincar, o queixo enterrado na gola alta do vestido de imperadora. Mas quase no fim do baile, na hora do Bandeira Branca, ele veio e a puxou pelo braço, e os dois foram para o meio do salão, abraçados. E, quando se despediram, ela o beijou na face, disse -Até o Carnaval que vem- e saiu correndo.

Divisor Horizontal Clássico

No baile do ano em que fizeram 13 anos, pela primeira vez as fantasias dos dois combinaram. Toureiro e bailarina espanhola. Formavam um casal! Beijaram-se muito, quando as mães não estavam olhando. Até na boca. Na hora da despedida, ele pediu:

- Me dá alguma coisa.
- O quê?
- Qualquer coisa.
- O leque. O leque da bailarina.
Ela diria para a mãe que o tinha perdido no salão.
Divisor Horizontal Clássico

No ano seguinte, ela não apareceu no baile. Ele ficou o tempo todo à procura, um havaiano desconsolado. Não sabia nem como perguntar por ela. Não conhecia a tal tia. Passara um ano inteiro pensando nela, às vezes tirando o leque do seu esconderijo para cheirá-lo, antegozando o momento de encontrá-la outra vez no baile. E ela não apareceu. Marcelão, o mau elemento da sua turma, tinha levado gim para misturar com o guaraná. Ele bebeu demais. Teve que ser carregado para casa. Acordou na sua cama sem lençol, que estava sendo lavado. O que acontecera?

- Você vomitou a alma - disse a mãe.

Era exatamente como se sentia. Como alguém que vomitara a alma e nunca a teria de volta. Nunca. Nem o leque tinha mais o cheiro dela.

Mas, no ano seguinte, ele foi ao baile dos adultos no clube - e lá estava ela! Quinze anos. Uma moça. Peitos, tudo. Uma fantasia indefinida.

- Sei lá. Bávara tropical - disse ela, rindo.

Estava diferente. Não era só o corpo. Menos tímida, o riso mais alto. Contou que faltara no ano anterior porque a avó morrera, logo no Carnaval.

- E aquela bailarina espanhola? - Nem me fala. E o toureiro? - Aposentado.

A fantasia dele era de nada. Camisa florida, bermuda, finalmente um brasileiro. Ela estava com um grupo. Primos, amigos dos primos. Todos vagamente bávaros. Quando ela o apresentou ao grupo, alguém disse -Píndaro?!- e todos caíram na risada. Ele viu que ela estava rindo também. Deu uma desculpa e afastou-se. Foi procurar o Marcelão. O Marcelão anunciara que levaria várias garrafas presas nas pernas, escondidas sob as calças da fantasia de sultão. O Marcelão tinha o que ele precisava para encher o buraco deixado pela alma. Quinze anos, pensou ele, e já estou perdendo todas as ilusões da vida, começando pelo Carnaval. Não devo chegar aos 30, pelo menos não inteiro. Passou todo o baile encostado numa coluna adornada, bebendo o guaraná clandestino do Marcelão, vendo ela passar abraçada com uma sucessão de primos e amigos de primos, principalmente um halterofilista, certamente burro, talvez até criminoso, que reduzira sua fantasia a um par de calças curtas de couro. Pensou em dizer alguma coisa, mas só o que lhe ocorreu dizer foi -pelo menos o meu tirolês era autêntico- e desistiu. Mas, quando a banda começou a tocar Bandeira Branca e ele se dirigiu para a saída, tonto e amargurado, sentiu que alguém o pegava pela mão, virou-se e era ela. Era ela, meu Deus, puxando-o para o salão. Ela enlaçando-o com os dois braços para dançarem assim, ela dizendo -não vale, você cresceu mais do que eu- e encostando a cabeça no seu ombro. Ela encostando a cabeça no seu ombro.
Divisor Horizontal Clássico

Divisor Horizontal Clássico

Encontraram-se de novo 15 anos depois. Aliás, neste Carnaval. Por acaso, num aeroporto. Ela desembarcando, a caminho do interior, para visitar a mãe. Ele embarcando para encontrar os filhos no Rio. Ela disse -quase não reconheci você sem fantasias-. Ele custou a reconhecê-la. Ela estava gorda, nunca a reconheceria, muito menos de bailarina espanhola. A última coisa que ele lhe dissera fora -preciso te dizer uma coisa-, e ela dissera -no Carnaval que vem, no Carnaval que vem- e no Carnaval seguinte ela não aparecera, ela nunca mais aparecera. Explicou que o pai tinha sido transferido para outro estado, sabe como é, Banco do Brasil, e como ela não tinha o endereço dele, como não sabia nem o sobrenome dele e, mesmo, não teria onde tomar nota na fantasia de falsa bávara-

- O que você ia me dizer, no outro Carnaval? - perguntou ela. - Esqueci - mentiu ele.

Trocaram informações. Os dois casaram, mas ele já se separou. Os filhos dele moram no Rio, com a mãe. Ela, o marido e a filha moram em Curitiba, o marido também é do Banco do Brasil- E a todas essas ele pensando: digo ou não digo que aquele foi o momento mais feliz da minha vida, Bandeira Branca, a cabeça dela no meu ombro, e que todo o resto da minha vida será apenas o resto da minha vida? E ela pensando: como é mesmo o nome dele? Péricles. Será Péricles? Ele: digo ou não digo que não cheguei mesmo inteiro aos 30, e que ainda tenho o leque? Ela: Petrarco. Pôncio. Ptolomeu.

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quinta-feira, dezembro 20, 2007

Muita coisa

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Um trecho de "Comédias para ler na Escola", do Luis Fernando Veríssimo, que diz muito sobre muita coisa:

“Esta idéia para um conto de terror é tão terrível que, logo depois de te-la, me arrependi. Mas já estava tida, não adiantava mais. Você, leitor, no entanto, tem uma escolha.”

[..]

"Você, leitor, já deve estar sentindo o que vai acontecer. Pare de ler, leitor. Eu não posso parar de escrever. As idéias não podem ser desperdiçadas, mesmo que nos custem amigos, a vida ou o sono. Imagine se Shakespeare tivesse se horrorizado com suas próprias idéias e deixado de escrevê-las, por puro comedimento. Não que eu queira me comparar a Shakespeare. Shakespeare era bem mais magro. Tenho que exercer este ofício, esta danação. Você, no entanto, não é obrigado a me acompanhar, leitor. Vá passear, vá tomar um sol. Uma das maneiras de controlar a demência solta no mundo é deixar os escritores falando sozinhos, exercendo sozinhos a sua profissão malsã, o seu vício solitário. Você ainda está lendo. Você é pior do que eu, leitor. Você tinha escolha."


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segunda-feira, dezembro 17, 2007

E as famosas notícias do Terra

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Bem que este texto abaixo poderia ser de uma série com um título do tipo " Notícias non sense que adoramos colocar na 1º página do Terra":

"Uma criança de 11 anos sobreviveu depois de ter pulado de um trem em movimento, que andava a 120km/, na Alemanha. Segundo alguns passageiros, antes de pular, a menina perguntou se o trem parava na sua cidade. Eles disseram que não, ela abriu a porta e saltou para fora do trem."

(Quem quiser ler o restante da notícia clique aqui)

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Estou de férias. Aos poucos, voltarei ao trabalho eventual de atualização decente do blog.


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segunda-feira, dezembro 03, 2007

"Whatta hell is blog?"


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Taí uma explicação bem simples do que é um blog. O vídeo faz parte de um série chamada In Plain English, produzida pela CommonCraft, uma empresa de consultoria e criação de Seattle (USA).

Via Gjol

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quarta-feira, novembro 28, 2007

Blog premiado

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O prêmio Vladimir Herzog, um dos principais do jornalismo brasileiro, em sua edição 2007 elegeu como vencedor da categoria internet o blog PEbodycount.


Inspirados no Iraqbodycount, que mantém uma base de dados independente sobre o número de fatalidades da guerra no Iraque, um grupo de jornalistas do Recife-PE criou o blog, que é atualizado diariamente com reportagens, histórias enviadas pelos internautas, estatísticas criminais, artigos, sobre o dia-a-dia da violência em Pernambuco.

Vale a visita.

via Intermezzo


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Quinze dias sem postar aqui. Final de semestre complica pra quem não se organiza...


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quarta-feira, novembro 14, 2007

moradia

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Dando um tempo aos blogs/jornalismo, vista da sacada do apartamento onde atualmente moro, em Canasvieiras-Florianópolis. Ao fundo, a famosa Ilha do Francês, tão bonita quanto misteriosa.




Vista da sacada do mesmo apartamento, só que para o outro lado. Foto tirada por meu colega de apartamento, Taschetto.



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quinta-feira, novembro 08, 2007

Pelo direito dos blogueiros

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O blog do Gjol postou uma nota já faz quase quinze dias sobre um "movimento" na França intitulado "No Press".

A idéia central da coisa é a de

"estender aos blogueiros certos direitos reservados a profissionais da mídia e criar um "carnet de blog", similar a um "carnet de presse", ou seja uma "carteira de blogueiro", que contemplaria seu portador(a) com direitos inerentes à profissão jornalística."

O NP criou uma logomarca (a que abre esse post) e quem se solidariza com a idéia está sendo convidado a colocá-la em seu blog.

Foi também criado um site para o grupo expor suas idéias, que tem como lema "Pour aller lá où la presse non va pas" - Para ir lá onde a imprensa não vai".

Alguma das propostas:

_ Livre acesso a certos lugares, notadamente culturais, para garantir uma liberdade de expressão completa e não truncada.

_ A possibilidade de realizar reportagens (mesmo fotográficas) livremente, da mesma maneira que os jornalistas.

_ E por que não a dedução de certos impostos incidentes sobre serviços oferecidos na Internet, ligados à manutenção de blogs?


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Alguns comentários rapidamente vieram à tona na blogosfera. O Pointblog, da França, ironizou:

"Parece uma pegadinha de Primeiro de Abril (...) um site anônimo que propõe dotar os blogueiros de uma "carte de blog". Eu não sei se os blogueiros que poderão solicitar a "carte" são os blogueiros publicitários, os eleitos pelos blogueiros, os homens políticos blogueiros, ou os blogueiros jornalistas, a menos que isso diga respeito também aos blogs de Histórias em Quadrinhos, ou talvez aos blogs sobre Culinária, aos advogados blogueiros, ou àqueles vivendo de salário desemprego, sem nos esquecermos dos blogueiros músicos amadores, das viúvas blogueiras e dos blogueros amasiados?"

O Periodismo Ciudadano, espanhol, tratou de relatar somente, eximindo-se de dar opinião:

"(...) La polémica sobre la función de los bloggers como periodistas sigue viva. Y lo seguirá mientras el periodismo ciudadano tenga defensores pero también detractores."

Outro blog brasileiro, como o Falando na Lata, noticiou o caso, dando ao fim do post uma cutucadinha na coisa para ver no que vai dar:

"Bom, espero que não passe de uma brincadeira, mas é interessante pensar nestas questões, vai que o assunto fique sério…"

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Desconsiderando a bagunça epistemológica que uma atitude polêmica dessas provoca, ela mostra que os blogueiros estão se organizando na busca de alguma coisa que pode vir a ser interessante. Ou um jornalismo amador - como disse certa vez Lasica quando queria se referir ao que os blogueiros estavam fazendo - ou novo tipo de coisa que não será mais jornalismo.

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sexta-feira, outubro 26, 2007

Dicas informais para aspirantes a blogueiros

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Rosana Herrmann, jornalista com passagens pelas principais emissoras de televisão do Brasil, atualmente redatora do Pânico na TV e uma das primeiras blogueiras do Brasil, ganhadora do prêmio melhor Blog Jornalístico 2006 do Portal Imprensa, postou em seu blog, o Querido Leitor, uma lista de dicas informais para um blog ser bem-sucedido.

São coisas simples, mas acho interessante postar aqui algumas impressões sobre o assunto de gente que não está ligado a Academia, assim como fiz no post sobre o Ricardo Noblat.

Olhem aí abaixo as dicas:

Um blog pode ser individual ou coletivo. Pode ser autônomo ou pode estar ligado a um grupo. Pode ser de humor, de política, de moda, tanto faz. Para o leitor o blog é só um endereço na barra do browser,o conteúdo que ele expõe e seus leitores, ou seja, a cabeça (o dono, a marca ), tronco (conteudo, layout) e membros (participantes e frequentadores).

A cabeça tem que ser clara. Você tem que saber o nome do blog, o endereço de cor, tem que acessá-lo sem problemas. Deve estar hospedado em algum lugar que não caia, não saia do ar, tenha divulgação. E a sua cabeça tem que ser clara. Você tem que ter uma linha, um estilo, um jeito seu. Sua cabeça é também a cabeça do blog.

O tronco tem que ser consumível. Layout minimamente palatável, posts visíveis e compreensíveis, textos interessantes, conteúdo exclusivo. A freqüencia de publicação, a velocidade, são características do tronco.

E os membros, os seres humanos que fazem e frequentam o blog.

Esses componentes geram os valores de um blog, subjetivos e objetivos.
Os subjetivos são: autoridade, credibilidade e prestigio.
Os objetivos são os números. Posição no ranking, número de visitantes e outras medidas.

Há blogs que vivem de sua autoridade e por isso tem um valor. Autoridade é quando o blog/blogueiro é especializado e entende do tema. Tem gente que entende muito de uma determinada área e vira referência. Tem gente que não entende muito mas finge que entende e com ajuda da mídia também vira autoridade perante os que sabem menos (embora sejam desprezados pelos que sabem mais). Se você entende muito de alguma coisa, mecânica, política, culinária, macramé, faça um blog sobre o assunto, estude, aprofunde-se e vire uma autoridade. Nem que seja para ser como os blogueiros-celebridades, que só entendem de si mesmo. Tudo bem, porque tem mercado pra consumir. É um tema.

A credibilidade pode vir junto ou não com a autoridade. A credibilidade vem mais da pessoa, do blogueiro. De sua conduta, carreira, coerência. Ninguém é unânime, mas ter credibilidade dá valor a um blog. Seja verdadeiro, sincero, correto e seu blog terá valor.


O prestígio depende de relacionamento. Tem gente que já nasce com sobrenome de prestígio, relações familiares de prestígio, riquezas prestigiadas. Há blogueiros que não são autoridades em um assunto, não tem tanta credibilidade assim, não estão bem posicionados no ranking mas tem muito prestígio junto a pessoas que mandam na mídia. Ganham dinheiro, divulgação, prêmios. Mas não é pra quem quer e sim pra quem pode. Prestígio pode ser herdado ou conquistado. Pode vir dos colégios onde você estudou, das famílias que frequentou, dos empregos. Mas sempre vem com relacionamentos. Blogueiro isolado tem muito mais dificuldade pra conquistar prestígio.


Os valores objetivos são quase sempre numéricos. Posição no ranking technorati, número de visitas, poder de exposição na mídia, além dos subjetivos. Em geral, os blogs mais visitados são os que fazem humor, não tem comentários abertos, usam pseudônimos, gongam pessoas com nicks, etc. Ou são blogs de tecnologia, que oferecem serviços gratuitos, dão dicas para construção de blogs, oferecem templates e resolvem os problemas.


Basicamente os leitores querem 3 coisas: orientação, informação, diversão.
Quem oferece um, dois ou três dos quesitos, com autoridade e credibilidade acaba tendo blogs de valor, inclusive, valor de mercado.

Se você está pensando em investir no seu blog, pondere tudo isso. Não é preciso concordar. Discuta, pense, reflita, construa outras teses. Mas sempre há um caminho para tudo. Tem publico para tudo. Seu blog pode não virar o maior sucesso do mundo mas vai encontrar seu espaço.

Uma recomendação faz-se necessária: não encha o saco dos outros avisando o tempo todo que seu blog existe, que você colocou outro post, etc. É chato. É 'pushy'. Um shopping center é um shopping center, não é um selling center. A pessoa é que vai comprar, não é o vendedor que fica vendendo. Você faz compras como quem navega. Você procura, vê, entra, sai, até escolher e comprar. Vendedor na porta puxando a pessoa pra dentro é de quinta. Ficar mandando avisos sobre seu blog também.

De resto, é só o óbvio mesmo. Mantenha o blog limpo, conheça seus leitores, seus concorrentes, seus seguidores, seus ídolos. Olhe para cima, para baixo, para os lados. O espaço é virtual mas é volumétrico, tem de tudo em todo lugar, em volta de você.

Observe o mundo e descreva-o. Fale de si e dos outros. Viaje do micro ao macro. Voe, liberte-se, confesse-se quando quiser. Caia e levante publicamente, mas tomando o cuidado de não arrastar ninguém com suas quedas.

Mesmo que eu não tenha prestigio, nem autoridade para determinar como você deve ou não fazer blog, tenho uma parcela de credibilidade, porque faço o mesmo blog há anos, cuido dele e me relaciono com você. E, confesso, que diante de outros blogs de nomes sacados, já fiquei quase envergonhada do jeito mamãezinha do título do meu 'querido leitor'. Mas eu gosto. Porque é verdadeiro. Não tem blog sem leitor. O leitor é que faz o blog ser o que é. Portanto, o leitor é essencial. E o querido, bem, se a gente não gosta de quem gosta e prestigia a gente, vai gostar de quem?


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domingo, outubro 21, 2007

Geradores de textos falsos

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Em minha dieta matinal de leitura de blogs de jornalismo digital - todos via Google Reader - achei um post bastante interessante sobre algo que não tem relação com o jornalismo digital: os geradores de textos virtuais.

São inúmeros os existentes na web, de geradores de novelas de Manoel Carlos à livros de Jorge Amado - aqui, uma cena da novela manoelcarliana que "escrevi", "Helena, a lobotomizada".

Dêem um a olhada no post do blog/site do professor Alex Primo, do programa de pós-graduação em Comunicação e Informação da UFRGS, o post interessante sobre algo que não tem relação com o jornalismo digital que citei no início.

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quinta-feira, outubro 18, 2007

Noblat em Floripa

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Ricardo Noblat esteve por Florianópolis hoje à noite, num evento organizado pela Assembléia Legislativa de Santa Catarina. Mais de 400 pessoas presentes no auditório, em sua grande maioria estudantes de jornalismo.
Discurso "do mercado", como se diz por aí, mais do mesmo, bastante simplista e, por algumas vezes, incoerente.

Mas a palestra teve bons momentos.
Um deles, quando Noblat apontou as "Características do jornalismo em blogs".

_ Linguagem renovada (ele disse "sem regras ")

_ Jornal, rádio, Tv;

_ Do ponto de vista do cidadão comum;

_ Simplicidade;

_ Velocidade;

_ Fato, análise e opinião ("o público não é burro, sabe distinguir cada um dos aspectos nos posts)

_ Trabalho solidário ("No Brasil ainda não temos redes de blogueiros bem desenvolvidas como na Europa e nos Estados Unidos");

_ Interatividade;

_ Espaço democrático

_ Prestação de serviço;

_ Capacidade de mobilização;

_ Jornalismo de Griff ("griff no sentido de ser pessoal, de ter um nome por trás do trabalho");

É sempre bom ter uma visão sobre o assunto por quem está somente no mercado, independente do simplismo - e reducionismo - extremado da visão.
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segunda-feira, outubro 08, 2007

Desculpa, Graci

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Antes de qualquer coisa, venho publicamente pedir desculpa a nobre atriz Graciane Pires, integrante do Grupo Vagabundos do Infinito, liderado pelo professor Paulo Márcio e ligado à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Em minha inocência, achei que conseguiria escrever uma resenha decente sobre o monólogo que ela dirigiu, produziu e atuou, o "Temos todas a mesma história", dos dramaturgos italianos Dario Fo - Prêmio Nobel de Literatura em 1997 - e Franca Rime, parceira de Fo.

Não consegui.

Não porque a peça não tenha qualidades, muito pelo contrário: tem diversas, a começar pelo texto, que, contando uma história pra lá de simples, consegue tratar com uma profundidade sutil - que é bem percebida por quem gosta de se apegar aos detalhes - temas caros a toda sociedade, como a submissão feminina nas relações sociais, o casamento e a maternidade. A continuar pela disposição do cenário, que tem uma espécie de biombo com papel manteiga - que permite fazer sombras na parte de trás - no meio do palco, importantíssimo para a primeira imagem que é vista da peça; e pela duração do monólogo, não mais do que 40 minutos, período perfeito para se contar a história de Temos todas a mesma história, caso raro de uso não excessivo do tempo no teatro.

Foi com uma tristeza imensa que percebi que não conseguiria escrever uma crítica decente da peça porque, simplesmente, não sei julgar se o movimento do corpo de uma atriz está limpo, correto; não sei notar se o quadril está realmente encaixado - embora tenha percebido que a Graci caminhava/corria sempre altiva, como se tivesse um fiozinho em cima dela a puxando para cima, como uma marionete; não sei julgar se ela fez bom uso dos recursos cênicos, ainda que, para mim, o cenário tinha o necessário para a história ser bem contada. Bom, por falar em história, chegamos ao ponto chave do motivo que não consegui fazer uma resenha de fundamento sobre o monólogo.

Eu simplesmente não sei julgar se a atriz está bem no palco, se ela errou muito, se acertou mais ainda. Porque, para mim, se ela contou a sua história de forma com que eu conseguisse entrar dentro e, ao chegar lá, captasse por minha conta cada sacada que ela deixava implícita nos detalhes, cada senha que ela me mandava como um convite para a reflexão sobre a nossa vida, cada piada que ela fazia exarcebando uma situação ou, simplesmente, escondendo a realidade de uma condição que, se não é degradante, é esquisita de se acontecer em pleno século XXI; se ela me fez entrar para o mundo que foi criado no palco, e de lá eu retirasse os significados e sentidos que eu desejasse, com a supervisão e a direção de em que ponto eu poderia refletir mais ou em que ponto eu deveria rir do absurdo da situação; se ela me levou com a mão para um passeio sobre a nossa condição humana, parando nos pontos críticos e dando o histórico do porquê de tal situação ser assim através de uma piada, que me fez rir daquela forma que é a mais gostosa e que eu só encontro paralelo no desenho dos Simpsons, onde o engraçado se dá menos pelo inusitado e mais pela luz inusitada focada em uma situação banal; se ela me fez refletir gargalhando internamente na escuridão de uma platéia eminentemente de gente do teatro, concentrada mais em procurar defeitos nos koshis e na organicidade dos movimentos do que em adentrar em uma história que, diante de seus olhos, está sendo muito bem contada e pedindo para ser pensada junto; se ela fez tudo isso e alguém, no hall do teatro ao fim da peça, vem me dizer que os "movimentos dela foram muito duros, tensos demais", eu só posso dizer que não tenho como fazer uma resenha do teu monólogo, Graci, porque eu não entendo absolutamente nada de teatro e de como uma história pode ser bem contada, independente se é um conto, um romance, um filme, uma música, ou uma peça teatral.

É constatando essa fraqueza que finalizo dizendo que não tenho como fazer uma resenha de Temos todas a mesma história. Tenho, sim, como recomendá-la para quem quiser ver uma história sendo bem contada no palco, produzida na Santa Maria da Boca do Monte por uma natural de São Luiz Gonzaga, no norte do RS.

Isso eu posso fazer, embora agora me venha que acabo de fazer a recomendação com algum atraso, já que a peça foi encenada cerca de 3 meses atrás.

Sou muito enrolado mesmo. Desculpa, Graci.


Sinopse:

A peça "Temos todas a mesma história" discute de forma cômica a submissão feminina nas relações sociais e sentimentais, abordando assuntos como aborto, casamento e maternidade. No monólogo, a personagem encontra-se em situações limites que vão conduzindo-a aos mais engraçados acontecimentos, contando e vivendo sua experiências. As situações por ela vividas são retiradas da vida real, e talvez muitos de nós também já tenhamos nos deparado com alguma delas em nosso cotidiano.


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sexta-feira, setembro 28, 2007

Pare..Olhe..Escute





Para completar a circulação do vídeo, registro de algumas "aventuras" de trem por aí.

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terça-feira, setembro 11, 2007

Carta Aberta

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Desde o princípio do Subbcultcha, no já longíquo março de 2005, eu tentei deixar bem claro que o blog não era "pessoal", no sentido de que ele não iria ser um diário do que eu fazia ou deixava de fazer, ou, então, que ele não iria se focar na minha pessoa.

Pois bem, 2 anos e 6 meses depois, eu assumo: a partir de agora, ele será pessoal sim.

Ainda assim, não será bem um diário contando bastidores da minha vida, nem será tão focado na minha pessoa como talvez fosse melhor. Pelo menos não por enquanto.

Estou morando em Florianópolis, faço Mestrado em Jornalismo na UFSC. Como desde que comecei a fazer o projeto da minha monografia de conclusão de curso, em meados do ano passado, pesquiso sobre weblogs e jornalismo digital, enfim usarei este espaço para postar algumas coisas à respeito do assunto.

Não sou muito chegado aos meandros do chamado "mundinho acadêmico" e dos seus limites extremamentes restritos de ver o mundo e a vida, então o Subbcultcha continuará tendo textos sobre qualquer coisa, como até então vinha acontecendo nada periodicamente.
Na medida do possível, continuará sendo o espaço onde farei meus diários de viagens. E também será o espaço para meus exercícios literários e algumas reportagens experimentais esparsas, bem como o que mais eu quiser escrever.

O único critério é um mínimo de qualidade, que será definido por mim mesmo com base em princípios não-declarados exclusivamente pessoais e referentes ao meu gosto pessoal, ora pois.

Enfim, era isso.


Atenciosamente,
Leonardo Foletto
p.S: A formalidade é só pra brincar com o formato de carta mesmo. Não é pra assustar não :)

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sexta-feira, julho 20, 2007

Galera & novidadeiras

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Começo esse post citando, de novo, o Daniel Galera, escritor gaúcho - hoje, brasileiro, para fazer justiça - que, não sei por qual motivo específico, eu me identifico a cada dia mais.

Desde que li o "Até o dia em que o cão morreu", ainda por curiosidade de ver um cara da mesma idade que eu escrevendo algo de fundamento, sinto uma estranha semelhança naquilo que ele escreve, como se fosse aquilo que eu queria dizer mas não tive capacidade - ou coragem para tentar.

"O que chamamos de inspiração tem muito a ver com conseguir estranhar a vida por um instante - não mais reconhecê-la e, apavorado, ter de lidar com isso. Escrevo porque a literatura é minha maneira de expressar esse estranhamento. Eu poderia guardá-lo, mas não consigo. O estranhamento alheio pode ser pertinente ou impertinente. Meu desafio é tornar o meu o mais pertinente possível para o leitor - e isso, meus caros, é um processo violento que recusa qualquer idealização"

Por diversas vezes nos últimos tempos tenho sentido esse estranhamento dito pelo Galera. Fico apavorado também. Só que a literatura não é minha maneira de expressar esse estranhamento - pelo menos não por enquanto. Sinto que um dia ela será a melhor forma , e esse dia parece estar cada vez mais perto. Talvez chegue por daqui a pouco, quando poderei me fixar em algum lugar que me permita tomar a coragem necessária para fazer isso.



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quinta-feira, junho 28, 2007

ritmo lento

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Mais uma vez, o ritmo de postagem aqui no blog é lento. Devido a uma séria de fatores bem justificáveis, a propósito.

Como sempre, em breve ele será atualizado constantemente.

Enquanto isso, aí vai uma tentativa de tradução de uma resenha que fiz para o disco "Astral Weeks", do Van Morrison.

Veja bem: uma tentativa, um exercício que, ao menos, me fez ver mais de perto que o trabalho de tradução de textos tem muito de reescrever o texto, principalmente nos adjetivos, que, talvez, são os que mais sofrem por serem mais ligados a determinados contextos culturais.



Van Morrison, Astral Weeks

Van Morrison was 23 years in 1968, year of Astral Weeks released. He was on this solo career (after the finish of his blues/rock band, Then) and also was composed one of your hits, “Brow Eyed Girl”, a year before, with more 12 songs that released in the first album solo, “Blowin‘ your mind”. But Van it was confused, probably because of the first thing that a man stay depressed: problems with lovely’s woman. And was this confused who inspired Van released the 8 songs of “Astral Weeks” in just 3 days.


Maybe more than a simple record, “Astral” is like a therapy, a travel to open’s hurts of someone. It seem Van, in front of a mirror that show all of your pains, is crying for to find a exit; how he don’t receive answers, he decides comes in own mirror. There, Van stays surprised: there aren’t cure for your hurts nor explains for your doubts, even he cries until your death. The report of this melancholic travel in your own mirror, and the redemption for recognize your pain, are the 8 songs of “Astral Weeks”.


Like a few singers in the music, Van Morrison doesn’t shout, or cry, in “Astral Weeks”: he “howl”, left yours feelings leads his voice in the “Astral Weeks” songs.

Your voice, like the greatest singers in blues and R&B, leads each song of record, and the guitar, bass, saxophone, keyboards, flute and others instruments just open doors for the Van’s incredible voice comes and invades some different hearts and lands - when, for any times, Van goes for the first and destroys all of things that he see, leaving for the instrumental part a ungrateful job of say that those powerful things is only a song


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quarta-feira, maio 30, 2007

Borges

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"
Ser imortal é insignificante; com exceção do homem, todos as criaturas o são, pois ignoram a morte; o divino, o terrível, o imcompreensível é saber-se imortal

"


Jorge Luis Borges, O Aleph, pág. 11



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segunda-feira, maio 21, 2007

Instantâneas (2)

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Não há nada que descreva fielmente, embora algumas tentativas circundam, passando perto o suficiente para se ter um esboço daquilo do que se está querendo descrever.

Um exemplo de tentativa:

"Começa com uma certa tremedeira nas pernas, principalmente nas extremidades envolvidas. O sangue parece circular cada vez mais devagar, como se a cada segundo enfrentasse mais obstáculos que o impedisse de correr normalmente pelo corpo - em compensação, nos dedos ele vai ganhando velocidade e destruindo qualquer barreira que o impeça de se mover freneticamente, como se alguém tivesse posto uma substância que os turbinasse e os fizesse funcionar de maneira inversamente proporcional a velocidade com que o sangue circula nas pernas, que a essa altura já não são mais sentidas, levadas do tempo-espaço por alguma estranha sensação de prazer que beira ao incontrolável e tangencia a dor por milésimos de segundo que logo são substituídos por horas de satisfação condensadas em algumas poucas agudíssimas sensações de prazer, que começam a se repetir em cada vez menos tempo e a cada repetição mais intenso é o prazer, a ponto de transformar a dor, que agora é maior, em uma sensação que não é mais dor nem coisa alguma se não aquilo que não se sabe e nunca se saberá o que é - então, é quando volta o sangue a romper os obstáculos e circular livremente pelas pernas, oxigenando-as com o que turbinava os movimentos dos dedos, tornava os lábios subitamente ressecados, paralisava as mãos por poucos segundos, criava viagens ilusórias na mente antes desconectada da realidade e que, agora, finalmente, trazem à tona as lembranças recentes do que acabou de acontecer."


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domingo, maio 06, 2007

Recortes (2)

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Alguns recortes de Florianópolis...

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Bosque do Campus da UFSC



Café no centro



Prainha particular perto de Naufragados


Vista da trilha para Naufragados



Naufragados


Canasvieiras



Manhã em Canasvieiras


Fim de tarde ou início de manhã?



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segunda-feira, abril 23, 2007

Paraná (2)

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Confesso, exagerei no tom ao falar de Curitiba e do Paraná no último post. Não que a impressão que tive do local não fosse aquela mesma, mas talvez tenha pegado pesado demais na hora de escolher as palavras para expressar essa impressão.
Outro ponto importante é que falei das diferenças que, comparando com outros locais (implicitamente o Rio Grande do Sul, reconheço), tornavam o Paraná um estado "insosso". Mas, ficando nessas mesmas diferenças, existem várias delas que tornam o Paraná - especificamente Curitiba - um lugar muito bom de se viver, de "primeiro mundo", como eles mesmos dizem.

Curitiba é organizada de uma forma que Porto Alegre nunca vai ser, por exemplo. Não se vê lixo nas ruas, mesmo o chamado "centrão" é bastante limpo - grande parte disso se deve aos laranjinhas", os garis responsáveis pela limpeza da cidade, espalhados aos montes em cada praça e rua do centro da cidade. Aquele aspecto de sujeira que encontramos em Porto Alegre, principalmente nos arredores do Mercado Público, não existe em Curitiba: por ser difícil de se encontrar lixo nas ruas, anda-se pelo centro respirando um ar mais puro, menos impregnado de sujeiras e poluições diversas.


Trem passando bem perto do centro de Curitiba

Os parques de Curitiba são especialmente belos, bem cuidados e, por consequência, bem frequentados - não há tantos daquele tipo de bagaceiro tão comum no RS, os que só pelo fato de estarem no mundo acham que tem o direito de tirar tudo que podem de alguém que, para eles, não poderia ter nascido em uma situação diferente da deles. Parques como o Jardim Botânico são fechados à noite, o que ajuda a manter eles bem cuidados e agradáveis de se visitar, fazer exercícios ou o que mais se tiver vontade de fazer. Para ficar no exemplo do Jardim Botânico, são tantos metros quadrados de um gramado verde bem cuidado, árvores com sombras bastante agradáveis, que, pelo que comentam, não é difícil casais darem uma escapadinha da atribulada rotina do centro da cidade e darem uma passada lá para namorar e fazer algumas coisas a mais...

Outro exemplo de bom funcionamento é o sistema de ônibus, conhecido como o melhor da América Latina - o que não é exagero, como quase todos os outros títulos que os curitibanos atribuem a sua cidade. São tantas linhas, tipos de ônibus diferentes, interligações, que não há como não se admirar como toda aquela logística intrincada funciona bem, com ônibus saindo e chegando no horário. Tudo direitinho, correto.

Como se vê, essa é a principal impressão que tive de lá: uma cidade corretíssima, onde tudo funciona muito bem - ou parece que funciona muito bem, porque para afirmar de certeza só morando mais tempo lá.


Mate no Jardim Botânico

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segunda-feira, abril 16, 2007

Paraná

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Engraçado como aqui em Curitiba os jornais, a televisão e mesmo as propagandas promovem quase que desesperadamente um "orgulho" paranaense, por vezes até procurando relações improváveis que possam ajudar na criação de uma cultura local. Isso acontece, creio eu, porque aqui no Paraná não exista nenhuma cultura que minimamente possa ser chamada de autêntica; tudo parece ser importado de outros locais, até mesmo as pessoas. Ao menos em Curitiba, impressiona o ufanismo dos seus habitantes; tudo aqui é maior, melhor, mais organizado, como se glorificar a cidade fosse a única forma de dizer que eles existem, que aqui também é um lugar onde se produz uma cultura "autêntica", original.
No fundo, isso tudo é uma forma de disfarçar o coitadismo que eles inevitavelmente sofrem por importar tantas coisas e criar tão poucas...

O principal jornal daqui, a Gazeta do Povo, serve como exemplo. Numa notícia sobre a UFPR (Universidade Federal do Paraná), que informava sobre novos cursos que serão abertos nela, o título da matéria era o seguinte:

"3º maior do país, UFPR vai abrir mais cursos noturnos"

Um exagero o trecho até a vírgula , não?
Como se o fato de a UFPR ser a terceira maior do país fosse mais importante que a informação em si, que é a abertura de novos cursos noturnos.

O caso acima não é isolado; em praticamente todo os jornais daqui, assim como nos telejornais , há um exagero em exaltar as qualidades do estado, numa, pra mim, nítida necessidade de auto-afirmação, de mostrar que aqui não só se produz cópias do que de melhor foi feito em outros lugares mas que, também, há coisas originais.

Esse coitadismo disfarçado de ufanismo exagerado é ainda mais perceptível nas pessoas que moram em Curitiba. Todos parecem ter características copiadas de pessoas de outros lugares, como se o paranaense legítimo fosse uma soma de paulistas, catarinenses, gaúchos, cariocas, etc. Acabam, em sua maioria, sendo pessoas insossas, "normais" ao extremo. Em algumas andadas por aqui, não vi nenhuma loucura, ou mesmo aqueles malucos clássicos, bêbados, enfim, pessoas fazendo coisas que não se imagina, que te surpreendem. Claro, aqui existem lugares e pessoas interessantes, mas tudo parece ser normalzinho demais, perfeitinho demais, sem aquele tipo de erro que tornam as coisas mais interessantes.

Talvez seja pouco tempo para uma avaliação mais profunda, ou, então, essa minha primeira impressão (que não é bem primeira, porque já vim para o Paraná outras vezes e sempre tive essa sensação) pode ser derrubada em breve.
Mas não acredito muito nisso não...


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