segunda-feira, abril 23, 2007

Paraná (2)

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Confesso, exagerei no tom ao falar de Curitiba e do Paraná no último post. Não que a impressão que tive do local não fosse aquela mesma, mas talvez tenha pegado pesado demais na hora de escolher as palavras para expressar essa impressão.
Outro ponto importante é que falei das diferenças que, comparando com outros locais (implicitamente o Rio Grande do Sul, reconheço), tornavam o Paraná um estado "insosso". Mas, ficando nessas mesmas diferenças, existem várias delas que tornam o Paraná - especificamente Curitiba - um lugar muito bom de se viver, de "primeiro mundo", como eles mesmos dizem.

Curitiba é organizada de uma forma que Porto Alegre nunca vai ser, por exemplo. Não se vê lixo nas ruas, mesmo o chamado "centrão" é bastante limpo - grande parte disso se deve aos laranjinhas", os garis responsáveis pela limpeza da cidade, espalhados aos montes em cada praça e rua do centro da cidade. Aquele aspecto de sujeira que encontramos em Porto Alegre, principalmente nos arredores do Mercado Público, não existe em Curitiba: por ser difícil de se encontrar lixo nas ruas, anda-se pelo centro respirando um ar mais puro, menos impregnado de sujeiras e poluições diversas.


Trem passando bem perto do centro de Curitiba

Os parques de Curitiba são especialmente belos, bem cuidados e, por consequência, bem frequentados - não há tantos daquele tipo de bagaceiro tão comum no RS, os que só pelo fato de estarem no mundo acham que tem o direito de tirar tudo que podem de alguém que, para eles, não poderia ter nascido em uma situação diferente da deles. Parques como o Jardim Botânico são fechados à noite, o que ajuda a manter eles bem cuidados e agradáveis de se visitar, fazer exercícios ou o que mais se tiver vontade de fazer. Para ficar no exemplo do Jardim Botânico, são tantos metros quadrados de um gramado verde bem cuidado, árvores com sombras bastante agradáveis, que, pelo que comentam, não é difícil casais darem uma escapadinha da atribulada rotina do centro da cidade e darem uma passada lá para namorar e fazer algumas coisas a mais...

Outro exemplo de bom funcionamento é o sistema de ônibus, conhecido como o melhor da América Latina - o que não é exagero, como quase todos os outros títulos que os curitibanos atribuem a sua cidade. São tantas linhas, tipos de ônibus diferentes, interligações, que não há como não se admirar como toda aquela logística intrincada funciona bem, com ônibus saindo e chegando no horário. Tudo direitinho, correto.

Como se vê, essa é a principal impressão que tive de lá: uma cidade corretíssima, onde tudo funciona muito bem - ou parece que funciona muito bem, porque para afirmar de certeza só morando mais tempo lá.


Mate no Jardim Botânico

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segunda-feira, abril 16, 2007

Paraná

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Engraçado como aqui em Curitiba os jornais, a televisão e mesmo as propagandas promovem quase que desesperadamente um "orgulho" paranaense, por vezes até procurando relações improváveis que possam ajudar na criação de uma cultura local. Isso acontece, creio eu, porque aqui no Paraná não exista nenhuma cultura que minimamente possa ser chamada de autêntica; tudo parece ser importado de outros locais, até mesmo as pessoas. Ao menos em Curitiba, impressiona o ufanismo dos seus habitantes; tudo aqui é maior, melhor, mais organizado, como se glorificar a cidade fosse a única forma de dizer que eles existem, que aqui também é um lugar onde se produz uma cultura "autêntica", original.
No fundo, isso tudo é uma forma de disfarçar o coitadismo que eles inevitavelmente sofrem por importar tantas coisas e criar tão poucas...

O principal jornal daqui, a Gazeta do Povo, serve como exemplo. Numa notícia sobre a UFPR (Universidade Federal do Paraná), que informava sobre novos cursos que serão abertos nela, o título da matéria era o seguinte:

"3º maior do país, UFPR vai abrir mais cursos noturnos"

Um exagero o trecho até a vírgula , não?
Como se o fato de a UFPR ser a terceira maior do país fosse mais importante que a informação em si, que é a abertura de novos cursos noturnos.

O caso acima não é isolado; em praticamente todo os jornais daqui, assim como nos telejornais , há um exagero em exaltar as qualidades do estado, numa, pra mim, nítida necessidade de auto-afirmação, de mostrar que aqui não só se produz cópias do que de melhor foi feito em outros lugares mas que, também, há coisas originais.

Esse coitadismo disfarçado de ufanismo exagerado é ainda mais perceptível nas pessoas que moram em Curitiba. Todos parecem ter características copiadas de pessoas de outros lugares, como se o paranaense legítimo fosse uma soma de paulistas, catarinenses, gaúchos, cariocas, etc. Acabam, em sua maioria, sendo pessoas insossas, "normais" ao extremo. Em algumas andadas por aqui, não vi nenhuma loucura, ou mesmo aqueles malucos clássicos, bêbados, enfim, pessoas fazendo coisas que não se imagina, que te surpreendem. Claro, aqui existem lugares e pessoas interessantes, mas tudo parece ser normalzinho demais, perfeitinho demais, sem aquele tipo de erro que tornam as coisas mais interessantes.

Talvez seja pouco tempo para uma avaliação mais profunda, ou, então, essa minha primeira impressão (que não é bem primeira, porque já vim para o Paraná outras vezes e sempre tive essa sensação) pode ser derrubada em breve.
Mas não acredito muito nisso não...


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sexta-feira, abril 06, 2007

Singelo

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Do praticamente finado blog do Marcelo Camelo, vocal e guitarra do Los Hermanos:


eu sou só um você
que você não quis
e querer é coisa tão pequena
que só não sou você por um triz


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terça-feira, abril 03, 2007

Love

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Do mestre Julio Cortázar em Rayuela, cap. 93:

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Pero el amor, esa palabra... Moralista Horacio, temeroso de pasiones sin una razón de aguas hondas, desconcertado y arisco en la ciudad donde el amor se llama con todos los nombres de todas las calles, de todas las casas, de todos los pisos, de todas las habitaciones, de todas las camas, de todos los sueños, de todos los olvidos o los recuerdos. Amor mío, no te quiero por vos ni por mí ni por los dos juntos, no te quiero porque la sangre me llame a quererte, te quiero porque no sos mía, porque estás del otro lado, ahí donde me invitás a saltar y no puedo dar el salto, porque en lo más profundo de la posesión no estás en mí, no te alcanzo, no paso de tu cuerpo, de tu risa, hay horas en que me atormenta que me ames (cómo te gusta usar el verbo amar, con qué cursilería lo vas dejando caer sobre los platos y las sábanas y los autobuses), me atormenta tu amor que no me sirve de puente porque un puente no se sostiene de un solo lado, jamás Wright ni Le Corbusier van a hacer un puente sostenido de un solo lado, y no me mires con esos ojos de pájaro, para vos la operación del amor es tan sencilla, te curarás antes que yo y eso que me querés como yo no te quiero. Claro que te curarás, porque vivís en la salud, después de mí será cualquier otro, eso se cambia como los corpiños. Tan triste oyendo al cínico Horacio que quiere un amor pasaporte, amor pasamontañas, amor llave, amor revólver, amor que le dé los mil ojos de Argos, la ubicuidad, el silencio desde donde la música es posible, la raíz desde donde se podría empezar a tejer una lengua. Y es tonto porque todo eso duerme un poco en vos, no habría más que sumergirte en un vaso de agua como una flor japonesa y poco a poco empezarían a brotar los pétalos coloreados, se hincharían las formas combadas, crecería la hermosura. Dadora de infinito, yo no sé tomar, perdoname. Me estás alcanzando una manzana y yo he dejado los dientes en la mesa de luz. Stop, ya está bien así. También puedo ser grosero, fájate. Pero fijate bien, porque no es gratuito.

¿Por qué stop? Por miedo de empezar las fabricaciones, son tan fáciles. Sacás una idea de ahí, un sentimiento del otro estante, los atás con ayuda de palabras, perras negras, y resulta que te quiero. Total parcial: te quiero. Total general: te amo. Así viven muchos amigos míos, sin hablar de un tío y dos primos, convencidos del amor-que-sienten-por-sus-esposas. De la palabra a los actos, che; en general sin verba no hay res. Lo que mucha gente llama amar consiste en elegir a una mujer y casarse con ella. La eligen, te lo juro, los he visto. Como si se pudiese elegir en el amor, como si no fuera un rayo que te parte los huesos y te deja estaqueado en la mitad del patio. Vos dirás que la eligen porque-la-aman, yo creo que es al verse. A Beatriz no se la elige, a Julieta no se la elige. Vos no elegís la lluvia que te va a calar hasta los huesos cuando salís de un concierto. Pero estoy solo en mi pieza, caigo en artilugios de escriba, las perras negras se vengan cómo pueden, me mordisquean desde abajo de la mesa.

"
(...)


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segunda-feira, abril 02, 2007

Aniversário

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Passou o mês de março e eu me esqueci de falar sobre o dois ano do blog. Não que tenha muito o que falar, afinal, é apenas um blog. Mas, como no aniversário de um ano, é notável observar que através dele eu acabo percebendo que certas idéias minhas estão amadurecendo, dando lugar a outras com maior tempo de maturação - inevitável ou não, é assim que costuma acontecer, a cada ano, com muitos que percorrem o curto trecho dos vinte aos trinta anos como se, quando chegassem lá, tivessem que forçosamente parar de amadurecer, porque a partir de então pode correr-se o risco de antecipar todos os males que alguns anos mais tardes virão (e não serão tão males se virem na hora certa).

Aquela coisa jogada, fruto de uma grande curiosidade em tentar entender certas coisas e, através da fala/escrita, desenvolvê-las sem que elas ainda estejam consolidadas para mim, cedeu lugar aos poucos para uns, digamos, 'exercícios de pensamento', práticas que ter por objetivo a reflexão pura e simples, mais do que uma tentativa muitas vezes frustrada de entendimento de algo que ainda não se está preparado para entender.

Não que aqui está um 'filósofo' tentando buscar explicações para todos os males do mundo; é simplesmente alguém que quer se conhecer melhor e usa o que aqui é escrito para monitorar o próprio amadurecimento das idéias.

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domingo, março 25, 2007

Instantâneas (1)

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De vinil


Domingo de manhã. Não chove lá fora mas ameaça. Céu cinza claro, que tão bem combina com a preguiça do domingo. Abre-se a cortina do quarto; aos poucos a claridade também vai revelando a poeira deixada no chão avermelhado da noite anterior, regada à luzes confusas de abajur, amarelas como não há outro amarelo.
Amarelo. Cinza. Vermelho.
Silêncio na rua, iluminada em preto e branco pelo sol cinza de perto do meio dia. Alguns movimentos na rua tentam ser coloridos, mas se entregam quando vêem a fumaça, de um cinza mais escuro, saindo de algumas já acesas churrasqueiras.
Caminha-se tranquilamente até o banheiro, necessidades matinais. Caretas no espelho, à procura de espinha e das lembranças da noite anterior. Cozinha ainda escura, acende-se a luz p&b e o café é preparado.
O destino agora é o quartinho mais escuro ainda. O depósito, dos objetos inúteis da casa e das coisas que pararam no tempo, está dessarumado, almofadas ocupam o único sofá. Dá para sentar igual, assim como esticar as pernas e colocá-las na cadeira em frente da escrivaninha. Gole no café quente traz de volta a lembrança do dia anterior, quando o mesmo café era companheiro da idéia de deixar a manhã de domingo para se escutar música, somente. O aparelho ao lado do sofá acende a luzinha amarela, primeira imagem colorida do dia. Volta-se a atenção para ele. Caixa ligada começa a emitir um som gorduroso, a começar pelo baixo grandão e a terminar pela voz nitidamente gravada ao vivo, há uns 36, 37 anos atrás, mais precisamente.
O olhar para a parede cheia de medalhas, uma mão segurando a xícara de café, o ouvido quase grudado na caixa de som, o domingo se torna o mesmo de umas décadas atrás, quando, ainda como um projeto de nascimento na cabeça de uma jovem mulher, ele reinvindava um domingo como esses, musical e p&b, saído diretamente de um disco de vinil.


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terça-feira, março 20, 2007

Cortazarianas Beatniks (5)

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Com o meu outro blog em férias forçadas pelas diversas ocasiões pra lá de extasiantes ocorridas nos últimos dias, esse aqui pode vir a ser atualizado mais frequente, sem mais posts pedindo desculpas a si mesmo.

Retomo aqui uma velha seção nomeada "Cortazarianas Beatniks". O nome dela já diz tudo de suas influências, embora não especifique muito bem quais suas verdadeiras intenções. Creio que seja como um treino, um exercício de criação de metáforas.

Esse trecho abaixo é retirado de um possível conto meu, nomeado Passeio:

"
É então que junta sua cabeça com o joelho e encosta ambos na mesma única pedra presente, para desta forma sentir a estranha trepidação que o percorre por dentro, indo do último fio de cabelo encharcado ao dedo do pé aquecido dentro do tênis que reúne todas as forças possíveis para se juntar ao restante do corpo e encostar-se à pedra, que agora parece estar quente com uma secreção brotada dele, e é através desse líquido que a pedra vai revelando, na mesma velocidade com que vai sendo molhada, os diversos destinos que parecem se agrupar em pequeninos pontos que agora preenchem toda a vasta superfície da pedra e que a transformam em uma poça d’água que ele acaba de pisar, revelando, como num espelho quebrado, as diversas facetas grotescas das escoriações que estão no seu corpo como lâminas enfileiradas numa suposta formação de um conjunto marcial apontando para os mesmos destinos que antes se revelaram na superfície da pedra, infinitos, desconexos, mas formatados e direcionados à algum lugar já conhecido (...)
"

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segunda-feira, março 12, 2007

Correria

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Correria de final de curso, início da vida pós-moleza de estudar, comer, durmir e outras cositas mais sem se preocupar em se sustentar.
Aqueles períodos em que o "inconsciente" pede para ser escutado e a correria das obrigações para amanhã, estritamente necessárias para ontem, torna isso impossível. Mas vai ter uma hora, talvez a hora certa, que a "resposta" do insconsciente, a tanto tempo trabalhada e praticamente pronta, sairá ao natural, e vai trazer o caminho a ser seguido.
Talvez o melhor caminho, talvez o por mais tempo desejado, talvez o tão difícil que até se tenha esquecido, talvez o mais fácil e burocrático: ainda não tive tempo para escutá-lo e saber o que ele me apresenta.
Mas semana que vem farei isso.

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terça-feira, fevereiro 27, 2007

Na pior

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"Oh, mal contundente, a condição da pobreza"
Chaucer



Término de faculdade, começam a se fazer planos breves para os meses que virão, escolher qual dos inúmeros caminhos que se apresentam nesta época será o inicialmente traçado.

Numa dessas muitas caminhadas sem rumo que servem de válvula de escape para a cabeça planejar alguma coisa, entrei numa livraria daqui – a Cesma – e fui dar uma vasculhada nos livros, procurando idéias que pudessem me fazer escolher um dentre esses caminhos.

De cara, na prateleira dos livros de jornalismo, achei um de capa amarela, do George Orwell. O título me chamou atenção: “Na pior em Londres e Paris - a vida de miséria e vagabundagem de um jovem escritor no fim dos anos 1920”.

Eu, que sempre quis viajar sem rumo durante o maior tempo que conseguisse agüentar sem ter uma casa fixa, tinha como um dos caminhos pós-formatura justamente esse, de viajar e passar trabalho, porque não vai ter outra época tão propícia a isso quanto esta, dos vinte e poucos anos sem nada de muito fixo com que se prender em determinado local.

Comprei o livro, com a expectativa dele me trazer algum tipo de inspiração para viajar, uma redenção na experiência de “estar na pior” em lugares tão distintos e interessantes quanto Londres e Paris.

Bom, terminado de ler a primeira parte, que trata dos anos que Orwell viveu na miséria mesmo em Paris, dá para se dizer que ele realmente trouxe uma inspiração, mas não bem uma sensação de redenção de “estar na pior”.

Orwell conta tão em detalhes das situações de pobreza que passou – os dias sem comer nada e os dias comendo pão seco, as semanas sem tomar banho, os trabalhos escravos nos porcos hotéis e restaurantes franceses – que é difícil querer passar por situações exatamente iguais aos que ele passou.

Parecidas, quem sabe, mas não bem por ser algo “redentor”, que trará uma nova “perspectiva” de vida, de valorizar certas coisas banais como ter o que comer e onde morar, e sim por um grande interesse meu em querer viver papéis diferentes em lugares diferentes, independente de quanto eles podem ser extenuantes – ainda que dentro de um limite do “tolerável”, o que Orwell, por vezes, até passou da conta, trabalhando 17 horas por dia, por exemplo.

Tenho um desejo, que não é nada secreto, de fazer muitas e variadas coisas: ser marinheiro na Noruega, estivador no Chile, pescador no Havaí, garçom em Paris, colhedor de frutas no interior da França, dentre outras coisas tão semelhantes e diferentes. Viver situações inusitadas - os momentos “modestamente excepcionais” que fala o Cortázar – em lugares inusitados, com pessoas inusitadas; E, se para tais momentos, precise passar trabalho, não há problema: passa-se trabalho.


Não há um objetivo definido em querer viver desta maneira; talvez, seja exatamente a falta de um objetivo fixo e bem delimitado para toda uma vida que sirva de motivação para se querer ter esse tipo de vivência, múltipla e notadamente instável.


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sábado, fevereiro 24, 2007

Normal

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Monografia entregue, férias até segunda ordem.
Então, o Subbacultcha volta ao seu "normal".
Em breve, ele irá se preparar para algumas mudanças....


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sexta-feira, janeiro 19, 2007

Devagar

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O Subbacultcha tá devagar, mas é por hora. Até início de março estou envolvido com a monografia, então as postagens serão esparsas.
Mas, pensando um pouco, o blog sempre foi imprevisível: tinha vezes que ele era atualizado diariamente, outras semanalmente, algumas poucas até mensalmente. É assim mesmo. Ele vai completar quase dois anos, talvez aqui seja o melhor lugar em que a minha "evolução" no aspecto texto seja melhor percebida. Quem sabe ele continue sendo esse lugar por um bom tempo...

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sexta-feira, janeiro 12, 2007

Prefácios (3)

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Daniel Pellizzari e o seu "O livro das cousas que acontecem", lançado pela Livros do Mal, temporariamente finada editora do Daniel Galera e do Pelizzari.
O livro é de contos, e quase todos tem um prefaciozinho. Escolhi o prefácio do livro inteiro, os de alguns contos, e o posfácio. Aí vão alguns deles, na ordem:



"Tudo são buracos, dizia um velho professor de vernáculo, hoje num deles - e eu sigo-lhe a lição à risca, muito melhor que ir ao cinema ou ao teatro, aqui não há camuflagens, as coisas simplesmente acontecem"


Campos de Carvalho, Vaca de Nariz sutil



"So i wasn't dreaming, after all, she said to herself, unless - unless we're all part of the same dream"

- Lewis Carrol, Through the Looking-glass.

No conto "Agosto".



"Agora estou doente: nós vamos ser felizes. Enfim estou doente"

- Georges Bataiile, O azul do céu


No conto "História de amor#62".



"Se o ranho não tivesse feito de mim um homem, eu teria me tornado um ranhoso em vez de um homem"


- M. Aguêiev, Romance com cocaína


No conto "O próprio sêmen".


"E ademais, tudo bem considerado, é verdade que em tudo isso há alguma coisa. Por mais que se diga, aventuras como esta acontecem neste mundo, sendo raras, mas acontecem."

Nikolai Gógol, O Nariz

Pósfácio.

Como se vê, todos eles tem uma sequência lógica, ou, talvez, que ajudem a contar uma história.


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sábado, janeiro 06, 2007

teste

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Caralho, inventaram um programa que atualiza o blog sem estar conectado a internet. Não sei se acho legal ou fico com medo do que amanhã poderá vir...
Mas, por hora, é só um teste mesmo.

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quinta-feira, janeiro 04, 2007

New year's life

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2007, e logo não restará mais faculdade para fazer, tempo livre para se cansar de pensar em coisas aparentemente importantes, quarto para cansar de ficar, rua para caminhar sem preocupação, trem para olhar sentado junto a um cigarro, etc, etc,

Quem sabe apareçam ruas apinhadas de gente para não-caminhar, luzes para confundir a vista cansada do final do dia, infinito no horizonte para não enxergar, pessoas novas para consertar feridas e, acima de tudo, pouco tempo para pensar em coisas aparentemente inúteis e muito tempo para fazer coisas aparentemente importantes.

Questão de aparência, ou de ponto de vista, um desafio a mais para uma vida aparentemente tão vazia de verdadeiros desafios - daqueles de te levar ao inferno profundo e te fazer voltar tão chamuscado que para sempre as chamas te acompanharão, seja lá onde elas se fixem no teu corpo - que o primeiro que apareçe com a imponência que o nome traz, Desafio, com letra maiúscula para não deixar dúvida de sua potência, provoca apenas umas nuvens no horizonte que nunca foi claro, mas sempre pareceu ser.

Ou seja, se até hoje as complicações foram poucas e criadas para exatamente tentar suprir a falta delas, agora estas ainda não se apresentam como todos as descrevem porque, ainda, não tiveram a importância de sua falta reconhecida para finalmente aparecerem e propor o Desafio.

Será inevitável a inconsciente busca, preparação e posterior solução dos desafios criados por nós? Ou será que é possível, como agora me parece (e acabo de entregar que por hora realmente é) ter um controle mínimo, por mais caótico e intencionalmente sem um aprofundamento maior que seja, da frequência com que eles apareçem, como uma chamada escolar, para então bolar planos e mais planos sem sentido para se tirar o máximo de cada uma das ocorrências que, agora mapeadas, podem signficar mais do que realmente seriam se não tivessem sidos descobertas?

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segunda-feira, dezembro 18, 2006

Campeão (2)

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Repetindo o post (e o nome do mesmo), mas não o título:

Campeão do Mundo!


Que coisa o futebol.

Um texto que eu fiz um tempo atrás, motivado por uma vitória dramática (mas não tão emocionante quanto essa) sobre o Boca Juniors, na Copa Sul-Americana. Hoje, a vitória é muito maior (não no placar, o mesmo 1x0, mas em importância), o título é muito mais grandioso, mas o sentimento que estava por trás (e para sempre estará, em todos os jogos do Inter ou talvez do Brasil) é o mesmo.

" Sempre é difícil para alguém que ama futebol entender o porquê de certas pessoas não gostarem de futebol. Também deve ser difícil - para os que não gostam – entender o porquê de tamanha paixão por uma coisa tão , digamos, prosaica .Mas digo que deve ser difícil, porque não sei; sou dos mais apaixonados amantes do futebol, dos que não entendem - mas respeitam, ao menos – como alguém pode não gostar de futebol. Paixão, amor, gosto, cada um tem o seu. Mas impossível não deixar um recado para os que não gostam: vocês não sabem o que estão perdendo!

O futebol, em sua magia que desperta as mais variadas formas de um único sentimento chamado paixão, não é o esporte mais popular do mundo por acaso. É especial, uma junção de pessoas desconhecidas entre si mas que, nesse mundo à parte feito por gente de coração forte, se torna unida umbilicalmente, tão suscetíveis a sentimentos fortes que quando são tocados em seu íntimo por um gol, explodem, gritam, pulam, saem de si em instantes que o tempo para e só volta a andar quando todo esse êxtase é diluído em doses homeopáticas de realidade extra-campo, de uma vida real que o futebol insiste em não querer fazer parte para poder, assim, fazer o que bem entender com a sua vida."


Que coisa o Futebol.

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segunda-feira, dezembro 11, 2006

Prefácios (2)

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O segundo da coleção.


"O que desejamos é trazer para um mundo fundamentalmente descontínuo toda a continuidade que ele pode sustentar"


De Até o dia em que o cão morreu, do gaúcho (de criação e coração) Daniel Galera .



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sábado, dezembro 02, 2006

Prefácios (1)

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Aqui começa (?) uma Coleção de Prefácios que acho bastante interessante.

O primeiro é de uma singeleza incrível, bem ao gosto do escritor uruguaio Eduardo Galeano:

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" As páginas deste livro são dedicadas àqueles meninos que uma vez, há anos, cruzaram comigo em Calella da Costa. Acabavam de jogar uma pelada, e cantavam:

Ganamos, perdimos,
igual nos divertimos"


Do livro Futebol ao sol e à sombra, do Eduardo Galeano.

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segunda-feira, novembro 20, 2006

Recortes

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Fotos de viagens recentes.
Imagens vistas através de uma longínqua janela que abriu-se e fechou rapidamente, captando tudo que conseguia.
Recentemente foi aberta de novo. Já não sabe onde está, se lá ou aqui, mas não vai fechar enquanto não souber.
Não tem pressa alguma; enquanto passa o tempo, deixa as imagens repousarem, tranquilas em sua indecisão.
Quando escolherem seu lugar, é só fechar, abrir de novo e esperar.



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quarta-feira, novembro 08, 2006

Influência

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Bueno, depois de muito tempo, aqui está o Subbacultcha em resquícios de se manter ativo, mesmo que quinzenalmente ou mensalmente ou seja lá qual outro mente em que a atualização venha acontecer. Se bem que não é atualização, é um post simplesmente, porque se ele nunca esteve desatualizado, porque teria que ser atualizado? O que é escrito aqui não tem mesmo prazo de validade - pelo menos para os outros´que não o que escreve aqui.

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Dia desses resolvi pensar alguns minutos sobre alguma coisa que a muito tempo pensava sem saber: as influências de todas as coisas sobre todas as nossas ações. Seja a leitura de um livro que modifica o texto na hora de escrever ou a audição de uma música que modifica o humor em determinado momento, chega a impressionar como nos colocamos em mudança quando fazemos qualquer uma dessas e outras ações espontâneas e quase insconscientes. É uma conversa num bar que traz um ângulo diferente sobre um assunto, e desse ângulo sai um pensamento que ganha força na explicação para outra pessoa, agora já na sala de aula, e que se solidifica ao ganhar mais argumentos de alguma leitura, e que, depois de consolidado por inteiro, modifica a percepção de certas coisas, e essa percepção produz outro pensamento, que bate de frente com outro tão forte numa mesa de bar e que, colidindo-se, abre-se mais facilmente para a entrada de outros pontos de vistas que se solidificarão na mente quando forem passados para um outro meio, e que se fecharão - por hora - para logo depois mudar a percepção de certas coisas antes mal vistas ou nem percebidas, e a através dessas coisas agora percebidas mostrarão um outro ponto de vista, para ficar só em argumentos, de um assunto que já se achava fechado, e abrindo-o, toda esse mundo novo descoberto agora correrá para fazer parte e guerrear por esse novo argumento que sairá das cinzas de um outro que se deu por fechado a bastante tempo atrás... E assim segue indefinidamente, sem prazo para acabar (ainda bem) e muito menos aviso prévio de qual dos assuntos já dado por fechado se abrirá para a nova percepção, sedenta de saber o que é aquela coisa tão retrógrada que ele pensava a bem pouco tempo atrás e achava que era um exagero de consciência para a idade (coitada da mente jovem que acha que está a frente do seu tempo)


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Uma questão que parece não ter prazo para ganhar uma resposta, assim como ninguém sabe se haverá alguém para dizer quando a resposta for encontrada, é a de até quando essa influência será o que diz a própria palavra, influência, para toda e qualquer ação e pensamento humano. Na minha ignorância atual, creio que a influência diminui com o passar do tempo, mas nunca cessa; depois de algumas boas doses de experiência, que tanto podem ser adquiridos em dois meses quanto em cinquenta anos, ela se torna uma porta aberta, controlada mas perigosa, pronta para dar o bote quando a guarda baixar e pedir perdão sem desejar. Na verdade, falar em "dar um bote" pode ser encarado como algo pejorativo e maligno, o que está longe de ser a influência da influência; ela é benéfica, auto-indulgente também, mas em doses certas.


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De modo que não há pessoa que não seja influenciada pelas coisas do meio em que vive, e também não há influência que não modifique um nesgo da nossa tão grandiosa percepção das coisas que habitam e fazem esse mundo cada vez mais incompreensível na medida que tentamos entender cada passo da longa caminhada ao fim.


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domingo, outubro 15, 2006

Back Home again

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Bueno, já se passou alguns dias, mas, novamente, de volta a casa. Desta vez, bem mais que nas outras, o baque do recomeço da rotina de viver somente numa mesma casa não foi muito grande, em grande parte devido à aprendizagem que as outras viagens trouxeram. O principal baque agora é outro, e nada tem a ver com viagem, mas sim que provavelmente essa foi a última viagem "de férias".

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Bom, aí vão outras fotos:



O Augusto, recém-acordado, olha Buenos Aires e sente falta do seu ursinho, coitado.






Buenos Aires Calling....








Desembarque






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"Ali jaz um corpo estendido no chão"








Bebendo, esperando a Milanesa com papas fritas - paga no cartão mágico, claro.






Almoço em "família", no hostel da Carla.


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No epicentro de Cordoba.







Cordoba, Quilmes, terraço, noite, três pessoas e muitas discussões probabilísticas.

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