segunda-feira, dezembro 18, 2006

Campeão (2)

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Repetindo o post (e o nome do mesmo), mas não o título:

Campeão do Mundo!


Que coisa o futebol.

Um texto que eu fiz um tempo atrás, motivado por uma vitória dramática (mas não tão emocionante quanto essa) sobre o Boca Juniors, na Copa Sul-Americana. Hoje, a vitória é muito maior (não no placar, o mesmo 1x0, mas em importância), o título é muito mais grandioso, mas o sentimento que estava por trás (e para sempre estará, em todos os jogos do Inter ou talvez do Brasil) é o mesmo.

" Sempre é difícil para alguém que ama futebol entender o porquê de certas pessoas não gostarem de futebol. Também deve ser difícil - para os que não gostam – entender o porquê de tamanha paixão por uma coisa tão , digamos, prosaica .Mas digo que deve ser difícil, porque não sei; sou dos mais apaixonados amantes do futebol, dos que não entendem - mas respeitam, ao menos – como alguém pode não gostar de futebol. Paixão, amor, gosto, cada um tem o seu. Mas impossível não deixar um recado para os que não gostam: vocês não sabem o que estão perdendo!

O futebol, em sua magia que desperta as mais variadas formas de um único sentimento chamado paixão, não é o esporte mais popular do mundo por acaso. É especial, uma junção de pessoas desconhecidas entre si mas que, nesse mundo à parte feito por gente de coração forte, se torna unida umbilicalmente, tão suscetíveis a sentimentos fortes que quando são tocados em seu íntimo por um gol, explodem, gritam, pulam, saem de si em instantes que o tempo para e só volta a andar quando todo esse êxtase é diluído em doses homeopáticas de realidade extra-campo, de uma vida real que o futebol insiste em não querer fazer parte para poder, assim, fazer o que bem entender com a sua vida."


Que coisa o Futebol.

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segunda-feira, dezembro 11, 2006

Prefácios (2)

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O segundo da coleção.


"O que desejamos é trazer para um mundo fundamentalmente descontínuo toda a continuidade que ele pode sustentar"


De Até o dia em que o cão morreu, do gaúcho (de criação e coração) Daniel Galera .



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sábado, dezembro 02, 2006

Prefácios (1)

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Aqui começa (?) uma Coleção de Prefácios que acho bastante interessante.

O primeiro é de uma singeleza incrível, bem ao gosto do escritor uruguaio Eduardo Galeano:

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" As páginas deste livro são dedicadas àqueles meninos que uma vez, há anos, cruzaram comigo em Calella da Costa. Acabavam de jogar uma pelada, e cantavam:

Ganamos, perdimos,
igual nos divertimos"


Do livro Futebol ao sol e à sombra, do Eduardo Galeano.

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segunda-feira, novembro 20, 2006

Recortes

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Fotos de viagens recentes.
Imagens vistas através de uma longínqua janela que abriu-se e fechou rapidamente, captando tudo que conseguia.
Recentemente foi aberta de novo. Já não sabe onde está, se lá ou aqui, mas não vai fechar enquanto não souber.
Não tem pressa alguma; enquanto passa o tempo, deixa as imagens repousarem, tranquilas em sua indecisão.
Quando escolherem seu lugar, é só fechar, abrir de novo e esperar.



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quarta-feira, novembro 08, 2006

Influência

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Bueno, depois de muito tempo, aqui está o Subbacultcha em resquícios de se manter ativo, mesmo que quinzenalmente ou mensalmente ou seja lá qual outro mente em que a atualização venha acontecer. Se bem que não é atualização, é um post simplesmente, porque se ele nunca esteve desatualizado, porque teria que ser atualizado? O que é escrito aqui não tem mesmo prazo de validade - pelo menos para os outros´que não o que escreve aqui.

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Dia desses resolvi pensar alguns minutos sobre alguma coisa que a muito tempo pensava sem saber: as influências de todas as coisas sobre todas as nossas ações. Seja a leitura de um livro que modifica o texto na hora de escrever ou a audição de uma música que modifica o humor em determinado momento, chega a impressionar como nos colocamos em mudança quando fazemos qualquer uma dessas e outras ações espontâneas e quase insconscientes. É uma conversa num bar que traz um ângulo diferente sobre um assunto, e desse ângulo sai um pensamento que ganha força na explicação para outra pessoa, agora já na sala de aula, e que se solidifica ao ganhar mais argumentos de alguma leitura, e que, depois de consolidado por inteiro, modifica a percepção de certas coisas, e essa percepção produz outro pensamento, que bate de frente com outro tão forte numa mesa de bar e que, colidindo-se, abre-se mais facilmente para a entrada de outros pontos de vistas que se solidificarão na mente quando forem passados para um outro meio, e que se fecharão - por hora - para logo depois mudar a percepção de certas coisas antes mal vistas ou nem percebidas, e a através dessas coisas agora percebidas mostrarão um outro ponto de vista, para ficar só em argumentos, de um assunto que já se achava fechado, e abrindo-o, toda esse mundo novo descoberto agora correrá para fazer parte e guerrear por esse novo argumento que sairá das cinzas de um outro que se deu por fechado a bastante tempo atrás... E assim segue indefinidamente, sem prazo para acabar (ainda bem) e muito menos aviso prévio de qual dos assuntos já dado por fechado se abrirá para a nova percepção, sedenta de saber o que é aquela coisa tão retrógrada que ele pensava a bem pouco tempo atrás e achava que era um exagero de consciência para a idade (coitada da mente jovem que acha que está a frente do seu tempo)


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Uma questão que parece não ter prazo para ganhar uma resposta, assim como ninguém sabe se haverá alguém para dizer quando a resposta for encontrada, é a de até quando essa influência será o que diz a própria palavra, influência, para toda e qualquer ação e pensamento humano. Na minha ignorância atual, creio que a influência diminui com o passar do tempo, mas nunca cessa; depois de algumas boas doses de experiência, que tanto podem ser adquiridos em dois meses quanto em cinquenta anos, ela se torna uma porta aberta, controlada mas perigosa, pronta para dar o bote quando a guarda baixar e pedir perdão sem desejar. Na verdade, falar em "dar um bote" pode ser encarado como algo pejorativo e maligno, o que está longe de ser a influência da influência; ela é benéfica, auto-indulgente também, mas em doses certas.


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De modo que não há pessoa que não seja influenciada pelas coisas do meio em que vive, e também não há influência que não modifique um nesgo da nossa tão grandiosa percepção das coisas que habitam e fazem esse mundo cada vez mais incompreensível na medida que tentamos entender cada passo da longa caminhada ao fim.


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domingo, outubro 15, 2006

Back Home again

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Bueno, já se passou alguns dias, mas, novamente, de volta a casa. Desta vez, bem mais que nas outras, o baque do recomeço da rotina de viver somente numa mesma casa não foi muito grande, em grande parte devido à aprendizagem que as outras viagens trouxeram. O principal baque agora é outro, e nada tem a ver com viagem, mas sim que provavelmente essa foi a última viagem "de férias".

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Bom, aí vão outras fotos:



O Augusto, recém-acordado, olha Buenos Aires e sente falta do seu ursinho, coitado.






Buenos Aires Calling....








Desembarque






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"Ali jaz um corpo estendido no chão"








Bebendo, esperando a Milanesa com papas fritas - paga no cartão mágico, claro.






Almoço em "família", no hostel da Carla.


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No epicentro de Cordoba.







Cordoba, Quilmes, terraço, noite, três pessoas e muitas discussões probabilísticas.

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segunda-feira, outubro 09, 2006

Buena Onda

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Bueno, Cordoba. Segunda cidade maior da Argentina, junto com Rosário, uma mistura de Porto Alegre (pelo tamanho e tipo de ruas) com Santa Maria (pelo números de estudantes e mulheres bonitas). Cidade muito seca, os parques e o campus da Universidade Nacional de Córdoba (umadas mais velhas e importantes da América Latina) quase sem grama, como um deserto.



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Chegamos aqui de onibus, depois de uma viagem estranha e cansativa de Trem até Santa Fé, na provícia de Entre Rios, no centro da Argentina.









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Aqui, encontramos o Gustavo, nosso colega que faz intercâmbio na universidade daqui. Ele está muito bem instalado, cercado de gente legal e numa cidade pra lá de interessante, quase comparada a Buenos Aires em atrativos noturnos (seja los bares ou las chicas).







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No domingo, vimos o gran clássico do fútbol argentino, Boca x River, em um bardaqui de Cordoba. Bastante interessante, os hermanos cantam a toda hora, nao deixam de incentivar seus clubes. Deu 3x1 pro River, que tem uma torcida ligeiramente menor que a do Boca.








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Buena onda é uma gíria daqui que quer dizer, mais ou menos, "legal", "jóia", "massa".


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sexta-feira, outubro 06, 2006

Suerte

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Bueno, ainda em Buenos Aires, mas de saída. Andamos pela cidade, pelos bares, fazendo parte de várias situacoes surreais. Por exemplo, agora, estamos no hostel de uma colega de Santa Maria almoçando junto de mais outros brasileiros, escutando Los Hermanos e tomando mate.

Ontem, fomos ao show do Los Hermanos aqui em Buenos Aires. De graça ainda, porque a nossa amiga Constanza recém tinha entrevistado a banda para um programa de rádio na qual ela estagia, e conseguiu entrada para nós.

Bueno, nao to conseguindo escrever direito. Hoje vamos para Santa Fé, de trem, e sábado estamos em Córdoba.

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Tigre





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Descanso em Tigre, perto da foz dos rios Paraná e Uruguai.






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No caminho a Tigre, no trem.

quarta-feira, outubro 04, 2006

Em outro lugar

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Bueno, cá estamos, em Buenos aires. Bem longe do "planejado", mas acontece.
Duas caronas até Livramento, e a direción teve que mudar para o Uruguai, por Montevideo. Algumas cervejas por lá, um onibus e um buquebus (uma balsa que mais parece um iate pequeno) depois, chegamos em Buenos Aires. Agora mais uns dias por aqui, mas a maioria das fotos por aqui vem depois.



* Por ser um teclado castelhano, algumas coisas saem diferentes, sem o cedilha.

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No onibus para Montevideo





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Em Montevideo, no "Pony Pisador"









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Na travessia Colonia - Buenos Aires, dentro do Buquebus, amanhecendo







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Aqui em Buenos Aires encontramos com a Coni, uma amiga nossa que mora por aqui. Na foto ela nos apresenta um meio que beco, daqueles lugares que só quem mora na cidade pode apresentar




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domingo, outubro 01, 2006

Viajar é preciso (2)

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Novamente, de novo, é preciso viajar (desculpa a redundância, mas aqui ela é necesssária). Mochila, plaquinha, físico e acima de tudo espírito preparado, é a hora de on the road again.

Não com a mesma vêemencia das outras vezes, mas vou tentar manter um diário de viagem, sempre na medida das possibilidades de encontrar internet acessível por aí.

Vamos em dois. O destino certo, por enquanto, é passar em Córdoba e Buenos Aires, duas cidades que temos colegas fazendo intercâmbio. O resto não se sabe ao certo, e é bom que seja assim.

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segunda-feira, setembro 18, 2006

Manifesto

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Três jovens da cidade de Santa Maria, RS, num dia sem muitas coisas para se fazer, resolveram caminhar em direção a antiga Gare da estação férrea da mesma cidade. Desde 1996, quando houve a privatização das linhas de trem e a consequente suspensão dos vagões de passageiros, a gare funciona apenas como um espaço de passagem de pessoas entre bairros. Houve tentativas de fazer do local um espaço cultural, mas as tentativas continuam até hoje. O parque ferroviário em que a gare se insere continua lá, desta vez servindo a empresa particular que comprou as linhas da região sul do país.

Pois bem. Neste dia, os três jovens sem afazeres momentâneos, decidiram ir até lá, observar a bela paisagem dos morros ao fundo e, logicamente, observar os movimentos dos trens que ali circulam sem uma periodicidade explicável. Ficaram algum tempo lá, até que resolveram chegar mais perto dos trens, para ver se conseguiam satisfazer sua enorme curiosidade de estar numa destas máquinas de alguns muitos e muitos anos de existência em movimento. Conseguiram dar uma breve volta pelo pátio, e só.

Esse dia acabou sendo considerado, tempos depois, como o marco inicial de uma idéia um tanto saudosista, outro tanto aventuresca: viajar de trem, de carona nos vagões de carga.





Alguns meses depois, já com algumas viagens por cidades da região no currículo, eles resolveram tornar aquela atividade, que beira a ilegalidade, em um passatempo regular. Descobriram que, realmente, o trem só aceita um passageiro legal: o maquinista. O restante das pessoas que se incorporam no trem não podem ali estar, apesar de também não quererem nada além de estar ali.

De algumas breves complicações com a segurança da empresa particular que adminsitra a linha à simpatia dos policiais foi um curto passo. Nada se pode fazer, dizia a polícia, que depois de recolher os jovens, levavam-os para a sua sede, ouviam suas histórias e, no fim, acabavam levando-os para um local onde pudessem continuar sua viagem, de trem.

Os jovens conheceram as dificuldades das viagens, mas quanto mais elas existiam, maior era o interesse deles em conhecê-las. Numa destas, descobriram que as pontes onde os trilhos passam são fechadas em cima por pequenas armações de concreto, espaçadas cerca de meio metro entre uma e outra. O local mais frequente de viagem, em cima dos vagões, ganhava um perigo novo: para passar essas pontes, só deitado - ou então a vida dos jovens poderia acabar ali.

Ao contrário de impedí-los, o perigo os motivou. Queriam saber mais sobre os vagões, para poderem escolher os melhores a se viajar. Acharam algumas informações, mas nada que os desse alguma certeza.

Depois de um tempo, viram que não precisavam descobrir mais nada. Afinal, talvez fosse a incerteza que os motivasse a estarem ali, erm cima de um trem, indo para algum lugar pouco conhecido e, por isso mesmo, muito admirado.

Para organizar seus anseios comuns, resolveram escrever um pequeno manifesto, o Manifesto dos Caroneiros de trem. É um embrião inicial de alguma coisa que não se sabe no que vai dar, ou mesmo se vai dar em alguma coisa. É uma incerteza, mas que já se adequou ao "mundo moderno (me tira logo deste inferno!)*" criando uma comunidade no orkut.

Bom, aí está o manifesto:


Por algum motivo que hoje só parece ser nostalgia de um tempo não vivido, nós gostamos de trem. Deles chegando numa pequena cidade, barulhentos e ao mesmo tempo discretíssimos em sua rotina que não pára nunca; deles apitando tragicamente anunciando sua partida lenta e que parece sempre estar atrasada; deles parados nos trilhos fazendo manobras incompreensíveis aos nossos olhos de fora da companhia que os administra. E desse fascínio por muitos incompreendido e por outros tantos perfeitamente aceitável é que, sem aviso muito prévio, decidimos viajar com eles. O problema é que são trens de carga os que vemos e admiramos, e trens de carga hoje só levam um passageiro, o maquinista.

Por esse pequeno detalhe, nossa viagem, para ser concretizada, tem de ter um embarque às escondidas, e muito provavelmente uma saída da mesma forma, para que não nos vejam e nos acusem de uma coisa ilegal como roubar o conteúdo que os misteriosos vagões carregam consigo. Não é, nunca foi e nunca vai ser essa a nossa intenção.

O que queremos, na verdade, é apenas curtir um vento na cara, viajar por campos ermos sem a barreira natural do asfalto ou das rodas, escutar a sinfonia trepidante dos encaixes de cada pequena parte dos trilhos, descarregarmos uma grande dose de adrenalina em todo o nosso corpo, e, acima de tudo, conhecer o significado pleno de uma palavra que hoje virou utopia de sonhadores ultrapassados: a liberdade.



Longe do rigor de um manifesto normal, esse é apenas uma compilação de anseios comuns, como já foi dito. Por trás dele, talvez, esteja um sentimento de querer compartilhar experiências e sensações, momentos e vivências que farão parte das lembranças de uma época em que se podia, sim, desejar a liberdade como um fim qualquer para alguma coisa.






*: Créditos a música ainda não lançada da banda Autoramas, Mundo Moderno.


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domingo, setembro 10, 2006

Canção

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Um trecho de "Song of myself", ou "Canção de mim mesmo", do grande poeta americano Walt Whitman, um dos inventores do verso livre na poesia. Falava dos Estados Unidos, mas de forma tão universal que é difícil alguém dizer que não é a sua terra que está sendo retratada - ou, então, a si mesmo de quem está se falando.


Eu celebro a mim mesmo, e canto a mim,
E o que assumo, tu assumes,
Pois todo átomo pertencente a mim também pertence a ti.

Vagueio e convido minha alma,
Me curvo e vagueio à vontade e observo uma haste de grama do estio.

Minha língua, todo átomo de meu sangue, formado deste solo, deste ar,
Nascido aqui de pais nascidos aqui de pais daqui, e seus pais também,
Eu, trinta e sete anos, em perfeita saúde inicio,
Esperando não cessar até a morte.

Credos e escolas suspensos,
Recuando um momento satisfeito com o que são, mas nunca esquecido,
Ancoro para o bem ou mal, permito falar sob todo risco,
Natureza sem controle com energia original.




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domingo, agosto 27, 2006

Freedom

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Entre Júlio de Castilhos e São Martinho da Serra, centro-norte do RS, voltando para Santa Maria no alto de um vagão de trem.

Cerca de meia hora depois de estar caminhando por Júlio de Castilhos, sem rumo, e escutar um apito de trem não muito próximo, mas o suficiente para fazer com que as pernas corressem como nunca e descessem um pequeno barranco aos tropeços.

Lá embaixo, com o trem passando em uma velocidade razoável logo a frente, a adrenalina de tentar acompanhar o trem na corrida e subir na escada de um vagão é maior do que qualquer medo, e na segunda tentativa, ela transforma-se até em uma emoção, inexplicável, de se estar a mercê da morte, mas mais perto ainda de se sentir livre como nunca outra vez antes na vida.



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quinta-feira, agosto 17, 2006

Campeão

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Jogo dos mais sofridos de todos, mas, enfim, o Inter é o Campeão da América.



AÊÊÊÊÊEÊÊÊ!



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quinta-feira, agosto 10, 2006

Conto

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Um trabalho de uma das disciplinas da faculdade (que é de Jornalismo) dava o início e o fim de um conto do Moacyr Scliar, e nós fazíamos o meio.

Maneira um pouco diferente daquela velha brincadeira, por sinal muito divertida, de continuar a história. Saía tanta bobagem sem qualquer nexo uma com as outras que parecia competição de quem criava a continuação mais absurda.

Mas como é um trabalho de faculdade, de um professor pra lá de metódico, há um pouco mais de seriedade. Mas só um poquinho.

Aí vai o resultado




MUITOS E MUITOS METROS ACIMA DO BEM E DO MAL



No fim da rua havia um terreno baldio, e no fundo deste, uma casa em ruínas, na qual Lúcia e eu costumávamos brincar. Todos diziam que a casa era mal-assombrada, que fantasmas eram vistos seguidos por ali. Mas Lúcia e eu não tínhamos medo. Não tínhamos medo de nada. Estávamos ambos com dez anos, idade em que as crianças costumam ter medos de fantasmas; mas nós, nós não tínhamos medo de nada – até que

uma tarde, daquelas que parecem não ter diferença para inúmeras outras, saímos da aula mais cedo e fomos para a casa em ruínas, Lúcia e eu. Era começo de inverno, dia cinzento, um dos primeiros dos inúmeros que seguiriam assim até o fim daquele inverno. Como tínhamos tempo, Lúcia sugeriu um outro caminho, que apenas ela conhecia: seguir até o início da malha ferroviária, que ficava há algumas quadras do terreno, e de lá seguir pelos trilhos até os fundos da casa.


Fomos caminhando pelos trilhos, quase correndo, na torcida silenciosa pela presença de um trem – que naquela época costumava passar diversas vezes ao dia, carregado da safra de grãos da serra. Quase não nos damos conta quando avistamos a casa, imponente e misteriosa lá embaixo do elevado onde ficavam os trilhos. Lúcia, sempre na frente, se jogou no primeiro caminho que avistou para descer. Resolvi esperar ela chegar lá embaixo, mas enquanto baixava os joelhos para pegar uma pedra fui surpreendido por um “ai!” vindo de um lugar não muito longe. Que se repetiu:

_ Ai!, ai!, Pedro, desce aqui.

Desci correndo, e por um pulo de puro instinto antes de um tronco caído não engrossei o coro do “ai!”. Lúcia estava no chão, com as mãos segurando o joelho direito, que jorrava um sanguesinho que não me pareceu nada de grave. Ainda assim, com mais cavalheirismo do que hoje em dia, resolvi acudir ela; juntei umas plantas por perto, limpei com elas o sangue, e levantei Lúcia, que certamente me debochando, logo saiu correndo e entrou pela cerca que dava diretamente na casa.


Lúcia e eu entramos na casa pela única parte que tinha teto, como sempre fazíamos. Sentamos numa espécie de banco formado por restos de concreto da cozinha, e de lá conseguíamos olhar, pela janela que não mais existia, os trilhos no alto do elevado. Lado a lado, as cabecinhas voando e se encontrando apenas em pensamento, sentíamos uma estranha sensação de perigo, até medo, e com ela é que silenciamos de repente e passamos a observar a vista através dos restos da janela.

_ Acho que vai passar um trem, disse Lúcia.
_ Ele sempre apita antes, acho. Ouviu algum?

Parei de falar, ou falei e nem escutei o que disse, tamanho o barulho que o trem fez ao apitar, um estrondo tão forte que Lúcia pulou, se aproximando perigosamente do meu colo. Quase saltei junto para evitar a situação, mas não precisou, porque ela própria sentiu o que aquele gesto poderia atrapalhar no futuro e se equilibrou novamente, com ajuda da perna do joelho machucado. O trem ainda apitava quando ouvimos outro estrondo, dessa vez abafado por um barulho que parecia ser de galhos quebrados.


_ Alguma coisa caiu do trem, disse eu.
_ Shhhhh!, acho que foi aqui do lado. Parece que alguém caiu do trem, disse Lúcia.

Terminou de falar e disparou em direção à frente da casa, que parecia ainda mais escura naquele dia cinzento. Coberta em parte por um teto destroçado e em outra pela sombra de uma enorme figueira nascida no pátio, aquele pedaço da casa era o principal motivo pelo qual chamavam o lugar de mal-assombrado. Dizia a lenda que depois que a casa foi abandonada, a figueira começou a se retorcer toda, destruindo o telhado ao mesmo tempo que, como aquelas árvores que se transformam em gente, foi tomando conta de toda a casa, se tornando uma espécie de guardiã dali.

Lúcia, e eu atrás, nos deslocamos para um canto que pareceu protegido, e ali ficamos. O barulho de galhos quebrando deu lugar a um outro, cada vez mais perto, de pegadas pesadas e rápidas circundando a casa, como se procurasse um lugar seguro para ficar. Perguntávamos se eram de homens aqueles passos fortes quando a janela em cima de nós escancarou para dentro, esclarecendo a nossa dúvida: um senhor gordo e aparentando idade avançada entrou e caiu exatamente meio metro da perna direita de Lúcia, que estava esticada. Apavorado como nunca antes, não lembro direito que aconteceu, mas a conseqüência foi que o velho estatelou-se no chão, caindo com o rosto e os braços virados para nós, como se nos abraçasse.

Lúcia soltou um grito tão forte que desmaiou. Verifiquei se o homem estava morto, e foi com um misto de pesar e alívio que retirei a mão do pescoço dele depois de quase um minuto: estava. Observei a cena dos dois deitados quase que abraçados, e num daqueles minutos que duram muito mais do que um minuto, caminhei pelas ruínas da casa serenamente, olhando para cada canto com uma curiosidade que nunca mais tive na vida, tamanho parecia o tempo que eu deixava meus olhos repousarem no concreto demolido. Conheci a sala, dois dos quartos, até o banheiro, que ainda tinha um vaso apto para o serviço. Quando voltei à parte da frente, Lúcia acordava. Um pouco atordoada, ela levantou, olhou novamente para o velho, agora não parecendo mais tão apavorada:

_ Vamos embora daqui, antes que ele levante.
_ Ele está morto, não vai levantar, eu disse.

Corremos do terreno até chegar na rua. Desta vez seguindo o caminho tradicional, só falamos quando chegamos na frente da casa de Lúcia.

_ Ele tinha um rosto estranho, mas não me parecia mal. Pelo menos não do jeito que a gente imagina uma pessoa má, disse Lúcia.
_ Também achei isso. Será que não devemos avisar alguém do corpo?


Lúcia firmemente disse que não, que alguém acharia o corpo e era melhor ninguém saber da nossa passagem por ali. E que a gente deveria esquecer o assunto, para sempre. Apesar do peso na consciência, não quis discordar, ainda mais quando ela me deu um beijo de despedida, o primeiro de inúmeros outros que se seguiriam tempos depois, quando namoraríamos.


No terreno baldio construíram, muitos anos depois, um enorme edifício de apartamentos. Ali fomos morar, Lúcia e eu, quando nos casamos. Temos dois filhos, um casal. Somos muito infelizes. Às vezes Lúcia diz que isso é porque vivemos sobre os ossos do pobre velho. Não acredito. Afinal, são doze andares, e nós moramos na cobertura. Muitos e muitos metros acima do bem e do mal.



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quinta-feira, agosto 03, 2006

Bem e mal

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Depois de ler o Lavoura Arcaica, obra-prima de Raduan Nassar, e ver o filme, obra-prima de Luis Fernando de Carvalho, fui procurar algum artigo sobre o assunto.

Achei um que diz uma coisa interessante:


Em uma obra de arte, pode-se ter "ambigüidade" nos meios, nunca no início, muito menos no fim. Um homem que se propõe a mexer com as palavras deve ter bem claro qual é o seu lado.

Como dizia Nick Cave:

"A maior destruição é feita por aqueles que não conseguem escolher entre o Bem e o Mal".



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quinta-feira, julho 27, 2006

Idéias

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Poderia existir um ranking de níveis de habilidade para escrever e ter idéias, ou melhor, que medisse a capacidade de juntar as duas.

O primeiro nível além do básico de conhecer as regras ortográficas para saber escrever é o ter idéias para expressar. Elas vem confusas, e geralmente são expressas de forma desordenadas, sem muito cuidado na escolha das palavras mais adequadas. Normalmente chamam de "escrita automática", mas um automática por não ter outra opção, já que existe o automática por opção, que é de outro nível, mais avançado.

O segundo nível é quando o vocabulário iguala-se as idéias. Houve alguma leitura para que isso pudesse acontecer, mas ainda há certa dificuldade em escrever coisas descomplicadas. A escrita já não é tão automática, mas ainda não existe a percepção de que esse tipo de escrita é típica do primeiro nível - se houvesse, o estilo seria imediatamente abandonado.

O terceiro nível inicia pelo novo avanço das idéias, que voltam a ficar à frente das palavras. Pensando em inovar, já se procura ler algumas coisas "complexas", narrativas modernistas que fogem do banal e levam as idéias para passear longe. Quando voltam, elas ficam atordoadas, pois não sabem ser expressadas como deveriam. É uma fase rápida: no momento em que as idéias estão presas, não tem outra saída que não ler mais, e aí avança-se um nível.

O quarto nível é marcado pelo novo nivelamento das idéias com as palavras. Surge através de leituras de livros considerados "simples", mas, só agora isso é percebido, a simplicidade é muito mais complexa e difícil de atingir. As idéias conseguem ser domadas, embora com dificuldades. A "escrita automática" é coisa do passado; as "sacadas legais" são cada vez menos frequentes.

O quinto nível eu não sei.

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segunda-feira, julho 24, 2006

No more

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Com o outro blog a pleno vapor esse aqui ficou um pouco esquecido, coitado. Mas é que o o outro é jornalismo, esse é um pouco de tudo, e nesses últimos tempos, só tenho feito jornalismo, não um pouco de tudo.

Como sei que é apenas uma fase, manterei esse com uma atualização periódica, não tanto quanto antes, mas talvez uma vez por semana.


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domingo, julho 16, 2006

Descrição

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Exercício de tentativa de descrever músicas do "The Piper at gates of Dawn", primeiro álbum do Pink Floyd. Ácido puro, o álbum.

Astronomy Domine - Imagine uma nave voando pelo espaço. Devagar, ela se aproxima da terra, e começa a sobrevoá-la rapidamente. Então, o seu comandante aparece numa espécie de sacada, dentro da nave, para fazer seu pronunciamento aos terráqueos. O teor das palavras é de sabedoria, mas o tom parece ser de repúdio a raça humana. Por fim, ninguém entende o que acontece e a nave sai da Terra para continuar sua viagem rumo ao desconhecido.

Lúcifer Sam - Deitado na sala de sua casa na beira da praia, fumando o nono baseado seguido, o cara está sozinho. De repente, vê (ou acha que vê) um gatinho siâmes pular pela sala, lépido e curioso. O cara tenta acompanhá-lo, pegar o tal gatinho no colo, mas não consegue. Por fim, desiste. Dias depois, sonha com o gatinho; mais dias depois, vê novamente ele circulando pela sala; mais dias, mais visões, e ele resolve deixar de compreender que diabos o gatinho tanto faz em sua casa. Trecho da letra:

Lucifer Sam, Siam cat.
Always sitting by your side,
always by your side.
That cat's something I can't explain


The Scarecrow - O filho pequeno pede para seu pai contar uma história. O pai parece estar meio alterado psicologicamente, e em vez de contar uma historinha boba para o filho dormir, resolve contar a história de um espantalho. Começa, o filho fica com medo, mas acaba por cair no sono, cansado. O pai continua, cada vez mais alterado, até se dar conta de que ele era o espantalho da história. Vai para o seu quarto, não consegue dormir.

Letra:
The black and green scarecrow,
as everyone knows,
stood with a bird on his hat
and straw everywhere.
He didn't care....
He stood in a field where barley grows.
His head did no thinking, his arms didn't move,
except when the wind cut up rough
and mice ran around on the ground.
He stood in a field where barley grows.
The black and green scarecrow is sadder than me,
but now he's resigned to his fate
'cause life's not unkind.
He doesn't mind.
He stood in a field where barley grows


Matilda Mother - Um conto medieval escrito por um prisioneiro, considerado mentalmente instável e perturbado, em sua cela no auto da torre, contado para diversos ratos, também presentes na cela.


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sábado, julho 08, 2006

Dia

"Permanecia uma hora inteira mergulhado dentro da banheira, escutando música, até a água ficar fria. E especialmente ali, dentro da água, eu me sentia cansado. Velho, em certo sentido. No sentido de que era tarde demais pra morrer jovem."

Daniel Galera, Até o dia em que o cão morreu

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