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O blog está devendo.
(nem que seja para mim mesmo)
Há muito tempo que não sai nada que venha de bastante tempo de reflexão, seja ela consciente ou daquelas que não se percebe, mas que há tempos está ali dentro, pronta para sair, esperando uma fagulha para se alastrar.
Como o trabalho costuma ocupar tempo demais, os momentos livres de afazeres são aplicados na "recuperação" da mente cansada através de conversas, caminhadas pela noite e outras cosas não explicitadas aqui, mas compreensíveis por todos. E quando se trabalha justamente com a mesma tarefa que é a matéria prima do que aqui é mostrado - escrever, em grau menor de reflexão mas não de horas trabalhadas - fica mais difícil ocupar o tempo restante com a escrita. É preciso uma desintoxicação, um olhar para o horizonte, uma reabastecida nas experiências em busca de um clareamento na mente, necessário para a organização das idéias em forma de textos.
Por esse motivo, algumas coisas aqui estão sendo publicadas vem de outras pessoas, pois, logicamente, é mais fácil achar uma reflexão ou um texto interessante do que escrever um ou pensar numa. Mas nem por isso haverá de se ter menos critério na hora da escolha; demanda menos tempo, é um trabalho menos árduo, mas ainda assim não fácil.
Enquanto não se estiver acostumado com o trabalho e a organização das idéias de forma coerente e publicável, a linha se manterá. Quando aparecer momentos livres seguidos, que permitam a desintoxicação e a posterior reflexão de forma rápida e eficiente, o blog voltará a atividade "normal" (se é que dá para se chamar assim).
Eventualmente, quando o trabalho for de fácil adaptação para aqui ser publicado, assim será feito, e assim já foi feito algumas vezes.
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sexta-feira, abril 28, 2006
quarta-feira, abril 26, 2006
Vivência
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"Sempre se diz que por trás de todo romance há uma seqüência de vida ou realidade do autor, por mais pálida ou tênue e intermitente que seja, ou ainda que esteja transfigurada. Diz-se isso como se se desconfiasse da imaginação e da inventiva, também como se o leitor ou os críticos necessitassem de um gancho para não serem vítimas de uma estranha vertigem, a vertigem do absolutamente inventado ou sem experiência nem fundamento, e não quisessem sentir o horror ao que parece existir enquanto lemos - às vezes respira, sussurra e até persuade - mas que nunca foi, ou o extremo ridículo de levar a sério o que é apenas uma fantasia, luta-se contra a consciência dissimulada de que ler romances é coisa pueril, ou pelo menos imprópria à vida adulta que sempre vai aumentando."
Javier Marías, Negro Dorso do Tempo.
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"Sempre se diz que por trás de todo romance há uma seqüência de vida ou realidade do autor, por mais pálida ou tênue e intermitente que seja, ou ainda que esteja transfigurada. Diz-se isso como se se desconfiasse da imaginação e da inventiva, também como se o leitor ou os críticos necessitassem de um gancho para não serem vítimas de uma estranha vertigem, a vertigem do absolutamente inventado ou sem experiência nem fundamento, e não quisessem sentir o horror ao que parece existir enquanto lemos - às vezes respira, sussurra e até persuade - mas que nunca foi, ou o extremo ridículo de levar a sério o que é apenas uma fantasia, luta-se contra a consciência dissimulada de que ler romances é coisa pueril, ou pelo menos imprópria à vida adulta que sempre vai aumentando."
Javier Marías, Negro Dorso do Tempo.
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sábado, abril 22, 2006
Causo de amor
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Nos antigamentes, dom Verídico semeou casas e gentes em volta do botequim El Resorte, para que o botequim não se sentisse sozinho. Este causo aconteceu, dizem por aí, no povoado por ele nascido.
E dizem por aí que ali havia um tesouro, escondido, na casa de um velhinho todo mequetrefi.
Uma vez por mês, o velhinho, que estava nas últimas, se levantava da cama e ia receber a pensão. Aproveitando a ausência, alguns ladrões, vindos de Montevideo, invadiram a casa.
Os ladrões buscaram e buscaram o tesouro em cada canto. A única coisa que encontraram foi um baú de madeira, coberto de trapos, num canto do porão. O tremendo cadeado que o defendia resistiu, invicto, ao ataque das gazuas.
E assim, levaram o baú. Quando finalmente conseguiram abrí-lo, já longe dali, descobriram que o baú estava cheio de cartas. Eram as cartas de amor que o velhinho tinha recebido ao longo de sua vida.
Os ladrões iam queimar as cartas. Discutiram. Finalmete, decidiram devolvê-las. Uma por uma. Uma por semana.
Desde então, ao meio dia de cada segunda-feira, o velhinho se sentava no alto da colina. E lá esperava que aparecesse o carteiro no caminho. Mal via o cavalo, gordo de alforjes, entre as árvores, o velhinho desandava a correr. O carteiro, que já sabia, trazia sua carta nas mãos.
E até São Pedro escutava as batidas daquele coração enlouquecido de alegria por receber palavras de mulher.
- O livro dos abraços, Eduardo Galeano -
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Nos antigamentes, dom Verídico semeou casas e gentes em volta do botequim El Resorte, para que o botequim não se sentisse sozinho. Este causo aconteceu, dizem por aí, no povoado por ele nascido.
E dizem por aí que ali havia um tesouro, escondido, na casa de um velhinho todo mequetrefi.
Uma vez por mês, o velhinho, que estava nas últimas, se levantava da cama e ia receber a pensão. Aproveitando a ausência, alguns ladrões, vindos de Montevideo, invadiram a casa.
Os ladrões buscaram e buscaram o tesouro em cada canto. A única coisa que encontraram foi um baú de madeira, coberto de trapos, num canto do porão. O tremendo cadeado que o defendia resistiu, invicto, ao ataque das gazuas.
E assim, levaram o baú. Quando finalmente conseguiram abrí-lo, já longe dali, descobriram que o baú estava cheio de cartas. Eram as cartas de amor que o velhinho tinha recebido ao longo de sua vida.
Os ladrões iam queimar as cartas. Discutiram. Finalmete, decidiram devolvê-las. Uma por uma. Uma por semana.
Desde então, ao meio dia de cada segunda-feira, o velhinho se sentava no alto da colina. E lá esperava que aparecesse o carteiro no caminho. Mal via o cavalo, gordo de alforjes, entre as árvores, o velhinho desandava a correr. O carteiro, que já sabia, trazia sua carta nas mãos.
E até São Pedro escutava as batidas daquele coração enlouquecido de alegria por receber palavras de mulher.
- O livro dos abraços, Eduardo Galeano -
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quinta-feira, abril 20, 2006
De arrepiar
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Tarde da noite, ou melhor, cedo da madrugada. Chove, é feriado. Quase todos os lugares que normalmente abrem estão fechados. Mas o sono não vem. A conversa é por MSN, impessoal e suspeita. Tensão sexual via internet não é tão grande quanto pessoalmente, mas ainda assim passível de ações quase desesperadas da parte mais fraca. A outra parte, mais sabedora do que realmente quer, está melancolicamente feliz, e não sabe porquê. Mas nem quer saber. Acaba de escutar uma música estranha, lenta, puxada por um belo vocal grave mas em falsete no refrão:
_ De arrepiar. Tens que escutar
_ Hmn, não quero me arrepiar por causa de música
_ Hmnn
_ Mas manda aí, fiquei curioso
_ Perae
_ Vai demorar, tu poderia me antecipar o motivo do arrepio?
_ Me arrepio com música boa
_ Só por isso?
_ Agora que vi a letra, me arrepiei de novo
_ Hmn, tá com frio?
_ Não, é a música mesmo
_ Hmn, to curioso
_ Escuta primeiro, depois olha a letra
_ Ok
...
_ Deu
_ Legal
_ Legal??
_ Muito legal. De arrepiar mesmo, que coisa
_ Aquele inicinho...
_ Aham. Mas o refrão também
_ Pegou a letra?
_ Ainda não
_ Pega
...
_ Putz
_ Quê?
_ Muito bom. Me arrepiei de novo
_ Só de ler?
_ Aham
_ Não tá com frio?
_ Não
_ ...
_ Dava pra resumir a vida nela
_ Na música?
_ É. Tem uns versos ali...
_ Quais?
Here we are in our car driving down the street
We’re looking for a place to stop have a bite to eat
We hunger for a bit of faith to replace the fear
We water like a dead bouquet does no good does it dear
_ É, realmente
_ Eu resumiria minha vida à isso.
..
Tarde da noite, ou melhor, cedo da madrugada. Chove, é feriado. Quase todos os lugares que normalmente abrem estão fechados. Mas o sono não vem. A conversa é por MSN, impessoal e suspeita. Tensão sexual via internet não é tão grande quanto pessoalmente, mas ainda assim passível de ações quase desesperadas da parte mais fraca. A outra parte, mais sabedora do que realmente quer, está melancolicamente feliz, e não sabe porquê. Mas nem quer saber. Acaba de escutar uma música estranha, lenta, puxada por um belo vocal grave mas em falsete no refrão:
_ De arrepiar. Tens que escutar
_ Hmn, não quero me arrepiar por causa de música
_ Hmnn
_ Mas manda aí, fiquei curioso
_ Perae
_ Vai demorar, tu poderia me antecipar o motivo do arrepio?
_ Me arrepio com música boa
_ Só por isso?
_ Agora que vi a letra, me arrepiei de novo
_ Hmn, tá com frio?
_ Não, é a música mesmo
_ Hmn, to curioso
_ Escuta primeiro, depois olha a letra
_ Ok
...
_ Deu
_ Legal
_ Legal??
_ Muito legal. De arrepiar mesmo, que coisa
_ Aquele inicinho...
_ Aham. Mas o refrão também
_ Pegou a letra?
_ Ainda não
_ Pega
...
_ Putz
_ Quê?
_ Muito bom. Me arrepiei de novo
_ Só de ler?
_ Aham
_ Não tá com frio?
_ Não
_ ...
_ Dava pra resumir a vida nela
_ Na música?
_ É. Tem uns versos ali...
_ Quais?
Here we are in our car driving down the street
We’re looking for a place to stop have a bite to eat
We hunger for a bit of faith to replace the fear
We water like a dead bouquet does no good does it dear
_ É, realmente
_ Eu resumiria minha vida à isso.
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segunda-feira, abril 17, 2006
Cortázar, poetas
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Os poetas, por exemplo, estão felizes da vida com os seus poemas, embora se considere elegante supor o contrário. Os poetas sabem muito bem que só a obra pode realizá-los e gostam de saboreá-la. Não acredite nessa história de poemas escritos com lágrimas. São lágrimas recriadas, como a dos atores; as verdadeiras, a base de cloreto de sódio, choramos para nós mesmos.
Lembra do que disse Santo Agostinho quando morreu um amigo: " Eu não chorava por ele, mas por mim, que o perdi."
É por isso que as elegias são escritas muito depois, recriando a dor e sendo feliz ao mesmo tempo.
O Exame final, pág. 128.
Os poetas, por exemplo, estão felizes da vida com os seus poemas, embora se considere elegante supor o contrário. Os poetas sabem muito bem que só a obra pode realizá-los e gostam de saboreá-la. Não acredite nessa história de poemas escritos com lágrimas. São lágrimas recriadas, como a dos atores; as verdadeiras, a base de cloreto de sódio, choramos para nós mesmos.
Lembra do que disse Santo Agostinho quando morreu um amigo: " Eu não chorava por ele, mas por mim, que o perdi."
É por isso que as elegias são escritas muito depois, recriando a dor e sendo feliz ao mesmo tempo.
O Exame final, pág. 128.
sexta-feira, abril 14, 2006
Jornalísticos (2)
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Cap 3: A virada
Consolidado, o tal novo rock viu, em menos de um ano, a sua segunda geração nascer. Em 2002, novamente nas ilhas Britânicas, quatro ingleses, conhecedores de clássicos do rock e do punk como The Kinks, The Clash e Gang of Four, atualizaram a música destas bandas para o novo século com o nome de The Libertines e, desta vez, sem nem mesmo terem lançado um EP, foram alçados ao centro da mídia inglesa. As músicas já pulavam para a internet antes de serem colocadas no mercado, o pessoal baixava, lotava os shows e a propaganda mais eficiente de todas, a boca a boca, se encarregava do resto. O sucesso prematuro se consolidaria com o lançamento do primeiro álbum, Up the Bracket, em 2002, e se propagaria a nível mundial com o segundo, auto-intitulado Libertines, de 2004, fazendo com que eles viessem para o Brasil sem terem nenhum álbum lançado no país (só depois dos shows é que foi lançado por aqui). Mas nem precisava, afinal, havia a Internet, e baixar música e gravar em um CD virgem não era mais novidade.
Cap 4: Já é goleada
Neste ano, que nem no meio está, já tem mais um furacão vindo da Inglaterra, via peer-to-peer (a forma mais comum de baixar música pela Internet): o Artic Monkeys. Formado por garotos ingleses na casa dos dezenove anos, a banda é como uma atualização para 2006 da sonoridade do Strokes e do Libertines, com letras que falam diretamente das situações vividas pela gurizada inglesa e que, apesar de toda diferença de estilo de vida para o chamado Terceiro mundo, também faz se identificar quem mora por aqui. O primeiro CD da banda, gravado a um custo irrisório, vendeu espantosos 363 735 mil cópias em uma só semana, atingindo o primeiro lugar na parada inglesa. A primeira música a fazer sucesso da banda, “I Bet you look good in the dance floor”, é, até agora, a música do ano na Inglaterra. Com uma letra divertida que fala, segundo o próprio vocalista, “de milhares de garotas que já me puseram na situação de olharem para mim num clube ou bar, eu ficar interessado, mas depois dizerem que eu imaginei que elas estavam olhando”, e sua batida rápida, que faz soar velho o Strokes e outros cânones da primeira e segunda geração, a música se expandiu – novamente, graças a Internet - de tal forma que já é até tocada em alguns lugares da noite de Santa Maria.
Cap 5: A próxima partida?
Como a efemeridade é a tônica dessa nova geração, não se duvida de na semana que vem já surja outra banda para roubar o trono do Artic Monkeys de, como diz os Titãs, “melhor banda dos últimos tempos da última semana”,
Os Jogadores
Primeira geração: The Strokes, White Stripes, The Vines, The Hives, Interpol
Segunda Geração: Libertines, Franz Ferdinand, The Killers, Bloc Party,Kings of Leon
Terceira Geração: Artic Monkeys, Clap your Hands Say Yeah, Guillemots, Black Mountain
Jornal A Razão, 13 de abril de 2006.
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Cap 3: A virada
Consolidado, o tal novo rock viu, em menos de um ano, a sua segunda geração nascer. Em 2002, novamente nas ilhas Britânicas, quatro ingleses, conhecedores de clássicos do rock e do punk como The Kinks, The Clash e Gang of Four, atualizaram a música destas bandas para o novo século com o nome de The Libertines e, desta vez, sem nem mesmo terem lançado um EP, foram alçados ao centro da mídia inglesa. As músicas já pulavam para a internet antes de serem colocadas no mercado, o pessoal baixava, lotava os shows e a propaganda mais eficiente de todas, a boca a boca, se encarregava do resto. O sucesso prematuro se consolidaria com o lançamento do primeiro álbum, Up the Bracket, em 2002, e se propagaria a nível mundial com o segundo, auto-intitulado Libertines, de 2004, fazendo com que eles viessem para o Brasil sem terem nenhum álbum lançado no país (só depois dos shows é que foi lançado por aqui). Mas nem precisava, afinal, havia a Internet, e baixar música e gravar em um CD virgem não era mais novidade.
Cap 4: Já é goleada
Neste ano, que nem no meio está, já tem mais um furacão vindo da Inglaterra, via peer-to-peer (a forma mais comum de baixar música pela Internet): o Artic Monkeys. Formado por garotos ingleses na casa dos dezenove anos, a banda é como uma atualização para 2006 da sonoridade do Strokes e do Libertines, com letras que falam diretamente das situações vividas pela gurizada inglesa e que, apesar de toda diferença de estilo de vida para o chamado Terceiro mundo, também faz se identificar quem mora por aqui. O primeiro CD da banda, gravado a um custo irrisório, vendeu espantosos 363 735 mil cópias em uma só semana, atingindo o primeiro lugar na parada inglesa. A primeira música a fazer sucesso da banda, “I Bet you look good in the dance floor”, é, até agora, a música do ano na Inglaterra. Com uma letra divertida que fala, segundo o próprio vocalista, “de milhares de garotas que já me puseram na situação de olharem para mim num clube ou bar, eu ficar interessado, mas depois dizerem que eu imaginei que elas estavam olhando”, e sua batida rápida, que faz soar velho o Strokes e outros cânones da primeira e segunda geração, a música se expandiu – novamente, graças a Internet - de tal forma que já é até tocada em alguns lugares da noite de Santa Maria.
Cap 5: A próxima partida?
Como a efemeridade é a tônica dessa nova geração, não se duvida de na semana que vem já surja outra banda para roubar o trono do Artic Monkeys de, como diz os Titãs, “melhor banda dos últimos tempos da última semana”,
Os Jogadores
Primeira geração: The Strokes, White Stripes, The Vines, The Hives, Interpol
Segunda Geração: Libertines, Franz Ferdinand, The Killers, Bloc Party,Kings of Leon
Terceira Geração: Artic Monkeys, Clap your Hands Say Yeah, Guillemots, Black Mountain
Jornal A Razão, 13 de abril de 2006.
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quinta-feira, abril 13, 2006
Jornalísticos (1)
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O qüinquagésimo terceiro renascimento do rock (Parte 1)
Uma breve historia do rock do novo século, ressurgido, propagado e já consolidado através da Internet
Introdução
O ano é 98, mas poderia ser também 99. As paradas obrigatórias para quem gostava de música eram as rádios e a MTV. Expressões como “gravar CD” ou “baixar música” nem com legenda se compreendia. A palavra Internet, para grande parte da população, pertencia àqueles assuntos que já se ouvira falar, mas não se sabia onde, nem como e nem porquê. O rock no Brasil era Raimundos e sua “Mulher de fases”; no mundo, era os velhos U2, Rolling Stones (que vieram ao Brasil em 98) e os novos, e já em certa decadência, Oasis e Blur. E só. Quem mandava e desmandava nossos ouvidos nas paradas eram as famosas “boys & girls bands”, coisas como Backstreet Boys, N”Sync, Britney Spears (nos tempos de “menina virgem”) e Cristina Aguilera. Essencialmente, grupos de músicas fabricadas,em que raramente se distinguia um instrumento no emaranhado de combinações eletrônicas que uma produção de luxo sabia fazer para realçar a voz afinada, mas modorrenta, que despejava letras melosas estufadas dos mais variados clichês românticos.
Cap 1: Saindo de atrás
Então, como um antídoto contra a pasmaceira musical dominante, a Internet começa a se popularizar. No início de 2000, surge o Napster, o primeiro programa popular de troca gratuita de músicas pela rede. O rock, que nesse período de trevas sobrevivia anônimo pelas garagens mundo afora, tinha descoberto sua válvula de escape. Não mais se precisava escrever bobagens, ser bonito e ter sorte para atrair um produtor que se encarregasse de fazer todas as músicas: bastava tocar uma guitarra, um baixo, uma bateria, juntar gente que também tocava um desses instrumentos, escrever letras sobre o que estava sentindo, colocar a música na Internet e torcer para que outros, com o mesmo sentimento para extravasar, escutassem, gostassem e também saíssem para colocar as suas músicas.
Cap 2: Empata a partida
Em 2001, surge o The Strokes. Banda de Nova York, que emulava diversas influências de décadas passadas na música e no visual, foi fazer sucesso primeiro na Inglaterra, no início do ano, através de um empresário que ouviu seu primeiro compacto, com 3 músicas – nem CD eles tinham gravado – e despejou para a molecada britânica no limite da saturação com as “ boys & girls bands”. Logo, o fenômeno se alastrou, virou capa de revistas, moda e, sobretudo, hype. Na cola do Napster outros programas vieram, fazendo com que muita gente, antes mesmo de ter em mãos o EP dos Strokes, já tivessem “baixado” (a expressão começava a ser conhecida) todas as músicas. Paralelo ao surgimento da banda, outras foram aparecendo, algumas foram descobertas - como o White Stripes, que já tinha feito dois álbuns, sem muita repercussão, quando lançou “White Blood Cells”, em 2001, do quase-hit “Fell in love with the girl” – e o qüinquagésimo terceiro renascimento do rock’roll foi propagado. Com o público já desperto para a novidade, foi fácil para os quase homônimos The Hives, da Suécia, e o The Vines, da Austrália, aparecerem – e, tão efêmero quanto surgiram - desaparecerem.
Como principal característica dessa nova geração do rock, dá para se citar a devoção de sua música a das décadas de 60,70 e 80 – sobretudo na parte das guitarras. As músicas parecem sempre “lembrar” alguma banda antiga, só que agora acrescentado de um elemento novo, que tanto pode ser as letras mais sinceras sobre a realidade de cada músico, ou a mistura de tantas influências distintas que acabam por criar um algo “novo”, original.
Jornal A Razâo, 13 de Abril de 2006
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O qüinquagésimo terceiro renascimento do rock (Parte 1)
Uma breve historia do rock do novo século, ressurgido, propagado e já consolidado através da Internet
Introdução
O ano é 98, mas poderia ser também 99. As paradas obrigatórias para quem gostava de música eram as rádios e a MTV. Expressões como “gravar CD” ou “baixar música” nem com legenda se compreendia. A palavra Internet, para grande parte da população, pertencia àqueles assuntos que já se ouvira falar, mas não se sabia onde, nem como e nem porquê. O rock no Brasil era Raimundos e sua “Mulher de fases”; no mundo, era os velhos U2, Rolling Stones (que vieram ao Brasil em 98) e os novos, e já em certa decadência, Oasis e Blur. E só. Quem mandava e desmandava nossos ouvidos nas paradas eram as famosas “boys & girls bands”, coisas como Backstreet Boys, N”Sync, Britney Spears (nos tempos de “menina virgem”) e Cristina Aguilera. Essencialmente, grupos de músicas fabricadas,em que raramente se distinguia um instrumento no emaranhado de combinações eletrônicas que uma produção de luxo sabia fazer para realçar a voz afinada, mas modorrenta, que despejava letras melosas estufadas dos mais variados clichês românticos.
Cap 1: Saindo de atrás
Então, como um antídoto contra a pasmaceira musical dominante, a Internet começa a se popularizar. No início de 2000, surge o Napster, o primeiro programa popular de troca gratuita de músicas pela rede. O rock, que nesse período de trevas sobrevivia anônimo pelas garagens mundo afora, tinha descoberto sua válvula de escape. Não mais se precisava escrever bobagens, ser bonito e ter sorte para atrair um produtor que se encarregasse de fazer todas as músicas: bastava tocar uma guitarra, um baixo, uma bateria, juntar gente que também tocava um desses instrumentos, escrever letras sobre o que estava sentindo, colocar a música na Internet e torcer para que outros, com o mesmo sentimento para extravasar, escutassem, gostassem e também saíssem para colocar as suas músicas.
Cap 2: Empata a partida
Em 2001, surge o The Strokes. Banda de Nova York, que emulava diversas influências de décadas passadas na música e no visual, foi fazer sucesso primeiro na Inglaterra, no início do ano, através de um empresário que ouviu seu primeiro compacto, com 3 músicas – nem CD eles tinham gravado – e despejou para a molecada britânica no limite da saturação com as “ boys & girls bands”. Logo, o fenômeno se alastrou, virou capa de revistas, moda e, sobretudo, hype. Na cola do Napster outros programas vieram, fazendo com que muita gente, antes mesmo de ter em mãos o EP dos Strokes, já tivessem “baixado” (a expressão começava a ser conhecida) todas as músicas. Paralelo ao surgimento da banda, outras foram aparecendo, algumas foram descobertas - como o White Stripes, que já tinha feito dois álbuns, sem muita repercussão, quando lançou “White Blood Cells”, em 2001, do quase-hit “Fell in love with the girl” – e o qüinquagésimo terceiro renascimento do rock’roll foi propagado. Com o público já desperto para a novidade, foi fácil para os quase homônimos The Hives, da Suécia, e o The Vines, da Austrália, aparecerem – e, tão efêmero quanto surgiram - desaparecerem.
Como principal característica dessa nova geração do rock, dá para se citar a devoção de sua música a das décadas de 60,70 e 80 – sobretudo na parte das guitarras. As músicas parecem sempre “lembrar” alguma banda antiga, só que agora acrescentado de um elemento novo, que tanto pode ser as letras mais sinceras sobre a realidade de cada músico, ou a mistura de tantas influências distintas que acabam por criar um algo “novo”, original.
Jornal A Razâo, 13 de Abril de 2006
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domingo, abril 09, 2006
Derrota
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Sobre o sentimento de derrota:
Deitado em um cama num quarto escuro, sem conseguir ler e entertido com o olhar sobre o teto, que não parece dizer nada mas entender tudo, você não consegue parar de pensar no motivo que o barulho das ruas, hoje, é tão forte.
Pensa em atenuações, tanto para si próprio, quanto para dizer aos outros como resposta de uma batalha perdida que, absolutamente, você nada pode fazer para reverter se não torcer que as melhores soluções, vista por você mas também por grande parte das pessoas que compartilham do mesmo sentimento, caiam na cabeça de quem realmente pode resolver a situação: o técnico.
Elas não caem, mas por acidente a vitória está perto, e, mesmo desejando que a derrota até venha como forma de que sirva de lição para que os erros insistemente cometidos não se repitam mais, é como uma facada no peito a confirmação desse pensamento: a derrota é amarga, por mais que se deseje ela.
Fato confirmado. E é difícil para você aguentar, por mais que tantas vezes , até indiretamente, o resultado que agora é fato foi imaginado, como uma forma de se antecipar na procura de respostas convicentes para dizer a você e aos outros que a derrota não tenha a importância que ela realmente tem.
Remediar não funciona, mas é quase impossível não partir para esta solução em casos assim, de derrota ampla e incontestável. Por mais que se precise sofrer, a ilusão de que não se precisa é mais forte.
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Sobre o sentimento de derrota:
Deitado em um cama num quarto escuro, sem conseguir ler e entertido com o olhar sobre o teto, que não parece dizer nada mas entender tudo, você não consegue parar de pensar no motivo que o barulho das ruas, hoje, é tão forte.
Pensa em atenuações, tanto para si próprio, quanto para dizer aos outros como resposta de uma batalha perdida que, absolutamente, você nada pode fazer para reverter se não torcer que as melhores soluções, vista por você mas também por grande parte das pessoas que compartilham do mesmo sentimento, caiam na cabeça de quem realmente pode resolver a situação: o técnico.
Elas não caem, mas por acidente a vitória está perto, e, mesmo desejando que a derrota até venha como forma de que sirva de lição para que os erros insistemente cometidos não se repitam mais, é como uma facada no peito a confirmação desse pensamento: a derrota é amarga, por mais que se deseje ela.
Fato confirmado. E é difícil para você aguentar, por mais que tantas vezes , até indiretamente, o resultado que agora é fato foi imaginado, como uma forma de se antecipar na procura de respostas convicentes para dizer a você e aos outros que a derrota não tenha a importância que ela realmente tem.
Remediar não funciona, mas é quase impossível não partir para esta solução em casos assim, de derrota ampla e incontestável. Por mais que se precise sofrer, a ilusão de que não se precisa é mais forte.
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quinta-feira, abril 06, 2006
Diálogo (2)
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De um amigo para o outro, sentados em um bar, depois de 7 cervejas e alguns cigarros, continuação da conversa "entendo o meu problema e porquê sofro, mas não consigo evitar":
_ Olhava eu, cara, aquele clipe novo do Strokes, Heart in a Cage, sabe?, gostava da música, e num dos raros casos, achei que o clipe ilustra muito bem o que eu imaginava da música, da letra, inclusive. O vocalista rastejava no chão cantando
Well I don't feel better,
When I'm fucking around,
And I don't write better,
When I'm stuck in the ground,
e um dos guitarristas tocava em cima de um prédio de uma grande cidade, lembrando os anjos no clássico "Wings of Desire" do Wim Wenders. Tudo em preto e branco, como se a angústia de dizer aquilo fosse algo parecido a estar em mundo preto e branco repleto de portas coloridas escondidas e prontas para te levar a outras idéias que não a do sofrimento por estar dizendo aquilo de modo tão apaixonado, e que certamente é decorrente do amor,
Então a música, que é do famoso time do assopra-apaga, rápida com partes lentas ou vice-versa, abaixa o volume, guitarra devagar, bateria marcando o tempo rápidamente, e a voz entra dizendo
Oh the heart beats in its cage
e repetindo, e repetindo
como que chamando a uma dessas portas, desesperadamente venha me buscar e pare de se esconder que eu não aguento mais sofrer, independente de quão esse sofrimento seja verdadeiro, mas a imagem do vocalista cantando caído no chão no meio de uma multidão em um centro movimentado me convence de que ele não mente, e então ele canta
I'm sorry you were thinking; I would steal your fire
Enfim, ele encontra uma dessas portas, mas ela parece que veio tarde, quando não mais o amor conseguiria se esconder impunemente por aí sem enfrentar o que realmente o colocou naquela situação de caído no chão cantando coisas de quem se está apaixonado...
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De um amigo para o outro, sentados em um bar, depois de 7 cervejas e alguns cigarros, continuação da conversa "entendo o meu problema e porquê sofro, mas não consigo evitar":
_ Olhava eu, cara, aquele clipe novo do Strokes, Heart in a Cage, sabe?, gostava da música, e num dos raros casos, achei que o clipe ilustra muito bem o que eu imaginava da música, da letra, inclusive. O vocalista rastejava no chão cantando
Well I don't feel better,
When I'm fucking around,
And I don't write better,
When I'm stuck in the ground,
e um dos guitarristas tocava em cima de um prédio de uma grande cidade, lembrando os anjos no clássico "Wings of Desire" do Wim Wenders. Tudo em preto e branco, como se a angústia de dizer aquilo fosse algo parecido a estar em mundo preto e branco repleto de portas coloridas escondidas e prontas para te levar a outras idéias que não a do sofrimento por estar dizendo aquilo de modo tão apaixonado, e que certamente é decorrente do amor,
Então a música, que é do famoso time do assopra-apaga, rápida com partes lentas ou vice-versa, abaixa o volume, guitarra devagar, bateria marcando o tempo rápidamente, e a voz entra dizendo
Oh the heart beats in its cage
e repetindo, e repetindo
como que chamando a uma dessas portas, desesperadamente venha me buscar e pare de se esconder que eu não aguento mais sofrer, independente de quão esse sofrimento seja verdadeiro, mas a imagem do vocalista cantando caído no chão no meio de uma multidão em um centro movimentado me convence de que ele não mente, e então ele canta
I'm sorry you were thinking; I would steal your fire
Enfim, ele encontra uma dessas portas, mas ela parece que veio tarde, quando não mais o amor conseguiria se esconder impunemente por aí sem enfrentar o que realmente o colocou naquela situação de caído no chão cantando coisas de quem se está apaixonado...
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terça-feira, abril 04, 2006
Casa das palavras
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A casa das palavras
Na casa das palavras, sonhou Helena Villagra, chegavam os poetas. As palavras, guardadas em velhos frascos de cristal, esperavam pelos poetas e se ofereciam, loucas de vontade de ser escolhidas; elas rogavam aos poetas que as olhassem, as cheirassem, as tocassem, as provassem. os poetas abriam os frascos, provavam palavras com o dedo e tnão lambiam os lábios ou fechavam a cara. Os poetas andavam em busca de palavras que não conheciam, e também buscavam as palavras que conehciam e tinham perdido.
Na casa das palavras havia uma mesa das cores. Em grandes travessas as cores eram oferecidas e cada poeta se servia da cor que estava precisando: amarelo-limão ou amarelo-sol, azul do mar ou de fumaça, vermelho-lacre, vermelho-sangue, vermelho-vinho...
Eduardo Galeano,O livro dos Abraços.
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A casa das palavras
Na casa das palavras, sonhou Helena Villagra, chegavam os poetas. As palavras, guardadas em velhos frascos de cristal, esperavam pelos poetas e se ofereciam, loucas de vontade de ser escolhidas; elas rogavam aos poetas que as olhassem, as cheirassem, as tocassem, as provassem. os poetas abriam os frascos, provavam palavras com o dedo e tnão lambiam os lábios ou fechavam a cara. Os poetas andavam em busca de palavras que não conheciam, e também buscavam as palavras que conehciam e tinham perdido.
Na casa das palavras havia uma mesa das cores. Em grandes travessas as cores eram oferecidas e cada poeta se servia da cor que estava precisando: amarelo-limão ou amarelo-sol, azul do mar ou de fumaça, vermelho-lacre, vermelho-sangue, vermelho-vinho...
Eduardo Galeano,O livro dos Abraços.
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quarta-feira, março 29, 2006
Reflexões de Herman (3)
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Leonardo,
Aqui estás, uma reflexão sobre o inconsciente. Assunto espinhoso e que , provavelmente, renderá alguns outros posts e , se nos encontrarmos novamente, muitas discussões regadas a Quilmes e cigarro.
Sob o domínio do inconsciente *
Dia desses, em andanças pela noite portenha com alguns amigos, uma questão, até de certa forma inédita, surgiu para mim. Meu amigo, juntamente com outro conhecido, contava sobre sua viagem pelos campos e rios nos arredores de Buenos Aires. Sem qualquer planejamento, com muitas vezes não tendo a mínima idéia de onde estavam e para onde iam, eles foram envolvidos numa teia complexa de situações absolutamente inverossímeis se fossem criadas. Depois de muito discutir, meu amigo acabou soltando: " Nunca fiz planejamento, mas na hora sempre sabia o que fazer".
Para mim, foi a chave que me fez entender muitas de suas atitudes "malucas", diferentes. Ele foi guiado pelo seu inconsciente, que de tão treinado (não se sabe como, se soubéssemos todos treinaríamos ) sabe o que fazer em situações aparentemente cada vez mais complicadas que se apresentam para ele resolver e, de preferência, rapidamente.
Se ele não faz mil e um planejamentos sobre o que encontrará naquele rio, por exemplo, e quais as ações determinadas para cada tipo de situação adversa que ele se deparar, muito mais facilmente ele saberá sair delas. Como? não há resposta pulando para ser escolhida, mas uma escondidinha serve melhor que todas as outras: o inconsciente. Simplesmente não estando com todas as prováveis soluções definidas na cabeça, ele saberá como resolver quando aparecer alguma que não esteja prevista. E sempre há situações imprevistas em viagens desse tipo.
Alguém que vá "preparado", não saberá, ou demorará mais, para agir em uma situação completamente inesperada. Culpa do inconsciente, que não é confiável (pelo menos a pessoa não sabe que é) a ponto de não se utilizar de planejamantos para facilitar a compreensão.
Alguns poderão achar que apostar no inconsciente é uma "aposta no escuro". Pode ser, mas talvez achem isso porque não há como explicar o inconsciente, o saber agir em situações adversas sem nunca tê-las vivido. Um provável indício de que se está preparado para situações não-planejadas é a vivência constante de situações ditas "inexplicáveis"; digamos que essas situações fazem parte do "treinamento" do inconsciente, pois sempre pedem respostas rápidas quando nunca pensamos em qualquer uma resposta para situações que também nunca pensamos que possamos viver. São nessas situações que treinamos as ações inexplicáveis, e o prazer de ter enfrentado, e resolvido bem, esse tipo de situação é algo que só abre mais e mais portas para uma complexa, se algum dia possível, compreensão completa sobre si mesmo.
A inconcosciência pode se equiparar a outra palavra que, aparentemente, também não tem explicação lógica: sorte. Quando acreditamos no inconsciente, e esse meu amigo comprovou na pele isso, parece que sempre temos "sorte": perdemos o fogo, o que fazer? achamos outra forma de fazer o fogo, por "sorte". Estamos sem comida? caminhamos e encontramos, por "sorte", uma pequena fazenda que nos oferece um belo assado de ovelha. Uma tentativa de explicação de situações assim seria que o nosso inconsciente, como luz que nos guia nos escuros caminhos desconhecidos, acha sempre soluções para qualquer adversidade, e, por falta de outra palavra melhor, essa solução é atribuída a "sorte" - que nada mais é do que um refúgio para qualquer coisa que não se explica racionalmente.
Por tudo isso, levar a incosciência aos lugares mais longíquos, onde nem um rastro de situação já vivida tenha chegado, faz parte de um longo caminho que todos trilham, mas alguns nunca param para pensar nisso, para chegar ao completo conhecimento de si mesmo, que trará um enorme conhecimento do mundo consigo. A questão é que se estamos preparados para obter essa conhecimento, se a busca por ele não nos enlouquecerá no caminho, ou se, quando finalmente chegarmos lá, descobrir que todas as adversidades foram em vão e que o final encontrado não passa de uma ilusão de que nos conhecemos melhor...
* Traduzido do castelhano
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Leonardo,
Aqui estás, uma reflexão sobre o inconsciente. Assunto espinhoso e que , provavelmente, renderá alguns outros posts e , se nos encontrarmos novamente, muitas discussões regadas a Quilmes e cigarro.
Sob o domínio do inconsciente *
Dia desses, em andanças pela noite portenha com alguns amigos, uma questão, até de certa forma inédita, surgiu para mim. Meu amigo, juntamente com outro conhecido, contava sobre sua viagem pelos campos e rios nos arredores de Buenos Aires. Sem qualquer planejamento, com muitas vezes não tendo a mínima idéia de onde estavam e para onde iam, eles foram envolvidos numa teia complexa de situações absolutamente inverossímeis se fossem criadas. Depois de muito discutir, meu amigo acabou soltando: " Nunca fiz planejamento, mas na hora sempre sabia o que fazer".
Para mim, foi a chave que me fez entender muitas de suas atitudes "malucas", diferentes. Ele foi guiado pelo seu inconsciente, que de tão treinado (não se sabe como, se soubéssemos todos treinaríamos ) sabe o que fazer em situações aparentemente cada vez mais complicadas que se apresentam para ele resolver e, de preferência, rapidamente.
Se ele não faz mil e um planejamentos sobre o que encontrará naquele rio, por exemplo, e quais as ações determinadas para cada tipo de situação adversa que ele se deparar, muito mais facilmente ele saberá sair delas. Como? não há resposta pulando para ser escolhida, mas uma escondidinha serve melhor que todas as outras: o inconsciente. Simplesmente não estando com todas as prováveis soluções definidas na cabeça, ele saberá como resolver quando aparecer alguma que não esteja prevista. E sempre há situações imprevistas em viagens desse tipo.
Alguém que vá "preparado", não saberá, ou demorará mais, para agir em uma situação completamente inesperada. Culpa do inconsciente, que não é confiável (pelo menos a pessoa não sabe que é) a ponto de não se utilizar de planejamantos para facilitar a compreensão.
Alguns poderão achar que apostar no inconsciente é uma "aposta no escuro". Pode ser, mas talvez achem isso porque não há como explicar o inconsciente, o saber agir em situações adversas sem nunca tê-las vivido. Um provável indício de que se está preparado para situações não-planejadas é a vivência constante de situações ditas "inexplicáveis"; digamos que essas situações fazem parte do "treinamento" do inconsciente, pois sempre pedem respostas rápidas quando nunca pensamos em qualquer uma resposta para situações que também nunca pensamos que possamos viver. São nessas situações que treinamos as ações inexplicáveis, e o prazer de ter enfrentado, e resolvido bem, esse tipo de situação é algo que só abre mais e mais portas para uma complexa, se algum dia possível, compreensão completa sobre si mesmo.
A inconcosciência pode se equiparar a outra palavra que, aparentemente, também não tem explicação lógica: sorte. Quando acreditamos no inconsciente, e esse meu amigo comprovou na pele isso, parece que sempre temos "sorte": perdemos o fogo, o que fazer? achamos outra forma de fazer o fogo, por "sorte". Estamos sem comida? caminhamos e encontramos, por "sorte", uma pequena fazenda que nos oferece um belo assado de ovelha. Uma tentativa de explicação de situações assim seria que o nosso inconsciente, como luz que nos guia nos escuros caminhos desconhecidos, acha sempre soluções para qualquer adversidade, e, por falta de outra palavra melhor, essa solução é atribuída a "sorte" - que nada mais é do que um refúgio para qualquer coisa que não se explica racionalmente.
Por tudo isso, levar a incosciência aos lugares mais longíquos, onde nem um rastro de situação já vivida tenha chegado, faz parte de um longo caminho que todos trilham, mas alguns nunca param para pensar nisso, para chegar ao completo conhecimento de si mesmo, que trará um enorme conhecimento do mundo consigo. A questão é que se estamos preparados para obter essa conhecimento, se a busca por ele não nos enlouquecerá no caminho, ou se, quando finalmente chegarmos lá, descobrir que todas as adversidades foram em vão e que o final encontrado não passa de uma ilusão de que nos conhecemos melhor...
* Traduzido do castelhano
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Diálogo (1)
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De um quase apaixonado diante da irmã de sua quase-alguma coisa-que pode-vir-a-ser-algo-interessante:
"
_ Sabe por qual motivo eu continuo com a tua irmã? Porque eu não entendo ela. Não consigo compreender suas atitudes e não-atitudes, sua passividade diante de certas coisas que quase que obrigam a uma atutide, qualquer que seja. E o fato de não entendê-la me faz querer ficar mais com ela, não me entregar diante do primeiro mistério que ela coloca a mim, consciente ou mesmo inconsciente do ato. Não há um prazo definido para compreendê-la; o lado ruim disso é que o fato de eu querer decifrá-la pode ser interpretado como uma desculpa para ficar mais ao seu lado, e o lado bom, se é que ele realmente é bom, é de não desistir na primeira tentativa, da primeira negativa - consciente ou não - a um convite singelo para ter sua presença junto da minha. A dúvida é que a ânsia de querer entendê-la pode acarretar em certa obsessão, e a derrota final decorrente disso pode vir a ser maior pelo empenho, inocentemente despejado, em querer tê-la o mais próximo possível..."
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De um quase apaixonado diante da irmã de sua quase-alguma coisa-que pode-vir-a-ser-algo-interessante:
"
_ Sabe por qual motivo eu continuo com a tua irmã? Porque eu não entendo ela. Não consigo compreender suas atitudes e não-atitudes, sua passividade diante de certas coisas que quase que obrigam a uma atutide, qualquer que seja. E o fato de não entendê-la me faz querer ficar mais com ela, não me entregar diante do primeiro mistério que ela coloca a mim, consciente ou mesmo inconsciente do ato. Não há um prazo definido para compreendê-la; o lado ruim disso é que o fato de eu querer decifrá-la pode ser interpretado como uma desculpa para ficar mais ao seu lado, e o lado bom, se é que ele realmente é bom, é de não desistir na primeira tentativa, da primeira negativa - consciente ou não - a um convite singelo para ter sua presença junto da minha. A dúvida é que a ânsia de querer entendê-la pode acarretar em certa obsessão, e a derrota final decorrente disso pode vir a ser maior pelo empenho, inocentemente despejado, em querer tê-la o mais próximo possível..."
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segunda-feira, março 27, 2006
Divagando e brincando...
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Divagando e brincando de fingir
Complicado, certos termos e esquemas relativos tomados como principais que não deveriam ser. Fingir é necessário, se a sinceridade afronta.
Fingir, mentir, tem um quê de contadores de histórias, ficcionistas que de tanto desgate oriundos da mente fértil para criar esquecem de escrever a sua própria história de vida e precisam inventá-la, mas pela necessidade de ser uma história real eles não conseguem torná-la interessante, ao menos que contem e envernizem na hora de contar a história médíocre que criaram para si... mas o diabos é que há alguns bons séculos é assim, a necessidade de fingir se torna uma dor, por vezes, insuportável de ter de inventar um personagem que não existe, aparentemente, mas que precisa ser despertado para que a dor da sinceridade não se torne ainda pior que a do fingir, que, se fosse em um mundo perfeito, seria tão forte que ninguém poderia aguentar, prevalecendo a realidade em detrimento da falsidade de se transformar em outros para agradar, ou não sofrer (comos e o sofrimento não fosse necessário...), ou os dois...
Engraçado, mas fingir pode ser, ao mesmo tempo, uma abreviação ou uma antecipação do sofrer. Finjo, invento, para não precisar passar pelo processo natural das coisas, que não é feito de muitas mentiras, não. Finjo, crio, para poder me antecipar e saber duma vez o que me espera na encruzilhada da opção...Da mesma forma, da mesma origem e opostos.
Ainda se provará que fingir é, nada mais nada menos, que dizer a verdade que não se conhece nem se sabe que existe - por isso o fingimento. Se soubesse, seria o fim da ficção.
*
Finjo que digo a verdade para poder fingir e não dizer que não consigo fingir.
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Divagando e brincando de fingir
Complicado, certos termos e esquemas relativos tomados como principais que não deveriam ser. Fingir é necessário, se a sinceridade afronta.
Fingir, mentir, tem um quê de contadores de histórias, ficcionistas que de tanto desgate oriundos da mente fértil para criar esquecem de escrever a sua própria história de vida e precisam inventá-la, mas pela necessidade de ser uma história real eles não conseguem torná-la interessante, ao menos que contem e envernizem na hora de contar a história médíocre que criaram para si... mas o diabos é que há alguns bons séculos é assim, a necessidade de fingir se torna uma dor, por vezes, insuportável de ter de inventar um personagem que não existe, aparentemente, mas que precisa ser despertado para que a dor da sinceridade não se torne ainda pior que a do fingir, que, se fosse em um mundo perfeito, seria tão forte que ninguém poderia aguentar, prevalecendo a realidade em detrimento da falsidade de se transformar em outros para agradar, ou não sofrer (comos e o sofrimento não fosse necessário...), ou os dois...
Engraçado, mas fingir pode ser, ao mesmo tempo, uma abreviação ou uma antecipação do sofrer. Finjo, invento, para não precisar passar pelo processo natural das coisas, que não é feito de muitas mentiras, não. Finjo, crio, para poder me antecipar e saber duma vez o que me espera na encruzilhada da opção...Da mesma forma, da mesma origem e opostos.
Ainda se provará que fingir é, nada mais nada menos, que dizer a verdade que não se conhece nem se sabe que existe - por isso o fingimento. Se soubesse, seria o fim da ficção.
*
Finjo que digo a verdade para poder fingir e não dizer que não consigo fingir.
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quinta-feira, março 23, 2006
Histórias da vida real (2)
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Carroceiro perde carroça e cavalo
Na madrugada de sábado para domingo, Enio Raskof se deslocava pela rua Lavras do Sul quando, na esquina com a rua Radialista Oswaldo Nobre, foi surpreendido por dois homens carregando duas facas. Temendo o pior, Enio tenou fugir, mas foi alcançado pelos homens, que o atingiram com facadas no rosto, causando um corte no supercilho direito. Após o confronto, os dois homens foram atrás da carroça de Enio, que se encontrava, no momento, na Avenida Ulysses Guimarães, no Alto da Boa vista. Chegando lá, levaram embora a carroça, o cavalo e tudo que tinha dentro, inclusive uma carteira com R$ 80,00.
Jornal A Razão, 20 de Março.
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Carroceiro perde carroça e cavalo
Na madrugada de sábado para domingo, Enio Raskof se deslocava pela rua Lavras do Sul quando, na esquina com a rua Radialista Oswaldo Nobre, foi surpreendido por dois homens carregando duas facas. Temendo o pior, Enio tenou fugir, mas foi alcançado pelos homens, que o atingiram com facadas no rosto, causando um corte no supercilho direito. Após o confronto, os dois homens foram atrás da carroça de Enio, que se encontrava, no momento, na Avenida Ulysses Guimarães, no Alto da Boa vista. Chegando lá, levaram embora a carroça, o cavalo e tudo que tinha dentro, inclusive uma carteira com R$ 80,00.
Jornal A Razão, 20 de Março.
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terça-feira, março 21, 2006
Histórias da vida real (1)
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Cerveja quente causa agressão
Na noite de sábado, Alexandre Batista da Silva andava pela rua Santa Bárbara, próximo à escola Ludovino Fanton, na Vila Caturrita, logo depois de ter saído de um trabalho realizado em uma festa de 15 anos. Carregando um copo de cerveja, ele ofereceu um gole à Rodrigo Paim, que também passava pela rua na mesma hora. Este aceitou a gentileza, e bebeu, num grande gole, quase todo o copo. Mas a cerveja estava quente, e Rodrigo nâo gostou. Discutiram exaltados e, depois de alguns minutos, este último tirou o facão do lado da calça e agrediu Alexandre na cabeça, provocando um corte na face. Aturdido, Alexandre tratou de fugir.
Jornal A Razâo, 20 de Março de 2006.
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Cerveja quente causa agressão
Na noite de sábado, Alexandre Batista da Silva andava pela rua Santa Bárbara, próximo à escola Ludovino Fanton, na Vila Caturrita, logo depois de ter saído de um trabalho realizado em uma festa de 15 anos. Carregando um copo de cerveja, ele ofereceu um gole à Rodrigo Paim, que também passava pela rua na mesma hora. Este aceitou a gentileza, e bebeu, num grande gole, quase todo o copo. Mas a cerveja estava quente, e Rodrigo nâo gostou. Discutiram exaltados e, depois de alguns minutos, este último tirou o facão do lado da calça e agrediu Alexandre na cabeça, provocando um corte na face. Aturdido, Alexandre tratou de fugir.
Jornal A Razâo, 20 de Março de 2006.
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quinta-feira, março 16, 2006
Pausa para o rock'roll
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Crema no Macondo, 10 de março.
Rock'roll will never die!
Nâo tem palco. O lugar onde a banda fica é um canto no fundo do bar, demarcado por um tapete. Só se sabe que vai começar o show porque a música ambiente cessa. Baixo, guitarra e bateria entram devagar, em um volume parecido, e eis que surge o teclado, o mais alto de todos, que já toma a frente na condução da melodia e prepara para a entrada da voz, que surge de início meio tímida, mas aos poucos ganha confiança para a explosão no refrão: "You really got me!". The Kinks. Anos 60. Não, 2006, passado da uma da manhã de uma sexta-feira, dia 10 de março.
Great balls of fire, jerry Lee Lewis. Anos 50. O clássico passo de dança dos primeiros anos de rock'roll, bastante visto em bailes de formatura, é lembrado pelo público que, a essa altura,já tomou cerveja o suficiente para esquecer que o espaço disponível impede qualquer passod e dança mais ousado.
O teclado, dessa vez, entra primeiro e conduz a harmoniosa versão de "Let's spend the night together", dos Rolling Stones. Anos 60 novamente. Logo à frente do "palco", amigos e namoradas da banda, aos poucos, relaxam e curtem a música, esquecendo por algum tempo a inevitável preocupação de se procurar erros no show.
Like a rolling Stone, Brown Sugar, anos 60, e eis que os 2000 dão as caras. Franz Ferdinand, Take me out. Essa toca bastante no bar, todos conhecem, e houve-se até vozes repetindo o som da guitarra no refrão.
Neil Young, Hey hey my my. O verso "rock'roll will never die" ecoa pelo local, tanto nos ouvidos quanto nos pensamentos de todos ali, sabidos de que aqeula velha história que o rock morreu não passa disso mesmo: uma eterna velha história.
A Razão, 16 de Março.
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Crema no Macondo, 10 de março.
Rock'roll will never die!
Nâo tem palco. O lugar onde a banda fica é um canto no fundo do bar, demarcado por um tapete. Só se sabe que vai começar o show porque a música ambiente cessa. Baixo, guitarra e bateria entram devagar, em um volume parecido, e eis que surge o teclado, o mais alto de todos, que já toma a frente na condução da melodia e prepara para a entrada da voz, que surge de início meio tímida, mas aos poucos ganha confiança para a explosão no refrão: "You really got me!". The Kinks. Anos 60. Não, 2006, passado da uma da manhã de uma sexta-feira, dia 10 de março.
Great balls of fire, jerry Lee Lewis. Anos 50. O clássico passo de dança dos primeiros anos de rock'roll, bastante visto em bailes de formatura, é lembrado pelo público que, a essa altura,já tomou cerveja o suficiente para esquecer que o espaço disponível impede qualquer passod e dança mais ousado.
O teclado, dessa vez, entra primeiro e conduz a harmoniosa versão de "Let's spend the night together", dos Rolling Stones. Anos 60 novamente. Logo à frente do "palco", amigos e namoradas da banda, aos poucos, relaxam e curtem a música, esquecendo por algum tempo a inevitável preocupação de se procurar erros no show.
Like a rolling Stone, Brown Sugar, anos 60, e eis que os 2000 dão as caras. Franz Ferdinand, Take me out. Essa toca bastante no bar, todos conhecem, e houve-se até vozes repetindo o som da guitarra no refrão.
Neil Young, Hey hey my my. O verso "rock'roll will never die" ecoa pelo local, tanto nos ouvidos quanto nos pensamentos de todos ali, sabidos de que aqeula velha história que o rock morreu não passa disso mesmo: uma eterna velha história.
A Razão, 16 de Março.
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segunda-feira, março 13, 2006
Hibernação duvidosa (3) : dúvida
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Enquanto durar o período da hibernação duvidosa, haverá espaço para a experimentação por aqui. Por enquanto, seguindo a linha de ontem, mais um capítulo do "Big Brother Mind".
__
É, duvidoso, dúvida, palavra cheia de perguntas e nenhuma resposta, carregada de angústia e de esperança, de sofrimento e de pavor com o que poderá vir a esclarecer as perguntas e transformar a palavra, dúvida, em...
outra pior talvez, certeza, certeza de não ter mais dúvidas ou de ser algo tão já definido...obtuso e sem qualquer dúvida para esclarecer, interromper o processo duvidoso que pode levar a certeza.
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Mas a dúvida, o pavor da dúvida é pior que o da certeza, porque esse é genuíno e até tradicional, mas o outro não, é limitante, desgastante, e imitador daquilo que se conhece por auto estima travestida , na real, de "i'm loser baby, e por mais que esconda, não consigo".
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Am... dúvida que me procura para um chamado, ou melhor, uma chamada e uma espera, duvidosa, de um retorno, que se não vêm provoca a dúvida, o que aconteceu?, e se vêm também aparece num duvidoso pacote de esperança embrulhado numa alegria de ser correspondido em qualquer intenção que possa ter um simples sinal de fraqueza que, muitas vezes, é o que ocasiona uma chamada, fraqueza de não ter certeza, ou de ter uma dúvida sem qualquer perspectiva de certeza, que, afinal, é mais angustiante que uma certeza bem definida. Ou não?
Enquanto durar o período da hibernação duvidosa, haverá espaço para a experimentação por aqui. Por enquanto, seguindo a linha de ontem, mais um capítulo do "Big Brother Mind".
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É, duvidoso, dúvida, palavra cheia de perguntas e nenhuma resposta, carregada de angústia e de esperança, de sofrimento e de pavor com o que poderá vir a esclarecer as perguntas e transformar a palavra, dúvida, em...
outra pior talvez, certeza, certeza de não ter mais dúvidas ou de ser algo tão já definido...obtuso e sem qualquer dúvida para esclarecer, interromper o processo duvidoso que pode levar a certeza.
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Mas a dúvida, o pavor da dúvida é pior que o da certeza, porque esse é genuíno e até tradicional, mas o outro não, é limitante, desgastante, e imitador daquilo que se conhece por auto estima travestida , na real, de "i'm loser baby, e por mais que esconda, não consigo".
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Am... dúvida que me procura para um chamado, ou melhor, uma chamada e uma espera, duvidosa, de um retorno, que se não vêm provoca a dúvida, o que aconteceu?, e se vêm também aparece num duvidoso pacote de esperança embrulhado numa alegria de ser correspondido em qualquer intenção que possa ter um simples sinal de fraqueza que, muitas vezes, é o que ocasiona uma chamada, fraqueza de não ter certeza, ou de ter uma dúvida sem qualquer perspectiva de certeza, que, afinal, é mais angustiante que uma certeza bem definida. Ou não?
domingo, março 12, 2006
Hibernação duvidosa (2): Me and the devil
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O post mais rápido depois de outro.
Agitação extrema, inquietude de fazer tantas coisas ao mesmo tempo que...
Nem uma frase se completa, pois na metade dela já se pensa em outra coisa.
Calma, calma.
Tomar uma água, quem sabe?
jogar futebol (no PC), que agita mais ainda?
- Pelo menos se chegará num estágio tão grande de "agitume" que não há como não se acalmar -
Hmnn, hmnn
Hmn,
Me and the devil,
was walkin' side by side
Meeeee and the devilll,
was walkin' side by side
Espirro. Certa vez, alguém escreveu que os dois maiores prazeres para o homem era espirrar e gozar ao mesmo tempo. O cara que disse isso, ou melhor, o cara que estava num conto que outro escreveu, demorou algumas décadas para realizar a façanha. Mas conseguiu, e morreu depois, pois não há lembrança que rompe o ciclo repetitivo de filmes que passam na cabeça, e que não deixam vir à tona o que, realmente, aconteceu com o cara.
" Me and the devil,
was walkin'n side by side"
O post mais rápido depois de outro.
Agitação extrema, inquietude de fazer tantas coisas ao mesmo tempo que...
Nem uma frase se completa, pois na metade dela já se pensa em outra coisa.
Calma, calma.
Tomar uma água, quem sabe?
jogar futebol (no PC), que agita mais ainda?
- Pelo menos se chegará num estágio tão grande de "agitume" que não há como não se acalmar -
Hmnn, hmnn
Hmn,
Me and the devil,
was walkin' side by side
Meeeee and the devilll,
was walkin' side by side
Espirro. Certa vez, alguém escreveu que os dois maiores prazeres para o homem era espirrar e gozar ao mesmo tempo. O cara que disse isso, ou melhor, o cara que estava num conto que outro escreveu, demorou algumas décadas para realizar a façanha. Mas conseguiu, e morreu depois, pois não há lembrança que rompe o ciclo repetitivo de filmes que passam na cabeça, e que não deixam vir à tona o que, realmente, aconteceu com o cara.
" Me and the devil,
was walkin'n side by side"
Hibernação duvidosa (1)
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O blog está em estado de hibernação, em busca de uma alternativa ao formato atual, de mero "publicador" eventual não-periódico de textos construídos e revisados na hora. O que pode acontecer é o formato mudar, ser mais rígido com relação à dias de atualização, ou então, após muitas tentativas de achar um formato diferente, ficar na mesma.
Early this mornin'
when you knocked upon my door
Early this mornin', ooh
when you knocked upon my door
And I said, "Hello, Satan,"
I believe it's time to go."
Robert Johnson - Me and the devil
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O blog está em estado de hibernação, em busca de uma alternativa ao formato atual, de mero "publicador" eventual não-periódico de textos construídos e revisados na hora. O que pode acontecer é o formato mudar, ser mais rígido com relação à dias de atualização, ou então, após muitas tentativas de achar um formato diferente, ficar na mesma.
Early this mornin'
when you knocked upon my door
Early this mornin', ooh
when you knocked upon my door
And I said, "Hello, Satan,"
I believe it's time to go."
Robert Johnson - Me and the devil
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terça-feira, março 07, 2006
Ode à madrugada
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Passa das 3 e 59 da madrugada, e o cansaço recém cutucou o sono,
que estava dormindo há horas,
nocauteado por aquela água tão ativa, que ainda foi misturada com uma dose de tensão sexual não resolvida e um pó solúvel que dizia no rótulo "eloquência gratuita"
inconformismo
com a inoperância do cansaço,
a lenitude do medroso emebebido pelo vazio envergonhado de sua condição,
tão solitária,
!que vergonha de estar assim!
apavorado, teve de cutucar o sono,
que,
mesmo depois de todas aquelas doses,
voltou a penetrar como antes, ou como nunca,
como eterno perdedor que é, se fez invisível, não deu resposta, não foi percebido e resolveu, depois de muito lutar, perder mais uma vez, como sempre,
se entregar ao desconhecido, sempre comandante,
alter-ego do cansaço,
da derrota, da vitória
e do sono.
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Passa das 3 e 59 da madrugada, e o cansaço recém cutucou o sono,
que estava dormindo há horas,
nocauteado por aquela água tão ativa, que ainda foi misturada com uma dose de tensão sexual não resolvida e um pó solúvel que dizia no rótulo "eloquência gratuita"
inconformismo
com a inoperância do cansaço,
a lenitude do medroso emebebido pelo vazio envergonhado de sua condição,
tão solitária,
!que vergonha de estar assim!
apavorado, teve de cutucar o sono,
que,
mesmo depois de todas aquelas doses,
voltou a penetrar como antes, ou como nunca,
como eterno perdedor que é, se fez invisível, não deu resposta, não foi percebido e resolveu, depois de muito lutar, perder mais uma vez, como sempre,
se entregar ao desconhecido, sempre comandante,
alter-ego do cansaço,
da derrota, da vitória
e do sono.
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