Ande logo
e vá na frente
conte a novidade
não se esqueça do principal
só
não atropele os fatos
e
esqueça das mentiras
elas irão lhe fazer falta
quando vierem lhe contar:
O principal era uma mentira!
quarta-feira, agosto 31, 2005
terça-feira, agosto 30, 2005
Na beira
A onda vem me cobrir,
na noite escura?
uma beleza não correspondida
estar longe de tudo,
perto de tão grande poder
mas hoje, é um adeus
tão solitário
como todos
não definitivo
mas com a mesma força
e com o mesmo final
A onda vem me cobrir na noite escura
cada pedaçinho, cada retalho
cada caminho, cada estrada
Para onde vão?
fogem
ela leva todos
e deixa mudanças
tão drásticas quanto consegue
efêmeras, imperfeitas
belas, também, mas inúteis
quanta coisa que eu não vejo!
na noite escura?
uma beleza não correspondida
estar longe de tudo,
perto de tão grande poder
mas hoje, é um adeus
tão solitário
como todos
não definitivo
mas com a mesma força
e com o mesmo final
A onda vem me cobrir na noite escura
cada pedaçinho, cada retalho
cada caminho, cada estrada
Para onde vão?
fogem
ela leva todos
e deixa mudanças
tão drásticas quanto consegue
efêmeras, imperfeitas
belas, também, mas inúteis
quanta coisa que eu não vejo!
segunda-feira, agosto 29, 2005
And...
And I thought, if I told the right lies...
But these Mockinbirds... won't let me shine
Grant lee Buffalo - Mockingbirds
Adios los niños
Adios los niños,
está na hora de se refestelar com a pobreza que nos permeia,
compreendermos a busca inerente ao nosso coração,
ir atrás do cego viajante da estrada deserta
e perguntá-lo se ele não quer companhia para a nobre caminhada
ir atrás
fazer reverência ao mais puro dos viajantes
guiá-lo, e irmos juntos para a sobrevivência esquecida
chegar numa ponte e se imaginar embaixo dela,
como um cãozinho perdido esperando por um dono que saberá que não vai vir
pelo menos não tão cedo
e , assim, caminharemos pela existência absoluta e incompreensível
por longos anos, longas vidas
buscando encontrar a pobreza outrora espalhada
e agora esquecida, mas não perdida, e jamais abandonada
junta do cãozinho
está na hora de se refestelar com a pobreza que nos permeia,
compreendermos a busca inerente ao nosso coração,
ir atrás do cego viajante da estrada deserta
e perguntá-lo se ele não quer companhia para a nobre caminhada
ir atrás
fazer reverência ao mais puro dos viajantes
guiá-lo, e irmos juntos para a sobrevivência esquecida
chegar numa ponte e se imaginar embaixo dela,
como um cãozinho perdido esperando por um dono que saberá que não vai vir
pelo menos não tão cedo
e , assim, caminharemos pela existência absoluta e incompreensível
por longos anos, longas vidas
buscando encontrar a pobreza outrora espalhada
e agora esquecida, mas não perdida, e jamais abandonada
junta do cãozinho
Mudança de direção
Mudanças à vista, o barquinho parece que viu que remava sozinho nos mares perigosos da solidão e da soberba e , inconsequente como ele só, nem se dava conta que andava cada dia mais e mais para o fim, para onde a soberba e a solidão poderiam causar a destruição quase por completa do barquinho, e que , se ainda sobrasse alguma coisa lá no fim, seria muito difícil arranjar alguém para reconstruí-lo. Depois de uma reunião com outros barquinhos ele pode perceber que não mais tinha como ir , sempre, contra o caminho que seus companheiros faziam. A loucura estava começando a se tornar o guia preferencial do barquinho, o leme que guiava mais e mais para o fim dos mares.
Agora que percebeu o erro que cometia, o barquinho resolveu mudar sua direção e ir atrás de todos os seus amigos, afinal, ele não acredita mais que é o único que está sempre certo, apesar de sua intuição ainda lhe mandar continuar com seu caminho antigo. Mas, enfim, o barquinho deu a volta, mudou de rota, e está indo para o outro lado. Mesmo assim, é um longo caminho para a volta e , apesar de estar com pressa para encontrar seus amigos, também entende que não é uma boa hora para se apressar as coisas, o mais certo a fazer é ir devagar, com a calma e a tranqulidade de quem percorre um caminho pela segunda vez. Mas a mudança de rota recém começou...
Agora que percebeu o erro que cometia, o barquinho resolveu mudar sua direção e ir atrás de todos os seus amigos, afinal, ele não acredita mais que é o único que está sempre certo, apesar de sua intuição ainda lhe mandar continuar com seu caminho antigo. Mas, enfim, o barquinho deu a volta, mudou de rota, e está indo para o outro lado. Mesmo assim, é um longo caminho para a volta e , apesar de estar com pressa para encontrar seus amigos, também entende que não é uma boa hora para se apressar as coisas, o mais certo a fazer é ir devagar, com a calma e a tranqulidade de quem percorre um caminho pela segunda vez. Mas a mudança de rota recém começou...
terça-feira, agosto 23, 2005
Encastelado por não fingir
" Eu morava num castelo, mas eles não sabiam. Mesmo antes deles nascerem, eu já morava no castelo, encastelado. "
Sinceridade demais, mas ao mesmo tempo facilidade em mentir, mas mentir para consertar erros decorrentes do excesso de sinceridade. Mas porque sinceridade em excesso faz mal? Talvez porque faz parte das relações humanas o fingir que se é algo que não é, e o fato de alguém ser 24 hrs ele mesmo incomoda os que fingem um determinado comportamento para cada situação diferente que, aparentemente, peça um diferente tipo de atitude que não está no comportamento original, daí talvez o fingimento. Bom, o comportamento original não está em só dizer verdades, mas em ser sincero em tudo o que se diz, mesmo quando é mentiras que se tem que dizer, porque ninguém diz mentiras/ verdades exclusivamente.
Pessoas sinceras demais não são benquistas pela grande maioria das pessoas, pois quando uma mulher vem perguntar se ela está gorda, ou se está bonita, ela quer que se minta para ela, que fale o que ela quer ouvir, e se ela não ouve o que quer ouvir fica irritada, pois já é de certa forma convencionado que se minta nessa horas. Talvez, ser sincero é ir contra as convenções pré-definidas.
Sinceridade demais, mas ao mesmo tempo facilidade em mentir, mas mentir para consertar erros decorrentes do excesso de sinceridade. Mas porque sinceridade em excesso faz mal? Talvez porque faz parte das relações humanas o fingir que se é algo que não é, e o fato de alguém ser 24 hrs ele mesmo incomoda os que fingem um determinado comportamento para cada situação diferente que, aparentemente, peça um diferente tipo de atitude que não está no comportamento original, daí talvez o fingimento. Bom, o comportamento original não está em só dizer verdades, mas em ser sincero em tudo o que se diz, mesmo quando é mentiras que se tem que dizer, porque ninguém diz mentiras/ verdades exclusivamente.
Pessoas sinceras demais não são benquistas pela grande maioria das pessoas, pois quando uma mulher vem perguntar se ela está gorda, ou se está bonita, ela quer que se minta para ela, que fale o que ela quer ouvir, e se ela não ouve o que quer ouvir fica irritada, pois já é de certa forma convencionado que se minta nessa horas. Talvez, ser sincero é ir contra as convenções pré-definidas.
Cortazarianas beatnik (2)
A verdade seduzida pelo enfeitiçador de serpentes, que com sua flauta mágica faz todas as verdades serem as mesmas, reduz todas a mera música de melodia hipnotizante e que, depois do fim do espetáculo, voltam para os lugares de onde saíram, já transformadas, e como uma onda de melodias infinitas elas molham cada foco de verdade ainda não transformada, na tentativa de parecer algo que não pensaram em ser, mas que seduzida pelo enfeitiçador, se transformaram.
sábado, agosto 20, 2005
Experimentações pós-trago
O estado pós-trago em que me encontro não permite qualquer refelexão coerente com alguma coisa, mas mesmo assim incita a descobrir outros ângulos de abordagem para coisas já conhecidas.
Engraçado é essas coisas que falam sobre oportunidades, sobre perder oportunidades... em pós-festas , é comum as pessoas terem uma certa depressãozinha, um sábado/domingo melancólico e sonolento ,até mesmo quando "se dão bem", o que, no caso de estar solteiro, ser homem e estar bêbado inevitavelmente quer dizer pegar uma loca. Nessa questão, sempre se pensa uma coisa: porque diabos a mulher tende a esconder que ela quer, afinal, o mesmo que o homem busca? Claro, faz parte dos trâmites de relacionamentos o dito "se fazer", o dificultar para depois a recompensa vir, depois dos quatro papéis que a embrulhavam serem vencidos e o presente vir com alguns brindes, ainda. Mas acontece que o desembrulhar demora demais, e acaba que tanto o homem quanto a mulher perdem boas oportunidades de se divertirem, de aproveitar situações que , para serem criadas novamente, um certo tempo terão que esperar. Seria interessante se homem/mulher buscassem e demonstrassem o que querem já no primeiro momento, não se demorassem com bobagens.
Assim, os dois não desperdiçariam tempo, experimentariam situações novas e diferentes, conheceriam-se, e se depois não se quisessem mais, tudo bem, tchau, mas o fato de terem feito aquilo que na hora se apresentou da melhor forma já seria uma grande fonte de conhecimento e sabedoria para situçoões novas que eventualmente viriam a acontecer.
A experimentação nunca é demais . Seria tudo tão mais fácil se não negassemos, ou questionassemos tanto, para nós mesmos de que tal experiência deveria ser , sim, realizada...Ah, como seria...
Engraçado é essas coisas que falam sobre oportunidades, sobre perder oportunidades... em pós-festas , é comum as pessoas terem uma certa depressãozinha, um sábado/domingo melancólico e sonolento ,até mesmo quando "se dão bem", o que, no caso de estar solteiro, ser homem e estar bêbado inevitavelmente quer dizer pegar uma loca. Nessa questão, sempre se pensa uma coisa: porque diabos a mulher tende a esconder que ela quer, afinal, o mesmo que o homem busca? Claro, faz parte dos trâmites de relacionamentos o dito "se fazer", o dificultar para depois a recompensa vir, depois dos quatro papéis que a embrulhavam serem vencidos e o presente vir com alguns brindes, ainda. Mas acontece que o desembrulhar demora demais, e acaba que tanto o homem quanto a mulher perdem boas oportunidades de se divertirem, de aproveitar situações que , para serem criadas novamente, um certo tempo terão que esperar. Seria interessante se homem/mulher buscassem e demonstrassem o que querem já no primeiro momento, não se demorassem com bobagens.
Assim, os dois não desperdiçariam tempo, experimentariam situações novas e diferentes, conheceriam-se, e se depois não se quisessem mais, tudo bem, tchau, mas o fato de terem feito aquilo que na hora se apresentou da melhor forma já seria uma grande fonte de conhecimento e sabedoria para situçoões novas que eventualmente viriam a acontecer.
A experimentação nunca é demais . Seria tudo tão mais fácil se não negassemos, ou questionassemos tanto, para nós mesmos de que tal experiência deveria ser , sim, realizada...Ah, como seria...
sexta-feira, agosto 19, 2005
Novamente, o Buffalo...
Fuzzy, Grant Lee Buffalo.

Não me canso desse album, não adianta. Escuto alguma música dele pelo uma vez no dia, é quase como um vício. Suspeito que seja por causa da emoção que ele passa, da impressionante voz do Grant Lee Philips, aquele falsete dele em "fuzzy" , a música, é de arrepíar. Aliás, toda vez que começa a tocar eu me arrepio, aqueles dois acordes no violão, a percussão entrando devagar...
Uma descrição que eu fiz dele esses dias:
Fuzzy é um álbum para se escutar como se lê um livro, prestando atenção em cada frase cantada pela bela voz de Grant Lee Philips, nas melodias criadas pela união do quarteto guitarra, baixo, bateria e piano. Depois, as belas imagens evocadas pela junção palavra/som vão surgindo, aos poucos, e o filme vai ganhando consistência em nossos pensamentos. De repente, nem entedemos o porquê de estarmos sentado num saloon no meio do nada tomando o nosso whisky acompanhado de figuras lendárias da História americana , ou de estarmos numa estrada desconhecida e vazia indo para sabe se lá onde, ou mesmo andando por uma cidade que nunca pensamos que ainda existia, observando fantasmas passearem pelas calçadas de mão dadas e casais se beijando no canto escuro atrás da casa da esquina...
Suspeito que sempre fui um sujeito mais ligado a emoção do que a razão, ou que prefere o senso comum à teoria. Aquela velha história de sentir em vez de pensar racionalmente, e isso é determinante para o Grant Lee Buffalo ser uma grande banda para mim. O sentir é , de certa forma, arrogãncia, pois o confiar no teu sentir te faz desconsiderar muitas coisas que são verdade, que comprovadamente são verdadeiras, mas que , se não são sentida, para ti não passam de mentiras. Então, o que tu acha melhor acaba sendo o que definitivamente é melhor, e numa discussão qualquer o lado emocional não é bem vindo - muito menos será vitorioso em argumentos - porque uma discussão é eminentemente racional, cientìfica, por mais besta que seja, pois se procura argumentos ou exemplos e o teu sentir que não é aquilo não encontra muito argumentos nem exemplos por aí...
Mas o sentir não é algo que tenha explicação racional, é como uma mensagem extra-terrestre que chega diretamente pra ti, e só pra ti, de que tal coisa é verdade, sem muitas explicações do porquê dela ser...
Mas explicações, justificativas, porque temos que recorrer a elas se nos basta sentir?

Não me canso desse album, não adianta. Escuto alguma música dele pelo uma vez no dia, é quase como um vício. Suspeito que seja por causa da emoção que ele passa, da impressionante voz do Grant Lee Philips, aquele falsete dele em "fuzzy" , a música, é de arrepíar. Aliás, toda vez que começa a tocar eu me arrepio, aqueles dois acordes no violão, a percussão entrando devagar...
Uma descrição que eu fiz dele esses dias:
Fuzzy é um álbum para se escutar como se lê um livro, prestando atenção em cada frase cantada pela bela voz de Grant Lee Philips, nas melodias criadas pela união do quarteto guitarra, baixo, bateria e piano. Depois, as belas imagens evocadas pela junção palavra/som vão surgindo, aos poucos, e o filme vai ganhando consistência em nossos pensamentos. De repente, nem entedemos o porquê de estarmos sentado num saloon no meio do nada tomando o nosso whisky acompanhado de figuras lendárias da História americana , ou de estarmos numa estrada desconhecida e vazia indo para sabe se lá onde, ou mesmo andando por uma cidade que nunca pensamos que ainda existia, observando fantasmas passearem pelas calçadas de mão dadas e casais se beijando no canto escuro atrás da casa da esquina...
Suspeito que sempre fui um sujeito mais ligado a emoção do que a razão, ou que prefere o senso comum à teoria. Aquela velha história de sentir em vez de pensar racionalmente, e isso é determinante para o Grant Lee Buffalo ser uma grande banda para mim. O sentir é , de certa forma, arrogãncia, pois o confiar no teu sentir te faz desconsiderar muitas coisas que são verdade, que comprovadamente são verdadeiras, mas que , se não são sentida, para ti não passam de mentiras. Então, o que tu acha melhor acaba sendo o que definitivamente é melhor, e numa discussão qualquer o lado emocional não é bem vindo - muito menos será vitorioso em argumentos - porque uma discussão é eminentemente racional, cientìfica, por mais besta que seja, pois se procura argumentos ou exemplos e o teu sentir que não é aquilo não encontra muito argumentos nem exemplos por aí...
Mas o sentir não é algo que tenha explicação racional, é como uma mensagem extra-terrestre que chega diretamente pra ti, e só pra ti, de que tal coisa é verdade, sem muitas explicações do porquê dela ser...
Mas explicações, justificativas, porque temos que recorrer a elas se nos basta sentir?
domingo, agosto 14, 2005
O poder
"O poder não corrompe o homem; é o homem que corrompe o poder. O homem é o grande poluidor, da natureza, do próprio homem, do poder. Se o poder fosse corruptor, seria maldito e proscrito, o que acarretaria a anarquia".
Ulysses Guimarães (1916-1992) Ex-deputado.
Tá aí, mas e porque o homem polui o poder? Porque quer mais poder, mas e por que ele quer mais poder? Para se tornar mais forte e ficar mais difícil de perder o seu poder. Mas, afinal, por que diabos ele quer o poder?
Ulysses Guimarães (1916-1992) Ex-deputado.
Tá aí, mas e porque o homem polui o poder? Porque quer mais poder, mas e por que ele quer mais poder? Para se tornar mais forte e ficar mais difícil de perder o seu poder. Mas, afinal, por que diabos ele quer o poder?
sábado, agosto 13, 2005
Enquanto o fluir não vem
Ammmm
Porque que é que são 02:02 e eu nunca consigo pensar em uma idéia contínua que me faça escrever e CONTINUAR algo? Não, o fluir não aconteceu, mas tenho uma sensação de que ele está meio que pedindo pra ser incitado, escondido no canto esperando alguém sair para ele aparecer. O problema é que não sei de que maneira ele poder ser mais incitado do que o já exaustivamente tentado. As coisas surgem, se materializam em forma de (belas) imagens, ganham algum complemento, esboços de diálogos, e não continuam. Ficam ali armazenadas para uma próxima, que se existir não se lembrará de que já existiu. Então, a única forma que me parece válida de buscar o fluir é dizer coisas sem entender muito bem o porquê, non-sense absoluto, como que se dessa forma fosse mais fácil vir a verdadeira história, aquela que pede para ser contada urgentemente. Vou ter de esperar um pouco.
Porque que é que são 02:02 e eu nunca consigo pensar em uma idéia contínua que me faça escrever e CONTINUAR algo? Não, o fluir não aconteceu, mas tenho uma sensação de que ele está meio que pedindo pra ser incitado, escondido no canto esperando alguém sair para ele aparecer. O problema é que não sei de que maneira ele poder ser mais incitado do que o já exaustivamente tentado. As coisas surgem, se materializam em forma de (belas) imagens, ganham algum complemento, esboços de diálogos, e não continuam. Ficam ali armazenadas para uma próxima, que se existir não se lembrará de que já existiu. Então, a única forma que me parece válida de buscar o fluir é dizer coisas sem entender muito bem o porquê, non-sense absoluto, como que se dessa forma fosse mais fácil vir a verdadeira história, aquela que pede para ser contada urgentemente. Vou ter de esperar um pouco.
sexta-feira, agosto 12, 2005
Notas de uma história
Existe um certo receio de contar histórias que não estão prontas ainda, de tentar escrever alguma sem saber o final. Dizem que o final é a primeira coisa que deve estar definida, mas em muitas vezes só se tem o mote central, o que não é um problema tão grave,já que há aquela histórias que fluem, que te colocam em uma situação como a de um índio que recém tomou um chá de plantas alucinógenas e tem de voltar para a aldeia, e mesmo estando longe e chapado, ele sabe como voltar, ele "sente" a estrada, percebe que é naquele caminho da direita e não no da esquerda que tem uma baita de uma subida. O fluir da história é que te guia até o final dela, se ela (a história) realmente vale a pena ser contada.
********
Vamos fazer um filme com Las babas del diablo. Assim como o Mighty Joe Moon não se controla e passa na ponte de carro e quer nadar, não pensaremos três vezes ao contar a história do Jupiter e sua amada ex-presidiária. Seria uma linda história de amor, que começaria numa feira colonial, onde Jupiter vem toda semana vender seus produtos. Seria pela manhã o encontro, no exato momento em que Jupiter está colocando seus produtos na cesta, em frente a sua tenda, e um desses produtos cai no chão e sai rolando, indo parar no pé de sua amada que ainda não é amada, mas quase. Ele fica de joelho e vai engatinhando atrás e encontra a melancia, que no caso era o produto, em baixo do pé da amada, que domina a melancia como um meia canhoto habilidoso domina. Ele olha para cima, aquela posição de inferioridade explícita, e então o sol que a essa hora está começando a ficar forte bate nos olhos de Jupiter e o que ele vê são contornos de uma pessoa que parece ser bonita, mas parece ser alguma criatura que ele não consegue iamginar o que seja, mas fica feliz ao notar que a criatura é bonita, sim, muito bonita, e ela então dá uma abaixadinha com a cabeça como se estivesse falando com uma criança de 4 anos e solta um indefectível Isso é seu , ao passo que ele tenta responder algo mas não lhe sai nada, e então ele desmaia e acorda em um quarto. Vem uma tomada de cima, pegando ele sentando na cama com as duas mãos coçando os cabelos, e então entra uma tomada da televisão a sua frente, que ele acabou de ligar, e está passando os Simpsons, mas ele não acredita quando a mesma ex-presidiária, que ele não sabe que é ainda, aparece no vídeo, com uma melancia em baixo do pé, na mesma posição que Jupiter tinha visto. Esfrega os olhos, dá dois tapinhas na cabeça, mas ela ainda está ali, e então ele decide pegar seu tênis e jogar na televisão, que acaba quebrando, e com o susto Jupiter desmaia, voltando a feira, a posição que estava antes de tudo isso, engatinhando olhando para cima e vendo aquela coisa que ele não sabe o que é porque o sol não o deixa ver mais do que alguns contornos escuros em volta de uma aura quase inexistente. Isso é seu, sim, responde Jupiter, e então ele levanta, olha bem e consegue ver uma bela mulher vestindo uma calça jeans e uma blusa extremamente rosa, ele percebe que é ela, e ela percebe que é ele, e os dois vão juntos a tenda, carregando a melancia juntos e largando-a em cima do cesto que jupiter destina às coisas grandes demais que ele consegue trazer. A tenda, mais atrás do cesto e da mesa onde Jupiter vende seus produtos, se torna um pequeno ninho de amor entre dois gatinhos que estão por ali, provocando o riso de Jupiter e a amada, que agora já é amada mesmo,e então eles, Jupiter e amada, os expulsam em meio a explosões de risadas e deitam-se, um junto ao outro, e assim termna a primeira parte, de apresentação dos personagens.
****
Now i'm fuzzy, because a lied to myself.
Fuzzy now, and all the world is small enough for both of us.
Me and myself.
********
Vamos fazer um filme com Las babas del diablo. Assim como o Mighty Joe Moon não se controla e passa na ponte de carro e quer nadar, não pensaremos três vezes ao contar a história do Jupiter e sua amada ex-presidiária. Seria uma linda história de amor, que começaria numa feira colonial, onde Jupiter vem toda semana vender seus produtos. Seria pela manhã o encontro, no exato momento em que Jupiter está colocando seus produtos na cesta, em frente a sua tenda, e um desses produtos cai no chão e sai rolando, indo parar no pé de sua amada que ainda não é amada, mas quase. Ele fica de joelho e vai engatinhando atrás e encontra a melancia, que no caso era o produto, em baixo do pé da amada, que domina a melancia como um meia canhoto habilidoso domina. Ele olha para cima, aquela posição de inferioridade explícita, e então o sol que a essa hora está começando a ficar forte bate nos olhos de Jupiter e o que ele vê são contornos de uma pessoa que parece ser bonita, mas parece ser alguma criatura que ele não consegue iamginar o que seja, mas fica feliz ao notar que a criatura é bonita, sim, muito bonita, e ela então dá uma abaixadinha com a cabeça como se estivesse falando com uma criança de 4 anos e solta um indefectível Isso é seu , ao passo que ele tenta responder algo mas não lhe sai nada, e então ele desmaia e acorda em um quarto. Vem uma tomada de cima, pegando ele sentando na cama com as duas mãos coçando os cabelos, e então entra uma tomada da televisão a sua frente, que ele acabou de ligar, e está passando os Simpsons, mas ele não acredita quando a mesma ex-presidiária, que ele não sabe que é ainda, aparece no vídeo, com uma melancia em baixo do pé, na mesma posição que Jupiter tinha visto. Esfrega os olhos, dá dois tapinhas na cabeça, mas ela ainda está ali, e então ele decide pegar seu tênis e jogar na televisão, que acaba quebrando, e com o susto Jupiter desmaia, voltando a feira, a posição que estava antes de tudo isso, engatinhando olhando para cima e vendo aquela coisa que ele não sabe o que é porque o sol não o deixa ver mais do que alguns contornos escuros em volta de uma aura quase inexistente. Isso é seu, sim, responde Jupiter, e então ele levanta, olha bem e consegue ver uma bela mulher vestindo uma calça jeans e uma blusa extremamente rosa, ele percebe que é ela, e ela percebe que é ele, e os dois vão juntos a tenda, carregando a melancia juntos e largando-a em cima do cesto que jupiter destina às coisas grandes demais que ele consegue trazer. A tenda, mais atrás do cesto e da mesa onde Jupiter vende seus produtos, se torna um pequeno ninho de amor entre dois gatinhos que estão por ali, provocando o riso de Jupiter e a amada, que agora já é amada mesmo,e então eles, Jupiter e amada, os expulsam em meio a explosões de risadas e deitam-se, um junto ao outro, e assim termna a primeira parte, de apresentação dos personagens.
****
Now i'm fuzzy, because a lied to myself.
Fuzzy now, and all the world is small enough for both of us.
Me and myself.
domingo, agosto 07, 2005
O farol (1)
Esbórnias e mais esbórnias, agora tudo começa a voltar ao normal. Com alguns bons acréscimos de experiências e de "estalos" e outros nem tão bons vícios (quase) adquiridos. Mas, enfim, faz parte da condição de estar em férias ser como uma fuga ao interior do Farol na ponta de um cabo bem ao sul do mundo, e de lá ver o que se passou até aqui, analisar certas coisas de cima, como um Deus próprio e misterioso que cada um tem em si, bem lá no fundo. A hora de descer do farol chega, até porque o guardião do farol não gosta que fiquem muito tempo usufruindo de suas incríveis instalações,e também porque a fuga tem prazo de validade definido há muito tempo pelos primeiros que resolveram escolher o Farol para ser o lugar da fuga. Passado muito tempo, o Farol perde seu encanto, a pessoa pode virar um eremita que vaga vaga e não entende por que vaga e porque não se define em nada, e assim pode vir a se tornar parecido com o guardião do Farol, o décimo quinto eremita que abusou do seu uso. A saída ,de muito difícil que pareça no início, torna-se muito melhor quando é apenas uma lembrança, e assim uma promessa de retorno vai ser feita. Não se sabe ao certo, mas parece que a cada uma das idas ao Farol a pessoa se torna mais e mais dependente dele, o que é extremamente positivo, visto de um ponto de vista em que não há muita diferença entre positivo e negativo.
O Farol tem sete andares. Em cada um, há uma espécie de refúgio de emoções de uma determinada área, e cada refúgio está ligado a um dos tais sete pecados capitais. Diz o guardião que o fundador do Farol decidiu organizar assim porque é uma excelente maneira das pessoas saberem exatamente onde devam ficar primeiro, apesar de prôpor que se passe em todos para uma volta completa .
Alguns dizem que a ida ao Farol é como se olhar no espelho e entrar nele sem se ver entrando. Só na volta é que nos vemos.
O Farol tem sete andares. Em cada um, há uma espécie de refúgio de emoções de uma determinada área, e cada refúgio está ligado a um dos tais sete pecados capitais. Diz o guardião que o fundador do Farol decidiu organizar assim porque é uma excelente maneira das pessoas saberem exatamente onde devam ficar primeiro, apesar de prôpor que se passe em todos para uma volta completa .
Alguns dizem que a ida ao Farol é como se olhar no espelho e entrar nele sem se ver entrando. Só na volta é que nos vemos.
sexta-feira, agosto 05, 2005
Cortazarianas beatnik (1)
Antes que se diga, eu percebo que está errado.
Pode ser que sim, pode ser que não, mas quase sempre é sim, porque o sim é mais fácil de perceber, a negação vem em uma etapa depois. Logo se percebe que, antes de mais nada, é assim e pronto, depois vem o Peraí, será que é?. É bonito de ver uma boa negação, assumida depois de muitos sim, tenho certeza, quando essa certeza não serve nem para dizer se aquele peixe lá perto da pedra do fundo está ou não está comendo os musgos verde-escuro que estão encostados na pedra.Assim, é interessante ter essa certeza, da mesma forma que o homem tem quando , ao lado de uma bela mulher, estão os dois sentados no sofá em frente a tv, abraçados, olhando qualquer comédia romântica que a mocinha seje fraca e que o mocinho seje forte e que os dois vão ficar juntos por "obra do destino" que nada mais é que uma forma que o roteirista criou para curar as dores da perda do amor de sua mulher, que o trocou por um fotógrafo sem graça mas que ela achou muita graça sim,no exato momento do beijo final que, depois de todos os desafios imposto pelo roteirista traído, finalmente acontece aquele beijo apaixonado que é ainda mais violento e prazeroso depois de tantas coisas acontecidas, e nesse exato momento, com o casal sentado em frente ao sofá, a mulher diz que ama o homem, e ele sabe, é uma certeza, ele sabe que é de coração como se diz, porque ela não mentiria depois de ver um beijo tão apaixonado na tv, por mais que a tv seja apenas uma tv, ela ainda é uma TV.
Um encosto de carro, visto da forma mais despretensiosa, é mais do que um lugar para se descansar a cabeça depois de uma longa caminhada pelos milharais após aquele maldito pneu ter furado e o carro não ter estepe e então ter de se caminhar quase 20 quilômetros até achar uma civilização que tenha um pouso decente para um pobre viajante cansado, e azarado e despreparado, e então no dia seguinte conseguir um estepe e trocar o pneu, e poder entrar no carro, e usar o encosto, que agora se torna algo completamente desprovido de significado que não o de descansar tudo o que está aí , contra toda essas ondas flamejantes que assolam a nossa mente como um Tsunami destrói um hotel num paraíso do Oceano ìndico apenas feito de palha e bambu seco, o mesmo usado pelos Pandas, e não deixa sobrar nada perto do hotal, que agora está desprovido de significado que não o do nada, já que não existe mais nada ali.
Pode ser que sim, pode ser que não, mas quase sempre é sim, porque o sim é mais fácil de perceber, a negação vem em uma etapa depois. Logo se percebe que, antes de mais nada, é assim e pronto, depois vem o Peraí, será que é?. É bonito de ver uma boa negação, assumida depois de muitos sim, tenho certeza, quando essa certeza não serve nem para dizer se aquele peixe lá perto da pedra do fundo está ou não está comendo os musgos verde-escuro que estão encostados na pedra.Assim, é interessante ter essa certeza, da mesma forma que o homem tem quando , ao lado de uma bela mulher, estão os dois sentados no sofá em frente a tv, abraçados, olhando qualquer comédia romântica que a mocinha seje fraca e que o mocinho seje forte e que os dois vão ficar juntos por "obra do destino" que nada mais é que uma forma que o roteirista criou para curar as dores da perda do amor de sua mulher, que o trocou por um fotógrafo sem graça mas que ela achou muita graça sim,no exato momento do beijo final que, depois de todos os desafios imposto pelo roteirista traído, finalmente acontece aquele beijo apaixonado que é ainda mais violento e prazeroso depois de tantas coisas acontecidas, e nesse exato momento, com o casal sentado em frente ao sofá, a mulher diz que ama o homem, e ele sabe, é uma certeza, ele sabe que é de coração como se diz, porque ela não mentiria depois de ver um beijo tão apaixonado na tv, por mais que a tv seja apenas uma tv, ela ainda é uma TV.
Um encosto de carro, visto da forma mais despretensiosa, é mais do que um lugar para se descansar a cabeça depois de uma longa caminhada pelos milharais após aquele maldito pneu ter furado e o carro não ter estepe e então ter de se caminhar quase 20 quilômetros até achar uma civilização que tenha um pouso decente para um pobre viajante cansado, e azarado e despreparado, e então no dia seguinte conseguir um estepe e trocar o pneu, e poder entrar no carro, e usar o encosto, que agora se torna algo completamente desprovido de significado que não o de descansar tudo o que está aí , contra toda essas ondas flamejantes que assolam a nossa mente como um Tsunami destrói um hotel num paraíso do Oceano ìndico apenas feito de palha e bambu seco, o mesmo usado pelos Pandas, e não deixa sobrar nada perto do hotal, que agora está desprovido de significado que não o do nada, já que não existe mais nada ali.
domingo, julho 31, 2005
Estalos e maturidade
Há aquela coisa de "estalos", quando, por exemplo, olhamos um programa de tv e algo nele nos faz perceber, se dar conta, entender, que certas opiniões ou impressões nossa à respeito de determinada coisa são completamente erradas ou simplesmente idiotas de tão egoístas/maniqueístas que são(eram). Em muitas vezes, o estalo não é nada mais que passageiro, e nesse caso ele é inócuo, irrelevante, mas ainda sim é com esses que se chega aos verdadeiramente importantes, os que te perseguem até te fazer parar e trocar de estrada porque essa não vai dar em nada além de sofrimento, dor e tristeza. Um belo conjunto de estalos seguidos pode ter diminuída a sua importância por nós, já que te dizer que a estrada não é a certa quando já se andou boa parte dela não é lá uma coisa muito boa, mas é na boa relação com eles que vão te fazer seguir um caminho que te levará a algo mais do que a tristeza, ou a solidão. O interessante nessas horas é ter contato com alguém, não importa se ele/ela já tenha tido esse estalo ou não, para se perceber o tamanho da mudança que te proporcionou, ou se caso contrário, não te trouxe nada além do já conhecido, e nesses casos o estalo ainda é importante porque não é dos definitivos, mas dos inúmeros que te proporcionaram os definitivos.
Da mesma forma, há certos momentos que , na hora, se nota que alguma mudança ele irá trazer, e geralmente essa mudança vem com o nome fantasioso de maturidade. São situações que as impressões, opiniões e preocupações extrapolam o simples umbigo próprio,como as crianças que pelos 3,4 anos percebem que o mundo não gira em torno delas, mas com elas. A sensação é quase a mesma, apesar que quando criança a percepção da mudança não existe. A importância da nossa vida extrapolou a que ela já tinha para cada um, e se torna vital para outras pessoas próximas, ou não, como se uma responsabilidade a mais tenha aparecido para ti, e dessa não há qualquer escapatória fácil porque ela não depende unicamente de ti, tu apenas é uma "entidade" que incorporou a importância e dela não poderá se livrar enquanto não for resolvida.É uma missão e tanto, que acaba te fazendo tomar decisões mais equilibradas e coerentes com o que venha a se chamar "boa conduta". Pode-se envelhecer alguns anos com isso, mas é daqueles envelhecimentos saudáveis, que te fazem poder variar entre pensar como alguém da sua idade ou de 20 anos mais velho. É a tal da maturidade, se um conceito qualquer fosse escolhido pela beleza do que ele pode signficar.
Da mesma forma, há certos momentos que , na hora, se nota que alguma mudança ele irá trazer, e geralmente essa mudança vem com o nome fantasioso de maturidade. São situações que as impressões, opiniões e preocupações extrapolam o simples umbigo próprio,como as crianças que pelos 3,4 anos percebem que o mundo não gira em torno delas, mas com elas. A sensação é quase a mesma, apesar que quando criança a percepção da mudança não existe. A importância da nossa vida extrapolou a que ela já tinha para cada um, e se torna vital para outras pessoas próximas, ou não, como se uma responsabilidade a mais tenha aparecido para ti, e dessa não há qualquer escapatória fácil porque ela não depende unicamente de ti, tu apenas é uma "entidade" que incorporou a importância e dela não poderá se livrar enquanto não for resolvida.É uma missão e tanto, que acaba te fazendo tomar decisões mais equilibradas e coerentes com o que venha a se chamar "boa conduta". Pode-se envelhecer alguns anos com isso, mas é daqueles envelhecimentos saudáveis, que te fazem poder variar entre pensar como alguém da sua idade ou de 20 anos mais velho. É a tal da maturidade, se um conceito qualquer fosse escolhido pela beleza do que ele pode signficar.
domingo, julho 24, 2005
Nabokov
Alguns trechos de Lolita, do Vladimir Nabokov, um primor de livro, recomendado a todos que querem escrever melhor. O jeito que o Nabokov domina a escrita, as palavras complicadas sem parecerem mera erudição sem propósito, é uma aula a cada página.
"Conquanto seja indispensável registrar alguns pontos pertinentes, a impressão geral que desejo transmitir é de uma porta lateral que abre violentamente numa vida em pleno vôo, deixando entrar uma negra e retumbante golfada de tempo que abafa, com suas chicotadas de vento, o grito da catástrofe solitária"
Hubert Hubert sobre Lolita em sau vida.
" Sou suficientemente orgulhoso de saber alguma coisa para ter a modéstia de saber que não sei tudo"
"Conquanto seja indispensável registrar alguns pontos pertinentes, a impressão geral que desejo transmitir é de uma porta lateral que abre violentamente numa vida em pleno vôo, deixando entrar uma negra e retumbante golfada de tempo que abafa, com suas chicotadas de vento, o grito da catástrofe solitária"
Hubert Hubert sobre Lolita em sau vida.
" Sou suficientemente orgulhoso de saber alguma coisa para ter a modéstia de saber que não sei tudo"
quinta-feira, julho 21, 2005
Crônica de inverno
Tarde chuvosa em Santa Maria. A previsão é que as massas úmidas permaneçam até domingo, trazendo esparsas pancadas de chuvas. A temperatura, apesar da chuva, permanecerá baixa, com mínimas de 5 graus e máximas de 13. Pela noite, os ventos gelados do sul, somados à garoa fina e às massas de ar polar que estacionaram no estado a uma semana, faz a sensação térmica ser de menos que 5 graus, 1,2 graus provavelmente.As pessoas ainda não se arriscaram a sair na rua, o que pode ser comprovado com uma simples olhada para os prédios ao redor, verificando que muitas luzes de quartos, salas, cozinhas e banheiros estão acesas, denunciando a existência de algum morador no lugar, provavelmente com frio, olhando TV, comendo, cagando ou dormindo.
Um dia quase perfeito para o descanso, diz a funcionária pública Edwiges:
_ Quer melhor pra hoje coisa que ficar em casa debaixo das cobertas?
Um outro ao lado de Edwiges, guri de uns 15 anos aproximadamente, quer aparecer na TV também, e solta, complementando a fala anterior:
_ Tem sim, ficar em baixo das cobertas acompanhado!
Risadas no ambiente. O guri volta para os seus amigos como se tivesse feito um gol de cabeça aos 38 do segundo tempo num Grenal que, até o momento, estava 2x2. O gol, pelo tipo de comemoração, é do Inter.
No meio do falatório e das risadas, um senhor daqueles frequentador assíduos do cafézinho com os amigos no Sábado Demanhã no Calçadão, diz :
_ Melhor é acompanhar a CPI na TV, tomando um mate e rindo da cara dos inconpetentes que mandam nesse país.
Vaias gerais, principalmente da gurizada do futebol.
É preciso respeitar os mais velhos, então o café vai ser feito pra hoje ou pra amanhã, dona? Ó o pessoal aqui, todos com seus cafézinhos e o meu cadê? Preciso de café, olha esse frio, eu sou um homem idoso, será que os sete remédios que tomo não me dão nem uma prioridade de atendimento numa merda de café desses, hã? Não, não me diga que acabou, não me diga isso, não, tu não sabe o que está dizendo Dona, dona de merda, quero meu café, então sempre aparece esses tipos aqui, Margarete? Bah, deve ser duro ficar até tarde aqui, aguentar essas figuras... Não, e pior que tem de tudo né, tem os velhinhos que se acham porque são velhos, os gurizão que querem dar uma de velhos, aquela coisa de intelectual, sabichão, "escritor", hahahaha, eles adoram isso, Oi, muito prazer, tu escreve? Não, só umas coisinhas, mas ninguém leu ainda, hahahahaha, parecem que se guardam para um descobridor que vai achar aquelas merdas, sim, merdas porque na maioria são merdas né, vamos combinar.
O frio aqui em Gramado está pegando foooooogo, o pessoal já começou a chegar hoje, Quinta feira, e amanhã a previsão é de mais gente ainda. A expectativa de todos , lógico, é que desse fim de semana a neve não passe, porque segundo os meteorologistas, as condições estão extremamente favoráveis para a neve. Esse frio, essa chuvinha... É só trocar aquela nuvem cinza de chuva ali por uma mais escura, quase preta. Vamos torcer, né galera, afinal todos queremos ver a neve.A senhora,de onde vêm?
_ Curitiba, Paraná.
E aí, tá gostando do frio? Na expectativa da neve? A senhora já viu neve na vida, que coisa bonita que é, não?
_ Oi, ah eu to ansiosa, estamos eu e meu marido com as máquinas a postos, olha aqui ó, posso tirar uma foto tua? Primeira vez que eu sou entrevistada, imagina...
Não, senhora, estamos ao vivo, depois nós tiramos.
Pois é, a expectativa do pessoal é a melhor possível. Desse fim de semana não passa, vamos torcer, gente! Voltamos aos estúdios.
Um dia quase perfeito para o descanso, diz a funcionária pública Edwiges:
_ Quer melhor pra hoje coisa que ficar em casa debaixo das cobertas?
Um outro ao lado de Edwiges, guri de uns 15 anos aproximadamente, quer aparecer na TV também, e solta, complementando a fala anterior:
_ Tem sim, ficar em baixo das cobertas acompanhado!
Risadas no ambiente. O guri volta para os seus amigos como se tivesse feito um gol de cabeça aos 38 do segundo tempo num Grenal que, até o momento, estava 2x2. O gol, pelo tipo de comemoração, é do Inter.
No meio do falatório e das risadas, um senhor daqueles frequentador assíduos do cafézinho com os amigos no Sábado Demanhã no Calçadão, diz :
_ Melhor é acompanhar a CPI na TV, tomando um mate e rindo da cara dos inconpetentes que mandam nesse país.
Vaias gerais, principalmente da gurizada do futebol.
É preciso respeitar os mais velhos, então o café vai ser feito pra hoje ou pra amanhã, dona? Ó o pessoal aqui, todos com seus cafézinhos e o meu cadê? Preciso de café, olha esse frio, eu sou um homem idoso, será que os sete remédios que tomo não me dão nem uma prioridade de atendimento numa merda de café desses, hã? Não, não me diga que acabou, não me diga isso, não, tu não sabe o que está dizendo Dona, dona de merda, quero meu café, então sempre aparece esses tipos aqui, Margarete? Bah, deve ser duro ficar até tarde aqui, aguentar essas figuras... Não, e pior que tem de tudo né, tem os velhinhos que se acham porque são velhos, os gurizão que querem dar uma de velhos, aquela coisa de intelectual, sabichão, "escritor", hahahaha, eles adoram isso, Oi, muito prazer, tu escreve? Não, só umas coisinhas, mas ninguém leu ainda, hahahahaha, parecem que se guardam para um descobridor que vai achar aquelas merdas, sim, merdas porque na maioria são merdas né, vamos combinar.
O frio aqui em Gramado está pegando foooooogo, o pessoal já começou a chegar hoje, Quinta feira, e amanhã a previsão é de mais gente ainda. A expectativa de todos , lógico, é que desse fim de semana a neve não passe, porque segundo os meteorologistas, as condições estão extremamente favoráveis para a neve. Esse frio, essa chuvinha... É só trocar aquela nuvem cinza de chuva ali por uma mais escura, quase preta. Vamos torcer, né galera, afinal todos queremos ver a neve.A senhora,de onde vêm?
_ Curitiba, Paraná.
E aí, tá gostando do frio? Na expectativa da neve? A senhora já viu neve na vida, que coisa bonita que é, não?
_ Oi, ah eu to ansiosa, estamos eu e meu marido com as máquinas a postos, olha aqui ó, posso tirar uma foto tua? Primeira vez que eu sou entrevistada, imagina...
Não, senhora, estamos ao vivo, depois nós tiramos.
Pois é, a expectativa do pessoal é a melhor possível. Desse fim de semana não passa, vamos torcer, gente! Voltamos aos estúdios.
sábado, julho 16, 2005
Grant Lee Buffalo
Gosto muito do Grant Lee Buffalo, desde pela forma que eu descobri a banda até mesmo por ser difícil de achar coisas deles por aí. Mas é uma banda do início dos anos 90, e se for classificar por estilo, seria algo como um folk/rock alternativo/grunge com algumas pitadas de filme de western e pianinhos de cabaré, tudo isso colocado num liquidificador, acrescentado do principal igrediente: a emoção.
Não há só um rótulo, mas vários.
As músicas deles são extremamente ricas em criar imagens; parecem fazer parte de uma trilha sonora de um filme que nunca foi filmado. As letras sempre contam alguma história meio absurda, fantástica, como a literatura fantástica cheia de realidade do Julio Cortázar, do Kafka e do Daniel Pelizzari, só que em forma de música. O cenário é sempre o mesmo: os grotões perdidos dos Estados Unidos, as cidades fantasmas do Sul, os desertos cheio de personagens estranhos, estradas vazias no meio do nada. Os personagens variam, de fantasmas a ex-presidiários passando por motoristas e artistas mambembes, sempre com a mesma busca: uma pessoa para amar e ser correspondido, que ,afinal, é a busca de todos nós. Basicamente, as histórias são de amor, mas não aquele clichê e piegas de outros músicos: o amor real, com as dores, desafios, lutas e batalhas de uma guerra tão comum a todos nós . A voz do Grant Lee Philips, vocalista, guitarrista e compositor da banda, é uma boa caneta contadora de histórias, indo do texto realista e objetivo que certas situações pedem ao mais emocionante e surreal relato de encontro de duas pessoas, pintando como poucos uma cena de amor. O primeiro e o segundo cd , Fuzzy e Mighty Joe Moon, são como livros de contos sobre o amor impossível contado pelos próprios personagens das histórias, juntos, e provando que a história pode ser algo de impossível e inacreditável, mas o verdadeiro amor não.
Grant lee Buffalo - Jupiter and Teardrop
Just a girl who can’t say no
And her sweetheart on parole
Parents named her jupiter
To bless her with a lucky soul
He’s a boy who never cried
When they locked him up inside
And she nicknamed him her teardrop
For the tattoo by his eye
Now she’s sleeping in her bed
And he’s sleeping in her bed
And it’s jupiter and teardrop
And it’s jupiter and teardrop
She divines by radio
Pushing buttons show to show
And she wonders ’bout the fate of
Lovers in the barrio
She forgets after a while
When she tunes in on the dial
Jackie wilson’s lonely teardrops
And she drives another mile
Now she’s sleeping in her bed
And he’s sleeping in her bed
And it’s jupiter and teardrop
And it’s jupiter and teardrop
And it’s jupiter and teardrop
And they want to have a child
Walk together down the aisle
But the world they live in is mean
And it’s built on sheer denial
The phone rings it’s for her
Got to see ya jupiter
I’m in trouble with the law
Bring my 38 caliber
Now she’s sleeping in her bed
As she pulls the phone plug dead
And it’s jupiter and teardrop
And it’s jupiter and teardrop
Não há só um rótulo, mas vários.
As músicas deles são extremamente ricas em criar imagens; parecem fazer parte de uma trilha sonora de um filme que nunca foi filmado. As letras sempre contam alguma história meio absurda, fantástica, como a literatura fantástica cheia de realidade do Julio Cortázar, do Kafka e do Daniel Pelizzari, só que em forma de música. O cenário é sempre o mesmo: os grotões perdidos dos Estados Unidos, as cidades fantasmas do Sul, os desertos cheio de personagens estranhos, estradas vazias no meio do nada. Os personagens variam, de fantasmas a ex-presidiários passando por motoristas e artistas mambembes, sempre com a mesma busca: uma pessoa para amar e ser correspondido, que ,afinal, é a busca de todos nós. Basicamente, as histórias são de amor, mas não aquele clichê e piegas de outros músicos: o amor real, com as dores, desafios, lutas e batalhas de uma guerra tão comum a todos nós . A voz do Grant Lee Philips, vocalista, guitarrista e compositor da banda, é uma boa caneta contadora de histórias, indo do texto realista e objetivo que certas situações pedem ao mais emocionante e surreal relato de encontro de duas pessoas, pintando como poucos uma cena de amor. O primeiro e o segundo cd , Fuzzy e Mighty Joe Moon, são como livros de contos sobre o amor impossível contado pelos próprios personagens das histórias, juntos, e provando que a história pode ser algo de impossível e inacreditável, mas o verdadeiro amor não.
Grant lee Buffalo - Jupiter and Teardrop
Just a girl who can’t say no
And her sweetheart on parole
Parents named her jupiter
To bless her with a lucky soul
He’s a boy who never cried
When they locked him up inside
And she nicknamed him her teardrop
For the tattoo by his eye
Now she’s sleeping in her bed
And he’s sleeping in her bed
And it’s jupiter and teardrop
And it’s jupiter and teardrop
She divines by radio
Pushing buttons show to show
And she wonders ’bout the fate of
Lovers in the barrio
She forgets after a while
When she tunes in on the dial
Jackie wilson’s lonely teardrops
And she drives another mile
Now she’s sleeping in her bed
And he’s sleeping in her bed
And it’s jupiter and teardrop
And it’s jupiter and teardrop
And it’s jupiter and teardrop
And they want to have a child
Walk together down the aisle
But the world they live in is mean
And it’s built on sheer denial
The phone rings it’s for her
Got to see ya jupiter
I’m in trouble with the law
Bring my 38 caliber
Now she’s sleeping in her bed
As she pulls the phone plug dead
And it’s jupiter and teardrop
And it’s jupiter and teardrop
segunda-feira, julho 11, 2005
Viajar
Preciso viajar, mudar de ares, dormir em cama que não a minha, ver pessoas e coisas diferentes, renovar o repertório de histórias para contar...
Terça to partindo. Vou meio sem rumo, tentar ver algumas caronas até Livramento. Eu e um amigo meu. Vamos ver no que vai dar.
Um texto meio antigo...
Viajar
Andar de carro, avião, bicicleta, o que quer que seja.Viajar.Palavra tão pequena, frágil, débil, mas ah, como pode ser ao mesmo tempo tão profunda e transformadora quando é deixado de lado o seu significado semântico, levando em conta apenas o simples e inexplicável sentido que adquire quando nada além dela pode salvar de uma rotina certinha e burocrática que toma conta da vida em alguma parte de demasiada reflexão ou depressão? Como explicar e descrever a sensação de deixar tudo para trás a fim de buscar um objetivo maior que na verdade nunca se irá encontrar, mas que ao mesmo tempo fascina só pelo fato de ter esperança de que algum dia ele possa existir e ser alcançado? Um motivo este tão importante e misterioso que ninguém consegue explicá-lo ou entendê-lo de forma diferente da qual ele quer que entendamos, pois na realidade ele não teria sentido se fosse facilmente compreendido já que todos teriam acesso a ele de um modo muito mais fácil e assim não daria-se valor ao simples fato de buscá-lo que é por si só o sentido verdadeiro de qualquer busca que se julgue eterna . Posso morrer ao tentar buscá-lo, mas é justamente este o grande desafio que enfrenta-se ao lidar com um inimigo desconhecido, muito maior, e que conhece todos os seus passos como uma mãe conhece os passos de seu bebê, sabendo exatamente qual será a próxima ação a ser tomada e já planejando um outro ataque que deixará ainda e sempre mais distante do motivo principal que busca-se num ato simples determinado por uma palavra tão simples e frágil: viajar.
Um texto de aproximadamente um ano e meio atrás, da minha fase beatnik (hehehehe!). Recém tinha lido o On the Road, do Jack Kerouac, e o Primeiro Terço, do Neal Cassady, o companheiro do Kerouac. É nítido o efeito.
Terça to partindo. Vou meio sem rumo, tentar ver algumas caronas até Livramento. Eu e um amigo meu. Vamos ver no que vai dar.
Um texto meio antigo...
Viajar
Andar de carro, avião, bicicleta, o que quer que seja.Viajar.Palavra tão pequena, frágil, débil, mas ah, como pode ser ao mesmo tempo tão profunda e transformadora quando é deixado de lado o seu significado semântico, levando em conta apenas o simples e inexplicável sentido que adquire quando nada além dela pode salvar de uma rotina certinha e burocrática que toma conta da vida em alguma parte de demasiada reflexão ou depressão? Como explicar e descrever a sensação de deixar tudo para trás a fim de buscar um objetivo maior que na verdade nunca se irá encontrar, mas que ao mesmo tempo fascina só pelo fato de ter esperança de que algum dia ele possa existir e ser alcançado? Um motivo este tão importante e misterioso que ninguém consegue explicá-lo ou entendê-lo de forma diferente da qual ele quer que entendamos, pois na realidade ele não teria sentido se fosse facilmente compreendido já que todos teriam acesso a ele de um modo muito mais fácil e assim não daria-se valor ao simples fato de buscá-lo que é por si só o sentido verdadeiro de qualquer busca que se julgue eterna . Posso morrer ao tentar buscá-lo, mas é justamente este o grande desafio que enfrenta-se ao lidar com um inimigo desconhecido, muito maior, e que conhece todos os seus passos como uma mãe conhece os passos de seu bebê, sabendo exatamente qual será a próxima ação a ser tomada e já planejando um outro ataque que deixará ainda e sempre mais distante do motivo principal que busca-se num ato simples determinado por uma palavra tão simples e frágil: viajar.
Um texto de aproximadamente um ano e meio atrás, da minha fase beatnik (hehehehe!). Recém tinha lido o On the Road, do Jack Kerouac, e o Primeiro Terço, do Neal Cassady, o companheiro do Kerouac. É nítido o efeito.
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