Há aquela coisa de "estalos", quando, por exemplo, olhamos um programa de tv e algo nele nos faz perceber, se dar conta, entender, que certas opiniões ou impressões nossa à respeito de determinada coisa são completamente erradas ou simplesmente idiotas de tão egoístas/maniqueístas que são(eram). Em muitas vezes, o estalo não é nada mais que passageiro, e nesse caso ele é inócuo, irrelevante, mas ainda sim é com esses que se chega aos verdadeiramente importantes, os que te perseguem até te fazer parar e trocar de estrada porque essa não vai dar em nada além de sofrimento, dor e tristeza. Um belo conjunto de estalos seguidos pode ter diminuída a sua importância por nós, já que te dizer que a estrada não é a certa quando já se andou boa parte dela não é lá uma coisa muito boa, mas é na boa relação com eles que vão te fazer seguir um caminho que te levará a algo mais do que a tristeza, ou a solidão. O interessante nessas horas é ter contato com alguém, não importa se ele/ela já tenha tido esse estalo ou não, para se perceber o tamanho da mudança que te proporcionou, ou se caso contrário, não te trouxe nada além do já conhecido, e nesses casos o estalo ainda é importante porque não é dos definitivos, mas dos inúmeros que te proporcionaram os definitivos.
Da mesma forma, há certos momentos que , na hora, se nota que alguma mudança ele irá trazer, e geralmente essa mudança vem com o nome fantasioso de maturidade. São situações que as impressões, opiniões e preocupações extrapolam o simples umbigo próprio,como as crianças que pelos 3,4 anos percebem que o mundo não gira em torno delas, mas com elas. A sensação é quase a mesma, apesar que quando criança a percepção da mudança não existe. A importância da nossa vida extrapolou a que ela já tinha para cada um, e se torna vital para outras pessoas próximas, ou não, como se uma responsabilidade a mais tenha aparecido para ti, e dessa não há qualquer escapatória fácil porque ela não depende unicamente de ti, tu apenas é uma "entidade" que incorporou a importância e dela não poderá se livrar enquanto não for resolvida.É uma missão e tanto, que acaba te fazendo tomar decisões mais equilibradas e coerentes com o que venha a se chamar "boa conduta". Pode-se envelhecer alguns anos com isso, mas é daqueles envelhecimentos saudáveis, que te fazem poder variar entre pensar como alguém da sua idade ou de 20 anos mais velho. É a tal da maturidade, se um conceito qualquer fosse escolhido pela beleza do que ele pode signficar.
domingo, julho 31, 2005
domingo, julho 24, 2005
Nabokov
Alguns trechos de Lolita, do Vladimir Nabokov, um primor de livro, recomendado a todos que querem escrever melhor. O jeito que o Nabokov domina a escrita, as palavras complicadas sem parecerem mera erudição sem propósito, é uma aula a cada página.
"Conquanto seja indispensável registrar alguns pontos pertinentes, a impressão geral que desejo transmitir é de uma porta lateral que abre violentamente numa vida em pleno vôo, deixando entrar uma negra e retumbante golfada de tempo que abafa, com suas chicotadas de vento, o grito da catástrofe solitária"
Hubert Hubert sobre Lolita em sau vida.
" Sou suficientemente orgulhoso de saber alguma coisa para ter a modéstia de saber que não sei tudo"
"Conquanto seja indispensável registrar alguns pontos pertinentes, a impressão geral que desejo transmitir é de uma porta lateral que abre violentamente numa vida em pleno vôo, deixando entrar uma negra e retumbante golfada de tempo que abafa, com suas chicotadas de vento, o grito da catástrofe solitária"
Hubert Hubert sobre Lolita em sau vida.
" Sou suficientemente orgulhoso de saber alguma coisa para ter a modéstia de saber que não sei tudo"
quinta-feira, julho 21, 2005
Crônica de inverno
Tarde chuvosa em Santa Maria. A previsão é que as massas úmidas permaneçam até domingo, trazendo esparsas pancadas de chuvas. A temperatura, apesar da chuva, permanecerá baixa, com mínimas de 5 graus e máximas de 13. Pela noite, os ventos gelados do sul, somados à garoa fina e às massas de ar polar que estacionaram no estado a uma semana, faz a sensação térmica ser de menos que 5 graus, 1,2 graus provavelmente.As pessoas ainda não se arriscaram a sair na rua, o que pode ser comprovado com uma simples olhada para os prédios ao redor, verificando que muitas luzes de quartos, salas, cozinhas e banheiros estão acesas, denunciando a existência de algum morador no lugar, provavelmente com frio, olhando TV, comendo, cagando ou dormindo.
Um dia quase perfeito para o descanso, diz a funcionária pública Edwiges:
_ Quer melhor pra hoje coisa que ficar em casa debaixo das cobertas?
Um outro ao lado de Edwiges, guri de uns 15 anos aproximadamente, quer aparecer na TV também, e solta, complementando a fala anterior:
_ Tem sim, ficar em baixo das cobertas acompanhado!
Risadas no ambiente. O guri volta para os seus amigos como se tivesse feito um gol de cabeça aos 38 do segundo tempo num Grenal que, até o momento, estava 2x2. O gol, pelo tipo de comemoração, é do Inter.
No meio do falatório e das risadas, um senhor daqueles frequentador assíduos do cafézinho com os amigos no Sábado Demanhã no Calçadão, diz :
_ Melhor é acompanhar a CPI na TV, tomando um mate e rindo da cara dos inconpetentes que mandam nesse país.
Vaias gerais, principalmente da gurizada do futebol.
É preciso respeitar os mais velhos, então o café vai ser feito pra hoje ou pra amanhã, dona? Ó o pessoal aqui, todos com seus cafézinhos e o meu cadê? Preciso de café, olha esse frio, eu sou um homem idoso, será que os sete remédios que tomo não me dão nem uma prioridade de atendimento numa merda de café desses, hã? Não, não me diga que acabou, não me diga isso, não, tu não sabe o que está dizendo Dona, dona de merda, quero meu café, então sempre aparece esses tipos aqui, Margarete? Bah, deve ser duro ficar até tarde aqui, aguentar essas figuras... Não, e pior que tem de tudo né, tem os velhinhos que se acham porque são velhos, os gurizão que querem dar uma de velhos, aquela coisa de intelectual, sabichão, "escritor", hahahaha, eles adoram isso, Oi, muito prazer, tu escreve? Não, só umas coisinhas, mas ninguém leu ainda, hahahahaha, parecem que se guardam para um descobridor que vai achar aquelas merdas, sim, merdas porque na maioria são merdas né, vamos combinar.
O frio aqui em Gramado está pegando foooooogo, o pessoal já começou a chegar hoje, Quinta feira, e amanhã a previsão é de mais gente ainda. A expectativa de todos , lógico, é que desse fim de semana a neve não passe, porque segundo os meteorologistas, as condições estão extremamente favoráveis para a neve. Esse frio, essa chuvinha... É só trocar aquela nuvem cinza de chuva ali por uma mais escura, quase preta. Vamos torcer, né galera, afinal todos queremos ver a neve.A senhora,de onde vêm?
_ Curitiba, Paraná.
E aí, tá gostando do frio? Na expectativa da neve? A senhora já viu neve na vida, que coisa bonita que é, não?
_ Oi, ah eu to ansiosa, estamos eu e meu marido com as máquinas a postos, olha aqui ó, posso tirar uma foto tua? Primeira vez que eu sou entrevistada, imagina...
Não, senhora, estamos ao vivo, depois nós tiramos.
Pois é, a expectativa do pessoal é a melhor possível. Desse fim de semana não passa, vamos torcer, gente! Voltamos aos estúdios.
Um dia quase perfeito para o descanso, diz a funcionária pública Edwiges:
_ Quer melhor pra hoje coisa que ficar em casa debaixo das cobertas?
Um outro ao lado de Edwiges, guri de uns 15 anos aproximadamente, quer aparecer na TV também, e solta, complementando a fala anterior:
_ Tem sim, ficar em baixo das cobertas acompanhado!
Risadas no ambiente. O guri volta para os seus amigos como se tivesse feito um gol de cabeça aos 38 do segundo tempo num Grenal que, até o momento, estava 2x2. O gol, pelo tipo de comemoração, é do Inter.
No meio do falatório e das risadas, um senhor daqueles frequentador assíduos do cafézinho com os amigos no Sábado Demanhã no Calçadão, diz :
_ Melhor é acompanhar a CPI na TV, tomando um mate e rindo da cara dos inconpetentes que mandam nesse país.
Vaias gerais, principalmente da gurizada do futebol.
É preciso respeitar os mais velhos, então o café vai ser feito pra hoje ou pra amanhã, dona? Ó o pessoal aqui, todos com seus cafézinhos e o meu cadê? Preciso de café, olha esse frio, eu sou um homem idoso, será que os sete remédios que tomo não me dão nem uma prioridade de atendimento numa merda de café desses, hã? Não, não me diga que acabou, não me diga isso, não, tu não sabe o que está dizendo Dona, dona de merda, quero meu café, então sempre aparece esses tipos aqui, Margarete? Bah, deve ser duro ficar até tarde aqui, aguentar essas figuras... Não, e pior que tem de tudo né, tem os velhinhos que se acham porque são velhos, os gurizão que querem dar uma de velhos, aquela coisa de intelectual, sabichão, "escritor", hahahaha, eles adoram isso, Oi, muito prazer, tu escreve? Não, só umas coisinhas, mas ninguém leu ainda, hahahahaha, parecem que se guardam para um descobridor que vai achar aquelas merdas, sim, merdas porque na maioria são merdas né, vamos combinar.
O frio aqui em Gramado está pegando foooooogo, o pessoal já começou a chegar hoje, Quinta feira, e amanhã a previsão é de mais gente ainda. A expectativa de todos , lógico, é que desse fim de semana a neve não passe, porque segundo os meteorologistas, as condições estão extremamente favoráveis para a neve. Esse frio, essa chuvinha... É só trocar aquela nuvem cinza de chuva ali por uma mais escura, quase preta. Vamos torcer, né galera, afinal todos queremos ver a neve.A senhora,de onde vêm?
_ Curitiba, Paraná.
E aí, tá gostando do frio? Na expectativa da neve? A senhora já viu neve na vida, que coisa bonita que é, não?
_ Oi, ah eu to ansiosa, estamos eu e meu marido com as máquinas a postos, olha aqui ó, posso tirar uma foto tua? Primeira vez que eu sou entrevistada, imagina...
Não, senhora, estamos ao vivo, depois nós tiramos.
Pois é, a expectativa do pessoal é a melhor possível. Desse fim de semana não passa, vamos torcer, gente! Voltamos aos estúdios.
sábado, julho 16, 2005
Grant Lee Buffalo
Gosto muito do Grant Lee Buffalo, desde pela forma que eu descobri a banda até mesmo por ser difícil de achar coisas deles por aí. Mas é uma banda do início dos anos 90, e se for classificar por estilo, seria algo como um folk/rock alternativo/grunge com algumas pitadas de filme de western e pianinhos de cabaré, tudo isso colocado num liquidificador, acrescentado do principal igrediente: a emoção.
Não há só um rótulo, mas vários.
As músicas deles são extremamente ricas em criar imagens; parecem fazer parte de uma trilha sonora de um filme que nunca foi filmado. As letras sempre contam alguma história meio absurda, fantástica, como a literatura fantástica cheia de realidade do Julio Cortázar, do Kafka e do Daniel Pelizzari, só que em forma de música. O cenário é sempre o mesmo: os grotões perdidos dos Estados Unidos, as cidades fantasmas do Sul, os desertos cheio de personagens estranhos, estradas vazias no meio do nada. Os personagens variam, de fantasmas a ex-presidiários passando por motoristas e artistas mambembes, sempre com a mesma busca: uma pessoa para amar e ser correspondido, que ,afinal, é a busca de todos nós. Basicamente, as histórias são de amor, mas não aquele clichê e piegas de outros músicos: o amor real, com as dores, desafios, lutas e batalhas de uma guerra tão comum a todos nós . A voz do Grant Lee Philips, vocalista, guitarrista e compositor da banda, é uma boa caneta contadora de histórias, indo do texto realista e objetivo que certas situações pedem ao mais emocionante e surreal relato de encontro de duas pessoas, pintando como poucos uma cena de amor. O primeiro e o segundo cd , Fuzzy e Mighty Joe Moon, são como livros de contos sobre o amor impossível contado pelos próprios personagens das histórias, juntos, e provando que a história pode ser algo de impossível e inacreditável, mas o verdadeiro amor não.
Grant lee Buffalo - Jupiter and Teardrop
Just a girl who can’t say no
And her sweetheart on parole
Parents named her jupiter
To bless her with a lucky soul
He’s a boy who never cried
When they locked him up inside
And she nicknamed him her teardrop
For the tattoo by his eye
Now she’s sleeping in her bed
And he’s sleeping in her bed
And it’s jupiter and teardrop
And it’s jupiter and teardrop
She divines by radio
Pushing buttons show to show
And she wonders ’bout the fate of
Lovers in the barrio
She forgets after a while
When she tunes in on the dial
Jackie wilson’s lonely teardrops
And she drives another mile
Now she’s sleeping in her bed
And he’s sleeping in her bed
And it’s jupiter and teardrop
And it’s jupiter and teardrop
And it’s jupiter and teardrop
And they want to have a child
Walk together down the aisle
But the world they live in is mean
And it’s built on sheer denial
The phone rings it’s for her
Got to see ya jupiter
I’m in trouble with the law
Bring my 38 caliber
Now she’s sleeping in her bed
As she pulls the phone plug dead
And it’s jupiter and teardrop
And it’s jupiter and teardrop
Não há só um rótulo, mas vários.
As músicas deles são extremamente ricas em criar imagens; parecem fazer parte de uma trilha sonora de um filme que nunca foi filmado. As letras sempre contam alguma história meio absurda, fantástica, como a literatura fantástica cheia de realidade do Julio Cortázar, do Kafka e do Daniel Pelizzari, só que em forma de música. O cenário é sempre o mesmo: os grotões perdidos dos Estados Unidos, as cidades fantasmas do Sul, os desertos cheio de personagens estranhos, estradas vazias no meio do nada. Os personagens variam, de fantasmas a ex-presidiários passando por motoristas e artistas mambembes, sempre com a mesma busca: uma pessoa para amar e ser correspondido, que ,afinal, é a busca de todos nós. Basicamente, as histórias são de amor, mas não aquele clichê e piegas de outros músicos: o amor real, com as dores, desafios, lutas e batalhas de uma guerra tão comum a todos nós . A voz do Grant Lee Philips, vocalista, guitarrista e compositor da banda, é uma boa caneta contadora de histórias, indo do texto realista e objetivo que certas situações pedem ao mais emocionante e surreal relato de encontro de duas pessoas, pintando como poucos uma cena de amor. O primeiro e o segundo cd , Fuzzy e Mighty Joe Moon, são como livros de contos sobre o amor impossível contado pelos próprios personagens das histórias, juntos, e provando que a história pode ser algo de impossível e inacreditável, mas o verdadeiro amor não.
Grant lee Buffalo - Jupiter and Teardrop
Just a girl who can’t say no
And her sweetheart on parole
Parents named her jupiter
To bless her with a lucky soul
He’s a boy who never cried
When they locked him up inside
And she nicknamed him her teardrop
For the tattoo by his eye
Now she’s sleeping in her bed
And he’s sleeping in her bed
And it’s jupiter and teardrop
And it’s jupiter and teardrop
She divines by radio
Pushing buttons show to show
And she wonders ’bout the fate of
Lovers in the barrio
She forgets after a while
When she tunes in on the dial
Jackie wilson’s lonely teardrops
And she drives another mile
Now she’s sleeping in her bed
And he’s sleeping in her bed
And it’s jupiter and teardrop
And it’s jupiter and teardrop
And it’s jupiter and teardrop
And they want to have a child
Walk together down the aisle
But the world they live in is mean
And it’s built on sheer denial
The phone rings it’s for her
Got to see ya jupiter
I’m in trouble with the law
Bring my 38 caliber
Now she’s sleeping in her bed
As she pulls the phone plug dead
And it’s jupiter and teardrop
And it’s jupiter and teardrop
segunda-feira, julho 11, 2005
Viajar
Preciso viajar, mudar de ares, dormir em cama que não a minha, ver pessoas e coisas diferentes, renovar o repertório de histórias para contar...
Terça to partindo. Vou meio sem rumo, tentar ver algumas caronas até Livramento. Eu e um amigo meu. Vamos ver no que vai dar.
Um texto meio antigo...
Viajar
Andar de carro, avião, bicicleta, o que quer que seja.Viajar.Palavra tão pequena, frágil, débil, mas ah, como pode ser ao mesmo tempo tão profunda e transformadora quando é deixado de lado o seu significado semântico, levando em conta apenas o simples e inexplicável sentido que adquire quando nada além dela pode salvar de uma rotina certinha e burocrática que toma conta da vida em alguma parte de demasiada reflexão ou depressão? Como explicar e descrever a sensação de deixar tudo para trás a fim de buscar um objetivo maior que na verdade nunca se irá encontrar, mas que ao mesmo tempo fascina só pelo fato de ter esperança de que algum dia ele possa existir e ser alcançado? Um motivo este tão importante e misterioso que ninguém consegue explicá-lo ou entendê-lo de forma diferente da qual ele quer que entendamos, pois na realidade ele não teria sentido se fosse facilmente compreendido já que todos teriam acesso a ele de um modo muito mais fácil e assim não daria-se valor ao simples fato de buscá-lo que é por si só o sentido verdadeiro de qualquer busca que se julgue eterna . Posso morrer ao tentar buscá-lo, mas é justamente este o grande desafio que enfrenta-se ao lidar com um inimigo desconhecido, muito maior, e que conhece todos os seus passos como uma mãe conhece os passos de seu bebê, sabendo exatamente qual será a próxima ação a ser tomada e já planejando um outro ataque que deixará ainda e sempre mais distante do motivo principal que busca-se num ato simples determinado por uma palavra tão simples e frágil: viajar.
Um texto de aproximadamente um ano e meio atrás, da minha fase beatnik (hehehehe!). Recém tinha lido o On the Road, do Jack Kerouac, e o Primeiro Terço, do Neal Cassady, o companheiro do Kerouac. É nítido o efeito.
Terça to partindo. Vou meio sem rumo, tentar ver algumas caronas até Livramento. Eu e um amigo meu. Vamos ver no que vai dar.
Um texto meio antigo...
Viajar
Andar de carro, avião, bicicleta, o que quer que seja.Viajar.Palavra tão pequena, frágil, débil, mas ah, como pode ser ao mesmo tempo tão profunda e transformadora quando é deixado de lado o seu significado semântico, levando em conta apenas o simples e inexplicável sentido que adquire quando nada além dela pode salvar de uma rotina certinha e burocrática que toma conta da vida em alguma parte de demasiada reflexão ou depressão? Como explicar e descrever a sensação de deixar tudo para trás a fim de buscar um objetivo maior que na verdade nunca se irá encontrar, mas que ao mesmo tempo fascina só pelo fato de ter esperança de que algum dia ele possa existir e ser alcançado? Um motivo este tão importante e misterioso que ninguém consegue explicá-lo ou entendê-lo de forma diferente da qual ele quer que entendamos, pois na realidade ele não teria sentido se fosse facilmente compreendido já que todos teriam acesso a ele de um modo muito mais fácil e assim não daria-se valor ao simples fato de buscá-lo que é por si só o sentido verdadeiro de qualquer busca que se julgue eterna . Posso morrer ao tentar buscá-lo, mas é justamente este o grande desafio que enfrenta-se ao lidar com um inimigo desconhecido, muito maior, e que conhece todos os seus passos como uma mãe conhece os passos de seu bebê, sabendo exatamente qual será a próxima ação a ser tomada e já planejando um outro ataque que deixará ainda e sempre mais distante do motivo principal que busca-se num ato simples determinado por uma palavra tão simples e frágil: viajar.
Um texto de aproximadamente um ano e meio atrás, da minha fase beatnik (hehehehe!). Recém tinha lido o On the Road, do Jack Kerouac, e o Primeiro Terço, do Neal Cassady, o companheiro do Kerouac. É nítido o efeito.
quinta-feira, julho 07, 2005
Como me tornei estúpido
Do livro "Como me tornei estúpido", de Martin Page:
A verdade sai da boca das crianças. Na escola primária, ser inteligente resultava num insulto infame; quando crescemos, ser intelecutal passa a ser quase uma qualidade. Mas isso é uma mentira: a inteligência é uma tara. Assim como os vivos sabem que vão morrer, e como os mortos não sabem nada, penso que ser inteligente é pior que ser asno, porque o asno não se dá conta disso, ao passo que qualquer inteligente, ainda que humilde e modesto, o sabe forçosamente.
Está escrito no Eclesiastes que "quem tem sua ciência aumentada, este também tem aumentada a sua dor".Os cristãos tem a sorte, quando jovens, de ser postos em guarda contra o perigo da inteligência; por toda a vida saberão distanciar-se dela.
O livro, basicamente, conta a história de um cara( Antoine) que , cansado de saber de coisas que não o levam a muito longe, decide investir na idiotice como forma de sobrevivência.Ele se convence de que só a estupidez lhe permitirá ser plenamente aceito pela sociedade.Genial.
Já discuti várias vezes sobre se a inteligência, ou saber determinada coisa que aos olhos dos outros possa parecer que tu é uma pessoa inteligente, tem algum sentido, porque se sofre demais com isso. É um assunto interessantíssimo, não acham?
A verdade sai da boca das crianças. Na escola primária, ser inteligente resultava num insulto infame; quando crescemos, ser intelecutal passa a ser quase uma qualidade. Mas isso é uma mentira: a inteligência é uma tara. Assim como os vivos sabem que vão morrer, e como os mortos não sabem nada, penso que ser inteligente é pior que ser asno, porque o asno não se dá conta disso, ao passo que qualquer inteligente, ainda que humilde e modesto, o sabe forçosamente.
Está escrito no Eclesiastes que "quem tem sua ciência aumentada, este também tem aumentada a sua dor".Os cristãos tem a sorte, quando jovens, de ser postos em guarda contra o perigo da inteligência; por toda a vida saberão distanciar-se dela.
O livro, basicamente, conta a história de um cara( Antoine) que , cansado de saber de coisas que não o levam a muito longe, decide investir na idiotice como forma de sobrevivência.Ele se convence de que só a estupidez lhe permitirá ser plenamente aceito pela sociedade.Genial.
Já discuti várias vezes sobre se a inteligência, ou saber determinada coisa que aos olhos dos outros possa parecer que tu é uma pessoa inteligente, tem algum sentido, porque se sofre demais com isso. É um assunto interessantíssimo, não acham?
sábado, julho 02, 2005
Pink Floyd
Há algumas horas atrás aconteceu o show do Pink Floyd no Live 8,em Londres. Passou direto na MTV. Show com a formação clássica : David Gilmour na guitarra/vocal, Nick Mason na bateria, Richard Wright nos teclados e Roger Waters no baixo/vocal.Waters saiu da banda faz quase 20 anos, e essa é a primeira vez que a banda se reuniu nesse tempo todo. Foi algo um tanto espetacular. Pra quem cresceu nos anos 80 e 90, foi algo inédito.
Eles tocaram quatro músicas ( pelo menos foi as que a MTV mostrou):
Breathe e Money, do clássico Dark Side of the Moon, de 73, um dos melhores albuns da história do rock;
Confortably Numb, do também clássico The Wall, de 79;
e Wish you were here, do album homônimo de 75;
Foi muito lindo de ver Waters e Gilmour cantando juntos Wish you were here. Apesar das desavenças entre os dois, que acabou resultando na saída de Waters da banda, no Live 8 eles pareciam felizes, riam, tocavam relaxados - apesar dos dois nunca se olharam. O som tava perfeito como sempre, límpido, poderoso, imponente, e a banda continua tocando muito, Gilmour cantando muito bem, Waters não tanto, mas compensando dando mais emoção à sua voz.
Não me surpreenderia (muito) se eles voltassem a tocar juntos, fazer uma turnê especial, colocar mais um dinheiro na já abarrotada conta bancária deles. Díficil vai ser conciliar o gênio dos cabeças da banda ,Gilmour e Waters,que há anos não se falavam e só se reuniram para tocar porque, palavra deles, "a causa do Live 8 é maior que qualquer desavença entre nós". O que teria de produtores oferecendo milhões e milhões para a banda tocar...
Roger Waters sempre foi o gênio criativo da banda. Compôs a maioria das melhores músicas da banda, e quase todo o The Wall, de 1979. Gilmour é um músico excelente, mas quando Waters saiu da banda e ele teve de assumir o controle, o Pink Floyd não foi mais o mesmo. Isso foi em 85. Hoje, quase 20 anos depois, eles tocaram novamente. E eu não acredito ainda.
Eles tocaram quatro músicas ( pelo menos foi as que a MTV mostrou):
Breathe e Money, do clássico Dark Side of the Moon, de 73, um dos melhores albuns da história do rock;
Confortably Numb, do também clássico The Wall, de 79;
e Wish you were here, do album homônimo de 75;
Foi muito lindo de ver Waters e Gilmour cantando juntos Wish you were here. Apesar das desavenças entre os dois, que acabou resultando na saída de Waters da banda, no Live 8 eles pareciam felizes, riam, tocavam relaxados - apesar dos dois nunca se olharam. O som tava perfeito como sempre, límpido, poderoso, imponente, e a banda continua tocando muito, Gilmour cantando muito bem, Waters não tanto, mas compensando dando mais emoção à sua voz.
Não me surpreenderia (muito) se eles voltassem a tocar juntos, fazer uma turnê especial, colocar mais um dinheiro na já abarrotada conta bancária deles. Díficil vai ser conciliar o gênio dos cabeças da banda ,Gilmour e Waters,que há anos não se falavam e só se reuniram para tocar porque, palavra deles, "a causa do Live 8 é maior que qualquer desavença entre nós". O que teria de produtores oferecendo milhões e milhões para a banda tocar...
Roger Waters sempre foi o gênio criativo da banda. Compôs a maioria das melhores músicas da banda, e quase todo o The Wall, de 1979. Gilmour é um músico excelente, mas quando Waters saiu da banda e ele teve de assumir o controle, o Pink Floyd não foi mais o mesmo. Isso foi em 85. Hoje, quase 20 anos depois, eles tocaram novamente. E eu não acredito ainda.
Sábado
Sábado de manhã quente, sol forte, vento gostoso e não quente; um dia bom para acordar cedo, tomar um café com calma, ler os jornais tranquilamente no sofá, olhar algum jogo que tenha na tv e depois Os Simpsons, comer um belo churrasco, fazer uma boa caipirinha pra acompanhar, dormir depois fechando as percianas e a porta do quarto sem qualquer pressa/despertador para acordar, acordar naquela preguiça, comer algo e ir tomar um mate no calçadão, conversar com os amigos e olhar o movimento, observar o anoitecer caminhando tranquilamente na Floriano - de preferência perto do colégio Santa Maria -, passar na Presidente lotada de gente nas calçadas, uns tomando também mate outros cerveja e acompanhando algum jogo da dupla grenal nos bares, chegar em casa. Pegar um filme, voltar para casa, jantar algo bom - de preferência pizza - olhar o Jornal, a novela, ir para o computador, jogar um futebolzinho ali no pc, e por fim, se nada surgir que te faça sair de casa, olhar um filme e dormir.Um típico sábado de tempo bom.
domingo, junho 26, 2005
Parte do texto de Luiz Gonzaga Beluzzo sobre essa coisa toda que nós estamos vivendo no Governo Lula.
Aliás, é a primeira vez que acompanho diretamente uma crise política, que tenho uma certa consciência do que está acontecendo.
"Pensar siginifca transpor", diz o filósofo Ernest Bloch. E explica: "Transpor de tal maneira que aquilo que está aí não seja ocultado nem omitido. Nem na sua necessidade, nem mesmo no movimento para superá-la.Nem nas causas da necessidade, nem mesmo no princípio da virada que nela está amadurecendo. O futuro contém o temido e o esperado. Numa sociedade em declínio, que não consegue achar uma saída para a decadência, o medo se antepõe a crise e se contrapõe a esperança."
Aliás, é a primeira vez que acompanho diretamente uma crise política, que tenho uma certa consciência do que está acontecendo.
"Pensar siginifca transpor", diz o filósofo Ernest Bloch. E explica: "Transpor de tal maneira que aquilo que está aí não seja ocultado nem omitido. Nem na sua necessidade, nem mesmo no movimento para superá-la.Nem nas causas da necessidade, nem mesmo no princípio da virada que nela está amadurecendo. O futuro contém o temido e o esperado. Numa sociedade em declínio, que não consegue achar uma saída para a decadência, o medo se antepõe a crise e se contrapõe a esperança."
quarta-feira, junho 22, 2005
Na correria dos últimos tempos, me esqueci do blog. Pela segunda vez.
É algo complicado manter um blog atualizado tendo a preguiça de marcadora implacável, com mais disposição que o Dunga na copa de 94 e com mais classe e esperteza que o Gamarra na zaga do Paraguai.
Abaixo vai o roteiro do documentário de rádio que eu fiz para a minha ultima disciplina de rádio. É sobre o Bob Dylan, pra encerrar a minha "fase" Bob Dylan, começada por esse documentário, continuada pelo livro dele Crônicas e botada pra dormir depois de uma overdose de escuta da "coletânea" que fiz com as músicas dele.Tenho fases para escutar música, ora gostando de uma banda, ora fascinado por outra, ora por outra, mas o curioso (ou não) é que essas fases sempre se repetem. Já tive umas 10 fases do Pearl Jam, que foi a primeira banda que eu Gostei mesmo, com G maiúsculo, e até hoje, talvez por ser a pioneira, é a que eu mais tenho carinho, que sempre cito quando se pergunta que banda tu gosta, ou mias curte. Coisas assim.
Rádio Universidade Documenta (Bob Dylan)
Em 1961, Enquanto o americano John Kennedy assumia como presidente nos Estados Unidos e comprava briga com Cuba e os socialistas
Enquanto o russo Yuri Gagarin fazia o primeiro vôo espacial tripulado e despertava os Estados Unidos para a corrida espacial
Enquanto o artista pop por excelência Andy Warhol criava a sua famosa obra usando as latas de sopa Campbell como tema
Enquanto os Beatles ensaiavam ser uma banda famosa com algumas pequenas excursões pela Europa
Enquanto tudo isso e mais um monte de coisas aconteciam pelo mundo, Robert Allen Zimmerman chegava em Nova York ,vindo do interior dos Estados Unidos, destinado a inventar um dos maiores artistas do século 20 - Bob Dylan.
Primeiro poeta da música pop, Dylan transitou pelos mais variados estilos musicais – folk, rock, country, blues, pop - sem nunca perder o lirismo e a qualidade de suas letras. Ora faz críticas contundentes e ácidas a sociedade e seus governantes, ora baladas doces e cruéis sobre o amor. No fim, o objeto de suas letras sempre foi o mesmo: o homem e o seu tempo.
Dylan chegou em Nova York disposto a, inicialmente, participar da cena folk existente, mesmo que o violão e voz tradicional do estilo fosse considerado uma “porcaria”, lançada por selos pequenos e ainda sem prestígio no país.
Depois de gravar um álbum predominante cover, em 1962, no ano seguinte Bob Dylan lança o primeiro disco com músicas próprias. The Freewheelin Bob Dylan já trazia algumas músicas que se tornariam clássicos atemporais da música pop contemporânea, como “Masters of War”, “ A hard rain’s A-gonna Fall” e “Blowin’in the Wind”.
Em seu livro Crônicas, Volume Um, uma espécie de auto biografia lançada este ano pela editora Planeta, Dylan diz : “o que eu tocava na época era canções folk com letras fortes e atrevidas, e você não precisa de pesquisas de opinião para saber que elas não combinavam com nada das rádios. As canções folk transcendiam a cultura imediata” .
Estabilizado em Nova York, Dylan gravou nove álbuns de 1963 à 1970, sendo que destes nove pelo menos quatro podem ser considerados como dos mais importantes da história do rock e da música pop . São eles: Bringing It All Back Home, de 1965, com músicas como Maggie’s Farm e Mr. Tambourine Man.
Também de 1965, Highway 61 Revisited, da clássica Like a Rolling Stone, uma das músicas mais famosas de Dylan, baseada em um conto seu que fala sobre uma garota que perde todo seu dinheiro e passa a viver vadiando pelas ruas, sentindo na pele o que outrora sempre desprezou.
Blonde on Blonde, de 1966, tem um clima circense , e conta com uma das mais belas baladas de Dylan: Just Like a Woman
John Wesley Harding, de 1968 , tem All along the Watchtower, música regravada e popularizada por Jimi Hendrix. A letra fala de um apocalipse iminente contado de trás para frente
Na primeira metade dos anos 70, Dylan foi muito cobrado pela críticos. Eles diziam que o músico tinha “decaído” em suas composições, que estava apenas se repetindo.
Como Dylan nunca se preocupou com as críticas, em 1973 gravou Knockin”on Heaven’s Door para o filme de faroeste Pat garret e Billy the Kid ,do diretor Sam Peckinpah. A música foi um dos maiores sucessos do músico, regravada inúmeras vezes. O brasileiro Zé Ramalho fez a sua versão para o português, com o nome de Bate na Porta do Céu
Ainda nos anos 70, Dylan gravou o álbum que é considerado por muitos críticos como o melhor de sua carreira: Blood on Tracks, de 75.
Diferente da raiva e do cunho político dos anos 60, em Blood on Tracks Dylan fala de si, da dor que sentia depois de acabar com sua esposa, Sara.
Cada letra é uma história completa, um pequeno conto sobre amor, solidão e perda. O instrumental simples destaca bem o conteúdo das letras, como se Dylan quisesse que prestássemos atenção apenas no que realmente importa na vida. A faixa nove, If you see her say hello, é uma das mais tristes do álbum.
Em Shelter from the Storm, faixa nove de Blood on Tracks, Dylan usa uma metáfora poderosa para falar da salvação através do amor:
Foi em uma outra vida
Uma de labuta e sangue
Quando trevas eram uma virtude
E a estrada estava coberta de lama
Eu cheguei do ermo
Uma criatura vazia de formação
"Pode entrar", ela disse
"Te darei abrigo da tempestade"
...De repente eu me viro
E ela está ali de pé
Com braceletes de prata nos seus pulsos
E flores em seu cabelo
Ela se chegou em mim tão graciosamente
E retirou minha coroa de espinhos
"Pode entrar", ela disse
"Te darei abrigo da tempestade"
Agora existe uma parede entre nós
Algo se perdeu
Fiquei mal acostumado demais
Fiquei com os sinais cruzados
Só de pensar que tudo começou
Em uma longa esquecida manhã
"Pode entrar", ela disse
"Te darei abrigo da tempestade."
Um ano depois, em 76, Dylan retoma seu lado político. A canção Hurricane, do álbum Desire, é um manifesto contra a prisão do boxeador Rubin Carter, acusado injustamente de assassinato. No refrão Dylan deixa bem claro sua intenção com a música.
A letra diz : aí vem a história do Furacão, o homem que as autoridades acabaram culpando por algo que ele nunca fez , colocando numa cela de prisão, mas houve um tempo em que podia ter sido o campeão mundial.
Em 1999, foi feito um filme contando a história de Robin Carter, interpretado por Denzel Washington. A música de Dylan fez parte da trilha sonora.
Como todo grande artistista, Dylan teve seus altos e baixos.O período do final dos anos 70 até o início dos 80 pode ser considerado um dos mais baixos de Dylan .
Mesmo gravando discos e fazendo shows, Bob Dylan já não tinha a mesma inspiração de antes. Retrato dessa fase é o album Saved, de 1980, que apresenta um Bob Dylan “cristão”, com letras de quase louvor a Deus. Felizmente, a fase durou pouco.
Nos anos 90, Dylan diminuiu o ritmo de sua produção, o que não afetou em nada na sua qualidade. O disco Unplugged, de 95, deu nova roupagem à alguns clássicos, apresentando o artista à nova geração.
Dois anos depois, recebeu um prêmio grammy pelo album Time out of Mind, de 97, e um oscar pela canção Things have changed. Mesmo com a saúde um pouco abalada, Dylan ainda permanecia o mesmo aritsta, agora com o acréscimo da sabedoria da maturidade.
Hoje em dia, Dylan não pensa mais em gravar albuns. Ele não tem mais a ambição de abalar as estruturas, embora rumores de que ele possa entrar em estúdio para agravar um disco novo surjam a todo momento. Mas Dylan pode ficar sossegado: a sua contribuição para a cultura e a música pop já foram dadas.
Mais do que inventar um dos grandes artistas do século XX, Robert Allen Zimermann – vulgo Bob Dylan – conseguiu uma façanha ainda maior: se reinventar.
Quando a crítica taxou-o de repetitivo, Dylan mostrou que poderia ser surpreendente e cantar as dores de um coração partido, como fez nos anos 70.
Quando acharam que a conversão ao cristianismo seria definitiva e afetaria para sempre suas músicas, Dylan lançou um album chamado “infiel” e mostrou que o louvor a Deus em suas músicas era passageiro.
Quando acharam que ele estava velho e não tinha mais nada a dizer, Dylan mostrou que sua veia de protesto, mesmo em um mundo tão diferente quanto o da sua juventude, ainda era forte.
Ao se reinventar, Dylan criou um outro problema: sua importância é tanta que ele não serve mais como parâmetro para nada. É um caso a parte.
É muito difícil que um novo artista consiga superar a trajetória de Dylan, ou mesmo exercer papel tão importante quanto o dele na música pop.
O músico e compositor Fausto Fawcett diz sobre a importância de Bob Dylan para a música pop:
“A música pop sempre haiva sido feita para os hormonautas, os adolescentes. Dylan deu um nó nisso. Ele forneceu um enlevo acima do burburinho intelecutal, o que forçou o jovem a não ser tão sonolento .”
Eduardo Bueno, no pósfacio da edição brasileira do livro de Bob Dylan, Crônicas, Volume Um, diz:
“Bob Dylan sempre foi um sujeito com um violão e um ponto de vista.Ou com uma guitarra e um ponto de vista. Ou com sua banda ( a única boa o suficiente para ser chamada apenas de The Band) e um novo e indecifrável ponto de vista. Os pontos de vista acabaram se tornando um mapa para a história da música pop depois de 1962. A trilha que ele abriu, e ao longo do qual percorreu todas as estações, manteve seus seguidores permanentemente à beira do abismo.
Bob Dylan sempre fingiu que é dor a dor que deveras sente.
(com algumas alterações, já que foi feito para rádio, né.)
É algo complicado manter um blog atualizado tendo a preguiça de marcadora implacável, com mais disposição que o Dunga na copa de 94 e com mais classe e esperteza que o Gamarra na zaga do Paraguai.
Abaixo vai o roteiro do documentário de rádio que eu fiz para a minha ultima disciplina de rádio. É sobre o Bob Dylan, pra encerrar a minha "fase" Bob Dylan, começada por esse documentário, continuada pelo livro dele Crônicas e botada pra dormir depois de uma overdose de escuta da "coletânea" que fiz com as músicas dele.Tenho fases para escutar música, ora gostando de uma banda, ora fascinado por outra, ora por outra, mas o curioso (ou não) é que essas fases sempre se repetem. Já tive umas 10 fases do Pearl Jam, que foi a primeira banda que eu Gostei mesmo, com G maiúsculo, e até hoje, talvez por ser a pioneira, é a que eu mais tenho carinho, que sempre cito quando se pergunta que banda tu gosta, ou mias curte. Coisas assim.
Rádio Universidade Documenta (Bob Dylan)
Em 1961, Enquanto o americano John Kennedy assumia como presidente nos Estados Unidos e comprava briga com Cuba e os socialistas
Enquanto o russo Yuri Gagarin fazia o primeiro vôo espacial tripulado e despertava os Estados Unidos para a corrida espacial
Enquanto o artista pop por excelência Andy Warhol criava a sua famosa obra usando as latas de sopa Campbell como tema
Enquanto os Beatles ensaiavam ser uma banda famosa com algumas pequenas excursões pela Europa
Enquanto tudo isso e mais um monte de coisas aconteciam pelo mundo, Robert Allen Zimmerman chegava em Nova York ,vindo do interior dos Estados Unidos, destinado a inventar um dos maiores artistas do século 20 - Bob Dylan.
Primeiro poeta da música pop, Dylan transitou pelos mais variados estilos musicais – folk, rock, country, blues, pop - sem nunca perder o lirismo e a qualidade de suas letras. Ora faz críticas contundentes e ácidas a sociedade e seus governantes, ora baladas doces e cruéis sobre o amor. No fim, o objeto de suas letras sempre foi o mesmo: o homem e o seu tempo.
Dylan chegou em Nova York disposto a, inicialmente, participar da cena folk existente, mesmo que o violão e voz tradicional do estilo fosse considerado uma “porcaria”, lançada por selos pequenos e ainda sem prestígio no país.
Depois de gravar um álbum predominante cover, em 1962, no ano seguinte Bob Dylan lança o primeiro disco com músicas próprias. The Freewheelin Bob Dylan já trazia algumas músicas que se tornariam clássicos atemporais da música pop contemporânea, como “Masters of War”, “ A hard rain’s A-gonna Fall” e “Blowin’in the Wind”.
Em seu livro Crônicas, Volume Um, uma espécie de auto biografia lançada este ano pela editora Planeta, Dylan diz : “o que eu tocava na época era canções folk com letras fortes e atrevidas, e você não precisa de pesquisas de opinião para saber que elas não combinavam com nada das rádios. As canções folk transcendiam a cultura imediata” .
Estabilizado em Nova York, Dylan gravou nove álbuns de 1963 à 1970, sendo que destes nove pelo menos quatro podem ser considerados como dos mais importantes da história do rock e da música pop . São eles: Bringing It All Back Home, de 1965, com músicas como Maggie’s Farm e Mr. Tambourine Man.
Também de 1965, Highway 61 Revisited, da clássica Like a Rolling Stone, uma das músicas mais famosas de Dylan, baseada em um conto seu que fala sobre uma garota que perde todo seu dinheiro e passa a viver vadiando pelas ruas, sentindo na pele o que outrora sempre desprezou.
Blonde on Blonde, de 1966, tem um clima circense , e conta com uma das mais belas baladas de Dylan: Just Like a Woman
John Wesley Harding, de 1968 , tem All along the Watchtower, música regravada e popularizada por Jimi Hendrix. A letra fala de um apocalipse iminente contado de trás para frente
Na primeira metade dos anos 70, Dylan foi muito cobrado pela críticos. Eles diziam que o músico tinha “decaído” em suas composições, que estava apenas se repetindo.
Como Dylan nunca se preocupou com as críticas, em 1973 gravou Knockin”on Heaven’s Door para o filme de faroeste Pat garret e Billy the Kid ,do diretor Sam Peckinpah. A música foi um dos maiores sucessos do músico, regravada inúmeras vezes. O brasileiro Zé Ramalho fez a sua versão para o português, com o nome de Bate na Porta do Céu
Ainda nos anos 70, Dylan gravou o álbum que é considerado por muitos críticos como o melhor de sua carreira: Blood on Tracks, de 75.
Diferente da raiva e do cunho político dos anos 60, em Blood on Tracks Dylan fala de si, da dor que sentia depois de acabar com sua esposa, Sara.
Cada letra é uma história completa, um pequeno conto sobre amor, solidão e perda. O instrumental simples destaca bem o conteúdo das letras, como se Dylan quisesse que prestássemos atenção apenas no que realmente importa na vida. A faixa nove, If you see her say hello, é uma das mais tristes do álbum.
Em Shelter from the Storm, faixa nove de Blood on Tracks, Dylan usa uma metáfora poderosa para falar da salvação através do amor:
Foi em uma outra vida
Uma de labuta e sangue
Quando trevas eram uma virtude
E a estrada estava coberta de lama
Eu cheguei do ermo
Uma criatura vazia de formação
"Pode entrar", ela disse
"Te darei abrigo da tempestade"
...De repente eu me viro
E ela está ali de pé
Com braceletes de prata nos seus pulsos
E flores em seu cabelo
Ela se chegou em mim tão graciosamente
E retirou minha coroa de espinhos
"Pode entrar", ela disse
"Te darei abrigo da tempestade"
Agora existe uma parede entre nós
Algo se perdeu
Fiquei mal acostumado demais
Fiquei com os sinais cruzados
Só de pensar que tudo começou
Em uma longa esquecida manhã
"Pode entrar", ela disse
"Te darei abrigo da tempestade."
Um ano depois, em 76, Dylan retoma seu lado político. A canção Hurricane, do álbum Desire, é um manifesto contra a prisão do boxeador Rubin Carter, acusado injustamente de assassinato. No refrão Dylan deixa bem claro sua intenção com a música.
A letra diz : aí vem a história do Furacão, o homem que as autoridades acabaram culpando por algo que ele nunca fez , colocando numa cela de prisão, mas houve um tempo em que podia ter sido o campeão mundial.
Em 1999, foi feito um filme contando a história de Robin Carter, interpretado por Denzel Washington. A música de Dylan fez parte da trilha sonora.
Como todo grande artistista, Dylan teve seus altos e baixos.O período do final dos anos 70 até o início dos 80 pode ser considerado um dos mais baixos de Dylan .
Mesmo gravando discos e fazendo shows, Bob Dylan já não tinha a mesma inspiração de antes. Retrato dessa fase é o album Saved, de 1980, que apresenta um Bob Dylan “cristão”, com letras de quase louvor a Deus. Felizmente, a fase durou pouco.
Nos anos 90, Dylan diminuiu o ritmo de sua produção, o que não afetou em nada na sua qualidade. O disco Unplugged, de 95, deu nova roupagem à alguns clássicos, apresentando o artista à nova geração.
Dois anos depois, recebeu um prêmio grammy pelo album Time out of Mind, de 97, e um oscar pela canção Things have changed. Mesmo com a saúde um pouco abalada, Dylan ainda permanecia o mesmo aritsta, agora com o acréscimo da sabedoria da maturidade.
Hoje em dia, Dylan não pensa mais em gravar albuns. Ele não tem mais a ambição de abalar as estruturas, embora rumores de que ele possa entrar em estúdio para agravar um disco novo surjam a todo momento. Mas Dylan pode ficar sossegado: a sua contribuição para a cultura e a música pop já foram dadas.
Mais do que inventar um dos grandes artistas do século XX, Robert Allen Zimermann – vulgo Bob Dylan – conseguiu uma façanha ainda maior: se reinventar.
Quando a crítica taxou-o de repetitivo, Dylan mostrou que poderia ser surpreendente e cantar as dores de um coração partido, como fez nos anos 70.
Quando acharam que a conversão ao cristianismo seria definitiva e afetaria para sempre suas músicas, Dylan lançou um album chamado “infiel” e mostrou que o louvor a Deus em suas músicas era passageiro.
Quando acharam que ele estava velho e não tinha mais nada a dizer, Dylan mostrou que sua veia de protesto, mesmo em um mundo tão diferente quanto o da sua juventude, ainda era forte.
Ao se reinventar, Dylan criou um outro problema: sua importância é tanta que ele não serve mais como parâmetro para nada. É um caso a parte.
É muito difícil que um novo artista consiga superar a trajetória de Dylan, ou mesmo exercer papel tão importante quanto o dele na música pop.
O músico e compositor Fausto Fawcett diz sobre a importância de Bob Dylan para a música pop:
“A música pop sempre haiva sido feita para os hormonautas, os adolescentes. Dylan deu um nó nisso. Ele forneceu um enlevo acima do burburinho intelecutal, o que forçou o jovem a não ser tão sonolento .”
Eduardo Bueno, no pósfacio da edição brasileira do livro de Bob Dylan, Crônicas, Volume Um, diz:
“Bob Dylan sempre foi um sujeito com um violão e um ponto de vista.Ou com uma guitarra e um ponto de vista. Ou com sua banda ( a única boa o suficiente para ser chamada apenas de The Band) e um novo e indecifrável ponto de vista. Os pontos de vista acabaram se tornando um mapa para a história da música pop depois de 1962. A trilha que ele abriu, e ao longo do qual percorreu todas as estações, manteve seus seguidores permanentemente à beira do abismo.
Bob Dylan sempre fingiu que é dor a dor que deveras sente.
(com algumas alterações, já que foi feito para rádio, né.)
segunda-feira, junho 13, 2005
Umnh.
Nunca fui de acreditar em horóscopos, mas de vez em quando me rendo a alguns de seus conselhos.
Sim, porque os horóscopos - aqueles clássicos de jornais - só dão sugestões, conselhos . É meio que um ciclo: são tantas pessoas, caminhos diferentes, que , em algum momento, as pessoas vão se identificar com aquilo que tá escrito. É como um "super amigo", uma pessoa que tenha milhões de amigos espalhados pelo mundo e goste de dar conselhos para todos. Se somos um amigo dessa pessoa, em algum momento um de seus conselhos vai servir pra nós.
Tá, outro dia termino isso.
Escutando: bob dylan - blood on tracks
Nunca fui de acreditar em horóscopos, mas de vez em quando me rendo a alguns de seus conselhos.
Sim, porque os horóscopos - aqueles clássicos de jornais - só dão sugestões, conselhos . É meio que um ciclo: são tantas pessoas, caminhos diferentes, que , em algum momento, as pessoas vão se identificar com aquilo que tá escrito. É como um "super amigo", uma pessoa que tenha milhões de amigos espalhados pelo mundo e goste de dar conselhos para todos. Se somos um amigo dessa pessoa, em algum momento um de seus conselhos vai servir pra nós.
Tá, outro dia termino isso.
Escutando: bob dylan - blood on tracks
quinta-feira, junho 09, 2005
Nunca tinha me dado conta antes, isso é lamentável. Mas o jornalista é um eterno frustrado, o nº1 do país dos frustrados, o rei da frustradaria.
Veja só:
1)Jornalista deve ser jornalista 24 horas por dia. Nunca desligar, sempre estar "a par" das coisas realmente relevantes que acontecem no nosso país.
Tá.
2)Devendo estar "a par" de tudo o que acontece no país e no mundo, é humanamente impossível saber tudo de tudo que se quer ou se deve estar "a par".
Ok.
3)Como não se têm condições de saber tudo de tudo que se deveria estar "a par", os jornalistas acabam sabendo "um pouquinho" de cada coisa, para - se ao menos não estarem - fingir que estão " a par".
Aham.
4)Sabendo um pouquinho de cada coisa que o jornalista deveria estar "a par", ele só pode puxar uma conversa, por exemplo, e nunca ir até o final, já que ele não tem argumentos suficientes, pois ele sabe apenas "um pouqinho" para estar "a par".
Conclusão: O jornalista é um frustrado, pois o ofício lhe exige que esteja "a par" de tudo , sem nunca saber "a fundo" nada. O jornalista vive na superfície do conhecimento. Sabe um pouqinho de tudo, muito de nada.
A esperança de fugir da frustração está na infância do jornalista. Crescer com uma paixão por alguma coisa como música, literatura, cinema, esporte ou política o faz ter algumas chances de fugir da superfície em pelo menos algum assunto. Mas, mesmo assim, a paixão criada na infância de nada vale se não for alimentada durante a adolescência, principalmente, e em toda a vida.
Mas como o jornalista deve estar sempre "a par" de tudo, ele acaba não tendo tempo de poder alimentar decentemente sua paixão de infância. Resultado: frustração.
É. Por qualquer caminho que se siga, a frustração vai ir atrás, correndo lado a lado, por muitas vezes tomando a frente, e por algumas muito poucas vezes ela ficará para trás. Resta os jornalistas colocarem um foguete nas costas da frustração, mas de modo que ela vá para trás.
Mas como?
Como?
Veja só:
1)Jornalista deve ser jornalista 24 horas por dia. Nunca desligar, sempre estar "a par" das coisas realmente relevantes que acontecem no nosso país.
Tá.
2)Devendo estar "a par" de tudo o que acontece no país e no mundo, é humanamente impossível saber tudo de tudo que se quer ou se deve estar "a par".
Ok.
3)Como não se têm condições de saber tudo de tudo que se deveria estar "a par", os jornalistas acabam sabendo "um pouquinho" de cada coisa, para - se ao menos não estarem - fingir que estão " a par".
Aham.
4)Sabendo um pouquinho de cada coisa que o jornalista deveria estar "a par", ele só pode puxar uma conversa, por exemplo, e nunca ir até o final, já que ele não tem argumentos suficientes, pois ele sabe apenas "um pouqinho" para estar "a par".
Conclusão: O jornalista é um frustrado, pois o ofício lhe exige que esteja "a par" de tudo , sem nunca saber "a fundo" nada. O jornalista vive na superfície do conhecimento. Sabe um pouqinho de tudo, muito de nada.
A esperança de fugir da frustração está na infância do jornalista. Crescer com uma paixão por alguma coisa como música, literatura, cinema, esporte ou política o faz ter algumas chances de fugir da superfície em pelo menos algum assunto. Mas, mesmo assim, a paixão criada na infância de nada vale se não for alimentada durante a adolescência, principalmente, e em toda a vida.
Mas como o jornalista deve estar sempre "a par" de tudo, ele acaba não tendo tempo de poder alimentar decentemente sua paixão de infância. Resultado: frustração.
É. Por qualquer caminho que se siga, a frustração vai ir atrás, correndo lado a lado, por muitas vezes tomando a frente, e por algumas muito poucas vezes ela ficará para trás. Resta os jornalistas colocarem um foguete nas costas da frustração, mas de modo que ela vá para trás.
Mas como?
Como?
segunda-feira, junho 06, 2005
Nada.
Depois de um dia extremamente cansativo, uma noite de (bom) sono - coisa rara em muito tempo - , de um jogo interessante sem qualquer tipo de sofrimento, de um churrasco como há muito não via - com direito a sobremesa caprichada e salada excelente(milagre!) -, de uma volta no centro cheio de pessoas tomando mate e "se caçando", de um filme/animação filosófico maluco e "profundo" como um livro do Sartre ou do Kant, de um começo de roteiro de documentário de rádio sobre o Bob Dylan extremamente legal e recompensador ,de calor quase "veranil" em pleno junho, de uma expectativa de começo de semana não tão atribulada quanto às anteriores, de uma pequena vontade - não inspiração - extraordinária de escrever alguma coisa de ficção, enfim, depois de tudo isso, eu vou dormir.
sexta-feira, junho 03, 2005
Internet é um negócio estranho. MSNs e assemelhados trazem uma relação de proximidade, intimidade - amizade até - em pouquíssimo tempo. Muito mais que telefone, muito mais rápido que pessoalmente, porque no cara a cara tem todo aquele jogo do olhar - o mais importante - , dos gestos, da entonação da voz, do lugar de onde se está falando que atrasa bastante a intimidade. O problema em todos os casos de aproximação é o medo das consequências, que pessoalmente é muito mais forte.É muito mais difícil se fingir algo na frente da outra pessoa, o desprezo da outra parte vai ser evidente, claríssimo.
Nos MSNs da vida a gente tem um contato tão íntimo com certas pessoas, é engraçado de se observar. A aproximação é mais fácil; basta perguntar por algum gosto em comum que o papo já flui. E tem aquela coisa da despedida também, que tu sempre manda "beijos". Ora, é fácil escrever "beijos", difícil é dar um beijo de despedida em alguém, mais ainda é desejar pessoalmente um "boa noite" ou um "dorme com os anjos", "sonha comigo" . A falta de um olhar, mais do que gestos e a voz, faz a aproximação ser mais fácil. Mas será que sendo cego é mais fácil de se aproximar das pessoas?
Sei lá. Pode ser besteira.Complicado...
..................................................
Engraçado: a cada dia de faculdade me sinto mais incompetente com o que eu faço, mas, ao mesmo tempo, mais feliz comigo mesmo. Parece que nasci para ser incompetente,para incetivar os outros a fazerem algo que eu quero mas por preguiça não faço,passo para outro, como se o outro fazendo eu me realizasse, não por completo, claro, mas por parte. E , por ser incompetente, parece que me contento em me realizar por parte.
Por mais que para outra pessoa isso possa parecer um excesso de pessimismo da minha parte, eu me sinto bem dizendo isso, nada triste. É engraçado...
Escutando: Iggy Pop - The passenger
"I am the passenger
And I ride and I ride
I ride through the city’s backside
I see the stars come out of the sky
Yeah, they’re bright in a hollow sky
You know it looks so good tonight"
Nos MSNs da vida a gente tem um contato tão íntimo com certas pessoas, é engraçado de se observar. A aproximação é mais fácil; basta perguntar por algum gosto em comum que o papo já flui. E tem aquela coisa da despedida também, que tu sempre manda "beijos". Ora, é fácil escrever "beijos", difícil é dar um beijo de despedida em alguém, mais ainda é desejar pessoalmente um "boa noite" ou um "dorme com os anjos", "sonha comigo" . A falta de um olhar, mais do que gestos e a voz, faz a aproximação ser mais fácil. Mas será que sendo cego é mais fácil de se aproximar das pessoas?
Sei lá. Pode ser besteira.Complicado...
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Engraçado: a cada dia de faculdade me sinto mais incompetente com o que eu faço, mas, ao mesmo tempo, mais feliz comigo mesmo. Parece que nasci para ser incompetente,para incetivar os outros a fazerem algo que eu quero mas por preguiça não faço,passo para outro, como se o outro fazendo eu me realizasse, não por completo, claro, mas por parte. E , por ser incompetente, parece que me contento em me realizar por parte.
Por mais que para outra pessoa isso possa parecer um excesso de pessimismo da minha parte, eu me sinto bem dizendo isso, nada triste. É engraçado...
Escutando: Iggy Pop - The passenger
"I am the passenger
And I ride and I ride
I ride through the city’s backside
I see the stars come out of the sky
Yeah, they’re bright in a hollow sky
You know it looks so good tonight"
Pois é. Radicalmente diferente de humor hoje.
......................................
Da mesma forma, radicalmente sem inspiração pra escrever. Talvez estando angustiado e meio "down" seja mais fácil escrever, realmente. Ou de tanto pensar que seja mais fácil acaba se fazendo uma auto-indução.Ou sei lá também....
.............................................................
Bob Dylan - The times they are A-changin'
Come gather 'round people
Wherever you roam
And admit that the waters
Around you have grown
And accept it that soon
You'll be drenched to the bone.
If your time to you
Is worth savin'
Then you better start swimmin'
Or you'll sink like a stone
For the times they are a-changin'
Lendo: Bob Dylan, Crônicas Volume Um.
......................................
Da mesma forma, radicalmente sem inspiração pra escrever. Talvez estando angustiado e meio "down" seja mais fácil escrever, realmente. Ou de tanto pensar que seja mais fácil acaba se fazendo uma auto-indução.Ou sei lá também....
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Bob Dylan - The times they are A-changin'
Come gather 'round people
Wherever you roam
And admit that the waters
Around you have grown
And accept it that soon
You'll be drenched to the bone.
If your time to you
Is worth savin'
Then you better start swimmin'
Or you'll sink like a stone
For the times they are a-changin'
Lendo: Bob Dylan, Crônicas Volume Um.
domingo, maio 29, 2005
"Here ya are, at the top of the tower...
Há uma vontade tremenda de jogar tudo pro alto. Largar todas as obrigações, acordar e dormir consciente de que nada espera amanhã nem te atormenta hoje.
Ah se fosse fácil... Ah!
Mais uma vez, dominado pelo medo. Arrepender-se de coisas que não se fez, ficar lamentando a noite inteira de não ter feito e imaginando como seria se não existisse o medo - pelo menos não naquele momento. Mas não há como voltar atrás, e não deveria haver como pensar em certas coisas que se deixou de fazer.
Ah se fosse fácil... Ah!
No fundo se sabe que é apenas temporário a dor de ter sido, mais uma vez, dominado pelo medo.Mas nem sabendo disso se consegue atenuar o sofrimento. Os constantes "flashes" do que poderia ter acontecido ou de um detalhe não percebido na hora e que não se sabe porque parece fazer uma diferença enorme agora.A sensação de derrota sempre presente e expandida para quase todas as áreas, quase todas as coisas...
Ah se fosse fácil... Ah!
Não teria graça. Nenhuma.
Escutando: Mark Lanegan - House a home
"
Could a body take that much
Alone through every waking hour
Asleep without nobody to touch
Whoa,whoa,whoa,and
Only silence here
Whoa,whoa,whoa,and
Lonely silence here
And I'm not the one
Make your house a home
Makes no sense to stay
Through one more lonely last day
Oh no babe, it's not right
"
Ah se fosse fácil... Ah!
Mais uma vez, dominado pelo medo. Arrepender-se de coisas que não se fez, ficar lamentando a noite inteira de não ter feito e imaginando como seria se não existisse o medo - pelo menos não naquele momento. Mas não há como voltar atrás, e não deveria haver como pensar em certas coisas que se deixou de fazer.
Ah se fosse fácil... Ah!
No fundo se sabe que é apenas temporário a dor de ter sido, mais uma vez, dominado pelo medo.Mas nem sabendo disso se consegue atenuar o sofrimento. Os constantes "flashes" do que poderia ter acontecido ou de um detalhe não percebido na hora e que não se sabe porque parece fazer uma diferença enorme agora.A sensação de derrota sempre presente e expandida para quase todas as áreas, quase todas as coisas...
Ah se fosse fácil... Ah!
Não teria graça. Nenhuma.
Escutando: Mark Lanegan - House a home
"
Could a body take that much
Alone through every waking hour
Asleep without nobody to touch
Whoa,whoa,whoa,and
Only silence here
Whoa,whoa,whoa,and
Lonely silence here
And I'm not the one
Make your house a home
Makes no sense to stay
Through one more lonely last day
Oh no babe, it's not right
"
sexta-feira, maio 27, 2005
Parentes visitando, muito frio, coisas para fazer no feriado (ligações que eu tanto não gosto), tomar mate no calçadão...
Não há muito o que pensar, refletir agora...
Escutando: Oasis - don't believe the truth (album)
Muito bom esse o cd novo do Oasis. Depois dos 2 últimos trabalhos serem bem ruinzinhos - uma tentativa de mal sucedida de repetir a sonoridade dos dois primeiros cds com algumas poucas( e ruins) inovações - esse Don't believe the truth finalmente eles acertaram a mão, inovaram sem errar. A sonoridade é a mais diferente de todos os albuns do Oasis: Lyla lembra The Who (pelo ritmo da bateria), The meaning of Soul lembra... um pouco do tal "novo rock" de coisas como the vines, raveonettes... Uma levada no violão bem interessante; Love like a bomb uma baladinha acústica diferente das baladas tradicionais do Oasis, com uns toques de teclado, lembra Beatles da fase Revolver; Mucky Fingers, cantado por Noel, lembra Velvet Underground, algo que o Oasis nunca nem chegou perto de parecer, e tem um pouco de punk de The Who, Beatles com uma gaitinha de boca(?). Eles souberam dosar as referências atuais, do rock contemporâneo, com as antigas, a musica dos anos 60,beatles, etc já tradicionais em se tratando de Oasis. Baita album.
Não há muito o que pensar, refletir agora...
Escutando: Oasis - don't believe the truth (album)
Muito bom esse o cd novo do Oasis. Depois dos 2 últimos trabalhos serem bem ruinzinhos - uma tentativa de mal sucedida de repetir a sonoridade dos dois primeiros cds com algumas poucas( e ruins) inovações - esse Don't believe the truth finalmente eles acertaram a mão, inovaram sem errar. A sonoridade é a mais diferente de todos os albuns do Oasis: Lyla lembra The Who (pelo ritmo da bateria), The meaning of Soul lembra... um pouco do tal "novo rock" de coisas como the vines, raveonettes... Uma levada no violão bem interessante; Love like a bomb uma baladinha acústica diferente das baladas tradicionais do Oasis, com uns toques de teclado, lembra Beatles da fase Revolver; Mucky Fingers, cantado por Noel, lembra Velvet Underground, algo que o Oasis nunca nem chegou perto de parecer, e tem um pouco de punk de The Who, Beatles com uma gaitinha de boca(?). Eles souberam dosar as referências atuais, do rock contemporâneo, com as antigas, a musica dos anos 60,beatles, etc já tradicionais em se tratando de Oasis. Baita album.
terça-feira, maio 24, 2005
Fantasmas
Têm algumas coisas que insistem em não desaparecer, ou então aparecer nas horas mais impróprias, quando algo já parece um passado tão antigo que nem mais é lembrado.
Surgindo das profundezas mais escondidas, esfumaçadas, escuras, de um lugar onde nem parece mais existir de tanto que é profundo e distante, a lembrança mesmo assim consegue surgir - e surgir na tua frente - trazendo toda uma carga que se queria que fosse esquecida, mas que se sabe que não é nada fácil, pelo contrário, é uma das coisas mais difíceis de se acontecer. E o que é desesperador, angustiante,sufocante, é ter de passar por isso e saber que é um processo inevitável, a primeira fase de um longo processo que acontece e que não há maneiras de evitar, só de encurtá-lo.Para isso que essas lembranças deveriam ser escondidas em lugares onde não pudessem ser mais desenterradas. Depois de se ter julgado o motivo delas terem de ir para lá, inevitavelmente e sem volta,é que se esconde ao máximo, se enterra o mais profundo possível. Se é pra ser inevitável, que seja , mas que doa o menos possível.
Mas é grande a possibilidade de o fantasma voltar, mesmo assim.
Escutando: Sonic Youth - 100%, dirty boots, kill your idols, drunken butterfly.
Surgindo das profundezas mais escondidas, esfumaçadas, escuras, de um lugar onde nem parece mais existir de tanto que é profundo e distante, a lembrança mesmo assim consegue surgir - e surgir na tua frente - trazendo toda uma carga que se queria que fosse esquecida, mas que se sabe que não é nada fácil, pelo contrário, é uma das coisas mais difíceis de se acontecer. E o que é desesperador, angustiante,sufocante, é ter de passar por isso e saber que é um processo inevitável, a primeira fase de um longo processo que acontece e que não há maneiras de evitar, só de encurtá-lo.Para isso que essas lembranças deveriam ser escondidas em lugares onde não pudessem ser mais desenterradas. Depois de se ter julgado o motivo delas terem de ir para lá, inevitavelmente e sem volta,é que se esconde ao máximo, se enterra o mais profundo possível. Se é pra ser inevitável, que seja , mas que doa o menos possível.
Mas é grande a possibilidade de o fantasma voltar, mesmo assim.
Escutando: Sonic Youth - 100%, dirty boots, kill your idols, drunken butterfly.
segunda-feira, maio 23, 2005
"Finally we meet"
Terminei.
Alívio. Satisfação. Cabeça cansada mas ativa, feliz, parece que pronta para outra. Só que é preciso alguns breves momentos de paz e tranqulidade, não pensar em nada, para que ela descanse o suficiente para estar preparada para o que vier.
Verdadeiramente.
Muitas decisões e trabalhos pensantes depois de um dia e (quase) meio de estar focado apenas em uma coisa. Aguardar
" Não tem a impressão, Cláudia, de que ao empreendermos uma atividade qualquer é como se renuciássemos a uma parte do que somos para nos integrar numa máquina, quase sempre desconhecida, uma centopéia na qual seremos apenas anel e um par de peidos, no sentido locomotor do termo? "
Julio Cortázar - Os prêmios
Alívio. Satisfação. Cabeça cansada mas ativa, feliz, parece que pronta para outra. Só que é preciso alguns breves momentos de paz e tranqulidade, não pensar em nada, para que ela descanse o suficiente para estar preparada para o que vier.
Verdadeiramente.
Muitas decisões e trabalhos pensantes depois de um dia e (quase) meio de estar focado apenas em uma coisa. Aguardar
" Não tem a impressão, Cláudia, de que ao empreendermos uma atividade qualquer é como se renuciássemos a uma parte do que somos para nos integrar numa máquina, quase sempre desconhecida, uma centopéia na qual seremos apenas anel e um par de peidos, no sentido locomotor do termo? "
Julio Cortázar - Os prêmios
domingo, maio 22, 2005
hmnnn...
Só para não ficar vazio.
Muitos trabalhos, "Showrnalismo", crítica a televisão, a indústria cultural é uma merda embecilizante, nós somos todos esquecidos por demás e a televisão é a nossa memória, a novela é uma droga mas o brasileiro gosta, o dia está lindo mas eu não posso sair de casa por causa da bendita Televisão e a sua programação embecilizante.
Muito trabalho, muito trabalho, muita leitura, muita leitura, muita digitação no teclado, muita chatice, muito cansaço mental, muita besteira, Muito legal.
Lendo: O grande "Showrnalismo - A notícia como espetáculo" do José Arbex Jr.
Muitos trabalhos, "Showrnalismo", crítica a televisão, a indústria cultural é uma merda embecilizante, nós somos todos esquecidos por demás e a televisão é a nossa memória, a novela é uma droga mas o brasileiro gosta, o dia está lindo mas eu não posso sair de casa por causa da bendita Televisão e a sua programação embecilizante.
Muito trabalho, muito trabalho, muita leitura, muita leitura, muita digitação no teclado, muita chatice, muito cansaço mental, muita besteira, Muito legal.
Lendo: O grande "Showrnalismo - A notícia como espetáculo" do José Arbex Jr.
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