sábado, novembro 05, 2005

devaneios (2)

1.
O peso e o ônus de fazer parte de um grupo restrito, de não conseguir compreender muitas das relações dos outros que se nomeiam como amizade é , por muitas vezes, excessivo. Sim, não é fácil ficar ao lado de pessoas que tem relações de consequências, amizades, até relacionamentos completamente diferentes da sua. Se ouso criticar, posso ser taxado de louco, e talvez até tenham razão, mas , enfim, é isso que escolhei pra mim. Talvez pensem que os criticando estou tentanto fazer com que essas pessoas fiquem mais próximos do meu jeito de encarar certas relações, o que não é de todo mentira; mas , se faço isso, é com a intenção de que as pessoas aproveitem aquilo assim como eu estou aproveitando, de forma alguma querendo me orgulhar de estar nessa nomeada "loucura".
Sempre faço isso de boas atenções, mas acho que , por mais difícil que seja não compartilhar momentos bons, "catequizar" os outros para adentrar nesse mundo "louco" não é a melhor opção. Por isso, o melhor é guardar as próprias loucuras.


2.
Hoje em dia, o sofrimento é pop. Fácil se percebe. Porém, e ainda bem, o verdadeiro sofrimento, aquele que serve como rito de passagem para uma situação extraordinária, esse ainda não foi mapeado e popularizado, assim como eu acho que nunca vai ser, por ser demasiado polêmico e até inatingível à todos. Uma antídoto para o sofrimento pop seria fazer com que se perceba quão ridículo é exaltar o sofrimento, ou ,numa solução mais radical, é fazer com que seja provado o verdadeiro sofrimento, pois assim nunca mais ninguém o irá exaltar, exibir a bom grado, adorar até. Porque sofrer, por indispensável que seja, não é bom.

3.
Esse blog funciona tal como um "medidor de atmosfera pessoal". É uma forma de execrar os sentimentos, os pensamentos daquele dia/época. E aqui se denuncia o humor, pois há os dias tipo manhãs de sol e os pós-tragos noturnos, assim como os tristes em essência por algo maior que essa vidinha tranquila levada e os completamentes loucos de amor por essa mesma vidinha tranquila e surpreendente.

sexta-feira, novembro 04, 2005

Wolfianas (1)

Fausto Wolff é um jornalista-escritor gaúcho, descendente de alemães do vale do Sinos e personagem do país mítico chamado "Ipanema", no RIo de Janeiro, como diz Luis Fernando Veríssimo. Desde cedo convivendo com as agruras do país, sabe como poucos meter o dedo na ferida; sabe até as receitas para curar a ferida, mas como isso não depende só dele...

Eu disse uma vez que ele é uma mistura improvável de Bukowski com Jorge Luis Borges, com pitadas marxistas.




Vou colocar alguns trechos de um livro que eu recém comecei a ler, mas que de cara vi que é magistral: A imprensa livre de Fausto Wolff. è uma coletâneas de artigos sobre o país, o caos atual em que nos encontramos. É de 2004, portanto bem recente. Alguns trechos do livro:

"Nossa imprensa - os poucos jornais que sobraram e que viraram empregado dos canais de televisão - tornou-se clean, distante, superior, limitando a narrar os fatos sem se atentar para os fenômenos que ocasionam os fatos".

"As transnacionais, os bancos, as grandes redes de TV que nos convencem a consumir mais e mais todo tipo de porcarias não podem viver sem escravos. E os escravos somos nós e somos escravos porque - na medida em que queremos ter e abdicamos da nossa condição de indivíduos - não percebemos que eles não podem viver sem nós. Pensem bem: o domador sem tigre não passa de um palhaço com um chicote na mão."

" A liberdade é uma carcereira terrível"

Algumas coisas podem até parecer radical demais, mas não; basta ler Fausto Wolff que ele nos explica direitinho que, se há alguma verdade perdida, ele chega o mais próximo possível dela.

quinta-feira, novembro 03, 2005

devaneios (1)

Conquanto que seja possível, a fase de experimentação da vida tem de ser "a linha de sombra" dita por Josehp Conrad ; a fase de transição da juventude para a vida "adulta", cheia de responsabilidades onde a fuga delas já não pode mais ser vista de uma boa maneira.

Há ainda uma sustentação que nos permite a experimentação, da mesma forma que são os que nos sustentam que não nos deixam extrapolar essa experimentação, pois, afinal, o investimento tem de ter um fruto, e fazer com que o fruto se perca num mar de outros mais terríveis pode fazer com que ele apodreça, e aí não há nada que o mantenha na linha correta que os que nos sustentam querem que nós sigamos. É o ônus disso tudo; podemos experimentar, mas pagamos o preço de não fugir demais.

Enfim, viva a experimentação dirigida e saudável
( se é que conseguimos distinguí-las como tal...)

Devaneios, loucuras, tudo muito difícil de dar em alguma coisa ou não. Mas é assim.

segunda-feira, outubro 31, 2005

Filosofia bagaceira




Team America é um filme feito todo em bonecos tipo os antigos Thunderbirds, com os fiozinhos que os movem e tudo. Criado pelos mesmo pessoal responsável pelo desenho South Park, o fulme é uma sátira cruel aos americanos e a sua "missão" de policiar e garantir o bem-estar do mundo. A Team America do título é uma polícia especial encarregada de cuidar de ações terroristas em todo o planeta, e para cumprir sua missão, não hesita em destruir tudo que vê pela frente - inclusive monumentos históricos e Museus, como no início do filme quando destroem o Museu do Louvre em Paris para matar um terrorista árabe que entrou lá para se esconder dos americanos.


Para se disfarçar de árabe e descobrir o que estes estão tramandos, eles contatam o considerado "melhor ator do mundo", Gary Johnston. A partir daí o filme se desenrola, com reviravoltas típicas dos filmes de ação (mas, neste caso, tudo é sátira), e numa das cenas mais hilárias, o ator Gary, frustrado por não conseguir interpretar em situações de risco como a que o Team America o encarrega, toma um porre num bar, e um velho que está ali observando puxa conversa no mínimo estranha com Gary:

" Há três tipos de pessoas no mundo: os dicks (paus), as pussy (bucetas) e os asshole (cús). As pussy enrolam os dicks, que só querem fodê-las sem pensar direito. E há os asshole, quer só querem cagar pra cima de tudo.
As pussy podem ficar brabas com os dicks, porque são fodidas por eles. Mas o problema é que os dicks muitas vezes fodem demais, ou fodem quando não devem, e é preciso que as pussy mostrem isso à eles; só que , às vezes, as pussy são influenciadas demais, e ficam tão cheias de merda que elas próprias se tornam assholes - pela proximidade de alguns centímetros, isso é bem fácil de acontecer. Mas os dicks também fodem os asshole, e se não fudessem, sabe o que aconteceria? os dicks e as pussy ficariam cobertos de merda!

Por isso, cabe aos dicks salvar o mundo dos assholes!

domingo, outubro 30, 2005

Uma simples história de amor

Um argumento para curta metragem, que fiz há um ano atrás. Historinha simples, romântica, ingênua.


Uma simples História de Amor

Jovem vem do interior para fazer vestibular e fica na casa dos seus tios, num quarto só para ele.
Chega num domingo à tarde. Segunda pela manhã, acorda cedo e vai fazer o vestibular.Vai a pé, senta na sala, aguarda.
A uns 3 minutos de esgotar o prazo, surge uma garota, de cabelos vermelhos, atrasada e senta atrás dele. Ele a acompanha com os olhos. Vendo o olhar do garoto, ela, mesmo um pouco ofegante, diz oi para ele e puxa uma conversa. Ele responde, um pouco sem jeito. Mas começa o vestibular, e aconversa morre .
Duas horas depois, ela se levanta para entregar a prova,e o garoto levanta-se segundos depois.
Os dois saem junto da sala. Conversam sobre a prova e outras coisas enquanto vão junto para a casa.
Ao chegar na hora de se despedir,ela dá um beijo no rosto dele e diz seu telefone. Ele chega em casa,vai direto para cama.

No outro dia, mesma rotina: acorda cedo e vai fazer o vestibular. Desta vez a garota já está na sala quando ele chega. Conversam um pouco antes do início da prova;rola um “leve” clima, ela pega na mão dele e o deseja boa sorte. Ele retribui. Fazem a prova, e desta vez ele acaba antes. O garoto espera um pouco e vão junto novamente para casa, pelo mesmo caminho. Na hora de se despedir, ela o convida para dar uma volta de tarde. Um abraço de despedida,almoço, e pelo fim da tarde os dois saem juntos, caminhando pela cidade movimentada.
Começa a chover, e eles vão correndo para casa.
Na hora da despedida, finalmente se beijam pra valer. No outro dia, no colégio, se encontram na mesma sala, um sentando atrás do outro.
Ela está bem diferente no seu comportamento, preocupada com alguma coisa.
Faz a prova rápido, sai quase correndo, mas deixa um bilhete pra ele, discretamente. Ele abre. O bilhete diz que ela não vai fazer a redação, que vai pegar o ônibus pra casa as 11:30. Ele dá um jeito de acabar a prova rápido. Sai quase correndo tentando achar ela. Vai correndo até a rodoviária; chega em tempo de ver o ônibus saindo,e vê ela dando um tchau pela janela. Ele fica desolado. Vai para a casa e chora; acaba dormindo. No outro dia, lê um jornal a caminho da rodoviária: ônibus bate em carreta e mais de dez passageiros morrem.

O garoto só abaixa a cabeça, chora muito e grita.
Outro ano. Ele faz o vestibular de novo.
No mesmo colégio e, na mesma classe, encontra uma garota atrás de si, muito parecida com a outra que morreu. Ela se apresenta, ele
a olha com aquele mesmo olhar de antes.Acabam a prova juntos; e vão embora.

quinta-feira, outubro 27, 2005

Impressões de viagem : Punta Del Este (2)

Algumas outras fotos de Punta Del Este, as últimas da viagem.
No último dia lá, pegamos umas bicicletas com o cara do Hotel e andamos por todos os arredores da cidade. Há uns 8 quilômteros do hotel, o pneu da bicicleta do André furou, e pra conseguir uma borracharia ali... sorte nossa que um brasileiro e dois uruguaios estavam , de bicicleta, indo para Punta em busca de trabalho. Como andavam , de bicicleta, desde montevideo, traziam consigo os materiais necessários para remendos de pneu, e por um precinho camarada e umas bolachas arrumaram pra nós. O brasileiro, que era de Livramento, uma figura interessantíssima: algo como um brasiguaio, falava portugûes com nós e espanhol com os outros companheiros, em cada língua com sotaque da outra. Ele veio de bicicleta de Livramento a Montevideo em 3 dias e meio, quase 500 Km, um recorde. Veio pra procurar trabalho, trazendo só uma mochila e alguns poucos pertences.
Depois do pneu, andamos bastante ainda, a minha bicicleta deu problema também, desta vez no câmbio, mas seguimos igual. Fizemos uns 30 Km acho, com algumas subidas cansativas incluso. Chegamos no hotel podre de cansados, logicamente.




Na Casapuebla, um casarão bem estranho de um artista plástico que hoje virou museu. Fica a alguns quilômetros do Centro, numa região com belas praias.









Na Praia em um dos lados da península onde fica Punta; é uma escultura de uma mão enterrada.








No porto, nós e as bici.







Na exata ponta onde o Rio da Prata encontra o Oceano.
À esquerda, o atlântico; à direita, o Rio, que se desde Montevideo já tem cara de mar, aqui então nem lembra mais um rio.

terça-feira, outubro 25, 2005

Lembranças de sonhos

De uns meses pra cá eu tenho sonhado compulsivamente. No sono pesado tradicional à noite já era comum, mas agora os sonhos vêm em qualquer dormida que seja, até aquelas cestas de 30 minutos depois do almoço. Na verdade, desconfio que sempre sonhei bastante, mas a diferença desta vez é que me lembro de quase todos os sonhos, embora muitas vezes o que lembro não consegue formar um relato coeso e com nexo. Mas sonho não tem muito nexo mesmo... o que comprovei através das lembranças dos meus sonhos é que eles são diremante ligados ao "assunto" que predominou na minha cabeça durante o dia. É difícil de se medir exatamente o tal assunto, mas acredito que todo mundo tenha uma boa noção para si de qual é esse assunto.

O nível de preocupação sobre esse "assunto" no dia também tem ligação com o sonho; nos dias mais tensos, ou mais ricos em experiências novas e diferentes do comum, é mais fácil, por assim dizer, sonhar. Em outros mais tranquilos, sem muita preocupação ou mesmo monótonos, os sonhos demoram a vir - quando vêm - e talvez nesses dias eles possam dizer alguma coisa a mais sobre nós, se é que eles possam dizer alguma coisa, pois as preocupações e experiências novas de certa forma "tendenciam" o sono, e nos dias em que não há nenhum nem outro, a mente está mais "liberta" para sonhar, sem qualquer amarra com o assunto do dia. Começarei a observar mais os sonhos nestes dias. Posso estar acreditando numa grande bobagem, e essas coisas que pensei podem ser tremendas bobagens, mas eu acredito, pois eu sinto isso, e por mais que não possamos acreditar na nossa memória, pelo menos em certos pontos dá para se acreditar, e é isso que farei.

segunda-feira, outubro 24, 2005

Impressões de viagem : Punta Del Este (1)

Depois de dois dias em Montevideo, decidimos ir pra Punta Del Este, famoso balneário da América do Sul, auto-proclamado "capital turística do Mercosul". Fomos num Domingo pra lá. E como toda a praia relativamente perto de cidades maiores, domingo de tarde esvazia, as pessoas vão para suas casas, e, quando não é epoca de veraneio, tudo fica naquele clima de "cidade-fantasma".

Punta estava assim. A linda orla de muitos prédios chiques, vazia. Nas avenidas, poucos carros - mas dentre os poucos, só carrões. Procuramos um hotel pelas cercanias do centro, onde fomos deixados por um simpático uruguaio dono de restaurante em Punta, e achamos bem mais fácil que Montevideo. Mais caro a diária, mas pouco comparado a inúmeras outras coisas que em Punta são muito mais caras que em todo o uruguai. Hotelzinho simpático, o dono acostumado com brasileiros arranhava um português, a comunicação se tornou mais fácil. Conversamos bastante com ele, que disse que até um dia anterior o hotel dele estava cheio - agora estava vazio - pois tinha um torneio de Poker no Cassino Hotel Conrad, e esses torneios costumam unir muita gente de fora, brasileiros em peso.

Ah, os Casinos! Punta tem muitos, em sua maioria estatais, e o Conrad, o maior e mais famoso da América Latina. Depois de descansarmos no hotel, caminhamos até lá. O prédio é realmente de encher os olhos; mas o que nos surpreendeu foi a facilidade de se entrar lá, de andar pelos aposentos chiques tranquilamente sem ninguém incomodar. O chão, todo entapetado, era um deleite para nossos pés cansados de ficar em pé;os inúmeros sofás chiques espalhados foram ocupados por nós sem cerimônias. Sentamos bem no do enorme hall de entrada e tomamos um mate, meio receosos com a tranquilidade com que se podia fazer (quase) tudo ali sem se preocupar com nada. As pessoas em volta , em sua grande maioria, vestidas com trajes chiques, vestidos longos, sapatos de salto alto, ternos, jóias... E nós ali, de all-star, mochila, casaco jeans e tomando mate. Pena que a água acabou no segundo mate de cada um. Ficamos ainda umas duas horas por lá, conhecendo os aposentos do Conrad, usando o banheiro gigante e bem cheiroso, até jogando no Cassino - só se podia jogar em dólares, trocamos os pesos e jogamos míseros 2 dólares. E perdemos.


O Conrad





Eu bem sentado num dos diversos aposentos do Conrad. ( tá um pouco escura, não consegui clarear direito)


Tenho mais algumas fotos, coloco depois e conto algumas outras histórias junto.

domingo, outubro 23, 2005

Impressões de viagem: Montevideo (3)

Voltando aos relatos de viagem, algumas fotos de Montevideo.




Da parte "praiana" de Montevideo, AO fundo, os prédios da orla da praia de Pocitos.





Descansando um pouco, nessa mesma orla, perto do Iate Clube.







Na tradicional feira de Tristan Návaja, que funciona todos os domingos de manhã. É uma grande feira de camelôs, antiquários, comidas, roupas, discos, artigos tradicionais do Uruguai, e tudo o que mais se imaginar. ( as minha caras nas fotos é sempre a mesma. Não sou fotogênico. :)


Amanhã conto de Punta Del Este.

sexta-feira, outubro 21, 2005

Na Linha de Sombra

Dando uma breve pausa dos relatos de viagem, um trecho interessante de um livro ótimo - A linha de sombra, de Joseph Conrad.

Apenas os menos jovens têm tais momentos.(...) Fecha-se atrás de si o pequeno portão da mera meninice - e adentra-se um jardim encantado. Até as sombras aqui resplandecem cheia de promessas. Cada curva de vereda tem suas seduções. E não porque se trate de um país desconhecido. Sabe-se muito bem que a humanidade toda já trilhou aquela senda. É o encanto da experiência universal, da qual se espera extrair um sensação incomum ou pessoal - um algo que seja só nosso.
Vai-se reconhecendo os marcos dos predecessores, excitado, divertindo-se, aceitando a boa como a má sorte - as roas e os espinhos, como se costuma dizer - o pitoresco lote padrão, que guarda tantas possibilidades para os mrecedores, ou talvez para os afortunados.
Sim. Vai-se adiante. E o tempo, também, caminha - até que se percebe logo adiante uma linha de sombra avisando-nos que também a região da mocidade deverá ser deixada para trás. Este é o momento da vida no qual os tais momentos de tédio, desânimo, de insatisfação costumam aparecer.


Às vezes me pergunto se já passei da linha de sombra; se umas horas tenho certeza, outras fico na dúvida. Talvez esteja pra sair, ou já saí e não percebi ainda?

quinta-feira, outubro 20, 2005

Impressões de viagem: Montevideo (2)

Continuando...

Montevideo tem dois lados meio distintos:

O centro,da Plaza Independecia até perto do porto e do mercado público, que é a parte conhecida como Ciudad Veja, onde surgiram as primeiras povoações. É uma península no Rio da Prata: o porto fica na ponta da península, e o começo da Ciudad Veja fica no meio. Seguindo em direção da Plaza ao porto, pode-se olhar para os dois lados e encontrar água. É como Porto Alegre: estando parado no calçadão da Andradas, olhando para a Praça da Alfândega, por exemplo, o rio Guaíba está na frente e nos dois lados, sendo que atrás de ti é que está o continente. Montevideo é a mesma coisa.


uma das ruas da Ciudad Veja


As praias. Sim, há praias em Montevideo. Elas são distante alguns quilômetros do centro, mas nada que um ônibus não resolva. Pocitos é a primeira de inúmeras que vêm a seguir, todas com uma excelente infra-estrutura, calçadão, uma linda orla com inúmeros prédios chiques, enseadas e tudo. Há uma boa faixa de areia em cada praia, aquelas areias mais escuras, dura, mas a água não é muito aconselhável para o banho, embora sempra haja alguns corajosos. É uma região muito bonita, cheio de gramadões verdes para se sentar, deitar, ler um livro, e um bom lugar para se fazer uma corrida, já que o calçadão acompanha todos a área entrecortada das praias, que dão no total quase 4 quilômetros. É considerada uma área nobre da cidade, há bastante restaurantes, lojas e prédios finos, além do Iate Club, tradiconalmente lugar de elite, onde ficam alguns pequenos iates, lanchas e outros barcos atracados.
As fotos dessa parte virão depois, não descarreguei elas ainda.


As uruguaias

As uruguaias são "cult". A grande maioria anda vestida no que aqui consideramos como "cult", pelo menos. All-Star ou um genérico, calça jeans, uma blusa e um casaco, franjas no cabelo negro. Quase que nem os indies daqui. A diferença é que ,se aqui é exceção esse jeito, lá é maioria. Não há patis, não se vê mulheres de salto na rua - salvo as que tem de trabalhar com ele -, não se vê quase muita produção para se sair na rua, como geralmente acontece por aqui. Assim, a beleza delas é mais rústica, natural.
E, puta que pariu, são muito belas! Morenas, cabelo comprido quase sempre, olhos calros, magras mas boas de corpo - há pouquíssimas gordas, pelo menos das que saiam nas ruas . O que mais se vê por lá são morenas magras de olhos claros de All-star, o que seriaum paraíso, se elas não fossem , digamos, arredias. Nas andanças noturnas, poucas davam conversa, tanto para uruguaios quanto para estrangeiros - que, por sinal, são bastantes por lá ; encontrei dois espanhóis e dois ingleses perdidos como nós , deu até pra arriscar um inglês, andamos juntos por um tempo, até que eles decidiram entrar num lugar e nós ficamos andando mesmo. Mas voltando às uruguaias. Elas andavam pelos circuitos de pubs rapidamente, dando uma leve olhadinha para os em sua maioria homens que estavam nas mesas de fora dos bares, como que para se assegurarem de que eles vão retribuir o olhar e elas continuaram andando, como se não tivessem olhado. Caí muito nesse joguinho delas até perceber que era um jogo que já se começava perdido pra mim. Deixei elas pra lá e fui tomar minha Pilsen litro.

Em um bar/boate que entramos por lá (AlmodoBar o nome, criativo), tivemos a triste verificação de que nosso "espanhol" não é suficiente para se trovar uma uruguaia. Ainda mais uma uruguaia, arredia a uma aproximação simples e corriqueira por aqui.
O lugar. Como os daqui, nada de diferente. Só a banda, um trio de rock com uma mulher no vocal,que por aqui não seria digna de tocar num lugar como esses. Muito ruim. Som péssimo.
Algo comum no lugar , e nas ruas também, era ver gente tomando uma garrafa de litro de cerveja no bico, sem qualquer cerimônia. O que aqui é coisa de bêbado, lá é normal. Muito estranho.

Mas, enfim, ainda caso com uma uruguaia daquelas.

Impressões de viagem : Montevideo(1)

Aos poucos, vou relatando algumas impressões que tive dos lugares por onde passei, algumas coisas que só amadurecem depois de um certo tempo.

Montevideo (traduzido para o português, fica Montevidéu, mas eu prefiro o original) é uma cidade calma. Na parte central, tudo gira em torno da Avenida 18 de Julho, que é onde ficam os principais bancos, praças, sedes de governo, prédios históricos e administrativos do Uruguai. Mesmo com tudo concentrado ali, as coisas parecem funcionar tranquilamente; os ônibus velhos andam nos seus lugares, as pessoas caminham na calçada e não na rua, o chão é limpo em comparação com cidades do mesmo tamanho, as sinaleiras funcionam, quase não se ouve barulhos de buzinas, tudo parece estar em harmonia.


eu na Plaza Independencia, ao fundo a 18 de Julho.

Mate

Um fato curioso é que, independe da hora do dia, os uruguaios sempre carregam a térmica e a cuia para o mate. Pude conferir isso de manhã bem cedinho, pelo meio dia, depois do almoço, à tardinha, até à noite... sempre com o mate, tantos os jovens quantos os mais velhos, mulheres e homens, seja na 18 de Julho ou nas ruas paralelas menos movimentadas.
Algo que me intrigou de início é que o mate parecia um chá, não tinha o tradicional morrinho que fazemos por aqui, era a bomba perdida na cuia sem lugar certo, como um canudinho em um copo de refri. Depois, comprei uma erva num mercado e percebi o motivo disso: a erva deles é muito ruim. Fina, parece aquele pó de se fazer chá-mate, não há morrinho que dure - ainda mais com aquele vento forte que sopra em Montevideo . Tentei fazer um morrinho, mas já no terceiro mate tudo desabou, e meu mate ficou igual ao dos uruguaios. Ainda assim continuei tomando, e ele até que demorou mais do que o normal para ficar "lavado". O gosto é um pouco mais fraco que o nosso, acho que por a erva ser mais fina, mais misturada que a nossa. Mas, definitivamente, o nosso mate/chimarrão é melhor.

Carros

Os carros são quase todos de motor à diesel. Nos acostumamos aqui a ver só caminhonetes, ônibus, caminhões - veículos grandes em geral - com esse tipo de motor, e reconhecemos aquele ronco caracterísitico que o carrom acaba fazendo quando um desses se aproxima. Mas lá, caminhando pelas ruas, parava numa esquina para atravessar e ouvia aquele ronco que , para mim era característico de carro grande, vindo de tudo quanto é tipo de carro, principalmente dos pequenos , corsas, celtas, clios, gols, paratis, todos esses. Estranhava muito, o que me fez ficar cuidando para ver se encontrava algum carro que não tivesse aquele ronco, mas era extremamente difícil. Numa proporção de cabeça, diria que de 90 a 95% dos carros uruguaios são à diesel.

Percebe-se que o DETRAN deles não fiscaliza muito os carros velhos. Há de todos os tipos; fusca caindo aos pedaços, corcel sem uma lasca de pintura, fubicas não se sabe como andando de tão velhas, até mesmo carros novos com batidas no parachoques não consertadas, com a porta estragada, o vidro de trás quebrado.
Há uma justificativa para isso, acho eu: encontrei um carro desses velhos, mas ainda não caindo aos pedaços, por 9000 pesos, o que dá algo perto de R$ 900 reais. Muito barato se comparado aos daqui.

As marcas dos carros de lá são quase as mesmas dos daqui,e não poderia ser diferente, já que a grande maioria é importado do Brasil e da Argentina. Há um ligeiro maior número de carros da Renault que aqui, assim como também acontece na Argentina, onde as fábricas da montadora francesa são mais antigas .No mais, é a mesma proporção nossa, Fiat, Wolksvagem, Ford, GM, etc.

quarta-feira, outubro 19, 2005

Volta à realidade

Pois bem, depois de alguns dias viajando (mais especificamente 6 dias), a volta a realidade sempre é cruel, as lembranças dos lugares visitados sempre tornam a comparação com a nossa casa desigual, por melhor que nosso lar seja, e demora-se alguns dias até que as lembranças diminuam o , digamos, "domínio de sensações" que as memórias da viagem a todo momento se fazem lembrar.
Hoje é dia de sol forte, calor mas com vento; o mesmo clima de praticamente toda a nossa viagem pelo Uruguai, então saio na rua e lembro do Uruguai, dos lugares que o vento forte causou algo interessante que me fez lembrar mais do que outras coisas e assim por diante. Mas com a quantidade de viagens vem também uma mais rápida "acostumação" da realidade.


Aos poucos, vou colocando impressões de lá, fotos e outras coisas, já que o que era para ser um diário de viagem se tornou apenas um meio diário - um terço de diário - principalmente pelo difícil acesso à cybercafés pelo caminho, mas também por ser mais díficil "analisar" um lugar, contar impressões , estando nele. Um certo distanciamento é saudável para se que as lembranças amadureçam...




Essa é a Peatonal Sarandí da Ciudad Veja, bem no centro de Montevideo. Basicamente, é um caminho de algumas quadras de um tipo dum calçadão onde ficam bares, restaurantes, lojas, antiquários, praças, e que a noite é onde se concentram o movimento das pessoas. Nas ruas paralelas ao caminho há uma grande concentração de pubs, dos mais variados gostos. Os uruguaios gostam muito de se sentar nos pubs, tomarem suas cervejas de litro (Pilsen, preferencialmente, mas também Norteña, Patricia, Heineken...) e conversarem bastante, ao som de rock,tango, música flamenca e mais outros estilos, mas em sua maioria esses. Há bastante jovens, mas também há bastante adultos de seus 30, 40 e até 50 e poucos anos. Em sua maioria, mulheres. Mas essas merecem um capítulo à parte, que eu deixarei para amanhã ou depois.

sábado, outubro 15, 2005

Diário de Viagem (2)

Buenas, cá estamos. Nao consegui postar ontem, esgotou o tempo, uma falha grave que pretendo consertar hoje.

Na quinta, pegamos 3 caronas até Livramento. Em Sao Vicente, a coisa foi complicada, demoramos quase duas horas, mas , por sorte, pegamos uma bem na hora que comecou a chuver. E que chuva! No caminho para Cacequi, choveu até pedra.

Chegamos pelas 8 em Livramento, jantamos e conseguimos pegar o onibus da meia noite e meia para Montevideo. Chuvia bastante, estávamos cansado, acabou sendo a melhor alternativa.

6 horas chegamos em Montevideo. O horário de verao aqui já está em vigor, adiantamos o relógio em uma hora e fomos andar pela cidade. Temperatura agradável, amanhecendo , as pessoas indo trabalhar.
Aqui as coisas giram em torno da Avenida 18 de Julho, a principal da cidade. Nem parece que a cidade tem mais de um milhao de habitantes, as coisas sao tudo meio perto, tudo em volta dessa avenida.

Depois de andar nos arredores da 18 Julho atás de um hotel bom e barato, acabamos achando um nem tao bom, nem tao barato, mas suficiente, na avenida Uruguay esquina com a Rio Branco, tres quadras da 18 de Julho. Alpey o nome do hotel. Conseguimos um desconto de alguns pesos com o gerente-porteiro e fomos para o quarto, que fica numa ala onde era um casarao antigo, com aqueles corredores enormes, o chao de madeira que faz ressoar longe os passos. O quarto é simples, grande.




Descansamos um pouco (umas 3 horas) e fomos conhecer a cidade. Tiramos umas fotos, conhecemos os arredores da plaza Independencia, que é bem o centro da cidade, as ruelinhas que lembram bastante Cuba, os arredores do porto. Tomamamos uma Pilsen no Mercado Publico...



Conhecemos mais alguns lugres, tomamos um mate na beira do Rio da Prata. Aliás, mate é algo que todos uruguaios tomam, na rua a castelhanada toda anda com sua térmica debaixo do braco e a bomba atravessada nos queixo...
De noite, fomos conhecer os bares, tomar algumas cevas, etc. Mas como nao tenho muito tempo, quando chegar conto mais detalhes (ou nao...)

Ficaremos aqui até domingo, depois vamos subir o litoral uruguaio até o Chuy, onde pretendemos chegar segunda ou terca...

Outra foto por lá...



P.s 1 Uso o plural porque estamos eu e o André.

P.s 2 Nao me adaptei ao teclado daqui, que é bastante diferente. Entao algumas coisas saem estranhas, sem acentos principalmente...

quinta-feira, outubro 13, 2005

Diário de Viagem (1)

Estamos partindo ao meio dia. Espero estar à noite em Santana do Livramento, mas nessas andanças nunca se sabe, então não me surpeendo se , à noite, estivermos em:

a)Uruguaiana
b)Alegrete
c)Rósário do Sul
d) Bagé
e)ainda São Vicente do Sul

Qualquer outro lugar - fora Livramento, claro - vai ser surpresa. O calor, o sol forte até ajudam a conseguir carona, mas a chuva que promete vir amanhã pode ser um empecilho para os futuros planos. Mas o bom dessa vida é que nunca se sabe: o que em determinada circunstâncias poderia ser motivo de apreensão, aqui pode ser motivo para se surpeender com a capacidade de se enfrentar adversidades. Algo como um tempero forte, que dá um gosto tão bom na comida que depois não se imagina como nós queríamos comer aquela comida sem o bendito tempero.

terça-feira, outubro 11, 2005

Experimentações (literárias?)

Como tudo aqui, esse texto está sujeito a alterações. Aliás, mais do que os outros, pois esse certamente irei alterar depois, mas posto hoje para ver o que mudarei na vez em que alterá-lo.
Um experimento para comprovar que muito do texto, principalmente o final, depende do estado de espírito em que estamos na hora de escrevê-lo, e que é bastante saudável , na maioria dos casos, deixar o texto amadurecer, como um bom vinho, para passado algum tempo ver se ele ainda conserva o mesmo sabor sentido logo depois de seu término, ou se aumentou, diminiui, mudou completamente.




Eu queria passar na ponte de carro e nadar, só isso.
Então, decidi que era hoje que iria até lá, naquela noite. De uma festa que estava ruim demais, onde o champanhe tinha gosto de sangue e as pessoas fingiam que isso era bom, fui de carro até a ponte, que era distante da festa alguns bons quilômetros. Em um cruzamento já afastado da cidade, peguei à direita numa estradinha de chão batido e de lá segui até a ponte com os milharais me acompanhando, bêbados, agitados, gritando para tentar me dispersar, e , quem sabe, me fazer dormir com eles, ali mesmo.

Chegaram a gritar tanto que perderam a voz, e a lua finalmente conseguiu ouvir meus apelos e se tornou minha guia. Naquele céu estrelado, sem uma nuvem, ela funcionava como um farol para um barco que sabe onde está a costa, mas está embriagado o suficiente para não lembrar mais onde atracar.

Depois de algum tempo no imenso silêncio, cheguei na ponte. Ela estava ali como sempre esteve, me esperando, e dessa vez parecia mais linda ainda – cortesia da minha guia, que a iluminava como um grande sol num filme preto-e-branco. Não tinha muito controle dos meus atos, mas os meus sentidos estavam até mais aguçados, e talvez por isso consegui escutar com clareza a limpidez das águas, o bater suave nas pedras, a correnteza forte que levava tanta água que eu comecei a achar que as pedras não iriam agüentar, principalmente uma menor que estava sozinha, metade fora metade dentro d’água, tão pequena e inocente para estar ali, ao lado de tantas maiores e resistentes, como que esperando o destino cruel que a levaria rio abaixo até a grande cachoeira que o partiria em vários pedaços.

Parei o carro em cima da ponte, tirei o terno apertado, e , nú, me joguei dali de cima. Por algo que eu não entendo até hoje, não lembrei de mais nada depois. Sei exatamente do que aconteceu antes da onda preta aparecer. Foi assim: quando me joguei, vi as águas correndo, bem escuras, a pedrinha solitária ali me chamando, Venha se juntar a mim vamos ser solitários juntos, e algumas espalhadas que foram ficando cada vez mais juntas, maiores, e então veio uma onda meio amarela nos olhos e depois a preta, o breu.

domingo, outubro 09, 2005

Uma crônica

Eu fiz essa crônica com a intenção de mandar para um concurso de ex-alunos da UFSM. Como eles abriram para os alunos atuais, pensei em fazer. Mas precisava de um "padrinho" entre os ex-alunos. E eu não consegui nenhum. Então, vou colocar ela aqui mesmo, pelo menos alguém vai ler.

AH! É uma história verídica.

O MATE COM PAIEIRO NO CAMPUS

Certa vez, alguém me disse que fumar um paieiro e tomar um mate no campo, deitado, olhando para o céu muito mais estrelado que o normal na cidade, era algo espetacular e indescritível, daquelas coisas que um homem deve fazer algum dia na vida – assim como plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho, segundo aquele ditado bem conhecido. Como na época não fumava e era um recém iniciado no mate - ainda não era capaz de sentir verdadeiro prazer a ponto de tomar um sozinho – achei que isso era bobagem. Era invenção de quem tinha lido As aventuras de Tom Sawyer, do escritor americano Mark Twain, e resolveu adaptar a situação lida às tradições gaúchas, pensei. No livro, Tom e seus amigos, no desabrochar da flor da infância para a adolescência, tem como um de seus grande prazeres ir para as matas além da vila onde moram, na beira do grande rio Mississipi, e sentar-se por lá, fumando um paieiro. O prazer se dá mais pelo proibido da situação do que pelo prazer propriamente dito causado pelo fumo. Tinha escutado isso há bastante tempo, na minha já distante infância no interior.


Pois bem. Numa dessas andanças de carro pelas noites do inverno santa-mariense, lembrei dessa história. Como naqueles estalos que vêm muito depois de se querer, subia a Fernando Ferrari com mais dois amigos , a cabeça grudada na janela do lado olhando para o céu límpido, quando surgiu a idéia:

_ Vamos fumar um paieiro e tomar um mate no bosque do campus!

Silêncio sepulcral de 3 segundos. A resposta veio do meu lado, no banco do motorista:

_ Ué, vamos. Nesse frio...
_ Fazemos uma fogueira, daí! – disse o de trás.

Todos concordaram.
Passamos em casa, pegamos cuia, térmica, bomba, esquentamos a água. Passei no quarto do meu pai e busquei lá no fundo do roupeiro, dentro de uma caixa de sapato, o fumo em corda e as palhas in natura, saídas direto do milharal . Fomos.

Era depois da meia noite, estava perto duns cinco graus na rua. No caminho, pensamos , dentre outras maluquices, em alguma forma de despistar o guardinha da entrada do campus, que achamos que iria complicar com a nossa presença ali àquela hora . Mas era tão mais fácil falar que íamos visitar um amigo na casa do estudante que nem pensamos em inventar alguma história mirabolante.

Da entrada fácil (nem perguntaram nada, apenas pediram o RG de cada um, sabe se lá pra quê) até estacionarmos em frente à reitoria foram três minutos contados no meu relógio. O campus estava vazio, com algumas poucas luzes e barulhos vindos do primeiro prédio da CEU II , aquele mais antigo.

O bosque praticamente tem só aquelas árvores de tronco alto, com muitos metros acima da nossa cabeça, e isso o torna , principalmente à noite, bastante assustador.
Na entrada, olhei para cima e - eu senti isso, juro – pareceu que as árvores se tornariam enormes guardas com armaduras, lanças e escudos só esperando que entrássemos para desferir o golpe mortal que nos desacordaria, para , no outro dia , início da manhã, algum guarda do campus vir nos perguntar “o que vocês fazem aí a essa hora?”.

Entramos devagar, olhando bem para os lados. Apesar de dar medo, a visão era muito bonita, a claridade do céu estrelado entrava pelo meio das árvores, dando um belo contraste claro/escuro no chão. Era como se estivéssemos num filme preto e branco, e o estar ali , bem no meio do bosque, longe o suficiente pra vermos a saída em um pontinho branco lá no fundo, nos dava a nítida sensação de fazermos parte de um filme de faroeste americano, justamente naqueles momentos da parada para descanso da turma do bandido – que normalmente acontece em matas, para evitar a exposição que traria uma área mais aberta.

Passada a ponte sobre o riachinho, alguns metros à direita da estrada, sentamos num tronco caído, colhemos uns tocos de lenha ali pela volta, e fizemos a fogueira. Sentei, olhei para o céu entre as árvores, vi as Três Marias brilhando como nunca , tirei o fumo em corda. O aroma forte de fumo caseiro que saiu nos embriagou de vontade de fumar. O fogo já estava estabelecido, o mate já começava a rodar pelas seis mãos presentes; piquei todo o fumo, juntei a palha, acendi e soltei aquela tragada forte que só os bons fumos possibilitam. Passei o paieiro, recebi o mate, e aquela água quente na garganta desceu como nunca, deixando o gosto forte e amargo do fumo ainda mais forte e amargo, infinitamente mais agradável.
Nem lembrei mais do frio, do medo, dos bandidos, do contraste, das árvores enormes nos vigiando (ai se elas contam para o reitor!), dos guardas, das luzes já tão longe.

Só levantamos dali quando acabou a água.

quarta-feira, outubro 05, 2005

Luto

.

Devido à morte do meu vô.

Grande pessoa, honesto, trabalhador, criou uma família linda a custo de muito trabalho e reza. Saiu do interior do interior, veio pra cidade, abriu uma empresa, criou e educou 10 filhos, todos bem sucedidos profissionalmente (engenheiro, administradores de empresa, médica, professoras, fisioterapeuta, jornalista), sempre ajudou quem precisava das mais variadas formas, sempre tão simples e correto nas suas idéias.
Um grande ídolo.
Se alguém conseguir ser metade do que ele conseguiu ser nessa vida já pode se sentir orgulhoso de ter sido alguém muito importante para uma cidade.




..

domingo, outubro 02, 2005

Lista

Inspirado em um colunista de um site de cultura pop aí, vou abrir a lista com todas as músicas minhas no winamp e deixar tocar no modo aleatório. As 8 primeiras que tocarem eu comento alguma coisa aqui.

1) Hellacopters - Take me on
Boa música da banda de hard rock lá da Suécia (ou seria Dinamarca?, não lembro). Pesada, rápida, com aquele solinho clássico de hard rock no meio e depois a repetição do refrão, e um outro solo vai tocando até o final, junto da voz.

2)Mundo Livre S.A - E a vida se fez de louca
Sambinha dos pernambucanos do Mundo Livre, banda que apareceu junto da Nação Zumbi na explosão MangueBeat. A letra é meio algo como socialista/crítica ao capitalismo com uma história de amor. O cavaquinho toma a frente da condução da melodia, mas tem uns barulhos eletrônicos e uma pitada rock na bateria, tudo bem característico da banda. " Deus me dê fígado porque temos uma vida pela frente" realça o tom "música de boteco pra se tomar cerveja discutindo a situação do mundo".

3) Teenage Fanclub - Alcoholiday
Power-pop clássico do quarterto inglês. Uma guitarrinha pesada, uma letra melosa loser, um vocal meio choroso = melodia extremamente assobiável, que gruda na cabeça e só sai dali se substituída por outra completamente diferente.

4) Franz Ferdinand - Michael
Essa é a legítima música de gay. Faz vários dançarem freneticamente e boiolamente.
A letra: "So sexy, I'm sexy,so come and dance with me Michael" e a entonação da voz, meio que sussurando no ouvido, é de uma viadagem suprema, quase um convite para dois viados se esfregarem e cantarem um no ouvido do outro a letra. Mesmo assim, uma boa banda, e a música diverte, a melodia é bem típica do pos-punk alegre dos anos 80, apesar de a banda ser de hoje.

5) Andromeda - Too Old
Banda do final dos anos 60 que descobri por acaso lendo uma revista. Rock'roll tradicional, psicodélico. Boa para aquelas festas "revival" e para se agitar um pouco antes de sair para uma festa que só vai tocar música "dançante".

6)Jeff Buckley - Mojo pinEssa é triste. Aliás, na voz do Jeff Buckley quase tudo fica triste. Alguns sussuros no início, gritos bem afinados ( ele canta muuito), uma letra bem, digamos, poética. A maioria das letras dele é assim, profundas, de fazer a gente pensar e a forma como ele canta as letras dá uma angústia, parece que ele sofre em muito em ter de dizer aquilo. Um rock com um quê de folk por causa da guitarra quase sem distorção, que em momentos lembra um violão. O refrão: "Don’t wanna weep for you, I don’t wanna know
I’m blind and tortured, the white horses flow , The memories fire, the rhythms fall slow Black beauty I love you so"
. É uma versão ao vivo, que é ainda mais emocionante.

7) John Frusciante - Carvel
O guitarrista do Red Hot é um cara esquizofrênico. Quase morreu de tanto se chapar, voltou pra banda e agora té limpinho. Mas as sequelas continuaram pra sempre...
Os mais recentes albuns solos dele são excelentes, baladinhas no violão e a voz , se não é das mais afinadas, pelo menos não compromete. As melodias levadas quase sempre ao violão são belíssimas - é aí o ponto forte dele - mas aquela "loucura" está sempre presente nas músicas, seja na forma dos gritos angustiados dele ou na levada do violão, no ritmo...

8) Mad Season - i'm above
Projeto paralelo do vocalista do Alice in Chains, Layne Staley, com o guitarrista do Pearl Jam, Mike McCready, e mais dois ex-integrantes de bandas de Seattle. Muito bom. Tem um toque "blues", uma percussão meio world music( em algumas músicas, algo que inexiste nas bandas originais dos integrantes . É um som mais calmo, a guitarra soa mais limpa, menos pesada, com us toques psicodélicos até. E a voz do Layne... Continua excelente como sempre, mais dosada de gritos do que com o Alice in Chains.
A música é do único album deles, Above, que é de 95.

sábado, outubro 01, 2005

A felicidade nunca me trouxe boas histórias

.




_ A felicidade nunca me trouxe boas histórias...
_ Tá, e tu é um personagem ou um ser humano? de que adianta boas histórias e uma vida infeliz?





..

quinta-feira, setembro 29, 2005

Percebia

A gente acredita tão piamente em certas coisas.
Pois é.


"Percebia, sim
naquele silêncio todo,
de canto de olho,
como quem não quer nada,
mas deseja acima de tudo
Um amor
alguém pra soltar todos aqueles clichês
"eu te amo, te quero demais, meu docinho"
e não mais ter vergonha
de falar de coisas de que não sabe"




.

segunda-feira, setembro 26, 2005

Amor e samba

Imagine o Rio de janeiro, quadra de alguma escola de samba.
Churrasco assando, cerveja gelada de copo em copo.
Uma rodinha de samba em volta de duas mesas.
Oito pessoas, típicos carioca da gema, tocam pandeiro, violão, cavaquinho, bandolim e outros batuques.
Um puxador é a voz principal, o resto é o coro.
Mulatas sambando, brancas sambando timidamente, velha guarda de branco dançando junto, crianças brincando de pega-pega, jovens paquerando e cantando.
A música é um samba, o esboço do samba-enredo do próximo ano da escola cujo tema do desfile é o Amor.

A letra:

Amor, coisa rara, já foi embora
Bateu na porta, disse Olá, não gostou?
Fico em triste em saber,
que o amor não diz porquê
aparece, vai embora sem dar tchau!
Mas mesmo assim não há quem consiga
Viver sem tê-lo em companhia!


A entonação:

Amoooorrrr, coisa rara/
jáá foi embooraaaa/
bateu na porta disse Olá, Não gooostouuuuu?
Fico em triste em sabeeerrr que o amor não diz porquêêêê/
aparecee, vai embora sem dar tchauuuu!/
Mas mesmo assimm, não há, quem consigaaa
Viver sem tê-looo em compaanhiiaaaa!

! ah, o amor!


Amoorrr, coisa rara...

domingo, setembro 25, 2005

Domingo em família (2)

à noite

Ato Quatro
Sala
A tv ligada no jogo de um dos dois times da família. Da minoria; dois torcem a favor, seis contra; 'secam' ainda mais com o gol de empate do time adversário e com o nervosismo de um dos que torcem pelo time local que joga. Ele fica brabo, sai da sala. Tios, primos, e uma "intrusa", amiga de uma das tias, secam. Mas o jogo acaba empatado.

Mesa principal e secundária
Estão quase vazias; começa as conversas para qual a melhor maneira de se aproveitar o restante do almoço para se fazer uma boa janta. A prima de vinte e poucos anos, não muito ativa em matéria de preparação de comida, se manifesta. Silêncio entre as tias e a avó.
"Vamos testar nossa sobrinha" devem ter pensado.


Ato Cinco
Mesa Principal
É hora da janta. Corta-se as carnes restantes do meio dia, mistura-se a orégano e azeite, põe-se na panela. Misturada com farofa pronta Ioki, maionese e outras coisas restantes do almoço, está feita a janta. Toma-se vinho, sempre, para acompanhar e temperar as conversas.
O assunto que uniu todos ali ainda é prioridade; todos estão otimistas, as piadas são mais aceitas, os causos - referentes ao assunto,sempre - se tornam mais frequentes. Tios, tias, primos acima dos vinte, os mais velhos. A prima teve a idéia da carne com orégano; mesmo com receio de fazer besteira, tudo ficou muito bom; aprovada. Fará outras vezes?

Mesa Secundária
Primos abaixo dos vinte, tios com dores de cabeça jogam truco.

Sala
Para os que não tem espaço na mesa principal. O Fantástico como pauta para os assuntos. Tias e primos mais novos, com a adição dos que transitam entre a comida da mesa principal e a tv da sala.

Ato Seis
Mesa Principal
Chegam mais tios, juntam-se a mesa. Mais vinhos são trazidos. Sobram os tios na mesa; as mulheres vão para sala.

Mesa Secundária
O truco acabou.

Sala
Tias, primos, priminhas enchem a sala. Olham tv, conversam, as primas brincam, olham fotos. Risadas. A filosofia é motivo de discussão entre duas tias professoras e um primo estudante, que, por ser mais novo, tem a memória melhor e ganha a parada. As tias consentem

Prólogo
Sala
O primo que mora longe começa as despedidas.Há os que ficam, que se despedem rapidamente, pois amanhã o motivo que os uniu ali os unirá novamente. Os que moram longe conversam, se despedem de forma mais demorada - mas nem tanto, pois os fatos os obrigarão a vir em um curto espaço de tempo. É o que todos acham; mas a religião os faz acreditar em milagres, e estes milagres vêm em forma de 'almas' que os acordam e dizem exatamente isso, que eles não precisarão voltar muito breve.

Garagem
Quatro dos sete carros e 16 dos vinte e cinco presentes vão embora.
Há uma sensação de que , às vezes, as coisas ruins servem para trazer algumas coisas boas, não tão perceptíveis, mas igualmente importantes.
A união que o estado de saúde do patriarca proporcionou é uma delas.

Domingo em família (1)

Um Domingo de confraternização (?),uma família de origem italiana com aquisições castelhanas, bugras e polonesas, unida ( mesmo que por ocasião que ninguém queria que existisse...), almoçam:

Ato Um:
Mesa principal
As carnes, as saladas verdes com bacon/cebola cozidos (huumnnnnn...), os 'tios', os assadores, os mais velhos, o vinho, a maionese, a conversa alta, os 'causos'.

Mesa secundária
Primos abaixo dos vinte e cinco anos, refrigerantes, televisão, primas menores contando suas 'façanhas', a fase lésbica de toda menina (dos 6 aos 10 anos), a posterior fase das respostinhas, a fase reflexiva e piadística dos acima de 17 anos.

Ato Dois
Mesa Principal
Terminado o almoço. Conversas, mais causos, vinho, sobremesas ( bolo de morango, pudim, merengue), 'tios', primos dos vinte aos trinta, gargalhadas , vinho, futebol, PT, e claro, o motivo de todos estarem ali é o assunto mais discutido, às vezes até com bom humor, o que alguns consideram de mal gosto fazer piadas ou tiradas com assunto tão trágico...

Mesa secundária
Não há mais ninguém; todos na sala, em frente a Tv olhando fotos antigas e achando muita graça de quase tudo. Tias juntam-se a sala, lêem os jornais, comem o bolo, conversam e procuram na tv, com o controle, aquele programa de duas mulheres que mudam o visual de outras mulheres. Quando acham, riem, se divertem, e os primos vão jogar baralho (truco).

Ato Três
Mesa Principal
As mesmas conversas, o vinho, mais gargalhadas e mais silêncios também. Assuntos menos sérios, sono, o mate se aprontando.

Sala
Mais pessoas. Primas se juntam, os primos voltam (cansaram do truco), um primo adolescente passando mal deita e toma Coca, o Remédio Universal.
Trocam-se os canais freneticamente, copos de plástico se acumulam na mesinha e as tias pedem para os seus filhos levarem eles para o lixo, o que não é prontamente atendido.
Então, o sono surge. As tias começam a fechar os olhos, devagar, de uma em uma; os tios, que a essa hora já saíram da mesa e juntaram-se à sala trazendo o mate, 'cabeceiam' lendo o jornal; as primas se retiram para outro lugar, querem conversar. Os primos que restam, valentes, comandam o troca-troca dos canais, até que acham a Fórmula Um e param. Dois dos primos valentes não gostam de corrida. Vão para os quartos se entregar ao sono. Os que restam, aguardam o passar do dia.

Fim da Primeira Parte

quarta-feira, setembro 21, 2005

Quem sabe

"Quem sabe, faz. Quem não sabe, ensina. Quem não sabe ensinar, ensina a ensinar. E quem não sabe ensinar a ensinar, vira crítico".


Peguei essa citação de uma entrevista do Antonio Abujamra, o grande provocador. Não é dele a frase, mas não sei de quem é.

terça-feira, setembro 20, 2005

Los Hermanos

"Fez-se mar
Sem ar no meu penar
Demora não, demora não

Vai ver, o acaso entregou
Alguém pra lhe dizer
O que qualquer dirá
Parece que o amor chegou aí
Eu não estava lá, mas eu vi "


Overdose de Los Hermanos, do último CD. A cada nova escutada descubro alguns achados nas letras, uns jogos de palavras interessantes, uma história bem contada.
As letras desse álbum, ao meu ver, são a mais pura poesia, daquelas que a gente lê uma coisa e relê outra, sempre despertando novas interpretações, acionando a nossa inteligência. São todas bastante subjetivas, podendo até na primeira escutada parecer sem sentido ou sem nexo.
Mas é engraçado, não consigo enjoar. Cada dia tem uma melhor música do CD. As letras são completamente diferente de tudo que é feito na música brasileira atual, muito superiores no lirismo. Da dó de escutar uma música brasileira bastante tocada em rádio (CPM 22, por exemplo) e , inevitavelmente, comparar às do Los Hermanos. É outro nível, um outro patamar de subjetividade, de poesia.

Olha essa, simples e bela declaração de amor.

Paquetá

Ah, seu eu aguento ouvir
outro não, quem sabe um talvez
ou um sim
eu mereço enfim

é que eu já sei de cor
qual o quê dos quais
e poréns, dos afins, pense bem
ou não pense assim

eu zanguei numa cisma eu sei
tanta birra é pirraça e só
que essa teima era eu não vi
e hesitei, fiz o pior

do amor amuleto que eu fiz
deixei por aí
descuidei dele quase larguei
quis deixar cair

(tst tst)

Mas não deixei
peguei no ar
e hoje eu sei
sem você sou pá furada

Ai! Não me deixe aqui
o sereno dói
eu sei, me perdi
mas eu só me acho em ti

Que desfeita, intriga, o ó
Um capricho essa rixa e mal
Do imbrólio que qui-pro-có
e disso bem fez-se esse nó

e desse engodo eu vi luzir
de longe o teu farol
minha ilha perdida aí
o meu pôr do sol


É um deleite para se escutar, pensar, refletir, ler, despertar a inteligência acomodada com tantas coisas que nos são jogadas prontas, sem qualquer espaço para se pensar.

segunda-feira, setembro 19, 2005

Cortazarianas beatnik (3)

No limiar da pusilânime confiança, estará o medo disfarçado de matador de aluguel à espreita da sua vítima indefesa como uma leoa a uma zebra em savanas sul-africanas, e ela, a leoa, não se entregará até que não tenha abocanhado a zebra, assim como o matador de aluguel não sairá da espreita de sua vítima enquanto não matá-la, e assim como nesse limiar a pusilanimidade estará observando cada passo tentando não deixar a confiança andar com as suas agora fortes e não mais hesitantes pernas em direção ao caminho perdido ,que dizem existir, da atitude correta.

Sonho não se faz assim

Pequeno conto, inspirado em muitas coisas.

Sonho não se faz assim

Antes de acordar, vou pensar que não, aquilo que você quis me dizer não era mais do que um sonho teu, e quem sabe meu também, porque aquilo não era pra ser dito, extravasado para fora de ti sem se prever as consequências, não pode haver um sorriso doce tão carregado de mentiras - não são mentiras? então são sonhos, devaneios de alguém perturbado por alguma coisa tão grande que não teve como guardar para si.
Alguma coisa entre o que querias dizer e o que disse é o que deveria ter dito, se é tão grande a agonia solitária, e , sim, é difícil, eu sei que é difícil ficar assim, mas nem por isso, nem por toda essa dor que diz sentir mas que eu digo que sei mas não sei se realmente conheço, nem por ela, nem por nada é justificável as palavras que você usou, sem medir consequências que parecem existir desde sempre, e você sabia delas, ah sabia, e então, fez tudo sabendo, pelo gosto de dizer e de ver o tanto de sofrimento que certas palavras podem trazer, muito pior do que qualquer coisa, e você sabia disso, agora ficou claro, você sabia, e usou tudo com tamanho cuidado que se esqueceu, ou não quis, lembrar do que havia acontecido, da história que existia, dos sentimentos que parecem fantasmas presos a uma casa que não mais serve de moradia à eles. Tanto foi tão pouco, ao menos agora parece ter sido, tardiamente percebido.
Antes de acordar, o dia já se fará, e o acordar não vai mais ser necessário, se é assim que você quer.

sábado, setembro 17, 2005

Saudade

Fim de semana chuvoso, frio, excelente pra ficar em casa sem fazer nada escutando Los Hermanos.

Sapato Novo
Bem, como vai você?
Levo assim calado de lá
tudo que sonhei um dia
como se a alegria
recolhesse a mão
pra não me alcançar

Poderia até pensar
que foi tudo sonho
ponho meu sapato novo
e vou passear
sozinho como der
eu vou até a beira
besteira qualquer
nem choro mais
só levo a saudade morena
é tudo que vale a pena


Não sei se a saudade é tudo que vale a pena, realmente não sei, porque ela traz sofrimento, mesmo que embutido na felicidade dos bons momentos.
Pior de tudo é não ter momentos, nem ruins nem bons, para se sentir saudade.

Pois é...

Pois é, hoje eu recolho a ressaca moral, emocional, sentimental e tudo que é mais al de ter saído ontem. Confirmei uma das hipósteses, que sair sozinho não significa porra nenhuma! Pior, nos passamos por bêbados estranhos agarrados a uma garrafa de cerveja conversando com seres igualmente sozinhos, sem perspectiva de nada. Sempre se ahca alguém pra conversar, isso é fato que comprovei ontem, mas não gostei de verificar que sair sozinho, pelo menos nas circunstãncias de ontem, é muito, muito ruim.

sexta-feira, setembro 16, 2005

Alone

Pode parecer meio chato, mas algo que eu nunca fiz é sair sozinho de casa em direção a alguma festa. Sozinho, sozinho, sem a forte perspectiva de encontrar alguém conhecido nessa festa, nunca. Não sei porque, mas parece a mim que é como um teste de provação do qual eu não consigo passar. Algumas vezes acho que poderá ser um divisor de águas, outras que não significará porra nenhuma. Mas que é um teste de coragem sair, sozinho, à noite, a pé, na rua, para entrar em algum lugar, e lá ficar sozinho bebendo, isso é. A princípio, essa idéia de que eu vou ficar sozinho nun canto bebendo sozinho, sem fazer nada além de observar as pessoas, é muito improvável, pois se eu ficar bebendo sozinho num canto eu, à qualquer hora, vou ter de puxar papo com alguém minimamente conhecido ou nem isso, um completo desconhecido. Mas é uma necessidade, e a pior das perspectivas possíveis - ficar sozinho num lugar a noite inteira, sem falar com ninguém - é completamente absurda, pois com ALGUÉM eu vou conversar. Mas, por via de saciar minhas dúvidas, vou arriscar fazer isso hoje, sair sozinho. Daqui a pouco estou indo, e quando chegar eu conto o que deu.

segunda-feira, setembro 12, 2005

De volta a realidade

Depois de uma semana sem se preocupar com nada além de se divertir e conhecer lugares e pessoas diferentes, eis que a volta a rotina se torna necessário, e cruel também, por que não, já que é tão mais fácil se acostumar com as coisas boas e despreocupadas...
É necessário um ou dois dias à readaptação parcial, porque a completa demora mais, quase um mês, e é nesse período da adaptação parcial para a compelta é que surge as maiores vontades de se colocar tudo pro alto outra vez e sair por aí, em outros dias ou semanas de nada de preocupações e muito de divertimento. É um período perigoso, até porque não se sabe se realmente se quer isso, a rotina certinha, ou a rotina louca que nunca tem uma adaptação completa.

domingo, setembro 04, 2005



" Assim na América quando o sol se põe e eu sento no velho e arruinado cais do rio olhando os longos, longos céus acima de Nova Jersey e posso sentir toda aquela terra crua e rude se derramando numa única, inacreditável e elevada vastidão até a costa oeste, e toda aquela estrada seguindo em frente, todas as pessoas sonhando nessa imensidão, e em Iowa eu sei que agora as crianças devem estar chorando na terra onde deixam as crianças chorar, e você não sabe que Deus é a Ursa Maior? e a estrela do entardecer deve estar morrendo e irradiando sua pálida cintilância sobre a pradaria, reluzindo pela última vez antes da chegada da noite completa que abençoa a terra, escurece todos os rios, recobre os picos e oculta a última praia e ninguém, ninguém sabe o que vai acontecer a qualquer pessoa, além dos desamparados andrajos da velhice, eu penso então em Dean Moriarty, penso até no velho Dean Moriarty, o pai que jamais encontramos, eu penso em Dean Moriarty. "

Trecho final do On the Road, de Jack Kerouac. Um dos livros da minha vida.

quarta-feira, agosto 31, 2005

Se esqueça de tudo

Ande logo
e vá na frente
conte a novidade
não se esqueça do principal


não atropele os fatos
e
esqueça das mentiras
elas irão lhe fazer falta
quando vierem lhe contar:

O principal era uma mentira!

terça-feira, agosto 30, 2005

Contradigo-me

Contradigo-me? Pois bem, contradigo-me.
Sou amplo. Contenho multidões.


Walt Whitman

Na beira

A onda vem me cobrir,
na noite escura?

uma beleza não correspondida
estar longe de tudo,
perto de tão grande poder

mas hoje, é um adeus
tão solitário
como todos
não definitivo
mas com a mesma força
e com o mesmo final

A onda vem me cobrir na noite escura

cada pedaçinho, cada retalho
cada caminho, cada estrada
Para onde vão?

fogem
ela leva todos
e deixa mudanças
tão drásticas quanto consegue
efêmeras, imperfeitas
belas, também, mas inúteis

quanta coisa que eu não vejo!

segunda-feira, agosto 29, 2005

And...


And I thought, if I told the right lies...
But these Mockinbirds... won't let me shine






Grant lee Buffalo - Mockingbirds

Adios los niños

Adios los niños,
está na hora de se refestelar com a pobreza que nos permeia,
compreendermos a busca inerente ao nosso coração,
ir atrás do cego viajante da estrada deserta
e perguntá-lo se ele não quer companhia para a nobre caminhada
ir atrás
fazer reverência ao mais puro dos viajantes
guiá-lo, e irmos juntos para a sobrevivência esquecida
chegar numa ponte e se imaginar embaixo dela,
como um cãozinho perdido esperando por um dono que saberá que não vai vir
pelo menos não tão cedo
e , assim, caminharemos pela existência absoluta e incompreensível
por longos anos, longas vidas
buscando encontrar a pobreza outrora espalhada
e agora esquecida, mas não perdida, e jamais abandonada
junta do cãozinho

Mudança de direção

Mudanças à vista, o barquinho parece que viu que remava sozinho nos mares perigosos da solidão e da soberba e , inconsequente como ele só, nem se dava conta que andava cada dia mais e mais para o fim, para onde a soberba e a solidão poderiam causar a destruição quase por completa do barquinho, e que , se ainda sobrasse alguma coisa lá no fim, seria muito difícil arranjar alguém para reconstruí-lo. Depois de uma reunião com outros barquinhos ele pode perceber que não mais tinha como ir , sempre, contra o caminho que seus companheiros faziam. A loucura estava começando a se tornar o guia preferencial do barquinho, o leme que guiava mais e mais para o fim dos mares.

Agora que percebeu o erro que cometia, o barquinho resolveu mudar sua direção e ir atrás de todos os seus amigos, afinal, ele não acredita mais que é o único que está sempre certo, apesar de sua intuição ainda lhe mandar continuar com seu caminho antigo. Mas, enfim, o barquinho deu a volta, mudou de rota, e está indo para o outro lado. Mesmo assim, é um longo caminho para a volta e , apesar de estar com pressa para encontrar seus amigos, também entende que não é uma boa hora para se apressar as coisas, o mais certo a fazer é ir devagar, com a calma e a tranqulidade de quem percorre um caminho pela segunda vez. Mas a mudança de rota recém começou...

terça-feira, agosto 23, 2005

Encastelado por não fingir

" Eu morava num castelo, mas eles não sabiam. Mesmo antes deles nascerem, eu já morava no castelo, encastelado. "

Sinceridade demais, mas ao mesmo tempo facilidade em mentir, mas mentir para consertar erros decorrentes do excesso de sinceridade. Mas porque sinceridade em excesso faz mal? Talvez porque faz parte das relações humanas o fingir que se é algo que não é, e o fato de alguém ser 24 hrs ele mesmo incomoda os que fingem um determinado comportamento para cada situação diferente que, aparentemente, peça um diferente tipo de atitude que não está no comportamento original, daí talvez o fingimento. Bom, o comportamento original não está em só dizer verdades, mas em ser sincero em tudo o que se diz, mesmo quando é mentiras que se tem que dizer, porque ninguém diz mentiras/ verdades exclusivamente.
Pessoas sinceras demais não são benquistas pela grande maioria das pessoas, pois quando uma mulher vem perguntar se ela está gorda, ou se está bonita, ela quer que se minta para ela, que fale o que ela quer ouvir, e se ela não ouve o que quer ouvir fica irritada, pois já é de certa forma convencionado que se minta nessa horas. Talvez, ser sincero é ir contra as convenções pré-definidas.

Cortazarianas beatnik (2)

A verdade seduzida pelo enfeitiçador de serpentes, que com sua flauta mágica faz todas as verdades serem as mesmas, reduz todas a mera música de melodia hipnotizante e que, depois do fim do espetáculo, voltam para os lugares de onde saíram, já transformadas, e como uma onda de melodias infinitas elas molham cada foco de verdade ainda não transformada, na tentativa de parecer algo que não pensaram em ser, mas que seduzida pelo enfeitiçador, se transformaram.

sábado, agosto 20, 2005

Experimentações pós-trago

O estado pós-trago em que me encontro não permite qualquer refelexão coerente com alguma coisa, mas mesmo assim incita a descobrir outros ângulos de abordagem para coisas já conhecidas.

Engraçado é essas coisas que falam sobre oportunidades, sobre perder oportunidades... em pós-festas , é comum as pessoas terem uma certa depressãozinha, um sábado/domingo melancólico e sonolento ,até mesmo quando "se dão bem", o que, no caso de estar solteiro, ser homem e estar bêbado inevitavelmente quer dizer pegar uma loca. Nessa questão, sempre se pensa uma coisa: porque diabos a mulher tende a esconder que ela quer, afinal, o mesmo que o homem busca? Claro, faz parte dos trâmites de relacionamentos o dito "se fazer", o dificultar para depois a recompensa vir, depois dos quatro papéis que a embrulhavam serem vencidos e o presente vir com alguns brindes, ainda. Mas acontece que o desembrulhar demora demais, e acaba que tanto o homem quanto a mulher perdem boas oportunidades de se divertirem, de aproveitar situações que , para serem criadas novamente, um certo tempo terão que esperar. Seria interessante se homem/mulher buscassem e demonstrassem o que querem já no primeiro momento, não se demorassem com bobagens.
Assim, os dois não desperdiçariam tempo, experimentariam situações novas e diferentes, conheceriam-se, e se depois não se quisessem mais, tudo bem, tchau, mas o fato de terem feito aquilo que na hora se apresentou da melhor forma já seria uma grande fonte de conhecimento e sabedoria para situçoões novas que eventualmente viriam a acontecer.

A experimentação nunca é demais . Seria tudo tão mais fácil se não negassemos, ou questionassemos tanto, para nós mesmos de que tal experiência deveria ser , sim, realizada...Ah, como seria...

sexta-feira, agosto 19, 2005

Novamente, o Buffalo...

Fuzzy, Grant Lee Buffalo.



Não me canso desse album, não adianta. Escuto alguma música dele pelo uma vez no dia, é quase como um vício. Suspeito que seja por causa da emoção que ele passa, da impressionante voz do Grant Lee Philips, aquele falsete dele em "fuzzy" , a música, é de arrepíar. Aliás, toda vez que começa a tocar eu me arrepio, aqueles dois acordes no violão, a percussão entrando devagar...
Uma descrição que eu fiz dele esses dias:

Fuzzy é um álbum para se escutar como se lê um livro, prestando atenção em cada frase cantada pela bela voz de Grant Lee Philips, nas melodias criadas pela união do quarteto guitarra, baixo, bateria e piano. Depois, as belas imagens evocadas pela junção palavra/som vão surgindo, aos poucos, e o filme vai ganhando consistência em nossos pensamentos. De repente, nem entedemos o porquê de estarmos sentado num saloon no meio do nada tomando o nosso whisky acompanhado de figuras lendárias da História americana , ou de estarmos numa estrada desconhecida e vazia indo para sabe se lá onde, ou mesmo andando por uma cidade que nunca pensamos que ainda existia, observando fantasmas passearem pelas calçadas de mão dadas e casais se beijando no canto escuro atrás da casa da esquina...

Suspeito que sempre fui um sujeito mais ligado a emoção do que a razão, ou que prefere o senso comum à teoria. Aquela velha história de sentir em vez de pensar racionalmente, e isso é determinante para o Grant Lee Buffalo ser uma grande banda para mim. O sentir é , de certa forma, arrogãncia, pois o confiar no teu sentir te faz desconsiderar muitas coisas que são verdade, que comprovadamente são verdadeiras, mas que , se não são sentida, para ti não passam de mentiras. Então, o que tu acha melhor acaba sendo o que definitivamente é melhor, e numa discussão qualquer o lado emocional não é bem vindo - muito menos será vitorioso em argumentos - porque uma discussão é eminentemente racional, cientìfica, por mais besta que seja, pois se procura argumentos ou exemplos e o teu sentir que não é aquilo não encontra muito argumentos nem exemplos por aí...

Mas o sentir não é algo que tenha explicação racional, é como uma mensagem extra-terrestre que chega diretamente pra ti, e só pra ti, de que tal coisa é verdade, sem muitas explicações do porquê dela ser...

Mas explicações, justificativas, porque temos que recorrer a elas se nos basta sentir?

domingo, agosto 14, 2005

O poder

"O poder não corrompe o homem; é o homem que corrompe o poder. O homem é o grande poluidor, da natureza, do próprio homem, do poder. Se o poder fosse corruptor, seria maldito e proscrito, o que acarretaria a anarquia".
Ulysses Guimarães (1916-1992) Ex-deputado.

Tá aí, mas e porque o homem polui o poder? Porque quer mais poder, mas e por que ele quer mais poder? Para se tornar mais forte e ficar mais difícil de perder o seu poder. Mas, afinal, por que diabos ele quer o poder?

sábado, agosto 13, 2005

Enquanto o fluir não vem

Ammmm
Porque que é que são 02:02 e eu nunca consigo pensar em uma idéia contínua que me faça escrever e CONTINUAR algo? Não, o fluir não aconteceu, mas tenho uma sensação de que ele está meio que pedindo pra ser incitado, escondido no canto esperando alguém sair para ele aparecer. O problema é que não sei de que maneira ele poder ser mais incitado do que o já exaustivamente tentado. As coisas surgem, se materializam em forma de (belas) imagens, ganham algum complemento, esboços de diálogos, e não continuam. Ficam ali armazenadas para uma próxima, que se existir não se lembrará de que já existiu. Então, a única forma que me parece válida de buscar o fluir é dizer coisas sem entender muito bem o porquê, non-sense absoluto, como que se dessa forma fosse mais fácil vir a verdadeira história, aquela que pede para ser contada urgentemente. Vou ter de esperar um pouco.

sexta-feira, agosto 12, 2005

Notas de uma história

Existe um certo receio de contar histórias que não estão prontas ainda, de tentar escrever alguma sem saber o final. Dizem que o final é a primeira coisa que deve estar definida, mas em muitas vezes só se tem o mote central, o que não é um problema tão grave,já que há aquela histórias que fluem, que te colocam em uma situação como a de um índio que recém tomou um chá de plantas alucinógenas e tem de voltar para a aldeia, e mesmo estando longe e chapado, ele sabe como voltar, ele "sente" a estrada, percebe que é naquele caminho da direita e não no da esquerda que tem uma baita de uma subida. O fluir da história é que te guia até o final dela, se ela (a história) realmente vale a pena ser contada.

********

Vamos fazer um filme com Las babas del diablo. Assim como o Mighty Joe Moon não se controla e passa na ponte de carro e quer nadar, não pensaremos três vezes ao contar a história do Jupiter e sua amada ex-presidiária. Seria uma linda história de amor, que começaria numa feira colonial, onde Jupiter vem toda semana vender seus produtos. Seria pela manhã o encontro, no exato momento em que Jupiter está colocando seus produtos na cesta, em frente a sua tenda, e um desses produtos cai no chão e sai rolando, indo parar no pé de sua amada que ainda não é amada, mas quase. Ele fica de joelho e vai engatinhando atrás e encontra a melancia, que no caso era o produto, em baixo do pé da amada, que domina a melancia como um meia canhoto habilidoso domina. Ele olha para cima, aquela posição de inferioridade explícita, e então o sol que a essa hora está começando a ficar forte bate nos olhos de Jupiter e o que ele vê são contornos de uma pessoa que parece ser bonita, mas parece ser alguma criatura que ele não consegue iamginar o que seja, mas fica feliz ao notar que a criatura é bonita, sim, muito bonita, e ela então dá uma abaixadinha com a cabeça como se estivesse falando com uma criança de 4 anos e solta um indefectível Isso é seu , ao passo que ele tenta responder algo mas não lhe sai nada, e então ele desmaia e acorda em um quarto. Vem uma tomada de cima, pegando ele sentando na cama com as duas mãos coçando os cabelos, e então entra uma tomada da televisão a sua frente, que ele acabou de ligar, e está passando os Simpsons, mas ele não acredita quando a mesma ex-presidiária, que ele não sabe que é ainda, aparece no vídeo, com uma melancia em baixo do pé, na mesma posição que Jupiter tinha visto. Esfrega os olhos, dá dois tapinhas na cabeça, mas ela ainda está ali, e então ele decide pegar seu tênis e jogar na televisão, que acaba quebrando, e com o susto Jupiter desmaia, voltando a feira, a posição que estava antes de tudo isso, engatinhando olhando para cima e vendo aquela coisa que ele não sabe o que é porque o sol não o deixa ver mais do que alguns contornos escuros em volta de uma aura quase inexistente. Isso é seu, sim, responde Jupiter, e então ele levanta, olha bem e consegue ver uma bela mulher vestindo uma calça jeans e uma blusa extremamente rosa, ele percebe que é ela, e ela percebe que é ele, e os dois vão juntos a tenda, carregando a melancia juntos e largando-a em cima do cesto que jupiter destina às coisas grandes demais que ele consegue trazer. A tenda, mais atrás do cesto e da mesa onde Jupiter vende seus produtos, se torna um pequeno ninho de amor entre dois gatinhos que estão por ali, provocando o riso de Jupiter e a amada, que agora já é amada mesmo,e então eles, Jupiter e amada, os expulsam em meio a explosões de risadas e deitam-se, um junto ao outro, e assim termna a primeira parte, de apresentação dos personagens.

****
Now i'm fuzzy, because a lied to myself.
Fuzzy now, and all the world is small enough for both of us.
Me and myself.

domingo, agosto 07, 2005

O farol (1)

Esbórnias e mais esbórnias, agora tudo começa a voltar ao normal. Com alguns bons acréscimos de experiências e de "estalos" e outros nem tão bons vícios (quase) adquiridos. Mas, enfim, faz parte da condição de estar em férias ser como uma fuga ao interior do Farol na ponta de um cabo bem ao sul do mundo, e de lá ver o que se passou até aqui, analisar certas coisas de cima, como um Deus próprio e misterioso que cada um tem em si, bem lá no fundo. A hora de descer do farol chega, até porque o guardião do farol não gosta que fiquem muito tempo usufruindo de suas incríveis instalações,e também porque a fuga tem prazo de validade definido há muito tempo pelos primeiros que resolveram escolher o Farol para ser o lugar da fuga. Passado muito tempo, o Farol perde seu encanto, a pessoa pode virar um eremita que vaga vaga e não entende por que vaga e porque não se define em nada, e assim pode vir a se tornar parecido com o guardião do Farol, o décimo quinto eremita que abusou do seu uso. A saída ,de muito difícil que pareça no início, torna-se muito melhor quando é apenas uma lembrança, e assim uma promessa de retorno vai ser feita. Não se sabe ao certo, mas parece que a cada uma das idas ao Farol a pessoa se torna mais e mais dependente dele, o que é extremamente positivo, visto de um ponto de vista em que não há muita diferença entre positivo e negativo.
O Farol tem sete andares. Em cada um, há uma espécie de refúgio de emoções de uma determinada área, e cada refúgio está ligado a um dos tais sete pecados capitais. Diz o guardião que o fundador do Farol decidiu organizar assim porque é uma excelente maneira das pessoas saberem exatamente onde devam ficar primeiro, apesar de prôpor que se passe em todos para uma volta completa .

Alguns dizem que a ida ao Farol é como se olhar no espelho e entrar nele sem se ver entrando. Só na volta é que nos vemos.

sexta-feira, agosto 05, 2005

Cortazarianas beatnik (1)

Antes que se diga, eu percebo que está errado.
Pode ser que sim, pode ser que não, mas quase sempre é sim, porque o sim é mais fácil de perceber, a negação vem em uma etapa depois. Logo se percebe que, antes de mais nada, é assim e pronto, depois vem o Peraí, será que é?. É bonito de ver uma boa negação, assumida depois de muitos sim, tenho certeza, quando essa certeza não serve nem para dizer se aquele peixe lá perto da pedra do fundo está ou não está comendo os musgos verde-escuro que estão encostados na pedra.Assim, é interessante ter essa certeza, da mesma forma que o homem tem quando , ao lado de uma bela mulher, estão os dois sentados no sofá em frente a tv, abraçados, olhando qualquer comédia romântica que a mocinha seje fraca e que o mocinho seje forte e que os dois vão ficar juntos por "obra do destino" que nada mais é que uma forma que o roteirista criou para curar as dores da perda do amor de sua mulher, que o trocou por um fotógrafo sem graça mas que ela achou muita graça sim,no exato momento do beijo final que, depois de todos os desafios imposto pelo roteirista traído, finalmente acontece aquele beijo apaixonado que é ainda mais violento e prazeroso depois de tantas coisas acontecidas, e nesse exato momento, com o casal sentado em frente ao sofá, a mulher diz que ama o homem, e ele sabe, é uma certeza, ele sabe que é de coração como se diz, porque ela não mentiria depois de ver um beijo tão apaixonado na tv, por mais que a tv seja apenas uma tv, ela ainda é uma TV.


Um encosto de carro, visto da forma mais despretensiosa, é mais do que um lugar para se descansar a cabeça depois de uma longa caminhada pelos milharais após aquele maldito pneu ter furado e o carro não ter estepe e então ter de se caminhar quase 20 quilômetros até achar uma civilização que tenha um pouso decente para um pobre viajante cansado, e azarado e despreparado, e então no dia seguinte conseguir um estepe e trocar o pneu, e poder entrar no carro, e usar o encosto, que agora se torna algo completamente desprovido de significado que não o de descansar tudo o que está aí , contra toda essas ondas flamejantes que assolam a nossa mente como um Tsunami destrói um hotel num paraíso do Oceano ìndico apenas feito de palha e bambu seco, o mesmo usado pelos Pandas, e não deixa sobrar nada perto do hotal, que agora está desprovido de significado que não o do nada, já que não existe mais nada ali.

domingo, julho 31, 2005

Estalos e maturidade

Há aquela coisa de "estalos", quando, por exemplo, olhamos um programa de tv e algo nele nos faz perceber, se dar conta, entender, que certas opiniões ou impressões nossa à respeito de determinada coisa são completamente erradas ou simplesmente idiotas de tão egoístas/maniqueístas que são(eram). Em muitas vezes, o estalo não é nada mais que passageiro, e nesse caso ele é inócuo, irrelevante, mas ainda sim é com esses que se chega aos verdadeiramente importantes, os que te perseguem até te fazer parar e trocar de estrada porque essa não vai dar em nada além de sofrimento, dor e tristeza. Um belo conjunto de estalos seguidos pode ter diminuída a sua importância por nós, já que te dizer que a estrada não é a certa quando já se andou boa parte dela não é lá uma coisa muito boa, mas é na boa relação com eles que vão te fazer seguir um caminho que te levará a algo mais do que a tristeza, ou a solidão. O interessante nessas horas é ter contato com alguém, não importa se ele/ela já tenha tido esse estalo ou não, para se perceber o tamanho da mudança que te proporcionou, ou se caso contrário, não te trouxe nada além do já conhecido, e nesses casos o estalo ainda é importante porque não é dos definitivos, mas dos inúmeros que te proporcionaram os definitivos.

Da mesma forma, há certos momentos que , na hora, se nota que alguma mudança ele irá trazer, e geralmente essa mudança vem com o nome fantasioso de maturidade. São situações que as impressões, opiniões e preocupações extrapolam o simples umbigo próprio,como as crianças que pelos 3,4 anos percebem que o mundo não gira em torno delas, mas com elas. A sensação é quase a mesma, apesar que quando criança a percepção da mudança não existe. A importância da nossa vida extrapolou a que ela já tinha para cada um, e se torna vital para outras pessoas próximas, ou não, como se uma responsabilidade a mais tenha aparecido para ti, e dessa não há qualquer escapatória fácil porque ela não depende unicamente de ti, tu apenas é uma "entidade" que incorporou a importância e dela não poderá se livrar enquanto não for resolvida.É uma missão e tanto, que acaba te fazendo tomar decisões mais equilibradas e coerentes com o que venha a se chamar "boa conduta". Pode-se envelhecer alguns anos com isso, mas é daqueles envelhecimentos saudáveis, que te fazem poder variar entre pensar como alguém da sua idade ou de 20 anos mais velho. É a tal da maturidade, se um conceito qualquer fosse escolhido pela beleza do que ele pode signficar.

domingo, julho 24, 2005

Nabokov

Alguns trechos de Lolita, do Vladimir Nabokov, um primor de livro, recomendado a todos que querem escrever melhor. O jeito que o Nabokov domina a escrita, as palavras complicadas sem parecerem mera erudição sem propósito, é uma aula a cada página.

"Conquanto seja indispensável registrar alguns pontos pertinentes, a impressão geral que desejo transmitir é de uma porta lateral que abre violentamente numa vida em pleno vôo, deixando entrar uma negra e retumbante golfada de tempo que abafa, com suas chicotadas de vento, o grito da catástrofe solitária"
Hubert Hubert sobre Lolita em sau vida.

" Sou suficientemente orgulhoso de saber alguma coisa para ter a modéstia de saber que não sei tudo"

quinta-feira, julho 21, 2005

Crônica de inverno

Tarde chuvosa em Santa Maria. A previsão é que as massas úmidas permaneçam até domingo, trazendo esparsas pancadas de chuvas. A temperatura, apesar da chuva, permanecerá baixa, com mínimas de 5 graus e máximas de 13. Pela noite, os ventos gelados do sul, somados à garoa fina e às massas de ar polar que estacionaram no estado a uma semana, faz a sensação térmica ser de menos que 5 graus, 1,2 graus provavelmente.As pessoas ainda não se arriscaram a sair na rua, o que pode ser comprovado com uma simples olhada para os prédios ao redor, verificando que muitas luzes de quartos, salas, cozinhas e banheiros estão acesas, denunciando a existência de algum morador no lugar, provavelmente com frio, olhando TV, comendo, cagando ou dormindo.
Um dia quase perfeito para o descanso, diz a funcionária pública Edwiges:

_ Quer melhor pra hoje coisa que ficar em casa debaixo das cobertas?

Um outro ao lado de Edwiges, guri de uns 15 anos aproximadamente, quer aparecer na TV também, e solta, complementando a fala anterior:

_ Tem sim, ficar em baixo das cobertas acompanhado!

Risadas no ambiente. O guri volta para os seus amigos como se tivesse feito um gol de cabeça aos 38 do segundo tempo num Grenal que, até o momento, estava 2x2. O gol, pelo tipo de comemoração, é do Inter.
No meio do falatório e das risadas, um senhor daqueles frequentador assíduos do cafézinho com os amigos no Sábado Demanhã no Calçadão, diz :
_ Melhor é acompanhar a CPI na TV, tomando um mate e rindo da cara dos inconpetentes que mandam nesse país.
Vaias gerais, principalmente da gurizada do futebol.

É preciso respeitar os mais velhos, então o café vai ser feito pra hoje ou pra amanhã, dona? Ó o pessoal aqui, todos com seus cafézinhos e o meu cadê? Preciso de café, olha esse frio, eu sou um homem idoso, será que os sete remédios que tomo não me dão nem uma prioridade de atendimento numa merda de café desses, hã? Não, não me diga que acabou, não me diga isso, não, tu não sabe o que está dizendo Dona, dona de merda, quero meu café, então sempre aparece esses tipos aqui, Margarete? Bah, deve ser duro ficar até tarde aqui, aguentar essas figuras... Não, e pior que tem de tudo né, tem os velhinhos que se acham porque são velhos, os gurizão que querem dar uma de velhos, aquela coisa de intelectual, sabichão, "escritor", hahahaha, eles adoram isso, Oi, muito prazer, tu escreve? Não, só umas coisinhas, mas ninguém leu ainda, hahahahaha, parecem que se guardam para um descobridor que vai achar aquelas merdas, sim, merdas porque na maioria são merdas né, vamos combinar.

O frio aqui em Gramado está pegando foooooogo, o pessoal já começou a chegar hoje, Quinta feira, e amanhã a previsão é de mais gente ainda. A expectativa de todos , lógico, é que desse fim de semana a neve não passe, porque segundo os meteorologistas, as condições estão extremamente favoráveis para a neve. Esse frio, essa chuvinha... É só trocar aquela nuvem cinza de chuva ali por uma mais escura, quase preta. Vamos torcer, né galera, afinal todos queremos ver a neve.A senhora,de onde vêm?

_ Curitiba, Paraná.

E aí, tá gostando do frio? Na expectativa da neve? A senhora já viu neve na vida, que coisa bonita que é, não?

_ Oi, ah eu to ansiosa, estamos eu e meu marido com as máquinas a postos, olha aqui ó, posso tirar uma foto tua? Primeira vez que eu sou entrevistada, imagina...

Não, senhora, estamos ao vivo, depois nós tiramos.
Pois é, a expectativa do pessoal é a melhor possível. Desse fim de semana não passa, vamos torcer, gente! Voltamos aos estúdios.

sábado, julho 16, 2005

Grant Lee Buffalo

Gosto muito do Grant Lee Buffalo, desde pela forma que eu descobri a banda até mesmo por ser difícil de achar coisas deles por aí. Mas é uma banda do início dos anos 90, e se for classificar por estilo, seria algo como um folk/rock alternativo/grunge com algumas pitadas de filme de western e pianinhos de cabaré, tudo isso colocado num liquidificador, acrescentado do principal igrediente: a emoção.
Não há só um rótulo, mas vários.

As músicas deles são extremamente ricas em criar imagens; parecem fazer parte de uma trilha sonora de um filme que nunca foi filmado. As letras sempre contam alguma história meio absurda, fantástica, como a literatura fantástica cheia de realidade do Julio Cortázar, do Kafka e do Daniel Pelizzari, só que em forma de música. O cenário é sempre o mesmo: os grotões perdidos dos Estados Unidos, as cidades fantasmas do Sul, os desertos cheio de personagens estranhos, estradas vazias no meio do nada. Os personagens variam, de fantasmas a ex-presidiários passando por motoristas e artistas mambembes, sempre com a mesma busca: uma pessoa para amar e ser correspondido, que ,afinal, é a busca de todos nós. Basicamente, as histórias são de amor, mas não aquele clichê e piegas de outros músicos: o amor real, com as dores, desafios, lutas e batalhas de uma guerra tão comum a todos nós . A voz do Grant Lee Philips, vocalista, guitarrista e compositor da banda, é uma boa caneta contadora de histórias, indo do texto realista e objetivo que certas situações pedem ao mais emocionante e surreal relato de encontro de duas pessoas, pintando como poucos uma cena de amor. O primeiro e o segundo cd , Fuzzy e Mighty Joe Moon, são como livros de contos sobre o amor impossível contado pelos próprios personagens das histórias, juntos, e provando que a história pode ser algo de impossível e inacreditável, mas o verdadeiro amor não.

Grant lee Buffalo - Jupiter and Teardrop
Just a girl who can’t say no
And her sweetheart on parole
Parents named her jupiter
To bless her with a lucky soul
He’s a boy who never cried
When they locked him up inside
And she nicknamed him her teardrop
For the tattoo by his eye

Now she’s sleeping in her bed
And he’s sleeping in her bed
And it’s jupiter and teardrop
And it’s jupiter and teardrop

She divines by radio
Pushing buttons show to show
And she wonders ’bout the fate of
Lovers in the barrio
She forgets after a while
When she tunes in on the dial
Jackie wilson’s lonely teardrops
And she drives another mile

Now she’s sleeping in her bed
And he’s sleeping in her bed
And it’s jupiter and teardrop
And it’s jupiter and teardrop
And it’s jupiter and teardrop

And they want to have a child
Walk together down the aisle
But the world they live in is mean
And it’s built on sheer denial
The phone rings it’s for her
Got to see ya jupiter
I’m in trouble with the law
Bring my 38 caliber

Now she’s sleeping in her bed
As she pulls the phone plug dead
And it’s jupiter and teardrop
And it’s jupiter and teardrop

segunda-feira, julho 11, 2005

Viajar

Preciso viajar, mudar de ares, dormir em cama que não a minha, ver pessoas e coisas diferentes, renovar o repertório de histórias para contar...
Terça to partindo. Vou meio sem rumo, tentar ver algumas caronas até Livramento. Eu e um amigo meu. Vamos ver no que vai dar.

Um texto meio antigo...
Viajar
Andar de carro, avião, bicicleta, o que quer que seja.Viajar.Palavra tão pequena, frágil, débil, mas ah, como pode ser ao mesmo tempo tão profunda e transformadora quando é deixado de lado o seu significado semântico, levando em conta apenas o simples e inexplicável sentido que adquire quando nada além dela pode salvar de uma rotina certinha e burocrática que toma conta da vida em alguma parte de demasiada reflexão ou depressão? Como explicar e descrever a sensação de deixar tudo para trás a fim de buscar um objetivo maior que na verdade nunca se irá encontrar, mas que ao mesmo tempo fascina só pelo fato de ter esperança de que algum dia ele possa existir e ser alcançado? Um motivo este tão importante e misterioso que ninguém consegue explicá-lo ou entendê-lo de forma diferente da qual ele quer que entendamos, pois na realidade ele não teria sentido se fosse facilmente compreendido já que todos teriam acesso a ele de um modo muito mais fácil e assim não daria-se valor ao simples fato de buscá-lo que é por si só o sentido verdadeiro de qualquer busca que se julgue eterna . Posso morrer ao tentar buscá-lo, mas é justamente este o grande desafio que enfrenta-se ao lidar com um inimigo desconhecido, muito maior, e que conhece todos os seus passos como uma mãe conhece os passos de seu bebê, sabendo exatamente qual será a próxima ação a ser tomada e já planejando um outro ataque que deixará ainda e sempre mais distante do motivo principal que busca-se num ato simples determinado por uma palavra tão simples e frágil: viajar.

Um texto de aproximadamente um ano e meio atrás, da minha fase beatnik (hehehehe!). Recém tinha lido o On the Road, do Jack Kerouac, e o Primeiro Terço, do Neal Cassady, o companheiro do Kerouac. É nítido o efeito.

quinta-feira, julho 07, 2005

Como me tornei estúpido

Do livro "Como me tornei estúpido", de Martin Page:

A verdade sai da boca das crianças. Na escola primária, ser inteligente resultava num insulto infame; quando crescemos, ser intelecutal passa a ser quase uma qualidade. Mas isso é uma mentira: a inteligência é uma tara. Assim como os vivos sabem que vão morrer, e como os mortos não sabem nada, penso que ser inteligente é pior que ser asno, porque o asno não se dá conta disso, ao passo que qualquer inteligente, ainda que humilde e modesto, o sabe forçosamente.

Está escrito no Eclesiastes que "quem tem sua ciência aumentada, este também tem aumentada a sua dor".Os cristãos tem a sorte, quando jovens, de ser postos em guarda contra o perigo da inteligência; por toda a vida saberão distanciar-se dela.

O livro, basicamente, conta a história de um cara( Antoine) que , cansado de saber de coisas que não o levam a muito longe, decide investir na idiotice como forma de sobrevivência.Ele se convence de que só a estupidez lhe permitirá ser plenamente aceito pela sociedade.Genial.
Já discuti várias vezes sobre se a inteligência, ou saber determinada coisa que aos olhos dos outros possa parecer que tu é uma pessoa inteligente, tem algum sentido, porque se sofre demais com isso. É um assunto interessantíssimo, não acham?

sábado, julho 02, 2005

Pink Floyd

Há algumas horas atrás aconteceu o show do Pink Floyd no Live 8,em Londres. Passou direto na MTV. Show com a formação clássica : David Gilmour na guitarra/vocal, Nick Mason na bateria, Richard Wright nos teclados e Roger Waters no baixo/vocal.Waters saiu da banda faz quase 20 anos, e essa é a primeira vez que a banda se reuniu nesse tempo todo. Foi algo um tanto espetacular. Pra quem cresceu nos anos 80 e 90, foi algo inédito.

Eles tocaram quatro músicas ( pelo menos foi as que a MTV mostrou):
Breathe e Money, do clássico Dark Side of the Moon, de 73, um dos melhores albuns da história do rock;
Confortably Numb, do também clássico The Wall, de 79;
e Wish you were here, do album homônimo de 75;

Foi muito lindo de ver Waters e Gilmour cantando juntos Wish you were here. Apesar das desavenças entre os dois, que acabou resultando na saída de Waters da banda, no Live 8 eles pareciam felizes, riam, tocavam relaxados - apesar dos dois nunca se olharam. O som tava perfeito como sempre, límpido, poderoso, imponente, e a banda continua tocando muito, Gilmour cantando muito bem, Waters não tanto, mas compensando dando mais emoção à sua voz.

Não me surpreenderia (muito) se eles voltassem a tocar juntos, fazer uma turnê especial, colocar mais um dinheiro na já abarrotada conta bancária deles. Díficil vai ser conciliar o gênio dos cabeças da banda ,Gilmour e Waters,que há anos não se falavam e só se reuniram para tocar porque, palavra deles, "a causa do Live 8 é maior que qualquer desavença entre nós". O que teria de produtores oferecendo milhões e milhões para a banda tocar...

Roger Waters sempre foi o gênio criativo da banda. Compôs a maioria das melhores músicas da banda, e quase todo o The Wall, de 1979. Gilmour é um músico excelente, mas quando Waters saiu da banda e ele teve de assumir o controle, o Pink Floyd não foi mais o mesmo. Isso foi em 85. Hoje, quase 20 anos depois, eles tocaram novamente. E eu não acredito ainda.

Sábado

Sábado de manhã quente, sol forte, vento gostoso e não quente; um dia bom para acordar cedo, tomar um café com calma, ler os jornais tranquilamente no sofá, olhar algum jogo que tenha na tv e depois Os Simpsons, comer um belo churrasco, fazer uma boa caipirinha pra acompanhar, dormir depois fechando as percianas e a porta do quarto sem qualquer pressa/despertador para acordar, acordar naquela preguiça, comer algo e ir tomar um mate no calçadão, conversar com os amigos e olhar o movimento, observar o anoitecer caminhando tranquilamente na Floriano - de preferência perto do colégio Santa Maria -, passar na Presidente lotada de gente nas calçadas, uns tomando também mate outros cerveja e acompanhando algum jogo da dupla grenal nos bares, chegar em casa. Pegar um filme, voltar para casa, jantar algo bom - de preferência pizza - olhar o Jornal, a novela, ir para o computador, jogar um futebolzinho ali no pc, e por fim, se nada surgir que te faça sair de casa, olhar um filme e dormir.Um típico sábado de tempo bom.