quinta-feira, outubro 20, 2005

Impressões de viagem: Montevideo (2)

Continuando...

Montevideo tem dois lados meio distintos:

O centro,da Plaza Independecia até perto do porto e do mercado público, que é a parte conhecida como Ciudad Veja, onde surgiram as primeiras povoações. É uma península no Rio da Prata: o porto fica na ponta da península, e o começo da Ciudad Veja fica no meio. Seguindo em direção da Plaza ao porto, pode-se olhar para os dois lados e encontrar água. É como Porto Alegre: estando parado no calçadão da Andradas, olhando para a Praça da Alfândega, por exemplo, o rio Guaíba está na frente e nos dois lados, sendo que atrás de ti é que está o continente. Montevideo é a mesma coisa.


uma das ruas da Ciudad Veja


As praias. Sim, há praias em Montevideo. Elas são distante alguns quilômetros do centro, mas nada que um ônibus não resolva. Pocitos é a primeira de inúmeras que vêm a seguir, todas com uma excelente infra-estrutura, calçadão, uma linda orla com inúmeros prédios chiques, enseadas e tudo. Há uma boa faixa de areia em cada praia, aquelas areias mais escuras, dura, mas a água não é muito aconselhável para o banho, embora sempra haja alguns corajosos. É uma região muito bonita, cheio de gramadões verdes para se sentar, deitar, ler um livro, e um bom lugar para se fazer uma corrida, já que o calçadão acompanha todos a área entrecortada das praias, que dão no total quase 4 quilômetros. É considerada uma área nobre da cidade, há bastante restaurantes, lojas e prédios finos, além do Iate Club, tradiconalmente lugar de elite, onde ficam alguns pequenos iates, lanchas e outros barcos atracados.
As fotos dessa parte virão depois, não descarreguei elas ainda.


As uruguaias

As uruguaias são "cult". A grande maioria anda vestida no que aqui consideramos como "cult", pelo menos. All-Star ou um genérico, calça jeans, uma blusa e um casaco, franjas no cabelo negro. Quase que nem os indies daqui. A diferença é que ,se aqui é exceção esse jeito, lá é maioria. Não há patis, não se vê mulheres de salto na rua - salvo as que tem de trabalhar com ele -, não se vê quase muita produção para se sair na rua, como geralmente acontece por aqui. Assim, a beleza delas é mais rústica, natural.
E, puta que pariu, são muito belas! Morenas, cabelo comprido quase sempre, olhos calros, magras mas boas de corpo - há pouquíssimas gordas, pelo menos das que saiam nas ruas . O que mais se vê por lá são morenas magras de olhos claros de All-star, o que seriaum paraíso, se elas não fossem , digamos, arredias. Nas andanças noturnas, poucas davam conversa, tanto para uruguaios quanto para estrangeiros - que, por sinal, são bastantes por lá ; encontrei dois espanhóis e dois ingleses perdidos como nós , deu até pra arriscar um inglês, andamos juntos por um tempo, até que eles decidiram entrar num lugar e nós ficamos andando mesmo. Mas voltando às uruguaias. Elas andavam pelos circuitos de pubs rapidamente, dando uma leve olhadinha para os em sua maioria homens que estavam nas mesas de fora dos bares, como que para se assegurarem de que eles vão retribuir o olhar e elas continuaram andando, como se não tivessem olhado. Caí muito nesse joguinho delas até perceber que era um jogo que já se começava perdido pra mim. Deixei elas pra lá e fui tomar minha Pilsen litro.

Em um bar/boate que entramos por lá (AlmodoBar o nome, criativo), tivemos a triste verificação de que nosso "espanhol" não é suficiente para se trovar uma uruguaia. Ainda mais uma uruguaia, arredia a uma aproximação simples e corriqueira por aqui.
O lugar. Como os daqui, nada de diferente. Só a banda, um trio de rock com uma mulher no vocal,que por aqui não seria digna de tocar num lugar como esses. Muito ruim. Som péssimo.
Algo comum no lugar , e nas ruas também, era ver gente tomando uma garrafa de litro de cerveja no bico, sem qualquer cerimônia. O que aqui é coisa de bêbado, lá é normal. Muito estranho.

Mas, enfim, ainda caso com uma uruguaia daquelas.

Impressões de viagem : Montevideo(1)

Aos poucos, vou relatando algumas impressões que tive dos lugares por onde passei, algumas coisas que só amadurecem depois de um certo tempo.

Montevideo (traduzido para o português, fica Montevidéu, mas eu prefiro o original) é uma cidade calma. Na parte central, tudo gira em torno da Avenida 18 de Julho, que é onde ficam os principais bancos, praças, sedes de governo, prédios históricos e administrativos do Uruguai. Mesmo com tudo concentrado ali, as coisas parecem funcionar tranquilamente; os ônibus velhos andam nos seus lugares, as pessoas caminham na calçada e não na rua, o chão é limpo em comparação com cidades do mesmo tamanho, as sinaleiras funcionam, quase não se ouve barulhos de buzinas, tudo parece estar em harmonia.


eu na Plaza Independencia, ao fundo a 18 de Julho.

Mate

Um fato curioso é que, independe da hora do dia, os uruguaios sempre carregam a térmica e a cuia para o mate. Pude conferir isso de manhã bem cedinho, pelo meio dia, depois do almoço, à tardinha, até à noite... sempre com o mate, tantos os jovens quantos os mais velhos, mulheres e homens, seja na 18 de Julho ou nas ruas paralelas menos movimentadas.
Algo que me intrigou de início é que o mate parecia um chá, não tinha o tradicional morrinho que fazemos por aqui, era a bomba perdida na cuia sem lugar certo, como um canudinho em um copo de refri. Depois, comprei uma erva num mercado e percebi o motivo disso: a erva deles é muito ruim. Fina, parece aquele pó de se fazer chá-mate, não há morrinho que dure - ainda mais com aquele vento forte que sopra em Montevideo . Tentei fazer um morrinho, mas já no terceiro mate tudo desabou, e meu mate ficou igual ao dos uruguaios. Ainda assim continuei tomando, e ele até que demorou mais do que o normal para ficar "lavado". O gosto é um pouco mais fraco que o nosso, acho que por a erva ser mais fina, mais misturada que a nossa. Mas, definitivamente, o nosso mate/chimarrão é melhor.

Carros

Os carros são quase todos de motor à diesel. Nos acostumamos aqui a ver só caminhonetes, ônibus, caminhões - veículos grandes em geral - com esse tipo de motor, e reconhecemos aquele ronco caracterísitico que o carrom acaba fazendo quando um desses se aproxima. Mas lá, caminhando pelas ruas, parava numa esquina para atravessar e ouvia aquele ronco que , para mim era característico de carro grande, vindo de tudo quanto é tipo de carro, principalmente dos pequenos , corsas, celtas, clios, gols, paratis, todos esses. Estranhava muito, o que me fez ficar cuidando para ver se encontrava algum carro que não tivesse aquele ronco, mas era extremamente difícil. Numa proporção de cabeça, diria que de 90 a 95% dos carros uruguaios são à diesel.

Percebe-se que o DETRAN deles não fiscaliza muito os carros velhos. Há de todos os tipos; fusca caindo aos pedaços, corcel sem uma lasca de pintura, fubicas não se sabe como andando de tão velhas, até mesmo carros novos com batidas no parachoques não consertadas, com a porta estragada, o vidro de trás quebrado.
Há uma justificativa para isso, acho eu: encontrei um carro desses velhos, mas ainda não caindo aos pedaços, por 9000 pesos, o que dá algo perto de R$ 900 reais. Muito barato se comparado aos daqui.

As marcas dos carros de lá são quase as mesmas dos daqui,e não poderia ser diferente, já que a grande maioria é importado do Brasil e da Argentina. Há um ligeiro maior número de carros da Renault que aqui, assim como também acontece na Argentina, onde as fábricas da montadora francesa são mais antigas .No mais, é a mesma proporção nossa, Fiat, Wolksvagem, Ford, GM, etc.

quarta-feira, outubro 19, 2005

Volta à realidade

Pois bem, depois de alguns dias viajando (mais especificamente 6 dias), a volta a realidade sempre é cruel, as lembranças dos lugares visitados sempre tornam a comparação com a nossa casa desigual, por melhor que nosso lar seja, e demora-se alguns dias até que as lembranças diminuam o , digamos, "domínio de sensações" que as memórias da viagem a todo momento se fazem lembrar.
Hoje é dia de sol forte, calor mas com vento; o mesmo clima de praticamente toda a nossa viagem pelo Uruguai, então saio na rua e lembro do Uruguai, dos lugares que o vento forte causou algo interessante que me fez lembrar mais do que outras coisas e assim por diante. Mas com a quantidade de viagens vem também uma mais rápida "acostumação" da realidade.


Aos poucos, vou colocando impressões de lá, fotos e outras coisas, já que o que era para ser um diário de viagem se tornou apenas um meio diário - um terço de diário - principalmente pelo difícil acesso à cybercafés pelo caminho, mas também por ser mais díficil "analisar" um lugar, contar impressões , estando nele. Um certo distanciamento é saudável para se que as lembranças amadureçam...




Essa é a Peatonal Sarandí da Ciudad Veja, bem no centro de Montevideo. Basicamente, é um caminho de algumas quadras de um tipo dum calçadão onde ficam bares, restaurantes, lojas, antiquários, praças, e que a noite é onde se concentram o movimento das pessoas. Nas ruas paralelas ao caminho há uma grande concentração de pubs, dos mais variados gostos. Os uruguaios gostam muito de se sentar nos pubs, tomarem suas cervejas de litro (Pilsen, preferencialmente, mas também Norteña, Patricia, Heineken...) e conversarem bastante, ao som de rock,tango, música flamenca e mais outros estilos, mas em sua maioria esses. Há bastante jovens, mas também há bastante adultos de seus 30, 40 e até 50 e poucos anos. Em sua maioria, mulheres. Mas essas merecem um capítulo à parte, que eu deixarei para amanhã ou depois.

sábado, outubro 15, 2005

Diário de Viagem (2)

Buenas, cá estamos. Nao consegui postar ontem, esgotou o tempo, uma falha grave que pretendo consertar hoje.

Na quinta, pegamos 3 caronas até Livramento. Em Sao Vicente, a coisa foi complicada, demoramos quase duas horas, mas , por sorte, pegamos uma bem na hora que comecou a chuver. E que chuva! No caminho para Cacequi, choveu até pedra.

Chegamos pelas 8 em Livramento, jantamos e conseguimos pegar o onibus da meia noite e meia para Montevideo. Chuvia bastante, estávamos cansado, acabou sendo a melhor alternativa.

6 horas chegamos em Montevideo. O horário de verao aqui já está em vigor, adiantamos o relógio em uma hora e fomos andar pela cidade. Temperatura agradável, amanhecendo , as pessoas indo trabalhar.
Aqui as coisas giram em torno da Avenida 18 de Julho, a principal da cidade. Nem parece que a cidade tem mais de um milhao de habitantes, as coisas sao tudo meio perto, tudo em volta dessa avenida.

Depois de andar nos arredores da 18 Julho atás de um hotel bom e barato, acabamos achando um nem tao bom, nem tao barato, mas suficiente, na avenida Uruguay esquina com a Rio Branco, tres quadras da 18 de Julho. Alpey o nome do hotel. Conseguimos um desconto de alguns pesos com o gerente-porteiro e fomos para o quarto, que fica numa ala onde era um casarao antigo, com aqueles corredores enormes, o chao de madeira que faz ressoar longe os passos. O quarto é simples, grande.




Descansamos um pouco (umas 3 horas) e fomos conhecer a cidade. Tiramos umas fotos, conhecemos os arredores da plaza Independencia, que é bem o centro da cidade, as ruelinhas que lembram bastante Cuba, os arredores do porto. Tomamamos uma Pilsen no Mercado Publico...



Conhecemos mais alguns lugres, tomamos um mate na beira do Rio da Prata. Aliás, mate é algo que todos uruguaios tomam, na rua a castelhanada toda anda com sua térmica debaixo do braco e a bomba atravessada nos queixo...
De noite, fomos conhecer os bares, tomar algumas cevas, etc. Mas como nao tenho muito tempo, quando chegar conto mais detalhes (ou nao...)

Ficaremos aqui até domingo, depois vamos subir o litoral uruguaio até o Chuy, onde pretendemos chegar segunda ou terca...

Outra foto por lá...



P.s 1 Uso o plural porque estamos eu e o André.

P.s 2 Nao me adaptei ao teclado daqui, que é bastante diferente. Entao algumas coisas saem estranhas, sem acentos principalmente...

quinta-feira, outubro 13, 2005

Diário de Viagem (1)

Estamos partindo ao meio dia. Espero estar à noite em Santana do Livramento, mas nessas andanças nunca se sabe, então não me surpeendo se , à noite, estivermos em:

a)Uruguaiana
b)Alegrete
c)Rósário do Sul
d) Bagé
e)ainda São Vicente do Sul

Qualquer outro lugar - fora Livramento, claro - vai ser surpresa. O calor, o sol forte até ajudam a conseguir carona, mas a chuva que promete vir amanhã pode ser um empecilho para os futuros planos. Mas o bom dessa vida é que nunca se sabe: o que em determinada circunstâncias poderia ser motivo de apreensão, aqui pode ser motivo para se surpeender com a capacidade de se enfrentar adversidades. Algo como um tempero forte, que dá um gosto tão bom na comida que depois não se imagina como nós queríamos comer aquela comida sem o bendito tempero.

terça-feira, outubro 11, 2005

Experimentações (literárias?)

Como tudo aqui, esse texto está sujeito a alterações. Aliás, mais do que os outros, pois esse certamente irei alterar depois, mas posto hoje para ver o que mudarei na vez em que alterá-lo.
Um experimento para comprovar que muito do texto, principalmente o final, depende do estado de espírito em que estamos na hora de escrevê-lo, e que é bastante saudável , na maioria dos casos, deixar o texto amadurecer, como um bom vinho, para passado algum tempo ver se ele ainda conserva o mesmo sabor sentido logo depois de seu término, ou se aumentou, diminiui, mudou completamente.




Eu queria passar na ponte de carro e nadar, só isso.
Então, decidi que era hoje que iria até lá, naquela noite. De uma festa que estava ruim demais, onde o champanhe tinha gosto de sangue e as pessoas fingiam que isso era bom, fui de carro até a ponte, que era distante da festa alguns bons quilômetros. Em um cruzamento já afastado da cidade, peguei à direita numa estradinha de chão batido e de lá segui até a ponte com os milharais me acompanhando, bêbados, agitados, gritando para tentar me dispersar, e , quem sabe, me fazer dormir com eles, ali mesmo.

Chegaram a gritar tanto que perderam a voz, e a lua finalmente conseguiu ouvir meus apelos e se tornou minha guia. Naquele céu estrelado, sem uma nuvem, ela funcionava como um farol para um barco que sabe onde está a costa, mas está embriagado o suficiente para não lembrar mais onde atracar.

Depois de algum tempo no imenso silêncio, cheguei na ponte. Ela estava ali como sempre esteve, me esperando, e dessa vez parecia mais linda ainda – cortesia da minha guia, que a iluminava como um grande sol num filme preto-e-branco. Não tinha muito controle dos meus atos, mas os meus sentidos estavam até mais aguçados, e talvez por isso consegui escutar com clareza a limpidez das águas, o bater suave nas pedras, a correnteza forte que levava tanta água que eu comecei a achar que as pedras não iriam agüentar, principalmente uma menor que estava sozinha, metade fora metade dentro d’água, tão pequena e inocente para estar ali, ao lado de tantas maiores e resistentes, como que esperando o destino cruel que a levaria rio abaixo até a grande cachoeira que o partiria em vários pedaços.

Parei o carro em cima da ponte, tirei o terno apertado, e , nú, me joguei dali de cima. Por algo que eu não entendo até hoje, não lembrei de mais nada depois. Sei exatamente do que aconteceu antes da onda preta aparecer. Foi assim: quando me joguei, vi as águas correndo, bem escuras, a pedrinha solitária ali me chamando, Venha se juntar a mim vamos ser solitários juntos, e algumas espalhadas que foram ficando cada vez mais juntas, maiores, e então veio uma onda meio amarela nos olhos e depois a preta, o breu.

domingo, outubro 09, 2005

Uma crônica

Eu fiz essa crônica com a intenção de mandar para um concurso de ex-alunos da UFSM. Como eles abriram para os alunos atuais, pensei em fazer. Mas precisava de um "padrinho" entre os ex-alunos. E eu não consegui nenhum. Então, vou colocar ela aqui mesmo, pelo menos alguém vai ler.

AH! É uma história verídica.

O MATE COM PAIEIRO NO CAMPUS

Certa vez, alguém me disse que fumar um paieiro e tomar um mate no campo, deitado, olhando para o céu muito mais estrelado que o normal na cidade, era algo espetacular e indescritível, daquelas coisas que um homem deve fazer algum dia na vida – assim como plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho, segundo aquele ditado bem conhecido. Como na época não fumava e era um recém iniciado no mate - ainda não era capaz de sentir verdadeiro prazer a ponto de tomar um sozinho – achei que isso era bobagem. Era invenção de quem tinha lido As aventuras de Tom Sawyer, do escritor americano Mark Twain, e resolveu adaptar a situação lida às tradições gaúchas, pensei. No livro, Tom e seus amigos, no desabrochar da flor da infância para a adolescência, tem como um de seus grande prazeres ir para as matas além da vila onde moram, na beira do grande rio Mississipi, e sentar-se por lá, fumando um paieiro. O prazer se dá mais pelo proibido da situação do que pelo prazer propriamente dito causado pelo fumo. Tinha escutado isso há bastante tempo, na minha já distante infância no interior.


Pois bem. Numa dessas andanças de carro pelas noites do inverno santa-mariense, lembrei dessa história. Como naqueles estalos que vêm muito depois de se querer, subia a Fernando Ferrari com mais dois amigos , a cabeça grudada na janela do lado olhando para o céu límpido, quando surgiu a idéia:

_ Vamos fumar um paieiro e tomar um mate no bosque do campus!

Silêncio sepulcral de 3 segundos. A resposta veio do meu lado, no banco do motorista:

_ Ué, vamos. Nesse frio...
_ Fazemos uma fogueira, daí! – disse o de trás.

Todos concordaram.
Passamos em casa, pegamos cuia, térmica, bomba, esquentamos a água. Passei no quarto do meu pai e busquei lá no fundo do roupeiro, dentro de uma caixa de sapato, o fumo em corda e as palhas in natura, saídas direto do milharal . Fomos.

Era depois da meia noite, estava perto duns cinco graus na rua. No caminho, pensamos , dentre outras maluquices, em alguma forma de despistar o guardinha da entrada do campus, que achamos que iria complicar com a nossa presença ali àquela hora . Mas era tão mais fácil falar que íamos visitar um amigo na casa do estudante que nem pensamos em inventar alguma história mirabolante.

Da entrada fácil (nem perguntaram nada, apenas pediram o RG de cada um, sabe se lá pra quê) até estacionarmos em frente à reitoria foram três minutos contados no meu relógio. O campus estava vazio, com algumas poucas luzes e barulhos vindos do primeiro prédio da CEU II , aquele mais antigo.

O bosque praticamente tem só aquelas árvores de tronco alto, com muitos metros acima da nossa cabeça, e isso o torna , principalmente à noite, bastante assustador.
Na entrada, olhei para cima e - eu senti isso, juro – pareceu que as árvores se tornariam enormes guardas com armaduras, lanças e escudos só esperando que entrássemos para desferir o golpe mortal que nos desacordaria, para , no outro dia , início da manhã, algum guarda do campus vir nos perguntar “o que vocês fazem aí a essa hora?”.

Entramos devagar, olhando bem para os lados. Apesar de dar medo, a visão era muito bonita, a claridade do céu estrelado entrava pelo meio das árvores, dando um belo contraste claro/escuro no chão. Era como se estivéssemos num filme preto e branco, e o estar ali , bem no meio do bosque, longe o suficiente pra vermos a saída em um pontinho branco lá no fundo, nos dava a nítida sensação de fazermos parte de um filme de faroeste americano, justamente naqueles momentos da parada para descanso da turma do bandido – que normalmente acontece em matas, para evitar a exposição que traria uma área mais aberta.

Passada a ponte sobre o riachinho, alguns metros à direita da estrada, sentamos num tronco caído, colhemos uns tocos de lenha ali pela volta, e fizemos a fogueira. Sentei, olhei para o céu entre as árvores, vi as Três Marias brilhando como nunca , tirei o fumo em corda. O aroma forte de fumo caseiro que saiu nos embriagou de vontade de fumar. O fogo já estava estabelecido, o mate já começava a rodar pelas seis mãos presentes; piquei todo o fumo, juntei a palha, acendi e soltei aquela tragada forte que só os bons fumos possibilitam. Passei o paieiro, recebi o mate, e aquela água quente na garganta desceu como nunca, deixando o gosto forte e amargo do fumo ainda mais forte e amargo, infinitamente mais agradável.
Nem lembrei mais do frio, do medo, dos bandidos, do contraste, das árvores enormes nos vigiando (ai se elas contam para o reitor!), dos guardas, das luzes já tão longe.

Só levantamos dali quando acabou a água.

quarta-feira, outubro 05, 2005

Luto

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Devido à morte do meu vô.

Grande pessoa, honesto, trabalhador, criou uma família linda a custo de muito trabalho e reza. Saiu do interior do interior, veio pra cidade, abriu uma empresa, criou e educou 10 filhos, todos bem sucedidos profissionalmente (engenheiro, administradores de empresa, médica, professoras, fisioterapeuta, jornalista), sempre ajudou quem precisava das mais variadas formas, sempre tão simples e correto nas suas idéias.
Um grande ídolo.
Se alguém conseguir ser metade do que ele conseguiu ser nessa vida já pode se sentir orgulhoso de ter sido alguém muito importante para uma cidade.




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domingo, outubro 02, 2005

Lista

Inspirado em um colunista de um site de cultura pop aí, vou abrir a lista com todas as músicas minhas no winamp e deixar tocar no modo aleatório. As 8 primeiras que tocarem eu comento alguma coisa aqui.

1) Hellacopters - Take me on
Boa música da banda de hard rock lá da Suécia (ou seria Dinamarca?, não lembro). Pesada, rápida, com aquele solinho clássico de hard rock no meio e depois a repetição do refrão, e um outro solo vai tocando até o final, junto da voz.

2)Mundo Livre S.A - E a vida se fez de louca
Sambinha dos pernambucanos do Mundo Livre, banda que apareceu junto da Nação Zumbi na explosão MangueBeat. A letra é meio algo como socialista/crítica ao capitalismo com uma história de amor. O cavaquinho toma a frente da condução da melodia, mas tem uns barulhos eletrônicos e uma pitada rock na bateria, tudo bem característico da banda. " Deus me dê fígado porque temos uma vida pela frente" realça o tom "música de boteco pra se tomar cerveja discutindo a situação do mundo".

3) Teenage Fanclub - Alcoholiday
Power-pop clássico do quarterto inglês. Uma guitarrinha pesada, uma letra melosa loser, um vocal meio choroso = melodia extremamente assobiável, que gruda na cabeça e só sai dali se substituída por outra completamente diferente.

4) Franz Ferdinand - Michael
Essa é a legítima música de gay. Faz vários dançarem freneticamente e boiolamente.
A letra: "So sexy, I'm sexy,so come and dance with me Michael" e a entonação da voz, meio que sussurando no ouvido, é de uma viadagem suprema, quase um convite para dois viados se esfregarem e cantarem um no ouvido do outro a letra. Mesmo assim, uma boa banda, e a música diverte, a melodia é bem típica do pos-punk alegre dos anos 80, apesar de a banda ser de hoje.

5) Andromeda - Too Old
Banda do final dos anos 60 que descobri por acaso lendo uma revista. Rock'roll tradicional, psicodélico. Boa para aquelas festas "revival" e para se agitar um pouco antes de sair para uma festa que só vai tocar música "dançante".

6)Jeff Buckley - Mojo pinEssa é triste. Aliás, na voz do Jeff Buckley quase tudo fica triste. Alguns sussuros no início, gritos bem afinados ( ele canta muuito), uma letra bem, digamos, poética. A maioria das letras dele é assim, profundas, de fazer a gente pensar e a forma como ele canta as letras dá uma angústia, parece que ele sofre em muito em ter de dizer aquilo. Um rock com um quê de folk por causa da guitarra quase sem distorção, que em momentos lembra um violão. O refrão: "Don’t wanna weep for you, I don’t wanna know
I’m blind and tortured, the white horses flow , The memories fire, the rhythms fall slow Black beauty I love you so"
. É uma versão ao vivo, que é ainda mais emocionante.

7) John Frusciante - Carvel
O guitarrista do Red Hot é um cara esquizofrênico. Quase morreu de tanto se chapar, voltou pra banda e agora té limpinho. Mas as sequelas continuaram pra sempre...
Os mais recentes albuns solos dele são excelentes, baladinhas no violão e a voz , se não é das mais afinadas, pelo menos não compromete. As melodias levadas quase sempre ao violão são belíssimas - é aí o ponto forte dele - mas aquela "loucura" está sempre presente nas músicas, seja na forma dos gritos angustiados dele ou na levada do violão, no ritmo...

8) Mad Season - i'm above
Projeto paralelo do vocalista do Alice in Chains, Layne Staley, com o guitarrista do Pearl Jam, Mike McCready, e mais dois ex-integrantes de bandas de Seattle. Muito bom. Tem um toque "blues", uma percussão meio world music( em algumas músicas, algo que inexiste nas bandas originais dos integrantes . É um som mais calmo, a guitarra soa mais limpa, menos pesada, com us toques psicodélicos até. E a voz do Layne... Continua excelente como sempre, mais dosada de gritos do que com o Alice in Chains.
A música é do único album deles, Above, que é de 95.

sábado, outubro 01, 2005

A felicidade nunca me trouxe boas histórias

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_ A felicidade nunca me trouxe boas histórias...
_ Tá, e tu é um personagem ou um ser humano? de que adianta boas histórias e uma vida infeliz?





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quinta-feira, setembro 29, 2005

Percebia

A gente acredita tão piamente em certas coisas.
Pois é.


"Percebia, sim
naquele silêncio todo,
de canto de olho,
como quem não quer nada,
mas deseja acima de tudo
Um amor
alguém pra soltar todos aqueles clichês
"eu te amo, te quero demais, meu docinho"
e não mais ter vergonha
de falar de coisas de que não sabe"




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segunda-feira, setembro 26, 2005

Amor e samba

Imagine o Rio de janeiro, quadra de alguma escola de samba.
Churrasco assando, cerveja gelada de copo em copo.
Uma rodinha de samba em volta de duas mesas.
Oito pessoas, típicos carioca da gema, tocam pandeiro, violão, cavaquinho, bandolim e outros batuques.
Um puxador é a voz principal, o resto é o coro.
Mulatas sambando, brancas sambando timidamente, velha guarda de branco dançando junto, crianças brincando de pega-pega, jovens paquerando e cantando.
A música é um samba, o esboço do samba-enredo do próximo ano da escola cujo tema do desfile é o Amor.

A letra:

Amor, coisa rara, já foi embora
Bateu na porta, disse Olá, não gostou?
Fico em triste em saber,
que o amor não diz porquê
aparece, vai embora sem dar tchau!
Mas mesmo assim não há quem consiga
Viver sem tê-lo em companhia!


A entonação:

Amoooorrrr, coisa rara/
jáá foi embooraaaa/
bateu na porta disse Olá, Não gooostouuuuu?
Fico em triste em sabeeerrr que o amor não diz porquêêêê/
aparecee, vai embora sem dar tchauuuu!/
Mas mesmo assimm, não há, quem consigaaa
Viver sem tê-looo em compaanhiiaaaa!

! ah, o amor!


Amoorrr, coisa rara...

domingo, setembro 25, 2005

Domingo em família (2)

à noite

Ato Quatro
Sala
A tv ligada no jogo de um dos dois times da família. Da minoria; dois torcem a favor, seis contra; 'secam' ainda mais com o gol de empate do time adversário e com o nervosismo de um dos que torcem pelo time local que joga. Ele fica brabo, sai da sala. Tios, primos, e uma "intrusa", amiga de uma das tias, secam. Mas o jogo acaba empatado.

Mesa principal e secundária
Estão quase vazias; começa as conversas para qual a melhor maneira de se aproveitar o restante do almoço para se fazer uma boa janta. A prima de vinte e poucos anos, não muito ativa em matéria de preparação de comida, se manifesta. Silêncio entre as tias e a avó.
"Vamos testar nossa sobrinha" devem ter pensado.


Ato Cinco
Mesa Principal
É hora da janta. Corta-se as carnes restantes do meio dia, mistura-se a orégano e azeite, põe-se na panela. Misturada com farofa pronta Ioki, maionese e outras coisas restantes do almoço, está feita a janta. Toma-se vinho, sempre, para acompanhar e temperar as conversas.
O assunto que uniu todos ali ainda é prioridade; todos estão otimistas, as piadas são mais aceitas, os causos - referentes ao assunto,sempre - se tornam mais frequentes. Tios, tias, primos acima dos vinte, os mais velhos. A prima teve a idéia da carne com orégano; mesmo com receio de fazer besteira, tudo ficou muito bom; aprovada. Fará outras vezes?

Mesa Secundária
Primos abaixo dos vinte, tios com dores de cabeça jogam truco.

Sala
Para os que não tem espaço na mesa principal. O Fantástico como pauta para os assuntos. Tias e primos mais novos, com a adição dos que transitam entre a comida da mesa principal e a tv da sala.

Ato Seis
Mesa Principal
Chegam mais tios, juntam-se a mesa. Mais vinhos são trazidos. Sobram os tios na mesa; as mulheres vão para sala.

Mesa Secundária
O truco acabou.

Sala
Tias, primos, priminhas enchem a sala. Olham tv, conversam, as primas brincam, olham fotos. Risadas. A filosofia é motivo de discussão entre duas tias professoras e um primo estudante, que, por ser mais novo, tem a memória melhor e ganha a parada. As tias consentem

Prólogo
Sala
O primo que mora longe começa as despedidas.Há os que ficam, que se despedem rapidamente, pois amanhã o motivo que os uniu ali os unirá novamente. Os que moram longe conversam, se despedem de forma mais demorada - mas nem tanto, pois os fatos os obrigarão a vir em um curto espaço de tempo. É o que todos acham; mas a religião os faz acreditar em milagres, e estes milagres vêm em forma de 'almas' que os acordam e dizem exatamente isso, que eles não precisarão voltar muito breve.

Garagem
Quatro dos sete carros e 16 dos vinte e cinco presentes vão embora.
Há uma sensação de que , às vezes, as coisas ruins servem para trazer algumas coisas boas, não tão perceptíveis, mas igualmente importantes.
A união que o estado de saúde do patriarca proporcionou é uma delas.

Domingo em família (1)

Um Domingo de confraternização (?),uma família de origem italiana com aquisições castelhanas, bugras e polonesas, unida ( mesmo que por ocasião que ninguém queria que existisse...), almoçam:

Ato Um:
Mesa principal
As carnes, as saladas verdes com bacon/cebola cozidos (huumnnnnn...), os 'tios', os assadores, os mais velhos, o vinho, a maionese, a conversa alta, os 'causos'.

Mesa secundária
Primos abaixo dos vinte e cinco anos, refrigerantes, televisão, primas menores contando suas 'façanhas', a fase lésbica de toda menina (dos 6 aos 10 anos), a posterior fase das respostinhas, a fase reflexiva e piadística dos acima de 17 anos.

Ato Dois
Mesa Principal
Terminado o almoço. Conversas, mais causos, vinho, sobremesas ( bolo de morango, pudim, merengue), 'tios', primos dos vinte aos trinta, gargalhadas , vinho, futebol, PT, e claro, o motivo de todos estarem ali é o assunto mais discutido, às vezes até com bom humor, o que alguns consideram de mal gosto fazer piadas ou tiradas com assunto tão trágico...

Mesa secundária
Não há mais ninguém; todos na sala, em frente a Tv olhando fotos antigas e achando muita graça de quase tudo. Tias juntam-se a sala, lêem os jornais, comem o bolo, conversam e procuram na tv, com o controle, aquele programa de duas mulheres que mudam o visual de outras mulheres. Quando acham, riem, se divertem, e os primos vão jogar baralho (truco).

Ato Três
Mesa Principal
As mesmas conversas, o vinho, mais gargalhadas e mais silêncios também. Assuntos menos sérios, sono, o mate se aprontando.

Sala
Mais pessoas. Primas se juntam, os primos voltam (cansaram do truco), um primo adolescente passando mal deita e toma Coca, o Remédio Universal.
Trocam-se os canais freneticamente, copos de plástico se acumulam na mesinha e as tias pedem para os seus filhos levarem eles para o lixo, o que não é prontamente atendido.
Então, o sono surge. As tias começam a fechar os olhos, devagar, de uma em uma; os tios, que a essa hora já saíram da mesa e juntaram-se à sala trazendo o mate, 'cabeceiam' lendo o jornal; as primas se retiram para outro lugar, querem conversar. Os primos que restam, valentes, comandam o troca-troca dos canais, até que acham a Fórmula Um e param. Dois dos primos valentes não gostam de corrida. Vão para os quartos se entregar ao sono. Os que restam, aguardam o passar do dia.

Fim da Primeira Parte

quarta-feira, setembro 21, 2005

Quem sabe

"Quem sabe, faz. Quem não sabe, ensina. Quem não sabe ensinar, ensina a ensinar. E quem não sabe ensinar a ensinar, vira crítico".


Peguei essa citação de uma entrevista do Antonio Abujamra, o grande provocador. Não é dele a frase, mas não sei de quem é.

terça-feira, setembro 20, 2005

Los Hermanos

"Fez-se mar
Sem ar no meu penar
Demora não, demora não

Vai ver, o acaso entregou
Alguém pra lhe dizer
O que qualquer dirá
Parece que o amor chegou aí
Eu não estava lá, mas eu vi "


Overdose de Los Hermanos, do último CD. A cada nova escutada descubro alguns achados nas letras, uns jogos de palavras interessantes, uma história bem contada.
As letras desse álbum, ao meu ver, são a mais pura poesia, daquelas que a gente lê uma coisa e relê outra, sempre despertando novas interpretações, acionando a nossa inteligência. São todas bastante subjetivas, podendo até na primeira escutada parecer sem sentido ou sem nexo.
Mas é engraçado, não consigo enjoar. Cada dia tem uma melhor música do CD. As letras são completamente diferente de tudo que é feito na música brasileira atual, muito superiores no lirismo. Da dó de escutar uma música brasileira bastante tocada em rádio (CPM 22, por exemplo) e , inevitavelmente, comparar às do Los Hermanos. É outro nível, um outro patamar de subjetividade, de poesia.

Olha essa, simples e bela declaração de amor.

Paquetá

Ah, seu eu aguento ouvir
outro não, quem sabe um talvez
ou um sim
eu mereço enfim

é que eu já sei de cor
qual o quê dos quais
e poréns, dos afins, pense bem
ou não pense assim

eu zanguei numa cisma eu sei
tanta birra é pirraça e só
que essa teima era eu não vi
e hesitei, fiz o pior

do amor amuleto que eu fiz
deixei por aí
descuidei dele quase larguei
quis deixar cair

(tst tst)

Mas não deixei
peguei no ar
e hoje eu sei
sem você sou pá furada

Ai! Não me deixe aqui
o sereno dói
eu sei, me perdi
mas eu só me acho em ti

Que desfeita, intriga, o ó
Um capricho essa rixa e mal
Do imbrólio que qui-pro-có
e disso bem fez-se esse nó

e desse engodo eu vi luzir
de longe o teu farol
minha ilha perdida aí
o meu pôr do sol


É um deleite para se escutar, pensar, refletir, ler, despertar a inteligência acomodada com tantas coisas que nos são jogadas prontas, sem qualquer espaço para se pensar.

segunda-feira, setembro 19, 2005

Cortazarianas beatnik (3)

No limiar da pusilânime confiança, estará o medo disfarçado de matador de aluguel à espreita da sua vítima indefesa como uma leoa a uma zebra em savanas sul-africanas, e ela, a leoa, não se entregará até que não tenha abocanhado a zebra, assim como o matador de aluguel não sairá da espreita de sua vítima enquanto não matá-la, e assim como nesse limiar a pusilanimidade estará observando cada passo tentando não deixar a confiança andar com as suas agora fortes e não mais hesitantes pernas em direção ao caminho perdido ,que dizem existir, da atitude correta.

Sonho não se faz assim

Pequeno conto, inspirado em muitas coisas.

Sonho não se faz assim

Antes de acordar, vou pensar que não, aquilo que você quis me dizer não era mais do que um sonho teu, e quem sabe meu também, porque aquilo não era pra ser dito, extravasado para fora de ti sem se prever as consequências, não pode haver um sorriso doce tão carregado de mentiras - não são mentiras? então são sonhos, devaneios de alguém perturbado por alguma coisa tão grande que não teve como guardar para si.
Alguma coisa entre o que querias dizer e o que disse é o que deveria ter dito, se é tão grande a agonia solitária, e , sim, é difícil, eu sei que é difícil ficar assim, mas nem por isso, nem por toda essa dor que diz sentir mas que eu digo que sei mas não sei se realmente conheço, nem por ela, nem por nada é justificável as palavras que você usou, sem medir consequências que parecem existir desde sempre, e você sabia delas, ah sabia, e então, fez tudo sabendo, pelo gosto de dizer e de ver o tanto de sofrimento que certas palavras podem trazer, muito pior do que qualquer coisa, e você sabia disso, agora ficou claro, você sabia, e usou tudo com tamanho cuidado que se esqueceu, ou não quis, lembrar do que havia acontecido, da história que existia, dos sentimentos que parecem fantasmas presos a uma casa que não mais serve de moradia à eles. Tanto foi tão pouco, ao menos agora parece ter sido, tardiamente percebido.
Antes de acordar, o dia já se fará, e o acordar não vai mais ser necessário, se é assim que você quer.

sábado, setembro 17, 2005

Saudade

Fim de semana chuvoso, frio, excelente pra ficar em casa sem fazer nada escutando Los Hermanos.

Sapato Novo
Bem, como vai você?
Levo assim calado de lá
tudo que sonhei um dia
como se a alegria
recolhesse a mão
pra não me alcançar

Poderia até pensar
que foi tudo sonho
ponho meu sapato novo
e vou passear
sozinho como der
eu vou até a beira
besteira qualquer
nem choro mais
só levo a saudade morena
é tudo que vale a pena


Não sei se a saudade é tudo que vale a pena, realmente não sei, porque ela traz sofrimento, mesmo que embutido na felicidade dos bons momentos.
Pior de tudo é não ter momentos, nem ruins nem bons, para se sentir saudade.

Pois é...

Pois é, hoje eu recolho a ressaca moral, emocional, sentimental e tudo que é mais al de ter saído ontem. Confirmei uma das hipósteses, que sair sozinho não significa porra nenhuma! Pior, nos passamos por bêbados estranhos agarrados a uma garrafa de cerveja conversando com seres igualmente sozinhos, sem perspectiva de nada. Sempre se ahca alguém pra conversar, isso é fato que comprovei ontem, mas não gostei de verificar que sair sozinho, pelo menos nas circunstãncias de ontem, é muito, muito ruim.

sexta-feira, setembro 16, 2005

Alone

Pode parecer meio chato, mas algo que eu nunca fiz é sair sozinho de casa em direção a alguma festa. Sozinho, sozinho, sem a forte perspectiva de encontrar alguém conhecido nessa festa, nunca. Não sei porque, mas parece a mim que é como um teste de provação do qual eu não consigo passar. Algumas vezes acho que poderá ser um divisor de águas, outras que não significará porra nenhuma. Mas que é um teste de coragem sair, sozinho, à noite, a pé, na rua, para entrar em algum lugar, e lá ficar sozinho bebendo, isso é. A princípio, essa idéia de que eu vou ficar sozinho nun canto bebendo sozinho, sem fazer nada além de observar as pessoas, é muito improvável, pois se eu ficar bebendo sozinho num canto eu, à qualquer hora, vou ter de puxar papo com alguém minimamente conhecido ou nem isso, um completo desconhecido. Mas é uma necessidade, e a pior das perspectivas possíveis - ficar sozinho num lugar a noite inteira, sem falar com ninguém - é completamente absurda, pois com ALGUÉM eu vou conversar. Mas, por via de saciar minhas dúvidas, vou arriscar fazer isso hoje, sair sozinho. Daqui a pouco estou indo, e quando chegar eu conto o que deu.

segunda-feira, setembro 12, 2005

De volta a realidade

Depois de uma semana sem se preocupar com nada além de se divertir e conhecer lugares e pessoas diferentes, eis que a volta a rotina se torna necessário, e cruel também, por que não, já que é tão mais fácil se acostumar com as coisas boas e despreocupadas...
É necessário um ou dois dias à readaptação parcial, porque a completa demora mais, quase um mês, e é nesse período da adaptação parcial para a compelta é que surge as maiores vontades de se colocar tudo pro alto outra vez e sair por aí, em outros dias ou semanas de nada de preocupações e muito de divertimento. É um período perigoso, até porque não se sabe se realmente se quer isso, a rotina certinha, ou a rotina louca que nunca tem uma adaptação completa.

domingo, setembro 04, 2005



" Assim na América quando o sol se põe e eu sento no velho e arruinado cais do rio olhando os longos, longos céus acima de Nova Jersey e posso sentir toda aquela terra crua e rude se derramando numa única, inacreditável e elevada vastidão até a costa oeste, e toda aquela estrada seguindo em frente, todas as pessoas sonhando nessa imensidão, e em Iowa eu sei que agora as crianças devem estar chorando na terra onde deixam as crianças chorar, e você não sabe que Deus é a Ursa Maior? e a estrela do entardecer deve estar morrendo e irradiando sua pálida cintilância sobre a pradaria, reluzindo pela última vez antes da chegada da noite completa que abençoa a terra, escurece todos os rios, recobre os picos e oculta a última praia e ninguém, ninguém sabe o que vai acontecer a qualquer pessoa, além dos desamparados andrajos da velhice, eu penso então em Dean Moriarty, penso até no velho Dean Moriarty, o pai que jamais encontramos, eu penso em Dean Moriarty. "

Trecho final do On the Road, de Jack Kerouac. Um dos livros da minha vida.

quarta-feira, agosto 31, 2005

Se esqueça de tudo

Ande logo
e vá na frente
conte a novidade
não se esqueça do principal


não atropele os fatos
e
esqueça das mentiras
elas irão lhe fazer falta
quando vierem lhe contar:

O principal era uma mentira!

terça-feira, agosto 30, 2005

Contradigo-me

Contradigo-me? Pois bem, contradigo-me.
Sou amplo. Contenho multidões.


Walt Whitman

Na beira

A onda vem me cobrir,
na noite escura?

uma beleza não correspondida
estar longe de tudo,
perto de tão grande poder

mas hoje, é um adeus
tão solitário
como todos
não definitivo
mas com a mesma força
e com o mesmo final

A onda vem me cobrir na noite escura

cada pedaçinho, cada retalho
cada caminho, cada estrada
Para onde vão?

fogem
ela leva todos
e deixa mudanças
tão drásticas quanto consegue
efêmeras, imperfeitas
belas, também, mas inúteis

quanta coisa que eu não vejo!

segunda-feira, agosto 29, 2005

And...


And I thought, if I told the right lies...
But these Mockinbirds... won't let me shine






Grant lee Buffalo - Mockingbirds

Adios los niños

Adios los niños,
está na hora de se refestelar com a pobreza que nos permeia,
compreendermos a busca inerente ao nosso coração,
ir atrás do cego viajante da estrada deserta
e perguntá-lo se ele não quer companhia para a nobre caminhada
ir atrás
fazer reverência ao mais puro dos viajantes
guiá-lo, e irmos juntos para a sobrevivência esquecida
chegar numa ponte e se imaginar embaixo dela,
como um cãozinho perdido esperando por um dono que saberá que não vai vir
pelo menos não tão cedo
e , assim, caminharemos pela existência absoluta e incompreensível
por longos anos, longas vidas
buscando encontrar a pobreza outrora espalhada
e agora esquecida, mas não perdida, e jamais abandonada
junta do cãozinho

Mudança de direção

Mudanças à vista, o barquinho parece que viu que remava sozinho nos mares perigosos da solidão e da soberba e , inconsequente como ele só, nem se dava conta que andava cada dia mais e mais para o fim, para onde a soberba e a solidão poderiam causar a destruição quase por completa do barquinho, e que , se ainda sobrasse alguma coisa lá no fim, seria muito difícil arranjar alguém para reconstruí-lo. Depois de uma reunião com outros barquinhos ele pode perceber que não mais tinha como ir , sempre, contra o caminho que seus companheiros faziam. A loucura estava começando a se tornar o guia preferencial do barquinho, o leme que guiava mais e mais para o fim dos mares.

Agora que percebeu o erro que cometia, o barquinho resolveu mudar sua direção e ir atrás de todos os seus amigos, afinal, ele não acredita mais que é o único que está sempre certo, apesar de sua intuição ainda lhe mandar continuar com seu caminho antigo. Mas, enfim, o barquinho deu a volta, mudou de rota, e está indo para o outro lado. Mesmo assim, é um longo caminho para a volta e , apesar de estar com pressa para encontrar seus amigos, também entende que não é uma boa hora para se apressar as coisas, o mais certo a fazer é ir devagar, com a calma e a tranqulidade de quem percorre um caminho pela segunda vez. Mas a mudança de rota recém começou...

terça-feira, agosto 23, 2005

Encastelado por não fingir

" Eu morava num castelo, mas eles não sabiam. Mesmo antes deles nascerem, eu já morava no castelo, encastelado. "

Sinceridade demais, mas ao mesmo tempo facilidade em mentir, mas mentir para consertar erros decorrentes do excesso de sinceridade. Mas porque sinceridade em excesso faz mal? Talvez porque faz parte das relações humanas o fingir que se é algo que não é, e o fato de alguém ser 24 hrs ele mesmo incomoda os que fingem um determinado comportamento para cada situação diferente que, aparentemente, peça um diferente tipo de atitude que não está no comportamento original, daí talvez o fingimento. Bom, o comportamento original não está em só dizer verdades, mas em ser sincero em tudo o que se diz, mesmo quando é mentiras que se tem que dizer, porque ninguém diz mentiras/ verdades exclusivamente.
Pessoas sinceras demais não são benquistas pela grande maioria das pessoas, pois quando uma mulher vem perguntar se ela está gorda, ou se está bonita, ela quer que se minta para ela, que fale o que ela quer ouvir, e se ela não ouve o que quer ouvir fica irritada, pois já é de certa forma convencionado que se minta nessa horas. Talvez, ser sincero é ir contra as convenções pré-definidas.

Cortazarianas beatnik (2)

A verdade seduzida pelo enfeitiçador de serpentes, que com sua flauta mágica faz todas as verdades serem as mesmas, reduz todas a mera música de melodia hipnotizante e que, depois do fim do espetáculo, voltam para os lugares de onde saíram, já transformadas, e como uma onda de melodias infinitas elas molham cada foco de verdade ainda não transformada, na tentativa de parecer algo que não pensaram em ser, mas que seduzida pelo enfeitiçador, se transformaram.

sábado, agosto 20, 2005

Experimentações pós-trago

O estado pós-trago em que me encontro não permite qualquer refelexão coerente com alguma coisa, mas mesmo assim incita a descobrir outros ângulos de abordagem para coisas já conhecidas.

Engraçado é essas coisas que falam sobre oportunidades, sobre perder oportunidades... em pós-festas , é comum as pessoas terem uma certa depressãozinha, um sábado/domingo melancólico e sonolento ,até mesmo quando "se dão bem", o que, no caso de estar solteiro, ser homem e estar bêbado inevitavelmente quer dizer pegar uma loca. Nessa questão, sempre se pensa uma coisa: porque diabos a mulher tende a esconder que ela quer, afinal, o mesmo que o homem busca? Claro, faz parte dos trâmites de relacionamentos o dito "se fazer", o dificultar para depois a recompensa vir, depois dos quatro papéis que a embrulhavam serem vencidos e o presente vir com alguns brindes, ainda. Mas acontece que o desembrulhar demora demais, e acaba que tanto o homem quanto a mulher perdem boas oportunidades de se divertirem, de aproveitar situações que , para serem criadas novamente, um certo tempo terão que esperar. Seria interessante se homem/mulher buscassem e demonstrassem o que querem já no primeiro momento, não se demorassem com bobagens.
Assim, os dois não desperdiçariam tempo, experimentariam situações novas e diferentes, conheceriam-se, e se depois não se quisessem mais, tudo bem, tchau, mas o fato de terem feito aquilo que na hora se apresentou da melhor forma já seria uma grande fonte de conhecimento e sabedoria para situçoões novas que eventualmente viriam a acontecer.

A experimentação nunca é demais . Seria tudo tão mais fácil se não negassemos, ou questionassemos tanto, para nós mesmos de que tal experiência deveria ser , sim, realizada...Ah, como seria...

sexta-feira, agosto 19, 2005

Novamente, o Buffalo...

Fuzzy, Grant Lee Buffalo.



Não me canso desse album, não adianta. Escuto alguma música dele pelo uma vez no dia, é quase como um vício. Suspeito que seja por causa da emoção que ele passa, da impressionante voz do Grant Lee Philips, aquele falsete dele em "fuzzy" , a música, é de arrepíar. Aliás, toda vez que começa a tocar eu me arrepio, aqueles dois acordes no violão, a percussão entrando devagar...
Uma descrição que eu fiz dele esses dias:

Fuzzy é um álbum para se escutar como se lê um livro, prestando atenção em cada frase cantada pela bela voz de Grant Lee Philips, nas melodias criadas pela união do quarteto guitarra, baixo, bateria e piano. Depois, as belas imagens evocadas pela junção palavra/som vão surgindo, aos poucos, e o filme vai ganhando consistência em nossos pensamentos. De repente, nem entedemos o porquê de estarmos sentado num saloon no meio do nada tomando o nosso whisky acompanhado de figuras lendárias da História americana , ou de estarmos numa estrada desconhecida e vazia indo para sabe se lá onde, ou mesmo andando por uma cidade que nunca pensamos que ainda existia, observando fantasmas passearem pelas calçadas de mão dadas e casais se beijando no canto escuro atrás da casa da esquina...

Suspeito que sempre fui um sujeito mais ligado a emoção do que a razão, ou que prefere o senso comum à teoria. Aquela velha história de sentir em vez de pensar racionalmente, e isso é determinante para o Grant Lee Buffalo ser uma grande banda para mim. O sentir é , de certa forma, arrogãncia, pois o confiar no teu sentir te faz desconsiderar muitas coisas que são verdade, que comprovadamente são verdadeiras, mas que , se não são sentida, para ti não passam de mentiras. Então, o que tu acha melhor acaba sendo o que definitivamente é melhor, e numa discussão qualquer o lado emocional não é bem vindo - muito menos será vitorioso em argumentos - porque uma discussão é eminentemente racional, cientìfica, por mais besta que seja, pois se procura argumentos ou exemplos e o teu sentir que não é aquilo não encontra muito argumentos nem exemplos por aí...

Mas o sentir não é algo que tenha explicação racional, é como uma mensagem extra-terrestre que chega diretamente pra ti, e só pra ti, de que tal coisa é verdade, sem muitas explicações do porquê dela ser...

Mas explicações, justificativas, porque temos que recorrer a elas se nos basta sentir?

domingo, agosto 14, 2005

O poder

"O poder não corrompe o homem; é o homem que corrompe o poder. O homem é o grande poluidor, da natureza, do próprio homem, do poder. Se o poder fosse corruptor, seria maldito e proscrito, o que acarretaria a anarquia".
Ulysses Guimarães (1916-1992) Ex-deputado.

Tá aí, mas e porque o homem polui o poder? Porque quer mais poder, mas e por que ele quer mais poder? Para se tornar mais forte e ficar mais difícil de perder o seu poder. Mas, afinal, por que diabos ele quer o poder?

sábado, agosto 13, 2005

Enquanto o fluir não vem

Ammmm
Porque que é que são 02:02 e eu nunca consigo pensar em uma idéia contínua que me faça escrever e CONTINUAR algo? Não, o fluir não aconteceu, mas tenho uma sensação de que ele está meio que pedindo pra ser incitado, escondido no canto esperando alguém sair para ele aparecer. O problema é que não sei de que maneira ele poder ser mais incitado do que o já exaustivamente tentado. As coisas surgem, se materializam em forma de (belas) imagens, ganham algum complemento, esboços de diálogos, e não continuam. Ficam ali armazenadas para uma próxima, que se existir não se lembrará de que já existiu. Então, a única forma que me parece válida de buscar o fluir é dizer coisas sem entender muito bem o porquê, non-sense absoluto, como que se dessa forma fosse mais fácil vir a verdadeira história, aquela que pede para ser contada urgentemente. Vou ter de esperar um pouco.

sexta-feira, agosto 12, 2005

Notas de uma história

Existe um certo receio de contar histórias que não estão prontas ainda, de tentar escrever alguma sem saber o final. Dizem que o final é a primeira coisa que deve estar definida, mas em muitas vezes só se tem o mote central, o que não é um problema tão grave,já que há aquela histórias que fluem, que te colocam em uma situação como a de um índio que recém tomou um chá de plantas alucinógenas e tem de voltar para a aldeia, e mesmo estando longe e chapado, ele sabe como voltar, ele "sente" a estrada, percebe que é naquele caminho da direita e não no da esquerda que tem uma baita de uma subida. O fluir da história é que te guia até o final dela, se ela (a história) realmente vale a pena ser contada.

********

Vamos fazer um filme com Las babas del diablo. Assim como o Mighty Joe Moon não se controla e passa na ponte de carro e quer nadar, não pensaremos três vezes ao contar a história do Jupiter e sua amada ex-presidiária. Seria uma linda história de amor, que começaria numa feira colonial, onde Jupiter vem toda semana vender seus produtos. Seria pela manhã o encontro, no exato momento em que Jupiter está colocando seus produtos na cesta, em frente a sua tenda, e um desses produtos cai no chão e sai rolando, indo parar no pé de sua amada que ainda não é amada, mas quase. Ele fica de joelho e vai engatinhando atrás e encontra a melancia, que no caso era o produto, em baixo do pé da amada, que domina a melancia como um meia canhoto habilidoso domina. Ele olha para cima, aquela posição de inferioridade explícita, e então o sol que a essa hora está começando a ficar forte bate nos olhos de Jupiter e o que ele vê são contornos de uma pessoa que parece ser bonita, mas parece ser alguma criatura que ele não consegue iamginar o que seja, mas fica feliz ao notar que a criatura é bonita, sim, muito bonita, e ela então dá uma abaixadinha com a cabeça como se estivesse falando com uma criança de 4 anos e solta um indefectível Isso é seu , ao passo que ele tenta responder algo mas não lhe sai nada, e então ele desmaia e acorda em um quarto. Vem uma tomada de cima, pegando ele sentando na cama com as duas mãos coçando os cabelos, e então entra uma tomada da televisão a sua frente, que ele acabou de ligar, e está passando os Simpsons, mas ele não acredita quando a mesma ex-presidiária, que ele não sabe que é ainda, aparece no vídeo, com uma melancia em baixo do pé, na mesma posição que Jupiter tinha visto. Esfrega os olhos, dá dois tapinhas na cabeça, mas ela ainda está ali, e então ele decide pegar seu tênis e jogar na televisão, que acaba quebrando, e com o susto Jupiter desmaia, voltando a feira, a posição que estava antes de tudo isso, engatinhando olhando para cima e vendo aquela coisa que ele não sabe o que é porque o sol não o deixa ver mais do que alguns contornos escuros em volta de uma aura quase inexistente. Isso é seu, sim, responde Jupiter, e então ele levanta, olha bem e consegue ver uma bela mulher vestindo uma calça jeans e uma blusa extremamente rosa, ele percebe que é ela, e ela percebe que é ele, e os dois vão juntos a tenda, carregando a melancia juntos e largando-a em cima do cesto que jupiter destina às coisas grandes demais que ele consegue trazer. A tenda, mais atrás do cesto e da mesa onde Jupiter vende seus produtos, se torna um pequeno ninho de amor entre dois gatinhos que estão por ali, provocando o riso de Jupiter e a amada, que agora já é amada mesmo,e então eles, Jupiter e amada, os expulsam em meio a explosões de risadas e deitam-se, um junto ao outro, e assim termna a primeira parte, de apresentação dos personagens.

****
Now i'm fuzzy, because a lied to myself.
Fuzzy now, and all the world is small enough for both of us.
Me and myself.

domingo, agosto 07, 2005

O farol (1)

Esbórnias e mais esbórnias, agora tudo começa a voltar ao normal. Com alguns bons acréscimos de experiências e de "estalos" e outros nem tão bons vícios (quase) adquiridos. Mas, enfim, faz parte da condição de estar em férias ser como uma fuga ao interior do Farol na ponta de um cabo bem ao sul do mundo, e de lá ver o que se passou até aqui, analisar certas coisas de cima, como um Deus próprio e misterioso que cada um tem em si, bem lá no fundo. A hora de descer do farol chega, até porque o guardião do farol não gosta que fiquem muito tempo usufruindo de suas incríveis instalações,e também porque a fuga tem prazo de validade definido há muito tempo pelos primeiros que resolveram escolher o Farol para ser o lugar da fuga. Passado muito tempo, o Farol perde seu encanto, a pessoa pode virar um eremita que vaga vaga e não entende por que vaga e porque não se define em nada, e assim pode vir a se tornar parecido com o guardião do Farol, o décimo quinto eremita que abusou do seu uso. A saída ,de muito difícil que pareça no início, torna-se muito melhor quando é apenas uma lembrança, e assim uma promessa de retorno vai ser feita. Não se sabe ao certo, mas parece que a cada uma das idas ao Farol a pessoa se torna mais e mais dependente dele, o que é extremamente positivo, visto de um ponto de vista em que não há muita diferença entre positivo e negativo.
O Farol tem sete andares. Em cada um, há uma espécie de refúgio de emoções de uma determinada área, e cada refúgio está ligado a um dos tais sete pecados capitais. Diz o guardião que o fundador do Farol decidiu organizar assim porque é uma excelente maneira das pessoas saberem exatamente onde devam ficar primeiro, apesar de prôpor que se passe em todos para uma volta completa .

Alguns dizem que a ida ao Farol é como se olhar no espelho e entrar nele sem se ver entrando. Só na volta é que nos vemos.

sexta-feira, agosto 05, 2005

Cortazarianas beatnik (1)

Antes que se diga, eu percebo que está errado.
Pode ser que sim, pode ser que não, mas quase sempre é sim, porque o sim é mais fácil de perceber, a negação vem em uma etapa depois. Logo se percebe que, antes de mais nada, é assim e pronto, depois vem o Peraí, será que é?. É bonito de ver uma boa negação, assumida depois de muitos sim, tenho certeza, quando essa certeza não serve nem para dizer se aquele peixe lá perto da pedra do fundo está ou não está comendo os musgos verde-escuro que estão encostados na pedra.Assim, é interessante ter essa certeza, da mesma forma que o homem tem quando , ao lado de uma bela mulher, estão os dois sentados no sofá em frente a tv, abraçados, olhando qualquer comédia romântica que a mocinha seje fraca e que o mocinho seje forte e que os dois vão ficar juntos por "obra do destino" que nada mais é que uma forma que o roteirista criou para curar as dores da perda do amor de sua mulher, que o trocou por um fotógrafo sem graça mas que ela achou muita graça sim,no exato momento do beijo final que, depois de todos os desafios imposto pelo roteirista traído, finalmente acontece aquele beijo apaixonado que é ainda mais violento e prazeroso depois de tantas coisas acontecidas, e nesse exato momento, com o casal sentado em frente ao sofá, a mulher diz que ama o homem, e ele sabe, é uma certeza, ele sabe que é de coração como se diz, porque ela não mentiria depois de ver um beijo tão apaixonado na tv, por mais que a tv seja apenas uma tv, ela ainda é uma TV.


Um encosto de carro, visto da forma mais despretensiosa, é mais do que um lugar para se descansar a cabeça depois de uma longa caminhada pelos milharais após aquele maldito pneu ter furado e o carro não ter estepe e então ter de se caminhar quase 20 quilômetros até achar uma civilização que tenha um pouso decente para um pobre viajante cansado, e azarado e despreparado, e então no dia seguinte conseguir um estepe e trocar o pneu, e poder entrar no carro, e usar o encosto, que agora se torna algo completamente desprovido de significado que não o de descansar tudo o que está aí , contra toda essas ondas flamejantes que assolam a nossa mente como um Tsunami destrói um hotel num paraíso do Oceano ìndico apenas feito de palha e bambu seco, o mesmo usado pelos Pandas, e não deixa sobrar nada perto do hotal, que agora está desprovido de significado que não o do nada, já que não existe mais nada ali.

domingo, julho 31, 2005

Estalos e maturidade

Há aquela coisa de "estalos", quando, por exemplo, olhamos um programa de tv e algo nele nos faz perceber, se dar conta, entender, que certas opiniões ou impressões nossa à respeito de determinada coisa são completamente erradas ou simplesmente idiotas de tão egoístas/maniqueístas que são(eram). Em muitas vezes, o estalo não é nada mais que passageiro, e nesse caso ele é inócuo, irrelevante, mas ainda sim é com esses que se chega aos verdadeiramente importantes, os que te perseguem até te fazer parar e trocar de estrada porque essa não vai dar em nada além de sofrimento, dor e tristeza. Um belo conjunto de estalos seguidos pode ter diminuída a sua importância por nós, já que te dizer que a estrada não é a certa quando já se andou boa parte dela não é lá uma coisa muito boa, mas é na boa relação com eles que vão te fazer seguir um caminho que te levará a algo mais do que a tristeza, ou a solidão. O interessante nessas horas é ter contato com alguém, não importa se ele/ela já tenha tido esse estalo ou não, para se perceber o tamanho da mudança que te proporcionou, ou se caso contrário, não te trouxe nada além do já conhecido, e nesses casos o estalo ainda é importante porque não é dos definitivos, mas dos inúmeros que te proporcionaram os definitivos.

Da mesma forma, há certos momentos que , na hora, se nota que alguma mudança ele irá trazer, e geralmente essa mudança vem com o nome fantasioso de maturidade. São situações que as impressões, opiniões e preocupações extrapolam o simples umbigo próprio,como as crianças que pelos 3,4 anos percebem que o mundo não gira em torno delas, mas com elas. A sensação é quase a mesma, apesar que quando criança a percepção da mudança não existe. A importância da nossa vida extrapolou a que ela já tinha para cada um, e se torna vital para outras pessoas próximas, ou não, como se uma responsabilidade a mais tenha aparecido para ti, e dessa não há qualquer escapatória fácil porque ela não depende unicamente de ti, tu apenas é uma "entidade" que incorporou a importância e dela não poderá se livrar enquanto não for resolvida.É uma missão e tanto, que acaba te fazendo tomar decisões mais equilibradas e coerentes com o que venha a se chamar "boa conduta". Pode-se envelhecer alguns anos com isso, mas é daqueles envelhecimentos saudáveis, que te fazem poder variar entre pensar como alguém da sua idade ou de 20 anos mais velho. É a tal da maturidade, se um conceito qualquer fosse escolhido pela beleza do que ele pode signficar.

domingo, julho 24, 2005

Nabokov

Alguns trechos de Lolita, do Vladimir Nabokov, um primor de livro, recomendado a todos que querem escrever melhor. O jeito que o Nabokov domina a escrita, as palavras complicadas sem parecerem mera erudição sem propósito, é uma aula a cada página.

"Conquanto seja indispensável registrar alguns pontos pertinentes, a impressão geral que desejo transmitir é de uma porta lateral que abre violentamente numa vida em pleno vôo, deixando entrar uma negra e retumbante golfada de tempo que abafa, com suas chicotadas de vento, o grito da catástrofe solitária"
Hubert Hubert sobre Lolita em sau vida.

" Sou suficientemente orgulhoso de saber alguma coisa para ter a modéstia de saber que não sei tudo"

quinta-feira, julho 21, 2005

Crônica de inverno

Tarde chuvosa em Santa Maria. A previsão é que as massas úmidas permaneçam até domingo, trazendo esparsas pancadas de chuvas. A temperatura, apesar da chuva, permanecerá baixa, com mínimas de 5 graus e máximas de 13. Pela noite, os ventos gelados do sul, somados à garoa fina e às massas de ar polar que estacionaram no estado a uma semana, faz a sensação térmica ser de menos que 5 graus, 1,2 graus provavelmente.As pessoas ainda não se arriscaram a sair na rua, o que pode ser comprovado com uma simples olhada para os prédios ao redor, verificando que muitas luzes de quartos, salas, cozinhas e banheiros estão acesas, denunciando a existência de algum morador no lugar, provavelmente com frio, olhando TV, comendo, cagando ou dormindo.
Um dia quase perfeito para o descanso, diz a funcionária pública Edwiges:

_ Quer melhor pra hoje coisa que ficar em casa debaixo das cobertas?

Um outro ao lado de Edwiges, guri de uns 15 anos aproximadamente, quer aparecer na TV também, e solta, complementando a fala anterior:

_ Tem sim, ficar em baixo das cobertas acompanhado!

Risadas no ambiente. O guri volta para os seus amigos como se tivesse feito um gol de cabeça aos 38 do segundo tempo num Grenal que, até o momento, estava 2x2. O gol, pelo tipo de comemoração, é do Inter.
No meio do falatório e das risadas, um senhor daqueles frequentador assíduos do cafézinho com os amigos no Sábado Demanhã no Calçadão, diz :
_ Melhor é acompanhar a CPI na TV, tomando um mate e rindo da cara dos inconpetentes que mandam nesse país.
Vaias gerais, principalmente da gurizada do futebol.

É preciso respeitar os mais velhos, então o café vai ser feito pra hoje ou pra amanhã, dona? Ó o pessoal aqui, todos com seus cafézinhos e o meu cadê? Preciso de café, olha esse frio, eu sou um homem idoso, será que os sete remédios que tomo não me dão nem uma prioridade de atendimento numa merda de café desses, hã? Não, não me diga que acabou, não me diga isso, não, tu não sabe o que está dizendo Dona, dona de merda, quero meu café, então sempre aparece esses tipos aqui, Margarete? Bah, deve ser duro ficar até tarde aqui, aguentar essas figuras... Não, e pior que tem de tudo né, tem os velhinhos que se acham porque são velhos, os gurizão que querem dar uma de velhos, aquela coisa de intelectual, sabichão, "escritor", hahahaha, eles adoram isso, Oi, muito prazer, tu escreve? Não, só umas coisinhas, mas ninguém leu ainda, hahahahaha, parecem que se guardam para um descobridor que vai achar aquelas merdas, sim, merdas porque na maioria são merdas né, vamos combinar.

O frio aqui em Gramado está pegando foooooogo, o pessoal já começou a chegar hoje, Quinta feira, e amanhã a previsão é de mais gente ainda. A expectativa de todos , lógico, é que desse fim de semana a neve não passe, porque segundo os meteorologistas, as condições estão extremamente favoráveis para a neve. Esse frio, essa chuvinha... É só trocar aquela nuvem cinza de chuva ali por uma mais escura, quase preta. Vamos torcer, né galera, afinal todos queremos ver a neve.A senhora,de onde vêm?

_ Curitiba, Paraná.

E aí, tá gostando do frio? Na expectativa da neve? A senhora já viu neve na vida, que coisa bonita que é, não?

_ Oi, ah eu to ansiosa, estamos eu e meu marido com as máquinas a postos, olha aqui ó, posso tirar uma foto tua? Primeira vez que eu sou entrevistada, imagina...

Não, senhora, estamos ao vivo, depois nós tiramos.
Pois é, a expectativa do pessoal é a melhor possível. Desse fim de semana não passa, vamos torcer, gente! Voltamos aos estúdios.

sábado, julho 16, 2005

Grant Lee Buffalo

Gosto muito do Grant Lee Buffalo, desde pela forma que eu descobri a banda até mesmo por ser difícil de achar coisas deles por aí. Mas é uma banda do início dos anos 90, e se for classificar por estilo, seria algo como um folk/rock alternativo/grunge com algumas pitadas de filme de western e pianinhos de cabaré, tudo isso colocado num liquidificador, acrescentado do principal igrediente: a emoção.
Não há só um rótulo, mas vários.

As músicas deles são extremamente ricas em criar imagens; parecem fazer parte de uma trilha sonora de um filme que nunca foi filmado. As letras sempre contam alguma história meio absurda, fantástica, como a literatura fantástica cheia de realidade do Julio Cortázar, do Kafka e do Daniel Pelizzari, só que em forma de música. O cenário é sempre o mesmo: os grotões perdidos dos Estados Unidos, as cidades fantasmas do Sul, os desertos cheio de personagens estranhos, estradas vazias no meio do nada. Os personagens variam, de fantasmas a ex-presidiários passando por motoristas e artistas mambembes, sempre com a mesma busca: uma pessoa para amar e ser correspondido, que ,afinal, é a busca de todos nós. Basicamente, as histórias são de amor, mas não aquele clichê e piegas de outros músicos: o amor real, com as dores, desafios, lutas e batalhas de uma guerra tão comum a todos nós . A voz do Grant Lee Philips, vocalista, guitarrista e compositor da banda, é uma boa caneta contadora de histórias, indo do texto realista e objetivo que certas situações pedem ao mais emocionante e surreal relato de encontro de duas pessoas, pintando como poucos uma cena de amor. O primeiro e o segundo cd , Fuzzy e Mighty Joe Moon, são como livros de contos sobre o amor impossível contado pelos próprios personagens das histórias, juntos, e provando que a história pode ser algo de impossível e inacreditável, mas o verdadeiro amor não.

Grant lee Buffalo - Jupiter and Teardrop
Just a girl who can’t say no
And her sweetheart on parole
Parents named her jupiter
To bless her with a lucky soul
He’s a boy who never cried
When they locked him up inside
And she nicknamed him her teardrop
For the tattoo by his eye

Now she’s sleeping in her bed
And he’s sleeping in her bed
And it’s jupiter and teardrop
And it’s jupiter and teardrop

She divines by radio
Pushing buttons show to show
And she wonders ’bout the fate of
Lovers in the barrio
She forgets after a while
When she tunes in on the dial
Jackie wilson’s lonely teardrops
And she drives another mile

Now she’s sleeping in her bed
And he’s sleeping in her bed
And it’s jupiter and teardrop
And it’s jupiter and teardrop
And it’s jupiter and teardrop

And they want to have a child
Walk together down the aisle
But the world they live in is mean
And it’s built on sheer denial
The phone rings it’s for her
Got to see ya jupiter
I’m in trouble with the law
Bring my 38 caliber

Now she’s sleeping in her bed
As she pulls the phone plug dead
And it’s jupiter and teardrop
And it’s jupiter and teardrop

segunda-feira, julho 11, 2005

Viajar

Preciso viajar, mudar de ares, dormir em cama que não a minha, ver pessoas e coisas diferentes, renovar o repertório de histórias para contar...
Terça to partindo. Vou meio sem rumo, tentar ver algumas caronas até Livramento. Eu e um amigo meu. Vamos ver no que vai dar.

Um texto meio antigo...
Viajar
Andar de carro, avião, bicicleta, o que quer que seja.Viajar.Palavra tão pequena, frágil, débil, mas ah, como pode ser ao mesmo tempo tão profunda e transformadora quando é deixado de lado o seu significado semântico, levando em conta apenas o simples e inexplicável sentido que adquire quando nada além dela pode salvar de uma rotina certinha e burocrática que toma conta da vida em alguma parte de demasiada reflexão ou depressão? Como explicar e descrever a sensação de deixar tudo para trás a fim de buscar um objetivo maior que na verdade nunca se irá encontrar, mas que ao mesmo tempo fascina só pelo fato de ter esperança de que algum dia ele possa existir e ser alcançado? Um motivo este tão importante e misterioso que ninguém consegue explicá-lo ou entendê-lo de forma diferente da qual ele quer que entendamos, pois na realidade ele não teria sentido se fosse facilmente compreendido já que todos teriam acesso a ele de um modo muito mais fácil e assim não daria-se valor ao simples fato de buscá-lo que é por si só o sentido verdadeiro de qualquer busca que se julgue eterna . Posso morrer ao tentar buscá-lo, mas é justamente este o grande desafio que enfrenta-se ao lidar com um inimigo desconhecido, muito maior, e que conhece todos os seus passos como uma mãe conhece os passos de seu bebê, sabendo exatamente qual será a próxima ação a ser tomada e já planejando um outro ataque que deixará ainda e sempre mais distante do motivo principal que busca-se num ato simples determinado por uma palavra tão simples e frágil: viajar.

Um texto de aproximadamente um ano e meio atrás, da minha fase beatnik (hehehehe!). Recém tinha lido o On the Road, do Jack Kerouac, e o Primeiro Terço, do Neal Cassady, o companheiro do Kerouac. É nítido o efeito.

quinta-feira, julho 07, 2005

Como me tornei estúpido

Do livro "Como me tornei estúpido", de Martin Page:

A verdade sai da boca das crianças. Na escola primária, ser inteligente resultava num insulto infame; quando crescemos, ser intelecutal passa a ser quase uma qualidade. Mas isso é uma mentira: a inteligência é uma tara. Assim como os vivos sabem que vão morrer, e como os mortos não sabem nada, penso que ser inteligente é pior que ser asno, porque o asno não se dá conta disso, ao passo que qualquer inteligente, ainda que humilde e modesto, o sabe forçosamente.

Está escrito no Eclesiastes que "quem tem sua ciência aumentada, este também tem aumentada a sua dor".Os cristãos tem a sorte, quando jovens, de ser postos em guarda contra o perigo da inteligência; por toda a vida saberão distanciar-se dela.

O livro, basicamente, conta a história de um cara( Antoine) que , cansado de saber de coisas que não o levam a muito longe, decide investir na idiotice como forma de sobrevivência.Ele se convence de que só a estupidez lhe permitirá ser plenamente aceito pela sociedade.Genial.
Já discuti várias vezes sobre se a inteligência, ou saber determinada coisa que aos olhos dos outros possa parecer que tu é uma pessoa inteligente, tem algum sentido, porque se sofre demais com isso. É um assunto interessantíssimo, não acham?

sábado, julho 02, 2005

Pink Floyd

Há algumas horas atrás aconteceu o show do Pink Floyd no Live 8,em Londres. Passou direto na MTV. Show com a formação clássica : David Gilmour na guitarra/vocal, Nick Mason na bateria, Richard Wright nos teclados e Roger Waters no baixo/vocal.Waters saiu da banda faz quase 20 anos, e essa é a primeira vez que a banda se reuniu nesse tempo todo. Foi algo um tanto espetacular. Pra quem cresceu nos anos 80 e 90, foi algo inédito.

Eles tocaram quatro músicas ( pelo menos foi as que a MTV mostrou):
Breathe e Money, do clássico Dark Side of the Moon, de 73, um dos melhores albuns da história do rock;
Confortably Numb, do também clássico The Wall, de 79;
e Wish you were here, do album homônimo de 75;

Foi muito lindo de ver Waters e Gilmour cantando juntos Wish you were here. Apesar das desavenças entre os dois, que acabou resultando na saída de Waters da banda, no Live 8 eles pareciam felizes, riam, tocavam relaxados - apesar dos dois nunca se olharam. O som tava perfeito como sempre, límpido, poderoso, imponente, e a banda continua tocando muito, Gilmour cantando muito bem, Waters não tanto, mas compensando dando mais emoção à sua voz.

Não me surpreenderia (muito) se eles voltassem a tocar juntos, fazer uma turnê especial, colocar mais um dinheiro na já abarrotada conta bancária deles. Díficil vai ser conciliar o gênio dos cabeças da banda ,Gilmour e Waters,que há anos não se falavam e só se reuniram para tocar porque, palavra deles, "a causa do Live 8 é maior que qualquer desavença entre nós". O que teria de produtores oferecendo milhões e milhões para a banda tocar...

Roger Waters sempre foi o gênio criativo da banda. Compôs a maioria das melhores músicas da banda, e quase todo o The Wall, de 1979. Gilmour é um músico excelente, mas quando Waters saiu da banda e ele teve de assumir o controle, o Pink Floyd não foi mais o mesmo. Isso foi em 85. Hoje, quase 20 anos depois, eles tocaram novamente. E eu não acredito ainda.

Sábado

Sábado de manhã quente, sol forte, vento gostoso e não quente; um dia bom para acordar cedo, tomar um café com calma, ler os jornais tranquilamente no sofá, olhar algum jogo que tenha na tv e depois Os Simpsons, comer um belo churrasco, fazer uma boa caipirinha pra acompanhar, dormir depois fechando as percianas e a porta do quarto sem qualquer pressa/despertador para acordar, acordar naquela preguiça, comer algo e ir tomar um mate no calçadão, conversar com os amigos e olhar o movimento, observar o anoitecer caminhando tranquilamente na Floriano - de preferência perto do colégio Santa Maria -, passar na Presidente lotada de gente nas calçadas, uns tomando também mate outros cerveja e acompanhando algum jogo da dupla grenal nos bares, chegar em casa. Pegar um filme, voltar para casa, jantar algo bom - de preferência pizza - olhar o Jornal, a novela, ir para o computador, jogar um futebolzinho ali no pc, e por fim, se nada surgir que te faça sair de casa, olhar um filme e dormir.Um típico sábado de tempo bom.

domingo, junho 26, 2005

Parte do texto de Luiz Gonzaga Beluzzo sobre essa coisa toda que nós estamos vivendo no Governo Lula.
Aliás, é a primeira vez que acompanho diretamente uma crise política, que tenho uma certa consciência do que está acontecendo.

"Pensar siginifca transpor", diz o filósofo Ernest Bloch. E explica: "Transpor de tal maneira que aquilo que está aí não seja ocultado nem omitido. Nem na sua necessidade, nem mesmo no movimento para superá-la.Nem nas causas da necessidade, nem mesmo no princípio da virada que nela está amadurecendo. O futuro contém o temido e o esperado. Numa sociedade em declínio, que não consegue achar uma saída para a decadência, o medo se antepõe a crise e se contrapõe a esperança."

quarta-feira, junho 22, 2005

Na correria dos últimos tempos, me esqueci do blog. Pela segunda vez.
É algo complicado manter um blog atualizado tendo a preguiça de marcadora implacável, com mais disposição que o Dunga na copa de 94 e com mais classe e esperteza que o Gamarra na zaga do Paraguai.

Abaixo vai o roteiro do documentário de rádio que eu fiz para a minha ultima disciplina de rádio. É sobre o Bob Dylan, pra encerrar a minha "fase" Bob Dylan, começada por esse documentário, continuada pelo livro dele Crônicas e botada pra dormir depois de uma overdose de escuta da "coletânea" que fiz com as músicas dele.Tenho fases para escutar música, ora gostando de uma banda, ora fascinado por outra, ora por outra, mas o curioso (ou não) é que essas fases sempre se repetem. Já tive umas 10 fases do Pearl Jam, que foi a primeira banda que eu Gostei mesmo, com G maiúsculo, e até hoje, talvez por ser a pioneira, é a que eu mais tenho carinho, que sempre cito quando se pergunta que banda tu gosta, ou mias curte. Coisas assim.


Rádio Universidade Documenta (Bob Dylan)

Em 1961, Enquanto o americano John Kennedy assumia como presidente nos Estados Unidos e comprava briga com Cuba e os socialistas

Enquanto o russo Yuri Gagarin fazia o primeiro vôo espacial tripulado e despertava os Estados Unidos para a corrida espacial

Enquanto o artista pop por excelência Andy Warhol criava a sua famosa obra usando as latas de sopa Campbell como tema

Enquanto os Beatles ensaiavam ser uma banda famosa com algumas pequenas excursões pela Europa

Enquanto tudo isso e mais um monte de coisas aconteciam pelo mundo, Robert Allen Zimmerman chegava em Nova York ,vindo do interior dos Estados Unidos, destinado a inventar um dos maiores artistas do século 20 - Bob Dylan.

Primeiro poeta da música pop, Dylan transitou pelos mais variados estilos musicais – folk, rock, country, blues, pop - sem nunca perder o lirismo e a qualidade de suas letras. Ora faz críticas contundentes e ácidas a sociedade e seus governantes, ora baladas doces e cruéis sobre o amor. No fim, o objeto de suas letras sempre foi o mesmo: o homem e o seu tempo.

Dylan chegou em Nova York disposto a, inicialmente, participar da cena folk existente, mesmo que o violão e voz tradicional do estilo fosse considerado uma “porcaria”, lançada por selos pequenos e ainda sem prestígio no país.

Depois de gravar um álbum predominante cover, em 1962, no ano seguinte Bob Dylan lança o primeiro disco com músicas próprias. The Freewheelin Bob Dylan já trazia algumas músicas que se tornariam clássicos atemporais da música pop contemporânea, como “Masters of War”, “ A hard rain’s A-gonna Fall” e “Blowin’in the Wind”.

Em seu livro Crônicas, Volume Um, uma espécie de auto biografia lançada este ano pela editora Planeta, Dylan diz : “o que eu tocava na época era canções folk com letras fortes e atrevidas, e você não precisa de pesquisas de opinião para saber que elas não combinavam com nada das rádios. As canções folk transcendiam a cultura imediata” .

Estabilizado em Nova York, Dylan gravou nove álbuns de 1963 à 1970, sendo que destes nove pelo menos quatro podem ser considerados como dos mais importantes da história do rock e da música pop . São eles: Bringing It All Back Home, de 1965, com músicas como Maggie’s Farm e Mr. Tambourine Man.

Também de 1965, Highway 61 Revisited, da clássica Like a Rolling Stone, uma das músicas mais famosas de Dylan, baseada em um conto seu que fala sobre uma garota que perde todo seu dinheiro e passa a viver vadiando pelas ruas, sentindo na pele o que outrora sempre desprezou.

Blonde on Blonde, de 1966, tem um clima circense , e conta com uma das mais belas baladas de Dylan: Just Like a Woman

John Wesley Harding, de 1968 , tem All along the Watchtower, música regravada e popularizada por Jimi Hendrix. A letra fala de um apocalipse iminente contado de trás para frente

Na primeira metade dos anos 70, Dylan foi muito cobrado pela críticos. Eles diziam que o músico tinha “decaído” em suas composições, que estava apenas se repetindo.

Como Dylan nunca se preocupou com as críticas, em 1973 gravou Knockin”on Heaven’s Door para o filme de faroeste Pat garret e Billy the Kid ,do diretor Sam Peckinpah. A música foi um dos maiores sucessos do músico, regravada inúmeras vezes. O brasileiro Zé Ramalho fez a sua versão para o português, com o nome de Bate na Porta do Céu

Ainda nos anos 70, Dylan gravou o álbum que é considerado por muitos críticos como o melhor de sua carreira: Blood on Tracks, de 75.
Diferente da raiva e do cunho político dos anos 60, em Blood on Tracks Dylan fala de si, da dor que sentia depois de acabar com sua esposa, Sara.

Cada letra é uma história completa, um pequeno conto sobre amor, solidão e perda. O instrumental simples destaca bem o conteúdo das letras, como se Dylan quisesse que prestássemos atenção apenas no que realmente importa na vida. A faixa nove, If you see her say hello, é uma das mais tristes do álbum.

Em Shelter from the Storm, faixa nove de Blood on Tracks, Dylan usa uma metáfora poderosa para falar da salvação através do amor:

Foi em uma outra vida
Uma de labuta e sangue
Quando trevas eram uma virtude
E a estrada estava coberta de lama
Eu cheguei do ermo
Uma criatura vazia de formação
"Pode entrar", ela disse
"Te darei abrigo da tempestade"
...De repente eu me viro
E ela está ali de pé
Com braceletes de prata nos seus pulsos
E flores em seu cabelo
Ela se chegou em mim tão graciosamente
E retirou minha coroa de espinhos
"Pode entrar", ela disse
"Te darei abrigo da tempestade"
Agora existe uma parede entre nós
Algo se perdeu
Fiquei mal acostumado demais
Fiquei com os sinais cruzados
Só de pensar que tudo começou
Em uma longa esquecida manhã
"Pode entrar", ela disse
"Te darei abrigo da tempestade."

Um ano depois, em 76, Dylan retoma seu lado político. A canção Hurricane, do álbum Desire, é um manifesto contra a prisão do boxeador Rubin Carter, acusado injustamente de assassinato. No refrão Dylan deixa bem claro sua intenção com a música.

A letra diz : aí vem a história do Furacão, o homem que as autoridades acabaram culpando por algo que ele nunca fez , colocando numa cela de prisão, mas houve um tempo em que podia ter sido o campeão mundial.

Em 1999, foi feito um filme contando a história de Robin Carter, interpretado por Denzel Washington. A música de Dylan fez parte da trilha sonora.

Como todo grande artistista, Dylan teve seus altos e baixos.O período do final dos anos 70 até o início dos 80 pode ser considerado um dos mais baixos de Dylan .

Mesmo gravando discos e fazendo shows, Bob Dylan já não tinha a mesma inspiração de antes. Retrato dessa fase é o album Saved, de 1980, que apresenta um Bob Dylan “cristão”, com letras de quase louvor a Deus. Felizmente, a fase durou pouco.

Nos anos 90, Dylan diminuiu o ritmo de sua produção, o que não afetou em nada na sua qualidade. O disco Unplugged, de 95, deu nova roupagem à alguns clássicos, apresentando o artista à nova geração.

Dois anos depois, recebeu um prêmio grammy pelo album Time out of Mind, de 97, e um oscar pela canção Things have changed. Mesmo com a saúde um pouco abalada, Dylan ainda permanecia o mesmo aritsta, agora com o acréscimo da sabedoria da maturidade.

Hoje em dia, Dylan não pensa mais em gravar albuns. Ele não tem mais a ambição de abalar as estruturas, embora rumores de que ele possa entrar em estúdio para agravar um disco novo surjam a todo momento. Mas Dylan pode ficar sossegado: a sua contribuição para a cultura e a música pop já foram dadas.

Mais do que inventar um dos grandes artistas do século XX, Robert Allen Zimermann – vulgo Bob Dylan – conseguiu uma façanha ainda maior: se reinventar.

Quando a crítica taxou-o de repetitivo, Dylan mostrou que poderia ser surpreendente e cantar as dores de um coração partido, como fez nos anos 70.

Quando acharam que a conversão ao cristianismo seria definitiva e afetaria para sempre suas músicas, Dylan lançou um album chamado “infiel” e mostrou que o louvor a Deus em suas músicas era passageiro.

Quando acharam que ele estava velho e não tinha mais nada a dizer, Dylan mostrou que sua veia de protesto, mesmo em um mundo tão diferente quanto o da sua juventude, ainda era forte.

Ao se reinventar, Dylan criou um outro problema: sua importância é tanta que ele não serve mais como parâmetro para nada. É um caso a parte.

É muito difícil que um novo artista consiga superar a trajetória de Dylan, ou mesmo exercer papel tão importante quanto o dele na música pop.

O músico e compositor Fausto Fawcett diz sobre a importância de Bob Dylan para a música pop:
“A música pop sempre haiva sido feita para os hormonautas, os adolescentes. Dylan deu um nó nisso. Ele forneceu um enlevo acima do burburinho intelecutal, o que forçou o jovem a não ser tão sonolento .”


Eduardo Bueno, no pósfacio da edição brasileira do livro de Bob Dylan, Crônicas, Volume Um, diz:

“Bob Dylan sempre foi um sujeito com um violão e um ponto de vista.Ou com uma guitarra e um ponto de vista. Ou com sua banda ( a única boa o suficiente para ser chamada apenas de The Band) e um novo e indecifrável ponto de vista. Os pontos de vista acabaram se tornando um mapa para a história da música pop depois de 1962. A trilha que ele abriu, e ao longo do qual percorreu todas as estações, manteve seus seguidores permanentemente à beira do abismo.
Bob Dylan sempre fingiu que é dor a dor que deveras sente.



(com algumas alterações, já que foi feito para rádio, né.)

segunda-feira, junho 13, 2005

Umnh.
Nunca fui de acreditar em horóscopos, mas de vez em quando me rendo a alguns de seus conselhos.
Sim, porque os horóscopos - aqueles clássicos de jornais - só dão sugestões, conselhos . É meio que um ciclo: são tantas pessoas, caminhos diferentes, que , em algum momento, as pessoas vão se identificar com aquilo que tá escrito. É como um "super amigo", uma pessoa que tenha milhões de amigos espalhados pelo mundo e goste de dar conselhos para todos. Se somos um amigo dessa pessoa, em algum momento um de seus conselhos vai servir pra nós.
Tá, outro dia termino isso.

Escutando: bob dylan - blood on tracks

quinta-feira, junho 09, 2005

Nunca tinha me dado conta antes, isso é lamentável. Mas o jornalista é um eterno frustrado, o nº1 do país dos frustrados, o rei da frustradaria.
Veja só:

1)Jornalista deve ser jornalista 24 horas por dia. Nunca desligar, sempre estar "a par" das coisas realmente relevantes que acontecem no nosso país.
Tá.

2)Devendo estar "a par" de tudo o que acontece no país e no mundo, é humanamente impossível saber tudo de tudo que se quer ou se deve estar "a par".
Ok.

3)Como não se têm condições de saber tudo de tudo que se deveria estar "a par", os jornalistas acabam sabendo "um pouquinho" de cada coisa, para - se ao menos não estarem - fingir que estão " a par".
Aham.

4)Sabendo um pouquinho de cada coisa que o jornalista deveria estar "a par", ele só pode puxar uma conversa, por exemplo, e nunca ir até o final, já que ele não tem argumentos suficientes, pois ele sabe apenas "um pouqinho" para estar "a par".

Conclusão: O jornalista é um frustrado, pois o ofício lhe exige que esteja "a par" de tudo , sem nunca saber "a fundo" nada. O jornalista vive na superfície do conhecimento. Sabe um pouqinho de tudo, muito de nada.
A esperança de fugir da frustração está na infância do jornalista. Crescer com uma paixão por alguma coisa como música, literatura, cinema, esporte ou política o faz ter algumas chances de fugir da superfície em pelo menos algum assunto. Mas, mesmo assim, a paixão criada na infância de nada vale se não for alimentada durante a adolescência, principalmente, e em toda a vida.
Mas como o jornalista deve estar sempre "a par" de tudo, ele acaba não tendo tempo de poder alimentar decentemente sua paixão de infância. Resultado: frustração.


É. Por qualquer caminho que se siga, a frustração vai ir atrás, correndo lado a lado, por muitas vezes tomando a frente, e por algumas muito poucas vezes ela ficará para trás. Resta os jornalistas colocarem um foguete nas costas da frustração, mas de modo que ela vá para trás.
Mas como?
Como?

segunda-feira, junho 06, 2005

Nada.

Depois de um dia extremamente cansativo, uma noite de (bom) sono - coisa rara em muito tempo - , de um jogo interessante sem qualquer tipo de sofrimento, de um churrasco como há muito não via - com direito a sobremesa caprichada e salada excelente(milagre!) -, de uma volta no centro cheio de pessoas tomando mate e "se caçando", de um filme/animação filosófico maluco e "profundo" como um livro do Sartre ou do Kant, de um começo de roteiro de documentário de rádio sobre o Bob Dylan extremamente legal e recompensador ,de calor quase "veranil" em pleno junho, de uma expectativa de começo de semana não tão atribulada quanto às anteriores, de uma pequena vontade - não inspiração - extraordinária de escrever alguma coisa de ficção, enfim, depois de tudo isso, eu vou dormir.

sexta-feira, junho 03, 2005

Internet é um negócio estranho. MSNs e assemelhados trazem uma relação de proximidade, intimidade - amizade até - em pouquíssimo tempo. Muito mais que telefone, muito mais rápido que pessoalmente, porque no cara a cara tem todo aquele jogo do olhar - o mais importante - , dos gestos, da entonação da voz, do lugar de onde se está falando que atrasa bastante a intimidade. O problema em todos os casos de aproximação é o medo das consequências, que pessoalmente é muito mais forte.É muito mais difícil se fingir algo na frente da outra pessoa, o desprezo da outra parte vai ser evidente, claríssimo.
Nos MSNs da vida a gente tem um contato tão íntimo com certas pessoas, é engraçado de se observar. A aproximação é mais fácil; basta perguntar por algum gosto em comum que o papo já flui. E tem aquela coisa da despedida também, que tu sempre manda "beijos". Ora, é fácil escrever "beijos", difícil é dar um beijo de despedida em alguém, mais ainda é desejar pessoalmente um "boa noite" ou um "dorme com os anjos", "sonha comigo" . A falta de um olhar, mais do que gestos e a voz, faz a aproximação ser mais fácil. Mas será que sendo cego é mais fácil de se aproximar das pessoas?
Sei lá. Pode ser besteira.Complicado...

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Engraçado: a cada dia de faculdade me sinto mais incompetente com o que eu faço, mas, ao mesmo tempo, mais feliz comigo mesmo. Parece que nasci para ser incompetente,para incetivar os outros a fazerem algo que eu quero mas por preguiça não faço,passo para outro, como se o outro fazendo eu me realizasse, não por completo, claro, mas por parte. E , por ser incompetente, parece que me contento em me realizar por parte.
Por mais que para outra pessoa isso possa parecer um excesso de pessimismo da minha parte, eu me sinto bem dizendo isso, nada triste. É engraçado...


Escutando: Iggy Pop - The passenger

"I am the passenger
And I ride and I ride
I ride through the city’s backside
I see the stars come out of the sky
Yeah, they’re bright in a hollow sky
You know it looks so good tonight"
Pois é. Radicalmente diferente de humor hoje.

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Da mesma forma, radicalmente sem inspiração pra escrever. Talvez estando angustiado e meio "down" seja mais fácil escrever, realmente. Ou de tanto pensar que seja mais fácil acaba se fazendo uma auto-indução.Ou sei lá também....

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Bob Dylan - The times they are A-changin'

Come gather 'round people
Wherever you roam
And admit that the waters
Around you have grown
And accept it that soon
You'll be drenched to the bone.
If your time to you
Is worth savin'
Then you better start swimmin'
Or you'll sink like a stone
For the times they are a-changin'

Lendo: Bob Dylan, Crônicas Volume Um.

domingo, maio 29, 2005

"Here ya are, at the top of the tower...

Há uma vontade tremenda de jogar tudo pro alto. Largar todas as obrigações, acordar e dormir consciente de que nada espera amanhã nem te atormenta hoje.
Ah se fosse fácil... Ah!
Mais uma vez, dominado pelo medo. Arrepender-se de coisas que não se fez, ficar lamentando a noite inteira de não ter feito e imaginando como seria se não existisse o medo - pelo menos não naquele momento. Mas não há como voltar atrás, e não deveria haver como pensar em certas coisas que se deixou de fazer.
Ah se fosse fácil... Ah!
No fundo se sabe que é apenas temporário a dor de ter sido, mais uma vez, dominado pelo medo.Mas nem sabendo disso se consegue atenuar o sofrimento. Os constantes "flashes" do que poderia ter acontecido ou de um detalhe não percebido na hora e que não se sabe porque parece fazer uma diferença enorme agora.A sensação de derrota sempre presente e expandida para quase todas as áreas, quase todas as coisas...
Ah se fosse fácil... Ah!
Não teria graça. Nenhuma.


Escutando: Mark Lanegan - House a home

"
Could a body take that much
Alone through every waking hour
Asleep without nobody to touch
Whoa,whoa,whoa,and
Only silence here
Whoa,whoa,whoa,and
Lonely silence here
And I'm not the one
Make your house a home
Makes no sense to stay
Through one more lonely last day
Oh no babe, it's not right
"

sexta-feira, maio 27, 2005

Parentes visitando, muito frio, coisas para fazer no feriado (ligações que eu tanto não gosto), tomar mate no calçadão...

Não há muito o que pensar, refletir agora...

Escutando: Oasis - don't believe the truth (album)
Muito bom esse o cd novo do Oasis. Depois dos 2 últimos trabalhos serem bem ruinzinhos - uma tentativa de mal sucedida de repetir a sonoridade dos dois primeiros cds com algumas poucas( e ruins) inovações - esse Don't believe the truth finalmente eles acertaram a mão, inovaram sem errar. A sonoridade é a mais diferente de todos os albuns do Oasis: Lyla lembra The Who (pelo ritmo da bateria), The meaning of Soul lembra... um pouco do tal "novo rock" de coisas como the vines, raveonettes... Uma levada no violão bem interessante; Love like a bomb uma baladinha acústica diferente das baladas tradicionais do Oasis, com uns toques de teclado, lembra Beatles da fase Revolver; Mucky Fingers, cantado por Noel, lembra Velvet Underground, algo que o Oasis nunca nem chegou perto de parecer, e tem um pouco de punk de The Who, Beatles com uma gaitinha de boca(?). Eles souberam dosar as referências atuais, do rock contemporâneo, com as antigas, a musica dos anos 60,beatles, etc já tradicionais em se tratando de Oasis. Baita album.

terça-feira, maio 24, 2005

Fantasmas

Têm algumas coisas que insistem em não desaparecer, ou então aparecer nas horas mais impróprias, quando algo já parece um passado tão antigo que nem mais é lembrado.

Surgindo das profundezas mais escondidas, esfumaçadas, escuras, de um lugar onde nem parece mais existir de tanto que é profundo e distante, a lembrança mesmo assim consegue surgir - e surgir na tua frente - trazendo toda uma carga que se queria que fosse esquecida, mas que se sabe que não é nada fácil, pelo contrário, é uma das coisas mais difíceis de se acontecer. E o que é desesperador, angustiante,sufocante, é ter de passar por isso e saber que é um processo inevitável, a primeira fase de um longo processo que acontece e que não há maneiras de evitar, só de encurtá-lo.Para isso que essas lembranças deveriam ser escondidas em lugares onde não pudessem ser mais desenterradas. Depois de se ter julgado o motivo delas terem de ir para lá, inevitavelmente e sem volta,é que se esconde ao máximo, se enterra o mais profundo possível. Se é pra ser inevitável, que seja , mas que doa o menos possível.

Mas é grande a possibilidade de o fantasma voltar, mesmo assim.



Escutando: Sonic Youth - 100%, dirty boots, kill your idols, drunken butterfly.

segunda-feira, maio 23, 2005

"Finally we meet"

Terminei.
Alívio. Satisfação. Cabeça cansada mas ativa, feliz, parece que pronta para outra. Só que é preciso alguns breves momentos de paz e tranqulidade, não pensar em nada, para que ela descanse o suficiente para estar preparada para o que vier.
Verdadeiramente.


Muitas decisões e trabalhos pensantes depois de um dia e (quase) meio de estar focado apenas em uma coisa. Aguardar

" Não tem a impressão, Cláudia, de que ao empreendermos uma atividade qualquer é como se renuciássemos a uma parte do que somos para nos integrar numa máquina, quase sempre desconhecida, uma centopéia na qual seremos apenas anel e um par de peidos, no sentido locomotor do termo? "
Julio Cortázar - Os prêmios

domingo, maio 22, 2005

hmnnn...

Só para não ficar vazio.

Muitos trabalhos, "Showrnalismo", crítica a televisão, a indústria cultural é uma merda embecilizante, nós somos todos esquecidos por demás e a televisão é a nossa memória, a novela é uma droga mas o brasileiro gosta, o dia está lindo mas eu não posso sair de casa por causa da bendita Televisão e a sua programação embecilizante.


Muito trabalho, muito trabalho, muita leitura, muita leitura, muita digitação no teclado, muita chatice, muito cansaço mental, muita besteira, Muito legal.



Lendo: O grande "Showrnalismo - A notícia como espetáculo" do José Arbex Jr.

quarta-feira, maio 18, 2005

Bah!

Hola!
Putz, um mês sem postar.Saco, não to conseguindo manter esse blog, como eu temia e até achava, mas não conseguia acreditar.
No momento ando tão esquecido, mas tão esquecido, que resolvi tomar uma atitude inusitada para amenizar a situação: resolvi usar um velho caderninho meu para me acompanhar onde eu for.Se for ler algo interessante em uma revista, anoto no caderninho. Se converso algo interessante com qualquer pessoa, anoto no caderninho. Vejo um filme, anoto algumas coisas para não me esquecer. O grau de esquecimento era tanto que na hora de contar sobre uma coisa que li numa revista, por exemplo, acabava me esquecendo e falando tudo errado, me confundia todo. Tinha que tomar uma atitude contra isso, tava por demais me prejudicando. Não sei se adiantou, é cedo pra analisar, mas espero que a médio prazo adiante. Vamos ver.

Escutando...
Ultimamente, muito Mark Lanegan, uma das melhores vozes que eu já ouvi na vida. Ele é o ex-vocalista do Screaming Trees, cláaassica banda grunge vinda de Seattle e dona do quase-hit "nearly lost you".A voz dele é impressionante de tão grave.Exala alcool e melancolia, como se ele estivesse num bar escuro e esfumaçado diante de uma garrafa de whisky com um copo na mão bebendo pra esquecer o fora que levou de alguma mulher. É algo impressioante mesmo. Fiz uma coletânea dele, peguei um pouco de cada um dos 5 albuns que ele têm. Muito bom para escutar numa noite chuvosa regada a um vinho.
Manhã escrevo sobre o que estou lendo. Até!